Blog do Yuri

palavras aos homens e mulheres da Madrugada

Categoria: Literatura (Página 6 de 34)

ConaLit – Congresso Nacional de Literatura e História Pessoal

ConaLit

Começa hoje o ConaLit (Congresso de Literatura e História Pessoal). Organizado por Aramís Pereira, o evento ocorrerá online e contará com diversos palestrantes, tais como Rodrigo Gurgel, Ângelo Monteiro, Márcio Umberto Bragaglia, Carlos Nadalim, José Carlos Zamboni, Martim Vasques da Cunha, Eduardo Dipp, Fábio Silvestre Cardoso, Antônio Emílio Angueth de Araújo, Bernardo Souto, Marcos Pasche, Lorena Miranda Cutlak, Tiago Amorim e, pasme, até mesmo o autor deste blog.

A inscrição é gratuita e a página do evento no Facebook está aqui. O tema é “o que a literatura pode fazer por você”.

Minha palestra será hoje às 20 horas.

As Musas Olavettes

Musas Olavettes

No Facebook, foi lançada este ano uma página chamada Musas Olavettes. Sim, há mulheres lindas ali. (Já imaginou? Mulheres lindas, inteligentes e imunes a idiotas úteis? Pois é.) Até possuo um caminhão para semelhantes areias, mas ele está sem óleo diesel e eu moro longe, o que me torna, em comparação com outros homens, praticamente um rato. E gatas não dão atenção a ratos. Por isso, a única coisa que eu poderia oferecer a uma daquelas musas seria uma cantada (quase) irresistível.

Imagine a cena:

Ela estará sentada no balcão de um bar de hotel cinco estrelas, compenetrada, tomando um cappuccino enquanto lê O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. Embevecido, tímido, mas me fazendo de abestalhado, eu me aproximarei e direi:

— Oi, baby — e lhe darei uma piscadela bem cafajeste.

Ela, claro, levantará uma única sobrancelha e me disparará um olhar de direita, fatal e congelante, sem mover a cabeça e sem emitir qualquer palavra. Em seguida, dará um discreto e belo suspiro de indiferença, voltando a encarar o livro e prosseguindo com a leitura. Conhecedor do meu trunfo, puxarei um banquinho e então me sentarei ao lado dela, pedindo um uísque ao barman, que obviamente me entregará a bebida com um sorriso de piedade. Aquela beldade, acreditará ele, é muito livro para minha estante.

— ¿Você não é amiga da Carolina? — perguntarei, voltando à carga.

— Não — responderá ela, num murmúrio cheio de enfado.

Eu voltarei ao silêncio, contemplando o exterior do hotel, o lindo jardim, as árvores, as palmeiras dançantes, os hóspedes que se refrescam à beira da piscina. Não deixarei o mote passar em branco.

— Você já conheceu a piscina?

Ela permanecerá muda, talvez concentrada, talvez irritada, mas plenamente decidida a me ignorar e a tomar conhecimento de coisas muito mais importantes.

Eu insistirei em puxar assunto:

— O hotel é muito chique, né. ¿Mas você notou que não tinha manteiga no café da manhã?

E ela nada, nem tchuns.

— Os caras só me trouxeram margarina — prosseguirei, com um esgar de nojo. — ¿Você sabe quais são os ingredientes da margarina?

Incapaz de conter-se, e dando vazão a seu agastamento, ela me dirá:

— Acho que você ainda não notou, mas… ¿você sabia que está me incomodando?

Vitorioso, darei meu sorriso másculo e irônico de Jim Carrey cheirado, e retrucarei:

— ¿E você sabia que Olavo de Carvalho fala de mim à página 320 do livro que você está lendo?

Ela arregalará os olhos cheia de espanto.

— Sim — continuarei — e ele nem está me detonando: está me elogiando! Verdade. E isso significa que, para você não ser uma idiota, baby, além da Carolina, da piscina e da margarina — e começarei a cantarolar —, você também precisa saber de mim! Baaaby! Baaaaby! Eu sei que é assim!! Baaaby! Baaaby! Há quanto tempo!! — E para arrematar a cantada, direi: — Veja aí meu nome, baby: página 320! E depois me mande um recado pela portaria, isto é, caso queira jantar comigo esta noite…

E, triunfante, sairei do bar, sem atentar para o fato de que será assim que conseguirei uma namorada brasileira para o João Pereira Coutinho, colunista da Folha de São Paulo, hospedado no mesmo hotel, e citado pelo Olavo no mesmo parágrafo do mesmíssimo artigo. E eu obviamente ficarei a ver navios… Mas, ora bolas, ¿que poderei fazer? Deus sabe que sou apenas um rato, um liteRato…

Os Náufragos – com Yuri Vieira

“Crítica cultural num Brasil que afunda.”

Tomei a liberdade de postar no meu canal do YouTube a entrevista que dei ao programa Os Náufragos, da RADIO VOX, ocorrida no final de 2013. Espero que os novos ouvintes perdoem minha metralhadora vocal que, movida a uma garrafa de café, saiu atropelando palavras e interlocutores.

Temas abordados: Universidade, política, Nietzsche, drogas, ateísmo, cientificismo, Hilda Hilst, Bruno Tolentino, Olavo de Carvalho, cinema, roteiristas, narrativas, Espelho (meu curta-metragem), contos de fada, Chesterton, vida acadêmica, conselhos aos criadores, conceito de arte, Isaac Bashevis Singer, autopublicação, internet, inamizades, novos autores.

Os Náufragos é um programa da Radio Vox.

Direitomeu e Esquerdoleta

Enquanto isso, no centro acadêmico de História:
— Ei! Tira a mão de cima de mim, seu reaça!
— Calma, garota — e sorriu, confiante. — Sabia que eu tenho algo que é meio torto pra esquerda?
— Ah, é? E você sabia que eu sei dar um gancho de direita?
— Tá vendo? A política não é uma barreira. A gente também pode chegar a um consenso…
Minutos depois, no alojamento estudantil:
— E foi assim que eu consegui este olho roxo.
— Que maneiro — admirou-se o amigo.

Trecho da minha palestra no ConaLit

Trecho da minha palestra gravada para o Congresso Nacional de Literatura e História Pessoal, o ConaLit.

Clarice Lispector: “Eu sei que Deus existe”

clarice lispector

« Macabéa [A hora da estrela], que, a exemplo de Clarice [Lispector], medita sobre o nada e “banha-se no não”, é uma espécie de santa: “Na pobreza de corpo e espírito eu toco na santidade, eu que quero sentir o sopro do meu além. Para ser mais do que eu, pois tão pouco sou”. Macabéa “reduzira-se a si. Também eu”, escreve Clarice, “de fracasso em fracasso, me reduzi a mim mas pelo menos quero encontrar o mundo e seu Deus”.

“Como a nordestina, há milhares de moças espalhadas por cortiços, vagas de cama num quarto, atrás de balcões trabalhando até a estafa. Não notam sequer que são facilmente substituíveis e que tanto existiriam como não existiriam. Poucas se queixam e ao que eu saiba nenhuma reclama por não saber a quem. Esse quem será que existe?”

« A pergunta torturante persiste. “Rezava mas sem Deus, ela não sabia quem era Ele e portanto Ele não existia”, Clarice escreveu sobre Macabéa. Mas finalmente ela própria sabia quem Ele era. Quando o livro saiu, em outubro de 1977, ela mandou um exemplar a Alceu Amoroso Lima, o mesmo escritor católico que, com o pseudônimo Tristão de Athayde, fizera um ensaio introdutório para a primeira edição de ‘O lustre’. Naquele livro, ele escrevera, 31 anos antes, “há a mais completa ausência de Deus”. Agora ele recebia um exemplar de ‘A hora da estrela’ com uma inscrição na caligrafia trêmula de Clarice: “Eu sei que Deus existe”. [Clarice morreu dois meses depois]»

Trecho da biografia Clarice, escrita por Benjamin Moser.

De quatro

de quatro

Quando ele a penetrou por trás, ela perguntou:

— Em quem você vai votar?

Ficou aturdido por alguns segundos, sem saber em qual cintura colocar as mãos: na própria ou na dela?

— Que pergunta é essa? — resmungou, contrariado. — Isso lá é hora de falar sobre as eleições?

— Você vai votar na Marina?

Ele brochou instantaneamente.

— Pelo amor de Deus, Sílvia! Isso é coisa que se faça? Acabou com meu tesão.

— Então você vai votar na Dilma, né.

— Puta merda! Agora vou precisar de uma pinça pra poder mijar.

— Nossa, desculpa.

— Desculpa, vírgula. Você teria me atrapalhado muito menos se tivesse falado da menina do Exorcista e virado a cabeça para trás.

— Ai, Jorge, credo! É que eu não sabia que você vai votar no Aécio.

— Eu não voto em progressista, gata! — soltou, irritado. — A não ser, talvez, no segundo turno, quando for necessário votar no menos daninho de todos. Agora pára com isso e me diz algo que me deixe animado de novo.

Ela ficou em silêncio, absorta. Desconfiado, Jorge espiou por cima do ombro dela.

— Ah, não! Não acredito que você está no Facebook! Desliga o celular, cazzo!

— Calma. Só vou responder essa enquete sobre as eleições e já desligo.

Ele se levantou e começou a vestir a cueca.

— Ok, fica aí. Eu vou dormir porque amanhã preciso acordar mais cedo.

Ele se deitou de lado, dando as costas para a esposa, que a essa altura estava postando uma mensagem no grupo feminino do WhatsApp do qual fazia parte: “Gente, se vocês têm um marido conservador que não lhes dá descanso, descobri um jeito de escapulir dele muito melhor do que a desculpa da dor de cabeça!”.

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