Blog do Yuri

palavras aos homens e mulheres da Madrugada

Categoria: Literatura (Página 10 de 34)

Compre meus ebooks no Google Play

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Por alguma razão irônica — afinal a Google é a empresa que criou a melhor ferramenta de buscas da internet –, meus ebooks podem ser encontrados facilmente na Amazon, na Kobo Books, na Livraria Cultura, na Agbook e no Clube de Autores, contudo, caso você pesquise meu nome no Google Play, não encontrará livro algum! Mas eles estão lá! Enquanto esse problema bizarro não é resolvido, publico abaixo os links para os livros já disponíveis na referida loja online. (Os ebooks adquiridos no Google Play estão no formato EPUB, logo, podem ser lidos em smartphones e tablets com Android, no iPhone, no iPad e em ereaders que aceitem EPUB, tais como o Sony Reader, o Nook e o Kobo.)

Os ebooks:

A Tragicomédia Acadêmica — Contos Imediatos do Terceiro Grau;

A Bacante da Boca do Lixo;

Mestre de um Universo;

Tlön, Urântia, Borges, Deus;

A Visitante do Planeta X.

Para conhecer meus outros livros (impressos) e ebooks, clique aqui.

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Atualização do dia 6 de Junho de 2013: meus ebooks começaram finalmente a aparecer na busca do Google Play.

Mario Vargas Llosa no Roda Viva

G.K. Chesterton: Sobre a leitura

G.K. Chesterton

A maior utilidade dos grandes mestres da literatura não é a literária; ela está além de seu estilo grandioso e até mesmo de sua inspiração emocional. A maior utilidade da boa literatura reside em impedir que um homem seja puramente moderno. Ser puramente moderno é condenar-se à limitação; assim como gastar o último centavo que há na terra no mais novo lançamento de chapéus é condenar-se a ficar fora de moda. A estrada dos séculos passados está repleta de homens que morreram, mas que de certa forma continuam vivos. A literatura clássica e permanente cumpre sua melhor missão quando nos lembra continuamente o vigor da verdade e quando equilibra idéias mais antigas com idéias atuais, às quais, por um momento, podemos estar inclinados. O modo como ela o faz, no entanto, é suficientemente curioso para valer a pena que o compreendamos perfeitamente.

Na história da humanidade, aparecem de tempos em tempos, de maneira especial em épocas agitadas como a nossa, certas coisas que no mundo antigo se chamavam heresias, mas que no mundo moderno chamam-se modas. Às vezes, são úteis durante certo tempo; outras vezes são completamente nocivas. Porém, sempre são aceitas, graças a uma convergência indevida em torno de uma verdade, ou de uma meia verdade. Assim, é verdade insistir no conhecimento de Deus, porém é herético insistir nele como o fez Calvino, a custo do amor de Deus; dessa maneira, é verdade desejar uma vida simples, porém é uma heresia desejá-la às custas dos bons sentimentos e das boas condutas.

O herege (que também é o fanático) não é um homem que ama demasiadamente a verdade; ninguém ama a verdade demasiadamente. O herege é um homem que ama sua verdade mais que a verdade mesma. Prefere as meias verdades que descobriu à verdade completa que a humanidade tem encontrado. Não lhe agrada ver seu pequeno e precioso paradoxo amarrado com vinte banalidades da sabedoria do mundo.

Às vezes, tais inovações têm uma sombria sinceridade, como Tolstói, outras, uma sensitiva e feminina eloqüência, como Nietzsche, e, às vezes, um admirável humor, ânimo e simpatia pública, como Bernard Shaw. Em todos os casos, provocam uma pequena comoção e talvez criam alguma escola. Porém, sempre se comete o mesmo erro fundamental: supõe-se que o homem em questão descobriu uma nova idéia. Porém, na realidade, o novo não é uma idéia, senão a divisão de uma idéia.

É muito provável que a idéia mesma se encontre distribuída por todos os grandes livros de caráter mais clássico e sensato, desde Homero e Virgílio até Fielding e Dickens. Podem-se encontrar todas as novas idéias em livros antigos, só que ali as encontraremos equilibradas, no lugar que lhes corresponde e, às vezes, com outras idéias melhores que as contradizem e as superam. Os grandes escritores não deixavam de lado uma moda porque não haviam pensado nela, mas porque haviam pensado também nas outras alternativas.

No caso de não ter ficado claro, tomarei dois exemplos, ambos referentes à idéia de ‘moda’ entre alguns dos teorizadores mais imaginativos e jovens. Nietzsche, como todos sabem, pregou uma doutrina que ele e seus seguidores aparentemente consideravam muito revolucionária; sustentaram que a moral altruísta simplesmente havia sido uma invenção de uma classe escrava para evitar que, em tempos posteriores, alguém surgisse para combatê-la e dominá-la. Os modernos, concordando ou não com Nietzsche, sempre se referem a essa idéia como algo novo e jamais visto. Com tranqüilidade e insistência, se supõe que os grandes escritores, digamos Shakespeare, por exemplo, não sustentou essa idéia porque jamais havia pensado nela. Recorramos ao último ato de Ricardo III de Shakespeare e encontraremos não só tudo o que Nietzsche tinha a dizer, resumido em duas linhas, mas também as mesmas palavras de Nietzsche. Ricardo o corcunda, disse:

Consciência é só uma palavra que usam os covardes,

Criada, a princípio, para infundir terror aos fortes.

Como já falei, o fato é evidente. Shakespeare havia pensado na idéia de Nietzsche e na Moralidade Suprema; porém deu-lhe seu próprio valor e a pôs no lugar que lhe corresponde. Este lugar é a boca de um corcunda meio louco nas vésperas da derrota. Essa raiva contra os debilitados só é possível em um homem morbidamente admirável, mas profundamente enfermo; um homem como Ricardo; um homem como Nietzsche. Este caso deveria destruir a fantasia absurda de que estas filosofias modernas são modernas no sentido de que os grandes homens do passado não pensaram nelas. Não é que Shakespeare não tenha visto a idéia de Nietzsche; ela a viu, porém viu além dela.

Tomarei um outro exemplo: o Sr. Bernard Shaw em sua peça marcante e sincera chamada Major Barbara, lança um dos mais violentos dos seus desafios verbais à moralidade proverbial. As pessoas dizem: “A pobreza não é nenhum crime”. “Sim,” diz o Sr. Bernard Shaw, “a pobreza é um crime e é mãe de crimes. É um crime ser pobre se você tem a possibilidade de se rebelar ou de enriquecer. Ser pobre significa ser covarde, servil ou idiota”. O Sr. Shaw mostra sinais de uma intenção de concentrar-se nesta doutrina, e muitos de seus seguidores fazem o mesmo. Agora, é apenas a concentração que é nova, não a doutrina.

Thackeray fez sair da boca de sua personagem, Becky Sharp, que é fácil ser moral com mil libras por ano, difícil é ser com cem. Porém, como no caso de Shakespeare que antes mencionei, o importante não é apenas que Thackeray conhecia esta doutrina, senão que sabia também seu valor. Ela não só lhe ocorreu, mas também ele sabia onde deveria colocá-la. Deveria ocorrer na conversa de Becky Sharp; uma mulher sagaz e mentirosa, porém que desconhecia completamente todas as emoções mais profundas que fazem a vida valer a pena. O cinismo de Becky, com Lady Jane e Dobbin para equilibrar, tem um certo ar de verdade. O cinismo do Undershaft do Sr. Shaw, apresentado com a austeridade de um discurso de campanha, simplesmente não é verdadeiro. Simplesmente não é verdade, em absoluto, dizer que os pobres são menos sinceros e mais covardes do que os ricos. A meia verdade de Becky se tornou primeiro em uma loucura e depois em um credo e, finalmente, em uma mentira. No caso de William Makepeace Thackeray, como no de Shakespeare, a conclusão a que chegamos é a mesma. O que chamamos de idéias novas são, geralmente, fragmentos das antigas idéias. Não é que uma idéia particular não tenha ocorrido a Shakespeare. É que, simplesmente, ele encontrou muitas outras boas idéias para livrá-lo da tolice.

G. K. Chesterton

Tradução: Agnon Fabiano

Fonte: Sociedade Chesterton Brasil.

O rei Salomão e o matrimônio gay

O Rei Salomão

Enquanto isso, em 950 a.C., no palácio do Rei Salomão:

— Majestade, esses dois homens requerem vossa autorização para unir-se em matrimônio.

— Matrimônio? Aquele consórcio derivado do vocábulo que os romanos inventarão no futuro para referir-se a “mãe”?

— Não sei, majestade. Vossa alteza é que sois o sábio aqui.

— Certo, certo. Hum. Não ficariam satisfeitos apenas com um documento reconhecendo sua união civil?

— Não, majestade. Eles querem um matrimônio; e que seja realizado no templo.

— Entendo. Fazei o seguinte: ponde-os em cativeiro, se eles conseguirem se reproduzir, libertai-os e deferi a petição.

— Sim, vossa majestade.

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P.S. do dia 30/05/2013: Pessoal, esse esquete já se espalhou pela internet mediante emails (a maior parte das visitas tem essa origem), blogs, fóruns e redes sociais (basta jogar uma das falas no Google ou no FB, entre aspas, para se obter uma confirmação), em geral sem referência à minha autoria, o que não me incomoda em nada, já que, quando descobrem que sou o autor, lá vêm mil emails para me encher o saco e me atazanar. (E já tem até gente sendo censurada por minha causa.) O negócio é o seguinte: eu apenas tentei imaginar o que Salomão teria dito sobre o tema, nada mais, nada menos. E percebam que ele foi até um sujeito bacana, perguntou se “união civil” não seria o suficiente… Além disso, tal como afirmei no comentário abaixo, creio que Salomão, tal como no caso das mães que disputavam o bebê, estava apenas blefando, convicto de que os dois solicitantes desistiriam do intento de alterar a doutrina religiosa vigente. Eu, pessoalmente, não tenho absolutamente nada contra quem quer que seja, cada um que faça o que bem entender, contanto que não incomode o seu próximo. Aliás, tenho amigos de todo tipo, gays, extraterrestres e assim por diante. Na verdade, o que não me agrada é que um grupo se arrogue privilégios com fins políticos completamente alheios às razões alegadas. E, se alguns membros desse grupo não percebem que há outras razões subterrâneas, não passam então de inocentes úteis que deveriam informar-se melhor. (No caso dos homossexuais, sugiro o blog Gays de Direita e o artigo “Um homossexual condena os ‘direitos homossexuais’“.) É isto. Agora, por favor, parem de sobrecarregar meu formulário de contato e os comentários deste post com ofensas. (Os comentários sofrem moderação e eu estou cantando e andando para essa briga, logo, economizem seu tempo.) Obrigado.

Bruno Tolentino e a Tia Chauí

Bruno Tolentino

CONVITES À FILOSOFIA

 

O último ataque de sabedoria

da bela doutora Chauí

me deixou perplexo! Um dia

num canteiro de Alexandria

a única flor que eu não colhi

passou horas e horas ali

explicando filosofia

a um cliente da casa… Lili,

se fazia chamar a guria.

 

No batente contraíra o mal

que não desgruda quando ataca

e a paixão do conceito. Polaca

(uma ex-noviça, por sinal),

escapara ao torrão natal

na valise de um industrial,

mas matara-o de morte macaca

e agora despachava-os de maca

rumo à enfermaria geral!

 

Sabia tudo de Epicuro,

o seu xodó. Falava bem,

punha qualquer um de pau duro

com as dissertações e o vaivém

das mãos sábias, no claro-escuro

à beira-leito… Jurar não juro,

mas, se não convertia a ninguém,

fascinava o varão maduro

e os mais inespertos também.

 

Clandestino e errante, eu sabia

que, sem Visto no baixo Egito,

se me pegassem estava frito:

dormia ali durante o dia,

hotel nem morto! O arranjo previa

apenas que o moço bonito

dormisse sozinho e, repito,

eu dormia a manhã toda, ouvia

Lili me explicar o infinito

 

e Epicuro lá para as duas;

cerca das quatro, quatro e meia,

devolvia o cascalho à bateia

e reganhava o ouro das ruas,

as semi-ninfas semi-nuas

ficavam para trás, a feia

das grandiosas semi-luas

e a estupenda Lili. Cantei-a

de mil maneiras, das mais cruas

 

às mais cruéis, das mais virís

às mais dúcteis, mas não houve jeito:

epicurava ao pé do leito,

mas de graça não dava! Fiz

o que pude, o malandro perfeito,

mas epicurista aprendiz

é mesmo um pedestre, e bem feito!

Ah, pudesse este meu país

resistir às nativas Lilis,

 

seus babados e baboseiras,

como a pérola de Alexandria

resistiu-me semanas inteiras!

Manual de filosofia

a noite toda dá em olheiras,

mas é mal incurável, mania

até mesmo de ex-futuras freiras

filosófico-epicureiras

como as há também, quem diria,

 

neste nosso agreste jardim.

Minha Santa Teresa, eu li

o manual da nossa Lili

de cabo a rabo! É verdade sim,

li tudinho, e ansioso torci

pela guria até ao fim…

Mas uma cena que nunca esqueci,

dentre as lufadas de jasmim

daquela mansão sem jardim

 

veio a mim como uma chibatada:

vi minha Lili de olhos belos,

de calcinha toda rendada

num florido patamar de escada

como a jovem do poema de Eliot

e sofri! Aquela madrugada

eu voltara mais cedo, os melros

começavam a cantar na estrada:

Lili desatara os cabelos,

 

largara Epicuro e, à janela,

chorava, chorava… A verdade

chegara muito perto dela,

com a imperdoável crueldade

das horas vazias, aquela

era a hora da verdade. Bela,

descabelada e sem vontade

de iludir-se, dava pena vê-la:

afinal esquecia a vaidade,

 

desmentia a reputação

de Diótima eslava e selvagem

e soluçava de pé no chão…

Levei comigo aquela imagem

anos a fio, desde então

sinto certa camaradagem

com todas as fêmeas que em vão

pensam que sabem o que não sabem.

Soube que morreu no Sudão

 

alguns anos depois. De frio.

Esfriara a pérola ardente,

murchara quando um livre docente

desmanchara-lhe fio por fio

a douta cabeleira insciente

aquela noite… Conheci-o,

um professoreco insolente

de Liceu: humilhou friamente

minha flor, e Epicuro, o vadio,

nem se importou, fez-lhe o favor

de abandoná-la nua e crua

à escolástica do inquisidor.

Se a nossa doutora não for

tão sensível, a sorte é sua,

talvez ainda possa dispor

da arte fria de um cliente-instrutor;

recomendo uma noite sem lua

em Alexandria: há uma rua

transversal entre o velho mar,

o Maryût e a Rodovia

dos Ingleses; nela há um solar

que todos conhecem, de dia

a casa é fácil de encontrar;

o tal professor não saía

de lá, com certeza há de estar.

Não ensina filosofia,

ensina as Lilis a acordar.

 

 

EM RETROSPECTO

 

Pobre pequena,

sofreu demais!

Com aquela cena

perdeu a paz,

não se viu mais

feliz, serena,

era só ais…

Já a Marxilena

é um monstro horrendo:

eu fico lendo

Tia Chauí

e me arrependo

do que senti

pela Lili!

Poemas extraídos do livro Os Sapos de Ontem, de Bruno Tolentino.

1ª Semana do Livro Digital

Livro Digital

A Simplíssimo, empresa que além de produzir livros digitais também oferece treinamento para outras editoras, irá promover a 1ª Semana do Livro Digital entre 3 e 9 de Março de 2013. Inspirada na Read an eBook Week, o evento tem o objetivo de estimular a popularização da leitura de e-books.

Editoras, livrarias e autores independentes que queiram participar, devem visitar esta página. Promoções, descontos e livros digitais gratuitos serão divulgados pelo site. Leitores podem ajudar a divulgar o evento compartilhando os banners nas redes sociais e nos blogs.

E chega de contrapor livros impressos a livros digitais. São ambos instrumentos importantes destinados a dividir nossa atenção por igual, cada qual se mostrando mais adequado a esta ou àquela situação. Para quem realmente gosta de ler, a conjunção correta é a conjunção “e”, e não a conjunção “ou”. Eu leio livros e e-books. Quem lê apenas ou um ou o outro ainda não entendeu o significado desta nova tecnologia.

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P.S.: Criei um ebook com o conto memorialístico “O Marceneiro e o Poeta” — tal como a que estará presente no livro “O Exorcista na Casa do Sol” — que será distribuído gratuitamente durante o evento. (Quem leu a versão do meu site notará alguns acréscimos.) O ebook está em formato EPUB e pode ser lido no iPad, no celular ou no ereader.

Rubem Fonseca: as características necessárias para tornar-se um escritor

“Não existem sinônimos!” © Rubem Fonseca.

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