Colin Wilson

« William Blake passou a vida em completa obscuridade; sua voz sempre teve um tom profético, mas ele nunca falou de um púlpito popular. Enquanto viveu, foi considerado louco, maníaco; nem mesmo seus amigos acreditavam em seu gênio. Blake não se perturbava; continuava trabalhando regularmente, produzindo seus quadros impopulares e seus poemas épicos menos populares ainda, vivendo como podia. Assumiu o saudável ponto de vista dos estóicos gregos, segundo o qual nada lhe faltava de que realmente precisava:

Tenho alegria mental e saúde mental
E amigos mentais e bens mentais
Tenho uma esposa que amo e que me ama
Tenho tudo menos riqueza material.

« A luta de Blake foi muito parecida com a de Nietzsche; e as semelhanças entre os dois na maneira de ver o mundo são espantosas, se considerarmos os oitenta anos de diferença entre o nascimento de um e de outro: Blake é contemporâneo do dr. Johnson, e Nietzsche, de Dostoiévski. Blake, em todo caso, teve a sorte de ter uma esposa que compartilhava de suas lutas, uma jovem absolutamente dócil que sempre viu o marido como um grande homem. Uma tal mulher poderia ter salvo Nietzsche da insanidade.

« A fama, acreditava Blake, era desnecessária para o gênio. O homem nasce só e morre só. Se ele permitir que suas relações sociais o enganem, levando-o a esquecer sua fundamental solidão, estará vivendo uma felicidade ilusória.»

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Trecho de O Outsider, de Colin Wilson.