Quando Monteiro Lobato vendeu a fazenda que herdou da família para investir em sua primeira editora, muitos escritores e editores lhe asseguraram que tal empreendimento não era senão uma loucura já que, naquela época, um bom livro raramente vendia mais que mil exemplares ao longo de cinco anos. Logo, diziam-lhe, quando conseguiria recuperar essa grana? Provavelmente nunca. Contudo, além de ser um grande escritor, Lobato era também um empreendedor de visão: partindo do princípio de que “livro é sobremesa: tem que ser posto debaixo do nariz do freguês”, foi a diversas agências de Correio da cidade de São Paulo e reuniu numa lista enorme os endereços de todo e qualquer tipo de comércio existente Brasil afora: quitandas, mercadinhos, docerias, bancas de revistas, farmácias e, claro, livrarias. Escreveu então a seus proprietários oferecendo o livro Reinações de Narizinho em consignação, com o cuidado de guardar para si qualquer risco proveniente do negócio: se o livro não fosse vendido, ele pagaria do próprio bolso pelo retorno da mercadoria. E foi assim que, em um ano, vendeu 50 mil exemplares de seu famoso livro infantil.

Como é possível que, em pleno século XXI, com internet e tudo mais, a venda de um bom livro não ultrapasse os 1000 exemplares anuais? Há menos leitores hoje do que havia em 1931? Duvido.