palavras aos homens e mulheres da Madrugada

Mês: novembro 2010 Page 1 of 3

Vincent Van Gogh fala da incompreensão do público

Vincent Van Gogh

(…) Levo as coisas com paciência, na falta de outro modo de suportá-las, mas esta contínua contrariedade com os modelos é bem irritante. Espero fazer esses dias um estudo de loureiros-rosa. Se pintássemos polidamente Bouguereau, as pessoas não teriam vergonha de se deixar pintar; mas creio que o fato de acharem que o que eu faço é “mal feito”, que não é mais que quadros cheios de tinta, me fez perder muitos modelos. Então as honradas putas têm medo de se comprometer e de que zombem de seus retratos. E há com o que quase se desanimar, quando sentimos que poderíamos fazer tantas coisas se as pessoas tivessem um pouco mais de boa vontade. Não posso me resignar a dizer que “as uvas estão verdes”, não me consolo por não ter mais modelos.

Enfim, é preciso ter paciência e voltar a procurar outros…

E se, quando jovens, podemos acreditar que pelo trabalho assíduo podemos satisfazer nossas necessidades, isto atualmente torna-se cada vez mais duvidoso. Disse de novo a Gauguin, em minha última carta, que se pintássemos como Bouguereau poderíamos esperar ganhar alguma coisa, mas que o público jamais mudará, e só gosta de coisas suaves e polidas. Tendo um talento mais austero, não se deve contar com o produto do próprio trabalho; a maioria das pessoas inteligentes o suficiente para compreender e gostar dos quadros impressionistas são e continuarão a ser pobres demais para comprá-los. Será que Gauguin ou eu trabalharemos menos só por causa disto? Não – mas seremos obrigados a aceitar a pobreza e o isolamento social como coisas inerentes. E, para começar, instalemo-nos aonde a vida for mais barata. Tanto melhor se o sucesso vier, tanto melhor se algum dia pudermos viver mais folgadamente.

O que me toca o coração na obra de Zola é esta figura de Bongrand-Jundt.

É tão verdadeiro o que ele diz: “Acreditam, infelizes, que quando o artista conquistou seu talento  e sua reputação, passa a estar ao abrigo? Pelo contrário, a partir de então fica-lhe proibido produzir algo que não seja totalmente bom. Sua própria reputação o obriga a cuidar tanto mais de seu trabalho, quanto as chances de venda se rarefazem. Ao menor sinal de fraqueza, toda a malta invejosa lhe cai em cima e destrói exatamente essa reputação e essa fé que um público inconstante e traiçoeiro momentaneamente teve nele”.

Mais forte que isto é o que diz Carlyle:

“Conheceis aqueles vagalumes que no Brasil são tão luminosos, que à noite as damas fincam com alfinetes em suas cabeleiras; a glória é muito boa, mas, vede, ela é para o artista o que o alfinete é para esses insetos.

“Quereis triunfar e brilhar; sabeis exatamente o que estais desejando?”

Ora, eu tenho horror ao sucesso, receio a ressaca de um sucesso dos impressionistas, os dias já difíceis de hoje nos parecerão mais tarde ter sido “os bons tempos”.

Pois bem, Gauguin e eu temos que nos prevenir, temos que trabalhar para ter um telhado sobre a cabeça, camas, enfim, o indispensável para agüentar o cerco do fracasso, que durará por toda nossa existência, e temos de nos fixar no lugar mais barato. Só então teremos a tranqüilidade necessária para produzir bastante, mesmo vendendo pouco ou não vendendo nada…

Concluo: viver mais ou menos como monges ou eremitas, tendo o trabalho como primeira paixão, com a resignação do bem-estar. (…)

Agosto de 1888

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Cartas a Théo, de Vincent Van Gogh

José Antônio de Almeida Prado (1943-2010)



Domingo, dia 21 de Novembro, faleceu em São Paulo o compositor erudito José Antônio de Almeida Prado, membro da Academia Brasileira de Música e ex-aluno de Olivier Messiaen, compositor que, num campo de concentração nazista, compôs o Quarteto para o Fim dos Tempos. Conheci Almeida Prado em 1999, na Casa do Sol, residência da escritora Hilda Hilst, sua prima. Nos dois anos em que lá morei, ele nos visitou em três ocasiões. Tínhamos longas conversas sobre arte, música, religião ― ele era católico ― e outros temas não muito ortodoxos. Num dia em que o acompanhei até uma farmácia para comprar insulina ― ele era diabético ―, Almeida Prado me disse: “Hildinha falou que você também está lendo sobre projeções astrais. É verdade?” Envergonhado como um garoto que tem as Playboys e Hustlers confiscadas pela mãe, que, por puro acaso, levantara o colchão para trocar aquele imundo lençol, comecei a gaguejar, afinal, não saio por aí revelando a meus amigos intelectuais, acadêmicos ou semelhantes tais gostos pervertidos de leitura. E ele: “É que tenho uma história que nunca contei a ninguém mas que gostaria de lhe contar”. Ufa, pensei. E acrescentei: “Manda bala, sou todo Ovídios”. E eis o que ouvi:

“Na noite em que comecei a compor o movimento das ‘Cartas Celestes’ que trata de Urano, fui acometido, ao piano, por um cansaço enorme, por um peso dolorido na nuca. Vendo que já era demasiado tarde ― e aproveitando que estava mesmo tendo dificuldades com a composição ― pus a um lado as partituras, o lápis e fui me deitar: ‘melhor retomar amanhã, quando estiver com melhor disposição’. Já na cama, deitado de costas, fiquei pensando no meu trabalho, na importância que aquela obra teria para mim e tal e, assim, fui caindo naquela letargia que antecede o sono. De repente, senti, sabe?, aquele tranco e, meio aflito, abri os olhos: Yuri, que susto! Eu estava flutuando em cima do telhado da minha casa! Quando eu já começava a me desesperar, acreditando estar morto, surgiu à minha frente uma esfera de luz azul que, rapidamente, veio a meu encontro e se chocou comigo. Na mesma hora já me vi dentro de uma espécie de tubo muito comprido ― aliás, as laterais pareciam a superfíce de um desses muros chapiscados ―, o qual me sugava como um aspirador. Quando a viagem acabou ― parecia uma viagem de elevador sem a inércia ― eu me encontrei flutuando sobre uma planície muito bonita e sob um céu de uma tonalidade e luz que eu nunca vira: esta não é a Terra, pensei. ‘Você está em Urano’, disse calmamente uma voz ao meu lado. Olhei em sua direção e vi um homem bastante alto, vestindo apenas uma túnica: ‘Não tenha medo, não vou lhe fazer mal.’ e, pegando-me pela mão, me levou a sobrevoar a região. Depois de me mostrar tudo ― vi diversos prédios afastados uns dos outros, como em Brasília, mas sem o menor sinal de ruas ― ele me olhou diretamente nos olhos e falou com bondade e firmeza: ‘Você notou? Não há o menor sinal de conflito aqui. Todos os que aqui estão vieram em missão de paz. Estamos aqui para ajudar seu planeta. Não estamos em guerra com ninguém. Portanto, volte ao seu trabalho e refaça todo o movimento sobre Urano das suas ‘Cartas Celestes’. Se permanecer como está, você estará mentindo, transmitindo uma mensagem falsa sobre nossa missão. Vá com Deus!” E, de súbito, a esfera de luz azul, vinda não sei de onde, chocou-se novamente comigo. Refiz o percurso pelo tubo de muro chapiscado e, então, sofri novo tranco, já em minha cama. Levantei elétrico, os pelos arrepiados, o corpo formigando. Corri para o piano e, de uma só vez, compus todo o novo movimento sobre Urano. E o cara tinha razão: antes ele estava muito Stravinsky, muito ‘Sagração da Primavera’.”

Ao terminar seu relato, Almeida Prado me disse: “Não vai sair contando isso por aí não, Yuri [ooops!], senão vão achar que tô doido e vão me tirar da UNICAMP. Se alguém me perguntar, não vou negar, mas também não vou confirmar”. E ria.

Em outra ocasião, Almeida Prado me falou de sua viagem até Medjugorje, na ex-Iugoslávia (Bósnia), aonde se dirigiu atraído pelos relatos da aparição de Nossa Senhora. Juntamente com outras dezenas de pessoas viu uma cruz de luz sobre Krizevak, a Montanha da Cruz. Uma chuva com cheiro de rosas caía sobre todos. Havia quase cem pessoas ali, mas nem todas eram capazes de enxergar a cruz. Comovido pela dádiva de poder vê-la, Almeida Prado se ajoelhou para orar e, então, ouviu a voz da mensageira celeste a falar em seu ouvido. Sentiu que ela o abraçava e o confortava. Disse-me que ela discorreu sobre seus problemas pessoais e o consolou. Sob a chuva, ele chorou de alegria. Sintetizou a experiência na composição para piano “Rosário de Medjugorje”.

Assim como Jacques Bergier e Louis Pauwels tão bem colocavam, acredito que nosso universo não pode ter outra natureza senão a do fantástico, a do imprevisível. Almeida Prado acreditava no mesmo e, quando encontrava pessoas que compartilhavam a mesma convicção, desfiava suas histórias.

Tenha uma boa viagem, amigo. Vá com Deus.

Atualizações semanais no Twitter em 2010-11-22

  • Quando um certo alguém fizer uma crítica ao seu filme via Twitter e Facebook, não fique magoadinho não, talvez seu filme seja ruim mesmo. #
  • Imagens do Umbral? RT @cassiaq: Pitbull é pra boiola… http://bit.ly/ajYYAn %^> #
  • Uma visão do crossdressing by Angeli http://bit.ly/dAvZb4 #dilma #lula #
  • "Diretores jovens têm obsessão pela câmera. Com eles, em vez de vermos as pessoas, vemos apenas a câmera." John Ford #cinema #filmmaking #
  • Repórter: "¿O que esperava conseguir com seus primeiros filmes?" John Ford: "Esperava conseguir um cheque". #cinema #filmmaking #
  • "O ponto central da narrativa é a justiça e, caminhando com esta, o sacrifício do herói." ~ John Ford #
  • A bagunça do Enem e o Movimento dos Sem-UNE: "UNE e afins existem para impedir que a sociedade reaja" http://j.mp/9FaBrk #
  • Dar o Jabuti de Melhor Obra de Ficção a Chico Buarque (2°lugar em Melhor Romance) é como considerar Barrichello o melhor piloto da temporada #
  • Haití se rebela contra Naciones Unidas – http://j.mp/cX3kCK #
  • Como diz um dos comentários a essa notícia, "comemorou as Olimpíadas? Agora, paga a conta": http://bit.ly/bRkult #tributos #foro #RJ #
  • Amazon Studios seleciona roteiros para produção de filmes em parceria com a Warner Bros. http://bit.ly/d2vRNO #cinema #filmmaking #
  • "Welcome to Amazon Studios: Win money. Get noticed. Get your movie made." http://bit.ly/bPtx1C #filmmaking #cinema #
  • Mecanismos complexos expressos em animações simples http://bit.ly/aqFDRo #
  • E os muçulmanos já pegaram no pé até mesmo da Brigitte Bardot… http://on.wsj.com/ac1FYF #Eurabia #
  • "No Brasil, a ânsia de bajular é uma paixão avassaladora, inebriante, incontrolável." http://bit.ly/9E0JME #
  • "George W. Bush: Torturador-em-Chefe" (E os métodos de Tortura da Al-Qaida) http://bit.ly/dfIzeO #
  • "What To Keep and What To Cut" http://bit.ly/c7oERa (by @spressfield) #
  • Dentro de 20 ou 30 anos, quando seus filhos forem à Europa, só encontrarão Barbies assim para suas netas: http://bit.ly/dCZHm1 #Eurabia #
  • "Geert Wilders Warning to America" (Político holandês descreve o nascimento da Eurábia) http://bit.ly/9l6w3I #islamismo #
  • "American soldiers did not die for an islamized Europe. They died for a free Europe." ~ Geert Wilders http://bit.ly/cvGFEr #eurabia #
  • A cena em que Chico Xavier (no filme homônimo) reza de joelhos acompanhado pelas prostitutas dum bordel é o máximo. Adorei aquilo. %^> #
  • Novo site de e-commerce da Google, o Boutiques http://bit.ly/bjwWcg (Matéria no NY Times: http://nyti.ms/aozGeo ) #moda #fashion #roupas #
  • Quase alcança meu segundo livro. %^> RT @publishnews: Em uma semana, foram vendidos mais de 775 mil exemplares da biografia de George Bush #
  • De novo: agora a mulherada vai enlouquecer com o SITE DE MODA da Google… http://bit.ly/bjwWcg #fashion #boutique #roupas #estilo #
  • As regalias que Dilma terá na presidência da república. http://bit.ly/a5c94F (via @abcaldas) #
  • Bombeiro proíbe crucifixo e gera polêmica no interior de SP http://bit.ly/cVDTva #

Last Day Dream (2009), de Chris Milk

Dizem que a vida inteira passa diante de nossos olhos à hora da morte…

O cinema de John Ford: vitória moral

John Ford

« Operada a necessária distanciação, que pode motivar um julgamento mais profundo, creio que a obra de John Ford resiste e persiste. A pureza da sua encenação, sempre imediatamente visual, sempre simples – e portanto essencial – assenta sobretudo na sugestão dinâmica do enquadramento (“moving picture” em que tudo ocorre), na “montagem invisível” dos planos quase sempre fixos, sem efeitos nem piruetas técnicas, e na qualidade humana das personagens, levemente carregada no bem e no mal, que as torna fascinantes diante do espectador.

« Qualquer filme de Ford, nos últimos anos sem certos formalismos naturalistas ou expressionistas que prejudicavam a sua veia mais genuína, é um apelo à vida, à esperança, à possibilidade de os homens se encontrarem, mesmo que para tal encontro tenha de ser usada a força. É o sentido da comunidade, da família, do homem nascido da terra e da tradição, buscando as suas verdadeiras raízes, que preocupa o cineasta, que na pureza dos espaços livres do Oeste, do mundo dos pioneiros, ou nos raros refúgios de paz encontra as linhas depuradas de união.

« Os dois John Ford, de que falava Domingos Mascarenhas, acabam por ser um único, pois toda a sua obra é afinal uma obra visão, aparentemente contraditória, defendendo aqui a actualidade para logo ali lhe preferir a lenda, propondo numa altura certas figuras de chefe para sugerir mais adiante a rebeldia de uns quantos, esquecendo várias vezes a mulher para logo a valorizar, cantando os feitos da cavalaria americana para defender depois o povo índio contra essa mesma cavalaria.

« Essa duplicidade funciona sobretudo ao nível da visão dos filmes, quase sempre muito directos e muito fáceis de entender numa primeira apreciação, muito mais profundos e subtis para lá dessa visão inicial de superfície, ricos de pormenor, de observação humana, de original entendimento das coisas.

« Tal processo de aparências é sobretudo detectável de modo como constrói a vitória das suas personagens centrais, aparentemente derrotadas, mas glorificadas nessa mesma derrota, vencedoras no plano dos valores, símbolos de algo perene que ultrapassa o homem. Talvez por isso os seus “heróis” sejam personagens secundárias da história, mas ricas de humanidade e sabedoria, verdadeiros amigos, marcos evidentes da família humana.

« A sua ideia mais profunda é a do retorno às origens, uma espécie de renascer que, como católico, o leva a adoptar o pensamento essencial da Ressurreição. E, se me dessem a escolher, dentre as muitas frases-chave da sua obra, escolheria com certeza as palavras finais de “Homens para queimar” [no Brasil, “Fomos os sacrificados”], quando os sobreviventes caminham ao longo da praia abandonada, sem rumo certo, mas com a certeza de que os seus passos levam a melhores dias: “We shall return” – havemos de voltar.»
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Fonte: John Ford, de Luis de Pina.

Atualizações semanais no Twitter em 2010-11-15

  • «Shakespeare wrote Moby-Dick, using Melville as a Ouija board.» Ray Bradbury http://j.mp/aYonV6 #
  • Para muita gente o Twitter não passa de um meio de veicular sua Sit Down Comedy… %^> #
  • Abaixo-assinado Contra o retorno da CPMF – Movimento Endireita Brasil http://j.mp/dB0PL9 #
  • Quando irão mudar o nome dessa tiriricagem de "Enem" para "Ah, nem!"? (Se vc não conhece a expressão, recorra a um amigo goiano.) #
  • "Neste país, só os revolucionários e criminosos são profissionais." http://bit.ly/dmFAiE #
  • "Congresso quer aumentar o próprio salário e o de Dilma" http://bit.ly/cUjP2R #
  • "The best description of my career as a writer is 'at play in the fields of the Lord'." Ray Bradbury #
  • Designers vs. Clientes (Isso me lembra a ocasião em que escrevi 19 roteiros para uma agência de BSB e só recebi por um) http://bit.ly/bQs0Qv #
  • Em São Paulo, ninguém lhe pergunta "como vai?" e sim "o que você faz?", o que me lembra a resposta duma amiga(Luciene): "Eu sou rica, e vc?" #
  • Ah, não, gente! Agora que o Laerte é crossdresser, só faltava ele começar a namorar o Angeli… http://j.mp/9VcqJE %^> #
  • 29 de novembro, FRANCIS FORD COPPOLA estará presente em um bate-papo na FAAP: http://j.mp/9RZOcz #cinema #
  • Algo me diz (ou alguém, né @abcaldas) que Robert Louis Stevenson se inspirou na TPM da esposa para escrever O Médico e o Monstro… %^/ #
  • Se a origem da expressão "merda p/ vocês" (usada no teatro) é essa, podemos atualizá-la para "monóxido de carbono p/ vcs" http://j.mp/dawm3z #
  • Em vez dum saco plástico na cabeça, o Capitão Nascimento poderia usar um fone de ouvido com esse som do Conlon Nancarrow: http://j.mp/9uTMNx #
  • "CCJ do Senado aprova proposta que impede vice
    de suceder presidente" http://j.mp/coYTkh #
  • "Equipe médica não pode comer ou beber na presença de muçulmanos durante o mês do Ramadã em um hospital escocês" (2007) http://j.mp/9hrrON #
  • P/ não ofender muçulmanos, cofres de porquinhos foram banidos como símbolo de poupança em 2 importantes bancos britânicos http://j.mp/bLm3fc #
  • Todos os islamistas concordam com o objetivo de aplicar a lei islâmica globalmente. Mas discordam qto a usar a violência: http://j.mp/aEkkQJ #
  • "A Violência política da Bíblia e do Corão" http://j.mp/aFRUhf #islamismo #cristianismo #judaismo #
  • Antes da difusão do email, eu era um epistoleiro que pentelhava os amigos com cartas de 30 páginas. Agora sou apenas um e-pistoleiro… %^/ #
  • "Cristianismo sobrevive no Oriente Médio graças aos padres casados." http://j.mp/9IDPhi #middleeast #priests #Christianity #
  • Tudo bem, seria no mínimo engraçado se Andy Kaufman realmente ainda estivesse vivo… http://j.mp/a9v6cg #
  • Sobre Cristovam Buarque: http://bit.ly/bpPFqV e http://bit.ly/aHSKkx #
  • Hoje, aniversário de Fiódor Dostoiévski. http://j.mp/add8vU #escritores #literatura #
  • Melhor seria escalar o Cerro Fitz Roy durante o inverno a passar novamente por tudo isso… #
  • "Luta armada, caramba, não é idéia, não é doutrina, não é teoria filosófica: é matar pessoas." http://j.mp/adrFJp #
  • E uma amiga me disse que é mais fácil falar com a Dilma do que comigo. Deve ser verdade. Não tenho visto muitos seres humanos recentemente. #
  • Revisitando aquele vídeo maravilhoso que bombou anos atrás: "O jardineiro é Jesus e as árveres somos nozes" http://j.mp/bbHqYq Ahahaha! #
  • Hoje, aniversário de Robert Louis Stevenson, autor de The Strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde (O Médico e o Monstro) http://j.mp/9HggHH #
  • Dizem que Robert Louis Stevenson escreveu O Médico e o Monstro sob efeito de cocaína. Mas acho que se inspirou mesmo na TPM da esposa… %^/ #
  • Dor de cabeça = síndrome de abstinência de café. #
  • Que vergonha, o aniversário de Carlo Emilio Gadda é hoje e a versão pt da Wikipédia diz que é 14 de Maio. Vou corrigi-la. http://j.mp/bCt8GM #
  • "A carta do Grupo Record que denuncia que os jabutis estão em cima das árvores" http://j.mp/bVX0JO #
  • "Os países mais corruptos do mundo são aqueles em que há mais empresas públicas. Quanto mais estado, mais sem-vergonhice" http://j.mp/9zDApZ #

Ray Bradbury, o contribuinte e a viagem a Marte

Ray Bradbury

   Março de 2000: O contribuinte

Ele queria ir a Marte no foguete. Foi até o campo de foguetes de manhã cedo e gritou através da cerca de arame, para os homens fardados, que queria ir a Marte. Disse-lhes que era um contribuinte, chamava-se Pritchard e tinha todo o direito de ir a Marte. Não havia nascido ali em Ohio? Não era um cidadão cumpridor de seus deveres? Então por que não podia ir a Marte? Sacudiu o punho cerrado na direção deles e disse-lhes que queria ir embora da Terra, que qualquer pessoa com a cabeça no lugar queria ir embora da Terra. Dentro de dois anos iria ser desencadeada uma enorme guerra atômica na Terra e ele não queria estar ali quando isso acontecesse. Ele e milhares de outros como ele, se tivessem bom senso, quereriam ir para Marte. Pergunte-lhes se não quereriam! Ficar longe de guerras, censuras, estatizações, conscrição, controle governamental disto e daquilo, da arte e da ciência! Vocês podem ficar com a Terra! Estava lhes oferecendo sua mão direita, seu coração, sua cabeça, pela oportunidade de ir para Marte! Que se devia fazer, que se devia assinar, que se devia saber para embarcar no foguete?
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As Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury.

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