« Todos os livros estavam começando a se voltar contra mim. Na verdade, devo ter sido tão cego como um morcego por não ter visto, muito antes, a absurda contradição entre minha teoria de vida e minha verdadeira experiência enquanto leitor. Os mais religiosos eram claramente aqueles em que eu realmente podia me alimentar.»
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
« Eu acho que o Brasil e Portugal, com os outros países de língua portuguesa, têm de parar com essa coisa de ficar mudando as regras ortográficas. Eu acho que é uma coisa que não ajuda em nada. É uma perda de tempo. Cria confusão, inclusive dá prejuízos. Já imaginou o que vai acontecer? Coleções de livros vão ter que ser jogadas fora e reimpressas, para obedecer a uma nova ortografia porque uma ou duas pessoas resolveram mudar a maneira de escrever a língua. Isso é uma arbitrariedade. Quem é que outorgou a essas pessoas o direito de fazer isso? A língua é patrimônio do país, da população, não é propriedade de ninguém. Não pode haver uma entidade que decide mudar a língua de todo o mundo. Isso é um absurdo. É uma coisa precária, que cria confusões, porque é impossível você encontrar uma forma de colocar todos os países de língua portuguesa em que não se crie ambigüidade nenhuma. É um sonho vão. A ortografia tem de ser uma representação da linguagem falada. Então é uma bobagem. Uma perda de tempo.»
____
Leia a entrevista completa com Ferreira Gullar: "O acordo ortográfico é uma perda de tempo". (E veja também o que ele fala sobre Lula e Dilma.)
Fonte: www.ionline.pt
domingo, 8 de agosto de 2010
O poeta Bruno Tolentino, que durante o ano de 1999 também morou na Casa do Sol (residência da escritora Hilda Hilst), tinha o costume — após encerrar seu trabalho diário no livro O Mundo como Idéia, que vinha finalizando —, de ir ou até o escritório da Hilda ou até meu quarto (que também era a biblioteca) e ficar até tarde da noite tecendo mil e um comentários sobre os mais diversos temas, principalmente literatura, filosofia, religião e política. (Digamos que tal ritual fazia parte da minha “pós-graduação desprovida do beneplácito do MEC”…)
Gostei de encontrar a palestra abaixo no You Tube porque ela, ao contrário de outras gravações que ouvi antes, apresenta Bruno exatamente como era nessas ocasiões: aberto, bem-humorado, brincalhão, brilhante, sagaz, sarcástico, erudito, tagarela…
A palestra, que a princípio trata da poesia de Vinicius de Moraes, está dividida em 12 partes (infelizmente há a intervenção inaudível de uma mulher nas últimas partes que irrita um bocado, mas não estraga o conjunto):
domingo, 1 de agosto de 2010
Desculpe, sem legendas, mas — como Hitchcock fala bem pausadamente — você irá entender.
domingo, 25 de julho de 2010

Conheci José Castello na Casa do Sol, residência da escritora Hilda Hilst, em 1999, ocasião em que foi entregar, em mãos, um exemplar do seu livro O Inventário das Sombras, no qual há um capítulo dedicado à própria Hilda. O curioso é que, naquele mês, eu havia lido Qadós, conto dela, cuja descrição do protagonista — mormente sua loucura e suas vestes — me lembrou Arthur Bispo do Rosário. Eu comentara a respeito com Hilda, que nunca tinha ouvido falar dele. E aí apareceu Castello com seu livro: um outro capítulo tratava justamente de Bispo do Rosário… (Devo observar que, tal como James Joyce, Hilda também se impressionava profundamente com qualquer coincidência. Ela não conseguia esquecer-se do fato enquanto lia o que Castello escrevera sobre Rosário. Também achava ali muitas semelhanças.)
Ah, sim: O Inventário das Sombras é um ótimo livro. O capítulo sobre Clarice Lispector é bizarro, sua histeria diante do gravador linda simultaneamente com o cômico e o patético, fica difícil concluir se ela era adepta do happining – da pegadinha (digamos) –, ou se era de fato doida de pedra…
Primeira parte:
Segunda parte:
sexta-feira, 16 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
7:17 pmObsessões de Hilda Hilst
« …escrever será um ato de, digamos, caridade, para consolar o ser humano de ser o que é? Ou escrever não tem sentido?»
« …a anedota que Paulo Mendes Campos me contou: um ser perfeito, lindíssimo, civilizadíssimo, desceu de um disco voador e o terráqueo, embasbacado, pergunta: “ah, vocês evoluíram assim foi depois do caos, é?” “É”, respondeu o outro, “surgiu lá no nosso planeta um homem chamado Jesus, que pregava o amor ao próximo e até aos inimigos”. O habitante da Terra observou: “é, aqui também, e nós o crucificamos”. O extraterrestre achou inacreditável: “cru-ci-fi-ca-ram?!” Pois no planeta dele tinham seguido Jesus e por isso tinham se tornado perfeitos todos os habitantes de lá…»
« Sinto que nós estamos naquela região das trevas, no vértice supremo das trevas, da maldade, da ignorância que o hinduísmo chama de Kali yuga. Acho que nos estamos aproximando celeremente de um desfecho apavorante, sem retorno.»
« Uma pessoa que tiver essa hiperlucidez de se compreender livre em um mundo esquizofrênico poderá sobreviver a essa iluminação interior ameaçadora?»
« Me parece que Deus não é omnipotente. Acho que Ele está irremediável e definitivamente sozinho. Deus está na escuridão, o próprio Deus luta, procura, quer que alguém Lhe estenda a mão, O ajude.»
Hilda Hilst (1930 – 2004), durante uma entrevista.
(Infelizmente, em meu bloco de anotações não consta a fonte.)
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Primeira parte:
Segunda parte:
Viktor Emil Frankl (Viena, 26 de março de 1905 — 2 de setembro de 1997) foi um médico e psiquiatra austríaco, fundador da escola da Logoterapia, que explora o sentido existencial do indivíduo e a dimensão espiritual da existência. Saiba mais.
domingo, 4 de julho de 2010
« O esforço de escrever um conto curto é tão intenso como o de começar um romance. Pois no primeiro parágrafo de um romance é preciso definir tudo: estrutura, tom, estilo, longitude, e às vezes até o caráter de algum personagem. O resto é o prazer de escrever, o mais íntimo e solitário que se possa imaginar, e se a gente não fica corrigindo o livro pelo resto da vida é porque o mesmo rigor de ferro, que faz falta para começá-lo, se impõe na hora de terminá-lo. O conto, por sua vez, não tem princípio nem fim: anda ou desanda. E se desanda, a experiência própria e a alheia ensinam que, na maioria das vezes, é mais saudável começá-lo de novo por outro caminho, ou jogá-lo no lixo.»
(…)
« Sempre acreditei que toda versão de um conto é melhor que a anterior. ¿Como saber então qual deve ser a última? É um segredo do ofício que não obedece às leis da inteligência mas à magia dos instintos, como a cozinheira que sabe quando a sopa está no ponto.»
(…)
« Às vezes me sentia escrevendo pelo puro prazer de narrar, que é talvez o estado humano que mais se parece à levitação.»
Obs.: Trechos de uma entrevista retirados de um dos meus velhos blocos de anotações que, como já disse em outros posts, também nesse caso, infelizmente, não traz indicações de fonte.
Curiosidade: Bruno Tolentino, que conheceu García Márquez pessoalmente, me disse que foi praticamente impossível ter um diálogo sério com ele, haja vista os vários baseados que ele, Márquez, não parava de fumar…
sexta-feira, 2 de julho de 2010
« Um deles, por exemplo, que me perseguirá mais que qualquer outro, é o problema da comunicação. Quero dizer, comunicação entre duas pessoas. O fato de que somos não sei quantos milhões de pessoas, e de que, não obstante, a comunicação, comunicação completa, é inteiramente impossível entre duas dessas pessoas, é para mim um dos maiores e mais trágicos temas do mundo. Quando eu era menino, isso me causava medo. Eu quase chegava a gritar. Dava-me uma sensação de isolamento, de solidão. Eis aí um tema que abordei não sei quantas vezes. Mas sei que retornará. Retornará, certamente.»
(…)
« Mas não se trata apenas da questão de o artista perscrutar seu próprio íntimo, mas, também, o dos outros, com a experiência que tem de si próprio. Ele escreve com simpatia porque sente que o seu semelhante é como ele.»
Georges Simenon
Trecho (de entrevista?) retirado de um dos meus blocos de anotações. Não sei de onde o copiei.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
« Sou um poeta fracassado. Talvez todo romancista deseje escrever antes poesia, verifique que não é capaz, e tente, então, o conto, que é a forma literária que mais exige depois da poesia. E, malogrando nisso, somente então se dedique a escrever romances.»
(…)
« [Como ser um romancista?] Noventa e cinco por cento, talento… Noventa e nove por cento, disciplina… Noventa e nove por cento, trabalho. Não deve jamais ficar satisfeito com o que faz. Jamais a coisa é tão boa como pode ser feita. Sempre sonhe e aspire a mais do que aquilo que sabe que pode fazer. Não se preocupe em ser melhor que seus contemporâneos ou antecessores. Procure ser melhor do que você mesmo. Um artista é uma criatura impelida por demônios. Não sabe por que razão eles o escolheram, e se acha habitualmente demasiado ocupado para perguntar a si próprio por que o fizeram.»
(…)
« A qualidade que um artista deve possuir é objetividade para julgar seu trabalho, além da honestidade e da coragem de não enganar a si próprio a respeito dele.»
(…)
« Um escritor precisa de três coisas — experiência, observação e imaginação — duas das quais e, às vezes, qualquer uma delas, podem suprir a falta das demais. Comigo, em geral, a história começa com uma simples idéia, uma lembrança ou uma imagem mental. A redação da história é simplesmente uma questão de prosseguir até esse momento, explicar por que o fato ocorreu e qual foi a causa que o motivou. Um escritor procura sempre criar criaturas verossímeis, em situações tocantes e críveis, da maneira mais viva que lhe seja possível. Evidentemente, deve ele usar, como uma de suas ferramentas, o ambiente que conhece. Eu diria que a música é o meio mais fácil de expressão, já que chegou primeiro à experiência e à história do homem. Como o meu talento consiste em palavras, devo procurar exprimir canhestramente por meio delas o que a pura música teria feito melhor. Isto é, a música tê-lo-ia exprimido melhor e da maneira mais simples, mas eu prefiro usar palavras, assim como prefiro antes ler que ouvir. Prefiro o silêncio ao som — e a imagem produzida por palavras ocorre em silêncio. Isto é, o trovejar e a música da prosa se processam em silêncio.»
(…)
« O escritor não necessita de liberdade econômica. Necessita apenas de lápis e papel. (…) Se ele não for de primeira classe, engana a si próprio dizendo que não dispõe de tempo ou liberdade econômica. A boa arte pode provir de ladrões, contrabandistas ou bookmakers. As pessoas temem, verdadeiramente, descobrir o quanto de adversidade e pobreza podem suportar. Têm medo de descobrir como são rijas. Nada pode destruir o bom escritor. A única coisa que pode modificá-lo é a morte. Não tem tempo de se preocupar com o êxito ou a obtenção de riqueza. O êxito tem algo de feminino e assemelha-se a uma mulher: se a gente se curvar diante de uma mulher, ela monta na gente. De modo que a maneira de se tratar o êxito é mostrando-lhe o peso de nossa mão. Aí, então, talvez ele se lance a nossos pés.»
(…)
« Que o escritor se dedique à cirurgia ou à profissão de pedreiro, se se interessar pela técnica. Não existe meio mecânico algum para se escrever: nenhum atalho. O jovem escritor seria um tolo se seguisse alguma teoria. A gente aprende pelos seus próprios erros; as pessoas só aprendem errando. O bom artista crê que ninguém é suficientemente bom para dar-lhe conselhos. Possui a suprema vaidade. Não importa quanto admire o escritor antigo, quer suplantá-lo.»
(…)
« O objetivo de todo artista é deter o movimento, que é vida, por meios artificiais, e conservá-lo fixo, de modo que, cem anos depois, quando um estranho o fitar, ele se mova novamente, já que é vida. Como o homem é mortal, a única imortalidade possível para ele é deixar atrás de si algo, que seja imortal, já que sempre se moverá. Essa é a maneira de o artista escrever ‘fulano esteve aqui’ no muro final e irrevogável que ele, algum dia, terá de atravessar.»
Obs.: Retirei os trechos acima de um bloco de anotações meu datado dos anos noventa. Infelizmente não anotei a fonte. (Provavelmente alguma entrevista lida na biblioteca da Universidade de Brasília.)
sábado, 26 de junho de 2010
Quem vc considera o/a escritor(a) brasileiro(a) mais genial? (Esta pergunta ainda está aqui.)
Difícil responder a isso porque não li "todos os escritores brasileiros". Isso até me lembra as conversas com a Hilda Hilst e o Bruno Tolentino na casa dela. Ele adorava discutir sobre literatura e escritores. A Hilda achava um saco. Eu adorava ouvir as opiniões do Bruno, mas, como a Hilda, nunca senti essa ânsia de ler tudo o que faz parte da tradição literária e da produção contemporânea. Vou degustando aos poucos. Selecionando afins. Quando um texto me chateia, não vou até o fim apenas porque falam bem do autor. Não sou um crítico. Leio muito, mas nem tudo o que leio é uma obra literária. Como artista, busco impressões e intuições. E essas não vêm apenas pela literatura.
Mas… sim, tenho meus prediletos: Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Rubem Fonseca, Clarice Lispector, Machado de Assis, Monteiro Lobato, Jorge de Lima, Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Nelson Rodrigues… Só que você pergunta qual o mais "genial". Humm. Sigo o conceito de gênio definido por Oswald Spengler: "a força fecundante do varão que ilumina toda uma época". Ou seja, aquele autor cuja obra influencia toda uma época, que contamina gerações de outros autores. Dos citados, ¿quem teria realizado tal proeza? Com maior intensidade, embora não seja meu predileto, diria que apenas Machado de Assis… Com menor intensidade, todos os demais citados.
Obrigado pela pergunta.
Teria muita coisa para perguntar. Não sei se consigo resumir. Mas, Yuri, porque você não faz um filme inteiramente plástico, belo, lúdico/simbólico e reluzente, para a criança e para o velho? Você é a minha esperança de um cinema inteiramente li… by arilud2
Olha, bem que eu gostaria, mas cinema é um gênero artístico muito caro e, graças à situação político-econômica do Brasil, ninguém aqui consegue poupar dinheiro para investir no que quer que seja. Os impostos são tão escorchantes que todo o dinheiro que poderia ser investido por particulares está, na verdade, nas mãos do Estado. Numa entrevista, Woody Allen afirmou conhecer vários novos ricos, gente que investiu 50.000 dólares no filme dum cineasta iniciante e, no final, faturou 3 ou 4 milhões de dólares apenas em salas dos EUA. Isso não ocorre no Brasil, o pouco que há para investir acaba em setores de menor risco, imóveis ou fundos de renda fixa. Cinema? Mais arriscado que bolsa de valores. Daí esse monte de leis de incentivo que, de modo geral, não me interessam. Se os impostos fossem reduzidos, não haveria necessidade dessas leis. É o governo atrapalhando (tomando dinheiro) para ajudar (dar dinheiro), uma enorme contradição. Afinal, não é obrigação de empresas do ramo de alimentos, pneus, petróleo, etc. bancar o cinema. O negócio deles é outro, não entendem de arte ou entretenimento. Eu ainda pretendo rodar novos curtas e, se Deus quiser, algum longa-metragem — embora não seja mais uma prioridade. Infelizmente, porque é extremamente prazeroso dirigir um filme. Mas o que tenho a dizer pode ser dito através da literatura.
P.S.: Eu ainda pretendo escrever um "Manifesto Cinematográfico para Investidores e Possíveis Novos Empresários do Ramo". Com a distribuição digital, tudo pode mudar.
Yuri, quando vamos ver um longa-metragem teu? (Esta ainda está aqui.)
Bom, acho que já respondi a uma pergunta semelhante. Há informações relevantes nesses dois links:
http://www.formspring.me/yurivs/q/94893928
http://www.formspring.me/yurivs/q/22542126
No mais, não sei dizer. Os meandros do financiamento público são sujos demais para meu gosto. Fora os obscuros critérios de seleção de projetos, há também todo tipo de máfia. Há uma máfia de captadores (que fazem um verdadeiro loteamento das empresas, tipo "essa é minha, aquela é sua" e tal). Muitas vezes você encontra uma empresa, mas não consegue o dinheiro porque um captador se coloca entre vc e a administração da empresa, exigindo a porcentagem dele. E isso porque ele divide essa grana com gente de dentro da empresa… Entende? Gente escrota, a podridão da Terra. Há ainda uma burocracia estúpida que obriga os realizadores a comprar notas fiscais, uma coisa nojenta, porque, para provar que não estão mentindo, que estão fazendo o filme, são obrigados a mentir, a dizer que tais notas correspondem a esse ou àquele serviço, sendo que, na verdade, é tudo uma grande forçação de barra. E por que isso? Porque exigem prestação de contas antes mesmo de o filme ser rodado! Talvez essas coisas não se apliquem a todos os tipos de leis de incentivo. Mas já me enojei o bastante com as que encarei. Meu último curta-metragem foi feito com dinheiro da produtora onde trabalho.
Assim, minha resposta é: farei um longa-metragem quando tiver meu próprio dinheiro para isso. Ou quando algum louco quiser me bancar. E olha que meu filme não seria uma "artistice", seria entretenimento também. Ou seja: haveria, além da intenção estética, intenção lúdica e intenção de lucro… (Tenho alguns argumentos engavetados.)
(Sim, nessas condições é também possível que nenhum longa-metragem meu venha a ser rodado. Não me importo. A literatura é uma arte mais profunda, polissêmica e… barata. E eu gosto muito de escrever.)
Obrigado pela pergunta.
Qual seria, em tua opinião, a fase mais difícil na produção de um filme? by KosherX (Esta ainda está aqui.)
Sem dúvida, o casting. Encontrar os atores certos para cada personagem costuma demandar tempo e muita paciência. Quando vc sente que finalmente encontrou o ator perfeito para um papel, fica com a sensação de que avançou metade do caminho.
(Nem preciso tocar na questão "dinheiro", claro. Tente encontrar, sem a ajuda de leis de incentivo, alguém que queira investir no seu filme… Praticamente impossível! Graças ao Estado — que, com suas dívidas e a conseqüente maré de impostos, acaba impedindo a formação de poupança na sociedade — ninguém é louco o bastante a ponto de investir, com os riscos inerentes a qualquer empreendimento, num filme.)
Numa resposta aí vc falou que tem uma lista de filmes prediletos. Cadê a lista? (Esta ainda está aqui.)
É minha lista de "filmes prediletos" hospedada no The Internet Movie Database. Ainda preciso acrescentar muitos títulos, já que comecei a elaborá-la de uns dois ou três anos pra cá e, vale dizer, minha década realmente cinéfila foi a década de 1990. Já não tenho aquela fome de filmes, como se algum deles fosse me revelar o segredo da existência. Hoje assisto a filmes por prazer e apenas quando me dá na telha, não porque está todo mundo assistindo.
A lista:
http://www.imdb.com/mymovies/list?l=29341794
O que te deixa de mau humor? by KosherX (Esta pergunta ainda está aqui.)
sexta-feira, 28 de maio de 2010
3:16 pmEntrevista com Lobo Antunes
O escritor português António Lobo Antunes, vencedor do prêmio Camões em 2007, fala sobre o processo de escrever e seu mais recente livro, O meu nome é Legião.
(Fonte: Saraiva Conteúdo.)
Trechos:
« Se você quer mesmo escrever, tem que escrever para ser o melhor. E tem que escrever para chegar o mais longe. Chegar o mais longe, no interior da alma humana, no interior da pessoa, no interior da vida – estar mais perto da vida. »
« O escritor não pode estar no alto que está. A gente nao pode amar aquilo que não pode tocar. Tem que estar no meio dos homens, entre eles. Só no meio dos homens que vale a pena viver. »
« É preciso desmistificar o escritor enquanto criatura superior. É um homem comum. »
terça-feira, 18 de maio de 2010

Em entrevista ao jornal El País, Gay Talese atribui a exploração dos escândalos sexuais à influência das mulheres na imprensa e explica por que não dá tanta atenção aos blogueiros e jornalistas que atuam na internet:
“—Tuvimos una revolución sexual y gracias a eso ahora tú puedes vivir con tu novio sin estar casada, pero si tienes un lío fuera del matrimonio… ¡Mira la que se ha armado alrededor de Tiger Woods y sus amantes! ¡Como si él las hubiera obligado a acostarse con él!
—No entiendo muy bien…
—Lo que quiero decir es que la llegada de las mujeres a la prensa y a otras posiciones de poder ha convertido los escándalos sexuales en noticia.
—¿Cómo dice?
—Sí, cuando yo trabajaba en The New York Times todos los jefazos tenían líos sexuales, pero no se hacían públicos. Y todos sabíamos que el presidente Kennedy tenía muchas amantes, pero a nadie se le ocurría escribir sobre ello. La vida sexual de la gente no era noticia.
—Pero… ¿no será que la prensa simplemente ha descubierto un nuevo filón económico?
—No, lo que ha cambiado es que las mujeres también toman decisiones. Está claro que los poderes conservadores también hacen su parte pero sin duda la entrada de la mujer en el mundo laboral ha redefinido lo que es noticia.
—Yo no le echaría la culpa a las mujeres…
—Yo no les echo la culpa, eso lo has dicho tú. Sólo digo que su influencia en la prensa y en el mundo legal ha cambiado ciertas cosas.
—O sea, que ¿no le parece bien que se persiga por ejemplo al ex fiscal Spitzer por acostarse con prostitutas después de promover una ley contra los clientes?
—Sí, de eso me alegro. En muchos casos merecen ser noticia, pero no creo que la prensa deba erigirse como defensora de los códigos de moralidad sexual. No le corresponde. Y me parece mal que las leyes condenen la actividad sexual de la gente que mantiene relaciones con consentimiento mutuo. Obviamente, que se destapen los abusos sexuales de la Iglesia lo veo muy bien, pero eso es diferente.
La conversación vuelve a dirigirse hacia el periodismo, en concreto hacia Internet. “Los periodistas han sido absorbidos por las nuevas tecnologías y ahora su trabajo está dirigido a personas como ellos, con educación digital. No salen de ese círculo, no están en la calle, no conocen a gente nueva y no descubren nada. Por eso, si no entro en Internet, no me pierdo nada”, dice reacomodándose en el sillón y ofreciendo a la periodista otro vaso de vino -un error de cálculo, habría que haberle pedido un martini…— mientras él bebe agua en copa.
Pese a sus opiniones negativas sobre el mundo digital, Talese considera que el periodismo que se hace hoy es mejor que el de décadas anteriores. “Como están amenazados por la crisis, reporteros y empresas trabajan bajo presión, están obligados a dar lo mejor de sí porque corren el peligro de hundirse, así que lo que llega a los periódicos es muy bueno. Los blogueros son demasiado vagos para dejar de mirar sus ordenadores, pero siempre hará falta un buen periodista que mueva el culo y salga a la calle a escuchar a la gente, a mirar el mundo real, y a escribir sobre él”.
(Via @BichoKrulla)
quinta-feira, 18 de março de 2010
Com poemas lidos pelo próprio Drummond e depoimentos dele, de Tom Jobim, Otto Lara Resende, Alcides Villaça, etc.
“Eu sou bastante telefoneiro”, disse Carlos Drummond de Andrade. Teria dado um grande interneteiro…
Primeira parte:
Segunda parte:
Terceira parte:
segunda-feira, 15 de março de 2010
Os vídeos abaixo foram gravados e estão disponíveis graças ao site Saraiva Conteúdo. (Leia o depoimento de Marcio Debellian a respeito dessa entrevista com Yoani Sánchez.)
(Via @joseroldao.)
Yuri Vieira é um escritor e cineasta paulistano "exilado" em Goiânia. Estudou na Universidade de Brasília - onde cursou cinema com 