Algumas observações de François Mauriac sobre a arte de escrever romances:

François Mauriac

« Todo romancista deve inventar sua própria técnica, eis aí a verdade. Cada romance digno de tal nome é como outro planeta, quer seja grande ou pequeno, com suas próprias leis, assim como possui sua flora e sua fauna. Assim, a técnica de Faulkner é certamente a melhor para pintar o mundo de Faulkner, sendo que o pesadelo de Kafka criou seus próprios mitos, que o tornam comunicável. Benjamin Constant, Stendhal, Eugène Frometin, Jacques Rivière, Radiguet, todos usavam técnicas diferentes, tomavam liberdades diferentes e impunham a si próprios tarefas diferentes. A obra de arte, em si, quer seu título seja Adolphe, Lucien Leuwen, Dominique, Le Diable au Corps, ou À la Recherche du Temps Perdu, é a solução quanto ao problema da técnica.»

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« Minha opinião não mudou. Creio que meus confrades romancistas mais jovens se acham grandemente preocupados com a técnica. Parecem pensar que um bom romance deve seguir certas normas impostas de fora. Na verdade, porém, tal preocupação os tolhe e embaraça em sua criação. O grande romancista não depende de ninguém, exceto de si próprio. Proust não se assemelhava a nenhum de seus antecessores, e não teve, não poderia ter, quaisquer sucessores. O grande romancista quebra o seu molde; só ele pode usá-lo. Balzac criou o romance “balzaquiano”; seu estilo se adaptava apenas a Balzac. Há um laço estreito entre a originalidade de um romancista em geral e a qualidade pessoal de seu estilo. Um estilo emprestado é um mau estilo. Romancistas americanos, de Faulkner a Hemingway, inventaram um estilo que não pode ser transferido a seus adeptos.»

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«(…) A preocupação com tais questões (qual técnica?) constitui um obstáculo para o romance francês. A crise no romance francês, de que tanta gente fala, será solucionada tão pronto nossos jovens escritores consigam libertar-se da idéia ingênua de que Joyce, Kafka e Faulkner são os detentores das tábuas da lei da técnica da literatura de ficção. Estou convencido de que um homem dotado do temperamento real de romancista transcenderá tais tabus, tais normas imaginárias.»

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« Escrevo sempre que me apraz. Durante um período criador, escrevo todos os dias. Um romance não deve ser interrompido. Quando deixo de ser transportado, quando já não sinto como se estivesse recebendo um ditado, paro.»

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« Sinto que o primeiro dever do escritor é ser ele próprio, aceitar suas limitações. O esforço de auto-expressão deveria afetar sua maneira de expressão.»