12:48 pmParafraseando Martin Niemöller

Quando tomaram toda aquela terra, eu calei-me, porque, afinal, eu não possuía terras. Quando eles descuraram a segurança, eu calei-me, porque, afinal, nenhum dos meus familiares sofreu latrocínio. Quando eles transformaram a educação superior em catequese progressista, eu não me importei, porque, afinal, eu já havia me formado e a universidade já não significava nada para mim. Quando eles desapropriaram imóveis nas cidades, eu não protestei, porque, afinal, eu não possuía imóveis. Quando contrataram médicos cubanos especialistas em doutrinação socialista, eu não protestei, porque, afinal, eu não era médico e o socialismo já era coisa do passado. Quando fizeram uma lista negra com jornalistas de oposição, todos conservadores, eu não reclamei, porque, afinal, eu não era jornalista e muito menos conservador. Quando roubaram dinheiro da Petrobrás, não me incomodei, porque, afinal, eu não possuía ações da Petrobrás. Quando indicaram juízes para o STF escolhidos por razões ideológicas, e não por mérito, calei-me, porque, afinal, nunca tive problemas com a justiça. Quando liberaram o uso de drogas apenas para financiar as atividades das FARC, eu não me escandalizei, porque, afinal, não uso drogas e a Colômbia fica longe daqui. Quando demitiram meus colegas cuja visão política era de direita, eu não me comovi, porque, afinal, eu não era de direita. Quando proibiram as orações em ambiente de trabalho, e os crucifixos nas paredes dos escritórios, eu não me chateei, porque, afinal, nunca fui religioso. Quando aumentaram os impostos para 60% do PIB, não me indignei, porque, afinal, não trabalho no setor privado — muito pelo contrário: sou funcionário público, ganho bem, tenho estabilidade, e uma maior arrecadação poderia significar mais aumentos no meu salário. Quando o país finalmente quebrou e eles resolveram colocar todos os idiotas na rua, além de mandar os idiotas que reclamaram para trás das grades, eu me fodi, porque, afinal, quem não era idiota já havia deixado o país e não sobrara mais ninguém para protestar…

Yuri Vieira

___

« Em grego, idios quer dizer “o mesmo”. Idiotes, de onde veio o nosso termo “idiota”, é o sujeito que nada enxerga além dele mesmo, que julga tudo pela sua própria pequenez.»

Olavo de Carvalho

___

Para conhecer Martin Niemöller, clique aqui.

9:15 amPaul Harvey: “Se eu fosse o Diabo”

3:51 pmDeclaração de Praga sobre Consciência Europeia e Comunismo

Comunismo = Nazismo

Como colaborador da Wikipédia, fiz uma tradução meia-boca do artigo sobre a “Declaração de Praga sobre Consciência Europeia e Comunismo” e da própria declaração, cujo texto propriamente dito é este:

A declaração clama:

1– “levar a toda Europa o entendimento de que os regimes totalitários nazista e comunista precisam ser julgados por seus próprios e terríveis méritos, isto é, por suas políticas destrutivas impostas mediante a aplicação sistemática de formas extremas de terror e a supressão de todas as liberdades civis e humanas, pela eclosão de guerras agressivas e — como parte inseparável de suas ideologias — pelo extermínio e deportação de nações inteiras e de grandes grupos populacionais; e por tudo isso tais regimes devem ser considerados os principais desastres que macularam o século 20”

2– “o reconhecimento de que muitos crimes cometidos em nome do comunismo devem ser considerados crimes contra a humanidade, servindo portanto como um aviso para as gerações futuras, tal como os crimes nazistas foram considerados pelo Tribunal de Nuremberg”

3– “a formulação de uma abordagem comum sobre os crimes dos regimes totalitários, nomeadamente dos Regimes Comunistas, e a ampliação em toda a Europa da consciência relativa a esses crimes comunistas, definindo claramente uma atitude comum para com eles”

4– “a introdução de legislação que dê permissão aos tribunais para julgar e punir os perpetradores dos crimes comunistas e compensar suas vítimas”

5– “garantir o princípio da igualdade de tratamento e não discriminação das vítimas de todos os regimes totalitários”

6– “a pressão europeia e internacional para a condenação efetiva dos crimes comunistas do passado e para a luta eficaz contra os crimes comunistas em curso”

7– “o reconhecimento do comunismo como parte integrante e terrível da história comum da Europa”

8– “a aceitação da responsabilidade pan-europeia nos crimes cometidos pelo comunismo”

9– “o estabelecimento do dia 23 de Agosto, o dia da assinatura do pacto Hitler-Stalin, conhecido como o Pacto Molotov-Ribbentrop, como o dia de recordação das vítimas de ambos os regimes totalitários, os regimes nazista e comunista, tal como a Europa recorda as vítimas do Holocausto em 27 de janeiro ”

10– “atitudes responsáveis dos Parlamentos Nacionais no que se refere ao reconhecimento dos crimes comunistas como crimes contra a humanidade, levando a uma legislação apropriada, e ao monitoramento parlamentar dessa legislação”

11– “o debate público eficaz sobre o uso comercial e político indevido dos símbolos comunistas”

12– “a continuação das audiências da Comissão Europeia sobre as vítimas de regimes totalitários, com vista à elaboração de uma comunicação da Comissão”

13– “o estabelecimento em países europeus, que tenham sido governados por regimes comunistas totalitários, de comitês compostos por peritos independentes, com a tarefa de recolher e avaliar informações sobre as violações dos direitos humanos a nível nacional sob o regime comunista totalitário, com vistas a colaborar estreitamente com um comitê de especialistas do Conselho da Europa”

14– “assegurar um quadro jurídico internacional claro visando um acesso livre e irrestrito aos arquivos que contêm informações sobre os crimes do comunismo”

15– “a criação de um Instituto da Memória e Consciência Europeias”

16– “a organização de uma conferência internacional sobre os crimes cometidos pelos regimes comunistas totalitários, com a participação de representantes de governos, parlamentares, acadêmicos, especialistas e ONGs, com resultados a serem amplamente divulgados em todo o mundo”

17– “o ajuste e revisão de livros de história da Europa para que as crianças possam aprender e ser alertadas sobre o comunismo e seus crimes, tal como são ensinadas a avaliar os crimes nazistas”

18– “o debate amplo e minucioso em toda a Europa da história e do legado comunista”

19– “a comemoração conjunta no próximo ano do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, do massacre da Praça Tiananmen e das mortes na Romênia”

A declaração cita a Resolução 1481 do Conselho da Europa, bem como “resoluções sobre os crimes comunistas adotadas por vários Parlamentos nacionais”. A Declaração foi precedida pela Audiência Pública Europeia sobre Crimes Cometidos por Regimes Totalitários.

9:29 amCompre meus ebooks no Google Play

google play

Por alguma razão irônica — afinal a Google é a empresa que criou a melhor ferramenta de buscas da internet –, meus ebooks podem ser encontrados facilmente na Amazon, na Kobo Books, na Livraria Cultura, na Agbook e no Clube de Autores, contudo, caso você pesquise meu nome no Google Play, não encontrará livro algum! Mas eles estão lá! Enquanto esse problema bizarro não é resolvido, publico abaixo os links para os livros já disponíveis na referida loja online. (Os ebooks adquiridos no Google Play estão no formato EPUB, logo, podem ser lidos em smartphones e tablets com Android, no iPhone, no iPad e em ereaders que aceitem EPUB, tais como o Sony Reader, o Nook e o Kobo.)

Os ebooks:

A Tragicomédia Acadêmica — Contos Imediatos do Terceiro Grau;

A Bacante da Boca do Lixo;

Mestre de um Universo;

Tlön, Urântia, Borges, Deus;

A Visitante do Planeta X.

Para conhecer meus outros livros (impressos) e ebooks, clique aqui.

______
Atualização do dia 6 de Junho de 2013: meus ebooks começaram finalmente a aparecer na busca do Google Play.

6:25 am1ª Semana do Livro Digital

Livro Digital

A Simplíssimo, empresa que além de produzir livros digitais também oferece treinamento para outras editoras, irá promover a 1ª Semana do Livro Digital entre 3 e 9 de Março de 2013. Inspirada na Read an eBook Week, o evento tem o objetivo de estimular a popularização da leitura de e-books.

Editoras, livrarias e autores independentes que queiram participar, devem visitar esta página. Promoções, descontos e livros digitais gratuitos serão divulgados pelo site. Leitores podem ajudar a divulgar o evento compartilhando os banners nas redes sociais e nos blogs.

E chega de contrapor livros impressos a livros digitais. São ambos instrumentos importantes destinados a dividir nossa atenção por igual, cada qual se mostrando mais adequado a esta ou àquela situação. Para quem realmente gosta de ler, a conjunção correta é a conjunção “e”, e não a conjunção “ou”. Eu leio livros e e-books. Quem lê apenas ou um ou o outro ainda não entendeu o significado desta nova tecnologia.

_____

P.S.: Criei um ebook com o conto memorialístico “O Marceneiro e o Poeta” — tal como a que estará presente no livro “O Exorcista na Casa do Sol” — que será distribuído gratuitamente durante o evento. (Quem leu a versão do meu site notará alguns acréscimos.) O ebook está em formato EPUB e pode ser lido no iPad, no celular ou no ereader.

3:28 pmReligião e Sociedades Secretas – podcast com Olavo de Carvalho

Há exatos seis anos, publiquei meu sexto podcast com o filósofo Olavo de Carvalho, no qual conversamos sobre “Religião e Sociedades Secretas”. (Veja os tópicos logo abaixo de cada parte.) Volto a postá-lo aqui, em duas partes, porque, dentre todos os gravados naquele ano (2006), foi exatamente este o que mais me marcou. A primeira parte — que chamo de “lado A” — foi ouvida, até o momento, mais de 97 mil vezes. A segunda parte (“lado B”), por alguma razão que desconheço, foi danificada no YouTube quando já havia sido ouvida mais de 22 mil vezes. Voltei a postá-la novamente e, hoje, conta 5160 acessos. Não sei o porquê dessa discrepância de acessos entre as duas partes, mas a questão é que considero a segunda parte tão ou mais importante que a primeira. Creio que, na primeira, Olavo prepara a mesa enquanto que, na segunda, ele nos serve um banquete. O que Olavo fala sobre a fé, nessa segunda parte, é algo que jamais esquecerei. Não sugiro que seja ouvida antes ou em vez da primeira parte, mas, sim, que não seja deixada de lado. Você irá entender o porquê.


Neste sexto bate-papo, “lado A”, o filósofo Olavo de Carvalho discorre sobre os seguintes temas: Islã, Frithjof Schuon, religião comparada, judaísmo/hinduísmo/budismo; Conceito de religião, revelação e doutrina; Cristianismo, o indiví­duo, fé e crença; a filosofia perene; Martin Heidegger; religião evolutiva?; Islã e terrorismo; queda do Império Romano, os feudos, a Igreja Católica, racionalismo e moral cristã; Emmanuel Swedenborg, a Bí­blia; ateus; sociedades secretas, Maçonaria, os Illuminati; René Guénon, o caos e a unidade do Islã, califado mundial; etc.


Neste sexto podcast, “lado B”, Olavo discorre sobre os seguintes tópicos: pensamento epidérmico e pensamento profundo; diferença entre Deus e Alá; fraternidade; a conversão acentuadamente “civil” islâmica e a conversão estritamente espiritual cristã; o Verbo Divino; Fé e confiança; a conversão não é instantânea; a Salvação; o pensamento de Jacques Derrida como testemunho da perdição da alma; a Imortalidade; o Livro de Urântia (Urantia Book); a Bí­blia e a literatura; a Bí­blia como chave para interpretação da vida pessoal; alma fechada e alma aberta; a diferença entre o poeta e o louco; “Deus não é objeto para o pensamento”; “o desconstrucionismo, o marxismo e a psicanálise defendem-se da crí­tica tal como o faz o homossexualismo”; unidade planetária e globalização; abismos culturais; George Soros; “os quatro graus de credibilidade”; maturidade intelectual; uma dica de filme; o lançamento de sua rádio online (TrueOutspeak).

2:15 pmPoemas aos Homens do Nosso Tempo, de Hilda Hilst (lidos por mim)

Seleção de apenas quatro dos Poemas aos Homens do Nosso Tempo, que pertencem ao livro Júbilo Memória Noviciado da Paixão (1974). Em vista da perene má qualidade de nossos políticos, continuam mais do que atuais. (Sim, estava devendo a leitura de alguns poemas da Hilda. Se não os gravasse, ao reencontrá-la do lado de lá, ela certamente iria me esculhambar: “É, você gravou o Fernando Pessoa e nem se lembrou de mim!”. Taurinas…)

    •   Poemas aos homens do nosso tempo (2,4 MiB, 1.682 hits)

    • Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

10:40 pmAdmirável e Só para Selvagens, no Rio de Janeiro

Nossa peça, que esteve em cartaz no SESC Copacabana durante o mês de Janeiro, está em cartaz no Teatro Municipal do Jockey, na Gávea. Veja mais informações no cartaz abaixo (clique na imagem para ampliá-la):

Admirável e Só para Selvagens

A trilha sonora original, composta por quizzik, pode ser ouvida online integralmente:

Admiravel e so para Selvagens – Soundtrack by quizzik

8:40 pmFaça gratuitamente o download dos meus ebooks nos formatos PDF, EPUB (Sony Reader, iPad, Positivo Alfa, etc.) e MOBI (Kindle, iPhone, Android, Blackberry)

A Tragicomédia Acadêmica – Contos Imediatos do Terceiro Grau

Um livro de contos que satiriza todos os âmbitos da vida universitária.

A Bacante da Boca do Lixo e Outros Escritos da Virada do Milênio

Coletânea de contos, crônicas e um ensaio escritos entre 1993 e 2008. Todos os textos trazem – seja de modo explícito ou implícito – um pouco do clima apocalíptico que contagiou aqueles anos.

Caso você possua um iPad e prefira ler o livro em PDF, use este aplicativo de leitura gratuito.

______
Atualização de Julho de 2012: Devido a acordos com editoras, esses livros não estão mais disponíveis de graça. Visite a página de livros para saber com mais detalhes onde adquiri-los. (Incluindo as versões impressas.)

12:24 amVincent Van Gogh fala da incompreensão do público

Vincent Van Gogh

(…) Levo as coisas com paciência, na falta de outro modo de suportá-las, mas esta contínua contrariedade com os modelos é bem irritante. Espero fazer esses dias um estudo de loureiros-rosa. Se pintássemos polidamente Bouguereau, as pessoas não teriam vergonha de se deixar pintar; mas creio que o fato de acharem que o que eu faço é “mal feito”, que não é mais que quadros cheios de tinta, me fez perder muitos modelos. Então as honradas putas têm medo de se comprometer e de que zombem de seus retratos. E há com o que quase se desanimar, quando sentimos que poderíamos fazer tantas coisas se as pessoas tivessem um pouco mais de boa vontade. Não posso me resignar a dizer que “as uvas estão verdes”, não me consolo por não ter mais modelos.

Enfim, é preciso ter paciência e voltar a procurar outros…

E se, quando jovens, podemos acreditar que pelo trabalho assíduo podemos satisfazer nossas necessidades, isto atualmente torna-se cada vez mais duvidoso. Disse de novo a Gauguin, em minha última carta, que se pintássemos como Bouguereau poderíamos esperar ganhar alguma coisa, mas que o público jamais mudará, e só gosta de coisas suaves e polidas. Tendo um talento mais austero, não se deve contar com o produto do próprio trabalho; a maioria das pessoas inteligentes o suficiente para compreender e gostar dos quadros impressionistas são e continuarão a ser pobres demais para comprá-los. Será que Gauguin ou eu trabalharemos menos só por causa disto? Não – mas seremos obrigados a aceitar a pobreza e o isolamento social como coisas inerentes. E, para começar, instalemo-nos aonde a vida for mais barata. Tanto melhor se o sucesso vier, tanto melhor se algum dia pudermos viver mais folgadamente.

O que me toca o coração na obra de Zola é esta figura de Bongrand-Jundt.

É tão verdadeiro o que ele diz: “Acreditam, infelizes, que quando o artista conquistou seu talento  e sua reputação, passa a estar ao abrigo? Pelo contrário, a partir de então fica-lhe proibido produzir algo que não seja totalmente bom. Sua própria reputação o obriga a cuidar tanto mais de seu trabalho, quanto as chances de venda se rarefazem. Ao menor sinal de fraqueza, toda a malta invejosa lhe cai em cima e destrói exatamente essa reputação e essa fé que um público inconstante e traiçoeiro momentaneamente teve nele”.

Mais forte que isto é o que diz Carlyle:

“Conheceis aqueles vagalumes que no Brasil são tão luminosos, que à noite as damas fincam com alfinetes em suas cabeleiras; a glória é muito boa, mas, vede, ela é para o artista o que o alfinete é para esses insetos.

“Quereis triunfar e brilhar; sabeis exatamente o que estais desejando?”

Ora, eu tenho horror ao sucesso, receio a ressaca de um sucesso dos impressionistas, os dias já difíceis de hoje nos parecerão mais tarde ter sido “os bons tempos”.

Pois bem, Gauguin e eu temos que nos prevenir, temos que trabalhar para ter um telhado sobre a cabeça, camas, enfim, o indispensável para agüentar o cerco do fracasso, que durará por toda nossa existência, e temos de nos fixar no lugar mais barato. Só então teremos a tranqüilidade necessária para produzir bastante, mesmo vendendo pouco ou não vendendo nada…

Concluo: viver mais ou menos como monges ou eremitas, tendo o trabalho como primeira paixão, com a resignação do bem-estar. (…)

Agosto de 1888

______

Cartas a Théo, de Vincent Van Gogh