Blog do Yuri

palavras aos homens e mulheres da Madrugada

Categoria: Humor (Página 4 de 13)

Esperando Gordô

— Ei, ¿o que você tá fazendo sentadão aí?
— Tô esperando o Godot.
— Esperando ¿quem? ¿O Gordo?
— Não, o Godot.
— ¿Gordô? ¿Ele é francês?
— Não faço a menor idéia. E não tem letra erre na palavra.

Dias depois, chega outro funcionário.
— Ué, ¿vocês não têm nada para fazer, não?
— A gente tá esperando um gordo fancês.
— ¿”Fancês”? ¿Não seria um “francês”?
— Não, ele disse que não tem erre na palavra.
— Deixe de ser burro! Eu não sei se é francês! E o nome é Godot.
— ¿E ele é gordo, é?
— Ai, meu saco.

Semanas depois, aproxima-se um gordo de paletó e gravata.
— Por favor, vocês sabem onde fica a Polícia Federal?
— Aqui é a PF. ¿Você é Godot?
— Se eu engordei?!… Olha aqui, meu caro, ¿isso é lá jeito de tratar desconhecidos? Ora, faça-me o favor!… — e o gordo, irritado, encaminha-se para o lobby.

Meses depois, a espera continua.
— É… Pelo jeito esse Godot não vai chegar nunca.
— ¿E o que afinal você está querendo com esse cara?
— Ué. ¿Não sabe?
— Se soubesse, não estaria perguntando…
— Verdade.
— ¿E…?
— ¿E o quê?
— ¿Não vai responder minha pergunta?
— ¿Qual delas?
— Ai, ai… ¿O que você quer com esse Gordô?
— Godot!
— Tá! Tá! Godot! — e suspira. — ¿O que você quer com ele, caramba?
— Ele vai trazer a papelada.
— ¿Que papelada?
— Bom, a verdade é que ninguém tem certeza. Mas tudo indica que ele vai trazer a ordem de prisão do Lula…
— Puts. Então vamos esperar.
— Vamos. É o jeito.

Dilma in the sky with diamonds

Eu acreditaria na suposta tortura sofrida por Dilma se ela apresentasse um áudio, gravado em sua juventude, no qual falasse coisa com coisa, e não esse monte de solecismos e disparates a que estamos acostumados. Na ausência de cicatrizes, membros extirpados ou ossos calcificados (resultantes de fratura), só me restaria crer que sua suposta tortura — já negada por uma de suas camaradas — teria sido muito LSD na cabeça ou a aplicação de eletrochoques. No primeiro caso, seria difícil afirmar se ela mesma, com muita alegria e in the sky with diamonds, não teria imposto semelhante “tortura” a si mesma. No segundo, isto é, no caso de eletrochoques, ainda necessitaríamos da gravação referida: vai que, depois dos eletrochoques, ela não tenha até melhorado seu funcionamento cerebral…

Antivírus e laranjas

Tradução do “vá estudar” dos esquerdistas: “vá lavar seu cérebro com ideologia semelhante à nossa”. No, gracias.

A verdade é que não adianta discutir com mentalidades revolucionárias. Antes elas precisam passar pela terapia de ler Krishnamurti, cujo discurso formata o cérebro, apaga tudo. (Por isso, se suas convicções e sua fé não forem verdadeiras, pouco importando a natureza delas, cuidado com ele.)

Um debate, aliás, ao qual gostaria de assistir: Sócrates X Krishnamurti. ¿Quem daria um nó em quem? Bom, ainda aposto em Sócrates.

A caminho do “protesto a favor”, um petista é interpelado por Krishnamurti. Dez páginas depois, o petista está catatônico, dando boot no seu sistema mental.¿Reinstalará o mesmo sistema operacional? Não sabemos. Mas já dá para conversar com ele um bocado.

A caminho do “protesto a favor”, um petista passa pela Ágora e é interpelado por Sócrates. Dez páginas mais tarde, o petista não é mais petista. Sócrates desinstala o sistema bugado e reinstala um zero bala ao mesmo tempo.

Mas ambos, Sócrates e Krishnamurti, infelizmente, já não abordam voluntariamente ninguém. Passaram desta para melhor. Exigem atenção voluntária do interessado mediante livros. Por isso…

A caminho do “protesto a favor”, um petista passa por São Bernardo do Campo e é interpelado por Lula em plena calçada. Uma hora depois, o petista vira laranja…

É, o jeito é instalar o antivírus Moro.
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Postado em Março, no Facebook.

10 anos: parece que foi ontem

Em 2006, publiquei cerca de dez horas de entrevista (em áudio) com Olavo de Carvalho, sua primeira aparição no YouTube. Eu procurava, procurava, procurava e não encontrava nada sobre ele ali. ¿Como era possível? ¿Depois de Olavo ter escrito todos aqueles livros?! Absurdo. Então lhe fiz a proposta e ele a aceitou. Nas gravações, a atualidade de tudo o que ele diz é espantosa. Desde então, graças ao movimento revolucionário, o Brasil permaneceu completamente atolado. Ou melhor: afundou mais.

Quem não ouviu essa conversa — que acabou dando origem ao programa True Outspeak — não sabe o que está perdendo…

Caso alguém queira baixar os arquivos MP3, clique aqui.

Ouça a entrevista completa abaixo:

¿Até tu, Satanás?

No final do dia, Satanás preparou seu uísque — cowboy, porque ali não havia gelo que resistisse —, ligou a TV e, refestelado em sua confortável poltrona de couro humano, se preparou para assistir a mais um episódio da série Breaking Bad. Estava entusiasmado, já que a vontade de poder aprisionava cada vez mais a alma do protagonista.

— É hoje que ele se entrega totalmente a mim!

Três bicadas de uísque e quatro minutos de episódio mais tarde, soou a campainha da frente.

— ¿Logo agora? ¿Quem será? — e, entre resmungos, já preparando uma bronca para o infeliz demônio subalterno que certamente o estava a buscar, levantou-se e foi abrir a porta. Soltava fogo escocês pelas ventas.

— ¿Senhor Satanás? — indagou um sujeito alto, moreno, vestido de colete preto e seguido por vários outros paramentados à mesma maneira.

— Sim. ¿Quem quer saber? — devolveu surpreso.

— Sou o delegado Luciano Flores da Polícia Federal do Brasil. Eis o mandado de prisão. O senhor vem conosco. Não resista.

Satanás arregalou os olhos: — Mas o que foi que eu fiz?!

— O senhor saberá assim que chamar um de seus inumeráveis advogados — e o delegado, com um gesto da cabeça, ordenou que o algemassem.

Nos dias seguintes, a imprensa se deleitou: com a prisão recente de Luiz Inácio Lula da Silva, que havia aceitado a delação premiada, finalmente chegaram a Satanás. Tratava-se da 666ª fase da Operação Lava Jato, apelidada de “Chefe do Lula”. Sim, afora o Príncipe dos Infernos, não havia sobrado mais ninguém para o bandido petista denunciar.

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Publicado no Facebook.

ESPELHO — 8 anos de idade

Quase ninguém sabe — provavelmente apenas a Cassia — mas escolhi o dia 21 de Agosto de 2007 para lançar o curta-metragem ESPELHO porque, neste dia, segundo o “livro azul”, é aniversário de Jesus. Para quem ainda não assistiu ao filme, fica aqui o convite. Infelizmente não experimentará o mesmo efeito que costuma ocorrer nas salas de cinema, onde o público, no início, acaba reagindo tal como o desassossegado protagonista: daí o “efeito espelho”. Hoje, concordo com alguns críticos: talvez eu tenha exagerado na verborragia. Mas também concordo com um amigo de São Paulo, segundo o qual, e modéstia à parte, este curta está entre os dez melhores realizados na década passada, pois consegue unir uma narrativa tradicional a uma abordagem experimental. (Aliás, foi Dib Lutfi, o mestre da câmera em movimento, quem me aconselhou: “Mantenha o plano estático quase o filme inteiro”.) Enfim, olho para meu trabalho e, apesar dos pesares (principalmente a pobreza de recursos), vejo que é bom. E os invejosos ‘que se jodan’.

Unhas

No WhatsApp:
— Tá pronta? Já posso te buscar?
— Não, tô fazendo a unha.
Uma hora depois:
— Tá pronta? Já posso te buscar?
— Não, tô fazendo a unha.
Duas horas depois:
— Tá pronta? Já posso te buscar?
— Não, ainda tô fazendo a unha.
Três horas depois:
— Tá pronta? Já posso te buscar?
— Não, continuo fazendo a unha.
— Caramba, quantas unhas você tem?
— 19.
— OK. 🙁

Obs.: Não, não era o Lula.

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