Blog do Yuri

palavras aos homens e mulheres da Madrugada

Categoria: Cinema (Página 2 de 10)

XXX_Machina

— Nossa! O filme “Ex_Machina” é demais!!

— Besteira. A Inteligência Artificial jamais será autoconsciente. O homem não pode conceder a outro aquilo que ele não criou e que não possui explicação técnica, material. Aquele funcionário nerd do filme perdeu foi a oportunidade de fazer amizade com o chefe barbudo. Juntos poderiam planejar novos empreendimentos, tipo uma companhia de aviação com aeromoças andróidas submissas que fazem boquetes nos passageiros dominantes.

— Puts! Você é um pervertido mesmo.

— Eu não, aquele CEO é que era um pervertido. Vivia sozinho com um harém de roboas. (Sacou? Roboas: robôs femininos com jeito de mulheres boas, gostosas.) Aliás, o funcionário devia ter feito como ele e partido logo para uma suruba com a Ava e com a… como se chamava? Kyoko? (Linda a japonesa, muito mais gata do que a Ava!) Bom, essa suruba seria apenas uma punheta cibernética, mas, desse modo, o filme seria no mínimo mais realista do que essa bobagem de Inteligência Artificial com autoconsciência… Imagine o drama de ficar comendo roboas sem conseguir ter um relacionamento de verdade… Seria um filme muito melhor: uma metáfora do nosso próprio mundo. Só um nerd que não come ninguém cai na conversa fiada de uma andróida gostosa. Já em “2001: Uma Odisséia no Espaço”, por exemplo, há ao menos uma explicação aparentemente sobrenatural para a existência do maquiavélico HAL: aquele monólito preto. A autoconsciência é um mistério, meu caro. Não é meramente saber: é saber que sabe, é ter consciência de que tem consciência. Não é resultado de um algoritmo…

— Sim, mas ninguém disse que aquela andróide realmente adquiriu Inteligência Artificial ou, como você diz, autoconsciência. Quem chega a acreditar nisso é o empregado nerd. Ela apenas levou a cabo, da melhor maneira possível, todos os passos necessários para atingir seu objetivo: sair daquela cela.

— Mas, no final, ela vai até aquela esquina, observar o movimento da rua, algo que ela havia dito ao otário sem ter sido programada. Ela expressou um desejo e máquinas não possuem desejos.

— Ela tinha acesso a um enorme banco de dados do tipo do Google: provavelmente estava apenas emulando o desejo de algum internauta escolhido ao acaso.

— Ok. Então vamos supor que você está certo, que o filme não é como o 2001 do Kubrick e ela portanto não adquiriu uma autoconsciência efetiva: então, no fundo, o filme foi sobre uma pegadinha! O nerd caiu numa pegadinha apenas porque, ao contrário do que qualquer pessoa sensata, considerou a autoconsciência de uma máquina como algo possível. Ele acreditou que um humano deu autoconsciência àquela andróide. Só um espectador tão bobo quanto ele é capaz de encarar esse filme como um drama e não como a comédia sem graça que, na verdade, ele é.

— Ah, desisto.

— Ótimo. Eu já havia terminado.

10 anos: parece que foi ontem

Em 2006, publiquei cerca de dez horas de entrevista (em áudio) com Olavo de Carvalho, sua primeira aparição no YouTube. Eu procurava, procurava, procurava e não encontrava nada sobre ele ali. ¿Como era possível? ¿Depois de Olavo ter escrito todos aqueles livros?! Absurdo. Então lhe fiz a proposta e ele a aceitou. Nas gravações, a atualidade de tudo o que ele diz é espantosa. Desde então, graças ao movimento revolucionário, o Brasil permaneceu completamente atolado. Ou melhor: afundou mais.

Quem não ouviu essa conversa — que acabou dando origem ao programa True Outspeak — não sabe o que está perdendo…

Caso alguém queira baixar os arquivos MP3, clique aqui.

Ouça a entrevista completa abaixo:

Cinema e pão com mortadela

Em geral, no set de filmagem, a única pessoa que realmente sabe o que está acontecendo é o diretor. Os demais têm apenas uma “idéia geral”. O filme está na cabeça do diretor e suas ordens e indicações são tanto mais freqüentes quanto menor for o entendimento dessa idéia geral por parte dos demais membros da equipe. Mas o diretor só fala o essencial, isto é, só o necessário para que todos se adéquem à sua visão. Um ator pode não ter a mínima pista sobre a razão de tal cena estar sendo rodada, mas isso só importará ao diretor se esse ator começar a atrapalhar o filme. Se mesmo sem entender, ele atuar corretamente — e para isso basta que o ator compreenda seu personagem, e não o filme completo — o diretor não sentirá a menor necessidade de lhe dar maiores explicações. Se é assim com um ator, imagine com relação aos figurantes. Figurantes figuram, ponto. Recebem um mínimo de indicações para saber como agir, ou como não agir, e pronto. Por isso o trabalho de figurante pode ser tão entediante: tanta espera para participar de algo que não compreende! Por isso os figurantes precisam ser sempre pagos. Por isso compreendo completamente o PT, quando paga seus figurantes com pão e mortadela. Segundo minha experiência, nada torna o figurante mais irritadiço do que a fome. Sim, ele não precisa saber por que, enfim, está ali. Mas sua barriga precisa ficar calada, ela não pode interferir na sua performance. Ou a ficção resultante de seu trabalho não irá colar.

ESPELHO — 8 anos de idade

Quase ninguém sabe — provavelmente apenas a Cassia — mas escolhi o dia 21 de Agosto de 2007 para lançar o curta-metragem ESPELHO porque, neste dia, segundo o “livro azul”, é aniversário de Jesus. Para quem ainda não assistiu ao filme, fica aqui o convite. Infelizmente não experimentará o mesmo efeito que costuma ocorrer nas salas de cinema, onde o público, no início, acaba reagindo tal como o desassossegado protagonista: daí o “efeito espelho”. Hoje, concordo com alguns críticos: talvez eu tenha exagerado na verborragia. Mas também concordo com um amigo de São Paulo, segundo o qual, e modéstia à parte, este curta está entre os dez melhores realizados na década passada, pois consegue unir uma narrativa tradicional a uma abordagem experimental. (Aliás, foi Dib Lutfi, o mestre da câmera em movimento, quem me aconselhou: “Mantenha o plano estático quase o filme inteiro”.) Enfim, olho para meu trabalho e, apesar dos pesares (principalmente a pobreza de recursos), vejo que é bom. E os invejosos ‘que se jodan’.

Entendam, meninas

"Rhett, se você se for, aonde devo ir? O que devo fazer?"
“Rhett, se você se for, aonde devo ir? O que devo fazer?”

Meninas, vocês não entenderam nada. A intenção da autora não era fazê-las enxergar Scarlett O’Hara como um modelo perfeito de feminilidade a ser imitado de cima a baixo. Parem com isso. Mulher de verdade ali era a Melanie Hamilton. Se querem ser empreendedoras, tentem imaginar como seria uma Melanie empreendedora, e não aquela doida da Scarlett. O método da Scarlett só funciona enquanto ainda há beleza física… depois… depois nada mais senão ranger de dentes e solidão. Dito isso, confesso que estou com vontade de rever E O Vento Levou apenas para ouvir, numa das últimas cenas, quando finalmente lhe cai a ficha e decide abandoná-la, o desiludido do Rhett Butler dizer mais uma vez: “Frankly, my dear, I don’t give a damn”. Algo como — num português que faria jus ao personagem — “Francamente, minha querida, tô pouco me fodendo”.

Jericho X Jerichoacoara

Jericho

Não sei se vocês já viram no Netflix uma série chamada JERICHO. São as aventuras e desventuras de uma cidade do interior dos EUA após a explosão de umas vinte bombas nucleares em solo americano. De repente, o povo vê aquele cogumelo no horizonte e apenas semanas depois — já sem energia elétrica, comunicação e combustíveis, e com pouco alimento — descobre a gravidade da situação: o país já foi até mesmo dividido em três e está à beira de nova guerra civil. (Os culpados pelo Armagedom, claro, foram escolhidos pelos roteiristas a dedo esquerdo…) Enfim… imaginei uma versão brasileira da série: JERICHOACOARA. Um sujeito se manda para umas férias em Jericoacoara, fica deslumbrado com o lugar e decide largar tudo para viver ali. Casa-se com uma linda hippie, ex-modelo, compra uma pousadinha, tem uns quatro filhos e, apenas após vinte anos, descobre que o mundo, três dias depois de sua mudança para lá, havia sido completamente devastado por uma guerra nuclear. Em Jericoacoara ninguém ficou sabendo…

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DRÁCULA E OS CULTOS NEOPENTECOSTAIS
Dizem que, nos cultos neopentecostais, os pastores falam mais do diabo do que de Deus. Dizem que eles preferem aqueles rituais de exorcismo a pregar o Evangelho. Eu nunca presenciei tais cenas porque não sou pentecostal. Vi apenas alguns vídeos, os quais, aliás, nunca mostram o culto por inteiro. Mas isso não importa. O que realmente acho curioso é que as três últimas pessoas que me fizeram tal comentário — sobre a predominância do diabo nos cultos — também adoram filmes de vampiros. ¿Será que leram “Drácula”, de Bram Stoker? (Eu disse “leram” e não “viram”. Não me refiro ao filme do Coppola.) O romance “Drácula” parece um culto pentecostal. Sério. Não porque fale apenas do diabo o tempo inteiro, mas porque seus personagens falam muito de Deus, vivem a rezar e aprendem com o professor holandês a exorcizar o mundo dessa peste sugadora de sangue. Abraham Van Helsing, a cada vinte ou trinta páginas, convoca todo mundo para orar. O cara parece um pastor. Ateus devem passar mal com essa leitura, talvez até se irritem e a abandonem. (Isto é, são exorcizados por Van Helsing juntamente com o vampiro.) Aliás, nenhum exorcismo é feito sem a invocação de uma ou mais das Pessoas da Trindade. Logo, se num culto falam muito do diabo, é porque certamente devem falar muito de Deus. Não que eu concorde com a abordagem pentecostal, mas quem não gosta dela tampouco devia curtir o livro “Drácula”. Nele, é assim: fala-se muito da Divindade como único recurso eficaz para se combater o mal. Infelizmente, com o avanço do secularismo no século XX, Deus foi retirado das histórias de vampiro. Restou apenas a cruz, que funciona mais como uma arma mágica do que como um símbolo de fé. Se Stoker escreveu uma fábula que ensina a vencer o mal mediante a fé, hoje seu personagem nefasto tornou-se um herói para aqueles que não têm fé alguma, a não ser, talvez, essa fé na paródia de imortalidade representada pelo diabólico Drácula. Ninguém mais quer saber como realmente se escapa da morte. O que vale é preservar o corpo — ainda que às custas do sangue alheio…

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Jean Uílis — não vou mais pesquisar no Google para descobrir como se escreve essa merda (se ao menos fosse como o Jeep Willys…) — enfim, o sujeito acha um absurdo deputados que rezam o Pai Nosso dentro do Congresso Nacional. ¿Por que ele não reclama com a Madonna, já que ela reza com seus dançarinos antes de entrar no palco? ¿Só porque ela não é evangélica? ¿O trabalho dela é mais importante do que o trabalho de legisladores?

Nego tem de começar a estudar um pouco de etimologia. Se o fizesse, saberia, por exemplo, que leigo/laico (laikós) é aquele sujeito que pertence ao povo cristão em geral, mas não faz parte do corpo eclesiástico da Igreja Católica. Quando o termo passou a ser usado, todo mundo se assumia como membro da Cristandade. (Mesmo o antigo povo grego considerava a impiedade um crime — que o diga Sócrates!) Estado leigo não é sinônimo de Estado ateu.

Essa conversa é velha e já deu no saco.

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“BALADA RESPONSÁVEL” É NOVILÍNGUA
Não sei se notaram, mas já não há tantos casais divertindo-se em festas, bares e baladas. Agora são uma minoria, formada provavelmente por ricos que podem pagar um motorista particular. Sim, porque hoje em dia, quando o casal sai, só um pode beber enquanto o outro fica com cara de cu, já que alguém precisa ficar sóbrio para dirigir na volta para casa. É muito chato permanecer sóbrio enquanto todo mundo em volta, inclusive sua cara-metade, está se divertindo. Se alguém acha que não é necessário beber em festas e baladas, então pergunte à Nossa Senhora por que ela insistiu tanto para que Jesus transformasse água em vinho. Chesterton, C. S. Lewis e Lin Yutang sabem explicar o porquê. Não deixar um casal beber em público é que é uma irresponsabilidade. Parecerão desconexos. Terão de beber apenas em casa, o que, tecnicamente, já não será mais uma forma de “beber socialmente”. Isto, é claro, se não discutirem perigosamente dentro do carro, ao voltar da festa, porque um estava alegrinho demais…

Anos atrás, tive uma namorada que ficava completamente louca com um simples copo de cerveja. Eu bebo um litro e nada acontece. E a porcaria da Lei Seca trata a todos como iguais. Não somos igualmente afetados pelo álcool.

Aliás, idiotas que fazem cagadas no trânsito quando bêbados também fazem cagadas quando sóbrios. Idiotas são idiotas, ponto. O resto é acidente e, como já dizia Alan Watts, o homem moderno, por mais que tente, jamais conseguirá excluir os acidentes da realidade.

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UBER
Já cheguei a ficar duas horas, após uma balada, esperando um táxi, porque, afinal, além de o governo nos impor sua Lei Seca, também limita as licenças de táxis. E agora os vereadores de São Paulo proíbem o Uber? FDP.

Franceses adoram inventar porcarias burocráticas, inclusive seus taxistas. E brasileiros adoram imitar franceses! Esse arranjo entre empresários de táxi e Estado é que é fascismo. É anti-livre mercado e o mercado “somos nozes”.

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Antes de pegar no batente diário, todo político devia ser obrigado a passar por um corredor polonês formado por seus eleitores. Seria uma forma de averiguar a real aprovação de seu trabalho.

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Ao chegar da apresentação da Orquestra Filarmônica de Goiás no Parque Flamboyant, liguei a TV e me depararei com o finalzinho daquele filme da Sandra Bullock: “Gravidade”. Então, tive uma idéia para um
NOVO FINAL PARA O FILME “GRAVIDADE”:

Depois de muitas horas lutando por sua vida, depois de pular de Estação Espacial em Estação Espacial, buscando em seguida, e desesperadamente, outras velhas naves largadas ao Deus dará por russos e chineses, enfim, depois de arriscar repetida e cosmicamente o lindo pescoço, a exausta astronauta leva sua cápsula a riscar os céus feito estrela cadente e mergulha num laguinho mixa no meio de um grande deserto. Tal como no filme original, ela tem de esperar a cápsula afundar para apenas então vencer a força da torrente de água que entra pela escotilha. Uma fez fora dela, para conseguir nadar até a superfície — e novamente tal como no filme —, ela retira o pesado e desajeitado macacão espacial, emergindo vestida apenas de calcinha e camiseta regata sexy. (Na minha versão, à guisa de comemoração, a calcinha tem as cores do arco-íris.) Ela nada até a margem e, assoberbada pelo peso de seu corpo (ou seja, pela força da gravidade), levanta-se aos trancos e barrancos, misturando tropeços infantis a risadas de triunfo. Aqui acaba a semelhança com o filme original, pois, neste exato momento, duas picapes pretas assomam no horizonte dirigindo-se a toda velocidade na direção da astronáufraga. Ela tenta dar saltos de alegria, mas, sentindo-se enfraquecida pela aventura recente, limita-se a ficar ali de pé, os joelhos juntos, os pés afastados, os braços para o ar, feito uma cheerleader bêbada. Conforme as picapes vão se aproximando, seu sorriso vai se desvanecendo, até dar lugar a olhos esbugalhados e, finalmente, a puro e simples pânico, o qual a leva a dar as costas àqueles dois veículos lotados de fanáticos do Estado Islâmico, o que, infelizmente, em nada resulta, pois a velha e boa força de GRAVIDADE a faz cair de quatro no chão. As duas picapes então estacionam a cinco metros dela, flanqueando-a e deixando-a completamente cercada. Assim, vinte e dois seguidores do profeta Mafamede a sujeitam à força e, após arrancar aquela calcinha de arco-íris, e em homenagem à mesma, estupram-na primeiro no fiofó e, em seguida, divertem-se com a pobre infiel durante doze dolorosas horas. (No filme, isso será expresso pelo movimento do Sol que irá de um horizonte ao outro, numa edição cheia de cortes, enquanto vemos a astronáufraga comer o pão que Maomé amassou.) Por fim, os fanáticos lhe cortam a cabeça e a abandonam ali para os urubus. Neste momento, que é a cena final, o fantasma do astronauta George Clooney surge ao lado do corpo da coitada, olha para a câmera e diz:

— De que vale uma mulher se deslocar tão livremente pelo espaço sideral se ela não pode fazer o mesmo na própria Terra? A única e verdadeira cor deste dia foi o vermelho…

FIM

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“Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, disse Jesus. Porém, antes de partir, e notando que a maioria dos mortais mal consegue amar a si mesma, decidiu aprimorar o mandamento: “Amai uns aos outros assim como EU vos amei”; capisce?

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Enquanto no Ocidente vão chamando as discordâncias de “ódio”, o Islã prossegue com seus assassinatos em massa…

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