<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Blog do Yuri &#187; Religião</title>
	<atom:link href="http://blogdo.yurivieira.com/category/religiao/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://blogdo.yurivieira.com</link>
	<description>palavras aos homens e mulheres da Madrugada</description>
	<lastBuildDate>Thu, 09 Sep 2010 14:44:57 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.1-alpha</generator>
		<item>
		<title>Mikhail Bulgakov narra o di&#225;logo, em plena Uni&#227;o Sovi&#233;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&#234;ncia de Deus</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/bulgakov-diabo-jesus-deus/</link>
		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/bulgakov-diabo-jesus-deus/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 09 Sep 2010 14:37:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[realismo fantástico]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/bulgakov-diabo-jesus-deus/</guid>
		<description><![CDATA[Essa conversa, como depois se soube, era sobre Jesus Cristo. O editor tinha encomendado ao poeta um longo poema anti-religioso para o próximo número da revista. Ivan Nikolaevitch tinha composto o poema, e até com muita rapidez, mas infelizmente o editor não tinha ficado nada satisfeito com ele. Bezdomni pintara a principal personagem do seu [...]


Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/cslewis-divorcio-ceu-inferno/' rel='bookmark' title='Permanent Link: C. S. Lewis e o divórcio entre o Céu e o Inferno'>C. S. Lewis e o divórcio entre o Céu e o Inferno</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/mario-quintana-mundo-deus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: M&aacute;rio Quintana e O Mundo de Deus'>M&aacute;rio Quintana e O Mundo de Deus</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/stephen-king-fala-sobre-o-conflito-entre-lecionar-e-escrever/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Stephen King fala sobre o conflito entre lecionar e escrever'>Stephen King fala sobre o conflito entre lecionar e escrever</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/chesterton-insanidade-literatura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria'>G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_brick-red" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fblogdo.yurivieira.com%252F2010%252F09%252Fbulgakov-diabo-jesus-deus%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2F97VggB%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Mikhail%20Bulgakov%20narra%20o%20di%26aacute%3Blogo%2C%20em%20plena%20Uni%26atilde%3Bo%20Sovi%26eacute%3Btica%2C%20entre%20o%20Diabo%20e%20dois%20escritores%20ateus%20e%20comunistas%20sobre%20a%20exist%26ecirc%3Bncia%20de%20Deus%22%20%7D);"></div>
<p><img title="Mikhail Bulgakov" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: block; float: none; margin: 10px auto; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="245" alt="Mikhail Bulgakov" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/09/bulgakov.jpg" width="213" border="0" /> </p>
<blockquote><p>Essa conversa, como depois se soube, era sobre Jesus Cristo. O editor tinha encomendado ao poeta um longo poema anti-religioso para o próximo número da revista. Ivan Nikolaevitch tinha composto o poema, e até com muita rapidez, mas infelizmente o editor não tinha ficado nada satisfeito com ele. Bezdomni pintara a principal personagem do seu poema, ou seja, Jesus, com cores muito sombrias, e, no entanto, na opinião do redator, era preciso reescrever todo o poema. E agora o redator fazia ao poeta uma espécie de conferência sobre Jesus, a fim de sublinhar o erro fundamental do poeta.</p>
<p>Era difícil dizer o que é que precisamente traíra o poeta: se o poder imaginativo do seu talento ou o completo desconhecimento do assunto sobre o qual escrevia. Mas o Jesus que ele retratara era, digamos, como que uma personagem viva, embora não muito atraente. E Berlioz queria provar ao poeta que o mais importante não era como tinha sido Jesus, mau ou bom, mas que esse Jesus, como indivíduo, nunca existira e que todas as histórias sobre ele eram pura invenção, o mais vulgar dos mitos.</p>
<p>Devemos assinalar que o redator era um homem de muitas leituras e citava habilidosamente no seu discurso os historiadores antigos, por exemplo o célebre Fílon de Alexandria, o brilhante erudito Flávio Josefo, que nunca disseram nem uma palavra acerca da existência de Jesus. Mostrando uma sólida erudição, Mikhail Alexandrovitch informou o poeta, entre outras coisas, de que a passagem do <em>Livro Quinze</em>, no Capítulo 44 dos famosos <em>Anais </em>de Tácito, onde se fala de Jesus, não é mais que uma interpolação posterior e falsa.</p>
<p>O poeta, para quem tudo aquilo que o redator dizia era novidade, escutava atentamente Mikhail Alexandrovitch, fixando nele os seus olhos verdes, vivos e desenvoltos, e só de vez em quando soluçava, amaldiçoando em voz baixa o refresco de alperce.</p>
<p>- Não há uma única religião oriental &#8211; dizia Berlioz – em que, como regra, uma virgem imaculada não dê à luz um deus. E os cristãos, sem inventarem nada de novo, criaram do mesmo modo o seu Jesus, o qual de fato nunca existiu. E é isto que deve ser principalmente realçado&#8230;</p>
<p>A forte voz de tenor de Berlioz ecoava na alameda deserta, e, à medida que Mikhail Alexandrovitch penetrava em labirintos onde só um homem muito culto se pode aventurar sem correr o risco de quebrar a face, o poeta aprendia cada vez mais coisas interessantes e úteis sobre o Osíris egípcio, o deus benfazejo, filho do Céu e da Terra, sobre o deus fenício Tamuz, sobre Marduque, e até sobre o menos conhecido e terrível deus Huitzilopochtli, outrora profundamente venerado pelos astecas no México.</p>
<p>E no preciso momento em que Mikhail Alexandrovitch contava ao poeta como os astecas moldavam em massa de pão a figura de Huitzilopochtli, apareceu na alameda o primeiro transeunte.</p>
<p>Posteriormente, quando, para falar verdade, era já demasiado tarde, várias instituições apresentaram relatórios com a descrição desse homem. A comparação entre esses relatórios não pode deixar de causar estupefação. Assim, no primeiro diz-se que ele era de baixa estatura, tinha dentes de ouro e coxeava da perna direita. No segundo, esse homem era de estatura enorme, tinha coroas de platina e coxeava da perna esquerda. O terceiro relatório informa laconicamente que o homem não tinha quaisquer sinais particulares.</p>
<p>Devemos reconhecer que nenhum desses relatórios tem qualquer utilidade.</p>
<p>Antes de mais, o homem descrito não coxeava de nenhuma das pernas e não era de estatura baixa nem demasiado alta, mas simplesmente alto. Quanto aos dentes, do lado esquerdo tinha coroas de platina e de ouro no lado direito. Vestia um traje caro cinzento, e usava sapatos estrangeiros da mesma cor. O boné cinzento caía-lhe ousadamente sobre a orelha e debaixo do braço trazia uma bengala com castão preto em forma de cabeça de cão-d&#8217;água. Aparentava ter pouco mais de quarenta anos, tinha a boca um pouco torcida e estava muito bem barbeado. Era moreno. O olho direito era negro e o esquerdo, não se sabe por quê, era verde. As sobrancelhas eram negras, mas uma mais alta que a outra. Em suma, um estrangeiro.</p>
<p>Ao passar junto do banco onde estavam sentados o editor e o poeta, o estrangeiro olhou-os de soslaio, parou e, subitamente, sentou-se no banco próximo, a dois passos dos amigos.</p>
<p>“Alemão”, pensou Berlioz. “Inglês”, pensou Bezdomni. “E de luvas, com este calor.”</p>
<p>O estrangeiro percorreu com o olhar os altos edifícios que formavam um quadrado em volta do lago, e era evidente que via aquele lugar pela primeira vez e que ele lhe interessava.</p>
<p>Deteve o olhar nos andares superiores cujos vidros refletiam ofuscantemente o sol fragmentado que abandonava Mikhail Alexandrovitch para sempre, depois baixou-o para onde as vidraças começavam a escurecer com a noite, sorriu com ar superior, semicerrou os olhos, colocou as mãos sobre o castão da bengala e apoiou o queixo nas mãos.</p>
<p>- Tu, Ivan &#8211; disse Berlioz -, descreveste muito bem e em tom satírico, por exemplo, o nascimento de Jesus, filho de Deus, mas a questão está em que, antes de Jesus, nasceu toda uma série de filhos de deuses como, por exemplo, o Átis frígio. Em suma, nenhum deles nasceu e nenhum deles existiu, incluindo o próprio Jesus. E é preciso que tu, em vez do nascimento ou, digamos, da chegada dos Reis Magos, descrevas os boatos absurdos sobre esse nascimento&#8230; Ora do teu relato resulta que ele realmente nasceu!&#8230;</p>
<p>Então Bezdomni fez uma tentativa para acabar com os soluços, sustendo a respiração, o que o fez soluçar mais dolorosamente e mais alto, e, nesse mesmo instante, Berlioz interrompeu o seu discurso, porque de súbito o estrangeiro levantou-se e encaminhou-se para os escritores. Estes olharam-no atônitos.</p>
<p>- Desculpem, por favor &#8211; disse o homem, com sotaque estrangeiro mas sem deformar as palavras -, se, não vos conhecendo, tomo a liberdade&#8230; mas o tema da vossa erudita conversa é tão interessante que&#8230;</p>
<p>Tirou polidamente o boné, e os dois amigos não tiveram outro remédio senão levantarem-se e cumprimentá-lo.</p>
<p>“Não, deve ser francês &#8230; “, pensou Berlioz. “Polaco? &#8230; “, pensou Bezdomni. Deve-se acrescentar que desde as primeiras palavras o estrangeiro suscitou no poeta uma impressão de repulsa, enquanto Berlioz gostou dele, ou antes, não é que tenha gostado dele, mas&#8230; como dizer.. despertou-lhe interesse, digamos.</p>
<p>- Permitem que me sente? &#8211; pediu com polidez o estrangeiro, e, involuntariamente, os amigos afastaram-se, o estrangeiro sentou-se entre eles e entrou de imediato na conversa. &#8211; Se bem ouvi, o senhor dizia que Jesus nunca existiu? &#8211; perguntou o estrangeiro, voltando para Berlioz o seu olho esquerdo, verde.</p>
<p>- Sim, ouviu bem &#8211; respondeu cortesmente Berlioz. &#8211; Foi precisamente isso que eu disse.</p>
<p>- Ai, que interessante &#8211; exclamou o estrangeiro. “Mas que diabo quer ele?”, pensou Bezdomni, franzindo as sobrancelhas.</p>
<p>- E o senhor concordou com o seu interlocutor? &#8211; inquiriu o desconhecido, voltando-se para a direita, para Bezdomni.</p>
<p>- Cem por cento! &#8211; confirmou este, que gostava de expressões rebuscadas e alegóricas.</p>
<p>- Admirável! &#8211; exclamou o interlocutor e, lançando olhadelas furtivas e baixando ainda mais a voz, disse: &#8211; Desculpem-me a impertinência, mas, ao que percebi, os senhores, para além do mais, também não acreditam em Deus? &#8211; Teve um olhar de espanto e acrescentou: &#8211; Juro que não digo a ninguém.</p>
<p>- É verdade, não acreditamos em Deus &#8211; respondeu Berlioz, sorrindo levemente do receio do turista estrangeiro -, mas podemos falar disso com toda a liberdade.</p>
<p>O estrangeiro recostou-se no banco e perguntou, numa voz meio esganiçada de curiosidade:</p>
<p>- Os senhores são ateus?</p>
<p>- Sim, somos ateus &#8211; respondeu Berlioz, e Bezdomni pensou irritado: “Está grudado, este pato estrangeiro!”.</p>
<p>- Oh, que coisa fascinante! &#8211; exclamou o atônito estrangeiro, e virava a cabeça olhando ora para um, ora para outro dos literatos.</p>
<p>- No nosso país, o ateísmo não surpreende ninguém &#8211; disse Berlioz diplomaticamente. &#8211; A maioria da nossa população deixou, conscientemente e há muito tempo, de acreditar em histórias sobre Deus.</p>
<p>Então o estrangeiro saiu-se com esta: pôs-se de pé e apertou a mão do assombrado editor, enquanto dizia estas palavras:</p>
<p>- Permita que lhe agradeça de todo o coração!</p>
<p>- Por que é que lhe agradece? &#8211; interrogou Bezdomni pestanejando. </p>
<p>- Por uma informação muito importante que, para mim, como viajante, é muito interessante &#8211; explicou o estrangeiro excêntrico, erguendo um dedo significativamente.</p>
<p>Pelo visto, a importante informação produzira de fato uma forte impressão no viajante, porque ele relanceou os olhos assustados pelos edifícios, como se receasse ver um ateu em cada janela.</p>
<p>“Não, não é inglês &#8230; “, pensou Berlioz, enquanto Bezdomni pensava: “Interessante, onde terá ele aprendido a falar assim russo!”, e de novo franziu as sobrancelhas.</p>
<p>- Mas permita que lhe pergunte &#8211; tornou o visitante estrangeiro depois de refletir ansiosamente. &#8211; E as provas da existência de Deus, as quais, como se sabe, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Exist%C3%AAncia_de_Deus#As_Cinco_Vias_de_S.C3.A3o_Tom.C3.A1s_de_Aquino" target="_blank">são exatamente cinco</a>?</p>
<p>- Infelizmente! &#8211; respondeu Berlioz com pesar -, nenhuma dessas provas vale nada, e a humanidade já as mandou há muito para o arquivo. Pois há-de concordar que no domínio da razão não pode haver nenhuma prova da existência de Deus.</p>
<p>- Bravo! &#8211; exclamou o estrangeiro. &#8211; Bravo! O senhor repete interiormente o pensamento do velho irrequieto <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Immanuel_Kant" target="_blank">Immanuel</a> sobre esse assunto. E coisa curiosa: ele demoliu completamente as cinco provas, e depois, como que troçando de si mesmo, construiu a sua própria sexta prova!</p>
<p>- A prova de Kant &#8211; ripostou o culto editor com um leve sorriso &#8211; também não é convincente. E não era em vão que Schiller dizia que as considerações de Kant sobre esta questão só podem satisfazer os escravos, e Strauss limitou-se a rir dessa prova.</p>
<p>Enquanto falava, Berlioz ia pensando: “Mas afinal, quem será ele? E por que é que fala tão bem russo?”.</p>
<p>- Esse tal Kant, havia que agarrá-lo e mandá-lo para <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Solovki_prison_camp" target="_blank">Solovki</a>, por essas provas! &#8211; lançou inesperadamente Ivan Nikolaevitch.</p>
<p>- Ivan! &#8211; murmurou Berlioz, embaraçado. Mas a proposta de enviar Kant para Solovki não só não impressionou o estrangeiro como o deixou encantado.</p>
<p>- Exatamente, exatamente! &#8211; exclamou ele e o seu olho esquerdo, verde, voltado para Berlioz, cintilou. &#8211; Lá é que é o lugar dele! Pois na época eu lhe disse, ao pequeno-almoço: “Desculpe, professor, mas o senhor inventou uma coisa que não faz sentido! É talvez inteligente, mas demasiado incompreensível. Vão fazer troça de si”.</p>
<p>Berlioz arregalou os olhos. “Ao pequeno-almoço?&#8230; A Kant?&#8230; Que está ele aí a inventar?”, pensou.</p>
<p>- Mas &#8211; prosseguiu o estrangeiro sem se perturbar com o assombro de Berlioz e voltando-se para o poeta &#8211; enviá-lo para Solovki é impossível, pela simples razão de que há mais de cem anos que ele reside em lugares consideravelmente mais afastados que Solovki, e asseguro-lhes que não há maneira de tirá-lo de lá!</p>
<p>- É pena! &#8211; respondeu o poeta, contrariado. </p>
<p>- Também tenho pena! &#8211; concordou o desconhecido, de olho a luzir, e continuou: &#8211; Mas há uma questão que me preocupa: se Deus não existe, quem é então, pergunto eu, que governa a vida dos homens e toda a ordem na Terra?</p>
<p>- Governa-a o próprio homem &#8211; apressou-se Bezdomni a responder, irritado, a esta pergunta, reconheça-se, não muito clara.</p>
<p>- Desculpe &#8211; disse delicadamente o desconhecido -, mas para governar é preciso, quer se queira quer não, ter um plano preciso pelo menos para um período razoável. Permita-me portanto que lhe pergunte como pode o homem governar, se ele não só é incapaz de estabelecer um qualquer plano ao menos para um período ridiculamente breve, digamos de mil anos, como nem sequer é capaz de garantir o seu próprio dia de amanhã? E na verdade aqui o desconhecido voltou-se para Berlioz &#8211; imagine que o senhor, por exemplo, começa a governar, a mandar nos outros e em si mesmo, começa, digamos, a tomar-lhe o gosto, e de repente aparece-lhe&#8230; hum, hum&#8230; um sarcoma num pulmão&#8230; &#8211; aqui o estrangeiro riu suavemente, como se a idéia do sarcoma no pulmão lhe causasse prazer. &#8211; Sim, um sarcoma &#8211; repetiu a sonora palavra semicerrando os olhos, como um gato -, e lá se vai o seu governo! Não mais lhe interessa o destino de ninguém, além do seu próprio. Os familiares começam a mentir-lhe, o senhor, pressentindo que alguma coisa está mal, recorre aos cientistas médicos, depois aos charlatães e aos cartomantes. Tanto uns como os outros são totalmente inúteis, como o senhor bem compreende. E tudo isso acaba em tragédia: aquele que ainda há pouco supunha que governava alguma coisa, vê-se de repente estendido e imóvel numa caixa de madeira, e aqueles que o rodeiam, compreendendo que ele já não serve para nada, queimam-no num forno. E pode acontecer ainda pior: um homem acaba de se preparar para partir para Kisslovodsk &#8211; o estrangeiro olhou Berlioz, semicerrando os olhos, uma coisa insignificante, ao que parece, mas mesmo isso não o consegue levar a cabo, porque, por uma razão desconhecida, ele escorrega e fica debaixo de um bonde elétrico! Vai-me dizer que ele se governou assim a si próprio? Não será mais correto pensar que alguém, inteiramente diferente, deu conta dele? &#8211; E o desconhecido desatou a rir, num riso estranho.</p>
<p>Berlioz escutava com grande atenção a desagradável história do sarcoma e do bonde elétrico, e certos pensamentos inquietantes começaram a atormentá-lo. “Ele não é estrangeiro! Não é estrangeiro!”, pensava. “É um sujeito muito estranho&#8230; mas vejamos, quem será ele?”</p>
<p>- Quer fumar, ao que parece? &#8211; perguntou de súbito o estrangeiro a Bezdomni. &#8211; Que marca prefere?</p>
<p>- Não me diga que tem diversas marcas? &#8211; perguntou sombriamente o poeta, a quem se tinham acabado os cigarros.</p>
<p>- Que marca prefere? &#8211; repetiu o desconhecido.</p>
<p>- Bem, <em>Nossa Marca</em> &#8211; respondeu Bezdomni rancorosamente.</p>
<p>O estranho tirou de imediato do bolso uma cigarreira e ofereceu-a a Bezdomni.</p>
<p>- <em>Nossa Marca</em>.</p>
<p>O editor e o poeta ficaram impressionados, não tanto com o fato de encontrarem na cigarreira precisamente cigarros <em>Nossa Marca</em>, mas com a própria cigarreira. Era enorme, em ouro de lei, e, ao abrir-se, um pequeno triângulo de diamantes lançou cintilações azuis e brancas.</p>
<p>Aqui, os dois literatos tiveram pensamentos diferentes. Berlioz: “Não, ele é estrangeiro!”. E Bezdomni: “O Diabo que o carregue! Hem?”.</p>
<p>O poeta e o dono da cigarreira acenderam os cigarros, enquanto Berlioz, que não fumava, recusou.</p>
<p>“Devo retorquir-lhe do seguinte modo”, decidiu Berlioz em pensamento. “Sim, o homem é mortal. Ninguém discute isso. Mas a questão é que&#8230;”</p>
<p>Mas antes que tivesse tempo de proferir estas palavras, o estrangeiro começou:</p>
<p>- Sim, o homem é mortal, mas isso ainda seria apenas meia desgraça. O mal é que ele por vezes é subitamente mortal, aí é que está o busílis! E de um modo geral, não pode dizer o que irá fazer hoje à noite.</p>
<p>“Que maneira absurda de pôr a questão&#8230;”, pensou Berlioz, e retorquiu:</p>
<p>- Bom, isso é já um exagero. Eu já sei mais ou menos o que farei esta noite. É claro que se na Bronnaia me cair um tijolo na cabeça&#8230;</p>
<p>- Um tijolo &#8211; interrompeu gravemente o desconhecido nunca cai sem mais nem menos na cabeça de ninguém. E a si, asseguro-lhe que em caso nenhum o ameaça esse perigo. O senhor morrerá de outra morte.</p>
<p>- Talvez o senhor saiba de qual, precisamente? &#8211; perguntou Berlioz com uma ironia natural, deixando-se arrastar para uma conversa verdadeiramente absurda. &#8211; Não quererá dizer-me?</p>
<p>- De bom grado &#8211; respondeu o desconhecido. Mediu Berlioz com o olhar, como se fosse fazer-lhe um terno, e murmurou por entre dentes qualquer coisa como: “Um, dois&#8230; Mercúrio na segunda casa&#8230; A Lua desapareceu&#8230; seis&#8230; desgraça&#8230; noite&#8230; sete&#8230;”. E disse alegremente, em voz alta: &#8211; A si cortam-lhe a cabeça!</p>
<p>Bezdomni arregalou, furioso, os olhos para o estrangeiro atrevido, e Berlioz perguntou, sorrindo de revés:</p>
<p>- E quem o fará precisamente? Inimigos? Intervencionistas?</p>
<p>- Não &#8211; respondeu o interlocutor -, uma russa, membro do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Komsomol" target="_blank">Komsomol</a>.</p>
<p>- Hum&#8230; &#8211; resmungou Berlioz irritado com o gracejo do desconhecido. &#8211; Desculpe, mas isso é pouco provável.</p>
<p>- Peço desculpa &#8211; respondeu o estrangeiro -, mas é assim mesmo. Ah, queria perguntar-lhe o que vai fazer hoje à noite, se isso não é segredo?</p>
<p>- Não há segredo. Agora vou para casa, na Sadovaia, e depois, às dez horas da noite, haverá uma reunião no <a href="http://cr.middlebury.edu/public/russian/bulgakov/public_html/MASSOLIT.html" target="_blank">MASSOLIT</a>, à qual presidirei.</p>
<p>- Não, isso é completamente impossível &#8211; replicou com firmeza o estrangeiro.</p>
<p>- E por quê?</p>
<p>- Porque &#8211; respondeu o estrangeiro e, com os olhos semicerrados olhou o céu, onde, pressentindo o arrefecimento noturno, voavam pássaros negros &#8211; Annuchka já comprou o óleo de girassol, e não só o comprou como o derramou. Portanto, não haverá reunião.</p>
<p>Neste momento, como é inteiramente compreensível, fez-se silêncio sob as tílias.</p>
<p>- Desculpe &#8211; disse Berlioz depois de uma pausa, olhando o estrangeiro que dissera tal disparate -, a que propósito vem aqui o óleo de girassol&#8230; e quem é essa Annuchka?</p>
<p>- O óleo de girassol não tem nada a ver com coisa nenhuma disse de súbito Bezdomni, claramente decidido a declarar guerra ao interlocutor importuno. &#8211; O cidadão nunca esteve num hospital para doentes mentais?</p>
<p>- Ivan!&#8230; &#8211; exclamou Mikhail Alexandrovitch em voz baixa. Mas o estrangeiro não se mostrou nada ofendido e soltou uma gargalhada alegre.</p>
<p>- Estive, estive, e mais de uma vez! &#8211; exclamou ele, rindo, mas sem desviar do poeta os seus olhos que não riam. &#8211; Onde é que eu não estive já! Só é pena que nunca tenha tido tempo para perguntar ao professor o que é a esquizofrenia. Assim terá o senhor que lhe perguntar, Ivan Nikolaevitch!</p>
<p>- Como é que sabe o meu nome?</p>
<p>- Ora, Ivan Nikolaevitch, quem é que não o conhece?</p>
<p>O estrangeiro tirou do bolso a <em>Gazeta Literária</em> do dia anterior, e Ivan Nikolaevitch viu logo na primeira página a sua cara e por baixo dela os seus próprios versos. Mas esta prova da sua glória e popularidade, que ainda no dia anterior o alegrara, não dava agora qualquer alegria ao poeta.</p>
<p>- Desculpe &#8211; disse ele, de semblante carregado -, pode esperar um momento? Quero dizer umas palavras ao meu amigo.</p>
<p>- Oh, com todo o gosto! &#8211; exclamou o desconhecido. Está-se tão bem aqui, debaixo das tílias, e eu por acaso não tenho pressa.</p>
<p>- Ouve, Micha &#8211; murmurou o poeta, puxando Berlioz de lado. &#8211; Ele não é nenhum turista, mas um espião. É um emigrado russo que se introduziu no nosso país. Pergunta-lhe pelos documentos, antes que ele se escape&#8230;</p>
<p>- Tu achas? &#8211; sussurrou Berlioz, alarmado, enquanto pensava para si mesmo: “Ele tem razão!”.</p>
<p>- Acredita &#8211; disse-lhe o poeta ao ouvido. &#8211; Finge-se de sonso, a ver se consegue obter informações. Ouves como ele fala russo? &#8211; O poeta falava e espreitava, a ver se o desconhecido não fugia. &#8211; Vamos, vamos detê-lo, antes que fuja&#8230;</p>
<p>E o poeta puxou Berlioz pelo braço até ao banco.</p>
<p>O estranho não estava sentado mas de pé junto ao banco e tinha nas mãos um livrinho de capa cinzento-escura, um envelope grosso de bom papel e um cartão-de-visita.</p>
<p>- Desculpem-me, porque no calor da nossa discussão me esqueci de me apresentar. Aqui está o meu cartão, o passaporte e um convite para me deslocar a Moscou para consultas &#8211; disse o desconhecido alegremente, lançando um olhar penetrante aos dois escritores.</p>
<p>Estes ficaram confusos. “Ouviu tudo, o maldito &#8230; “, pensou Berlioz, e com um gesto cortês indicou que não havia necessidade de mostrar os documentos. Enquanto o estrangeiro os apresentava ao editor, o poeta conseguiu ver no cartão a palavra professor impressa em letras estrangeiras e a primeira letra do nome, um W.</p>
<p>- Muito prazer &#8211; balbuciou entretanto o editor, confuso, e o estrangeiro meteu os documentos no bolso.</p>
<p>As relações foram assim restabelecidas, e os três voltaram a sentar-se.</p>
<p>- O senhor foi convidado a vir ao nosso país como consultor, professor? &#8211; perguntou Berlioz.</p>
<p>- Sim, como consultor.</p>
<p>- O senhor é alemão? &#8211; quis saber Bezdomni.</p>
<p>- Eu?&#8230; &#8211; perguntou por sua vez o professor que de repente ficou pensativo. &#8211; Sim, talvez alemão &#8211; respondeu ele.</p>
<p>- Fala muito bem russo &#8211; observou Bezdomni.</p>
<p>- Oh, sou poliglota, falo muitas línguas &#8211; respondeu o professor.</p>
<p>- E qual é a sua especialidade? &#8211; perguntou Berlioz.</p>
<p>- Sou especialista em magia negra. “Ora toma! &#8230;”, explodiu na cabeça de Mikhail Alexandrovitch.</p>
<p>- E&#8230; e foi nessa qualidade que o convidaram? &#8211; gaguejou ele.</p>
<p>- Sim, nessa qualidade &#8211; confirmou o professor, e explicou: Foram encontrados aqui, na biblioteca estatal, manuscritos autênticos do necromante <a href="http://www.vlib.us/medieval/lectures/gerbert.html" target="_blank">Gerbert d&#8217;Aurillac</a>, do século dez. E é preciso que eu os decifre. Sou o único especialista em todo o mundo.</p>
<p>- Aah! É historiador? &#8211; perguntou Berlioz, respeitosamente e com grande alívio.</p>
<p>- Sou historiador &#8211; confirmou o cientista e acrescentou a despropósito: &#8211; Esta noite haverá um interessante acontecimento no lago do Patriarca!</p>
<p>E de novo o editor e o poeta se espantaram imenso, enquanto o professor lhes fez sinal para que se aproximassem e, quando se inclinaram para ele, murmurou:</p>
<p>- Tenham em conta que Jesus existiu.</p>
<p>- Sabe, professor &#8211; disse Berlioz, com um sorriso forçado respeitamos a sua vasta erudição, mas quanto a esse assunto temos um ponto de vista diferente.</p>
<p>- Não são necessários quaisquer pontos de vista! &#8211; respondeu o estranho professor. &#8211; Ele existiu simplesmente, mais nada.</p>
<p>- Mas é necessária uma prova qualquer&#8230; &#8211; começou Berlioz.</p>
<p>- Também não são precisas provas &#8211; respondeu o professor, e começou a falar em voz baixa, perdendo inesperadamente o sotaque: &#8211; É tudo muito simples: no décimo quarto dia do mês primaveril de Nissã, de manhã cedo, Pôncio Pilatos, procurador da Judéia, envolto numa capa branca&#8230;</p>
<p><em>_________________       <br /></em></p>
<p><em><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21783879/?franq=140868" target="_blank">O Mestre e Margarida</a>,</em> de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Bulgakov" target="_blank">Mikhail Bulgakov</a><em>.</em></p>
</blockquote>
<p><em></em></p>
<p>Simplesmente um dos meus romances prediletos. Pensando bem, posso dizer que <em>é</em> o meu romance predileto. Um livro delicioso, engraçadíssimo e profundo. Para saber mais sobre ele, clique <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Mestre_e_Margarida" target="_blank">aqui</a>.</p>



<p>Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/cslewis-divorcio-ceu-inferno/' rel='bookmark' title='Permanent Link: C. S. Lewis e o divórcio entre o Céu e o Inferno'>C. S. Lewis e o divórcio entre o Céu e o Inferno</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/mario-quintana-mundo-deus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: M&aacute;rio Quintana e O Mundo de Deus'>M&aacute;rio Quintana e O Mundo de Deus</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/stephen-king-fala-sobre-o-conflito-entre-lecionar-e-escrever/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Stephen King fala sobre o conflito entre lecionar e escrever'>Stephen King fala sobre o conflito entre lecionar e escrever</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/chesterton-insanidade-literatura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria'>G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/bulgakov-diabo-jesus-deus/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/</link>
		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 08 Sep 2010 11:34:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[escritores]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/</guid>
		<description><![CDATA[&#160; « Esta é, até onde posso alcançar, a suprema realização da vida artística. Pois ela é simples autodesenvolvimento. A humildade, num artista, é a sua franca aceitação de todas as experiências, assim como o amor para o artista é simplesmente o sentido da beleza que revela ao mundo seu corpo e sua alma. Em [...]


Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/yogananda-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Paramahansa Yogananda narra um encontro com&hellip; Jesus Cristo'>Paramahansa Yogananda narra um encontro com&hellip; Jesus Cristo</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/chesterton-insanidade-literatura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria'>G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/vintila-horia-psicanalise/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise'>Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;'>Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_brick-red" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fblogdo.yurivieira.com%252F2010%252F09%252Fde-profundis-wilde-jesus%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2FaZhOa0%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22De%20Profundis%3A%20Oscar%20Wilde%20fala%20sobre%20Jesus%20Cristo%22%20%7D);"></div>
<p>&#160;<img title="Oscar Wilde" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: block; float: none; margin: 5px auto 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="271" alt="Oscar Wilde" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/09/oscar_wilde.jpg" width="193" border="0" /> </p>
<blockquote><p>« Esta é, até onde posso alcançar, a suprema realização da vida artística. Pois ela é simples autodesenvolvimento. A humildade, num artista, é a sua franca aceitação de todas as experiências, assim como o amor para o artista é simplesmente o sentido da beleza que revela ao mundo seu corpo e sua alma. Em <em>Marius, o Epicurista</em>, Pater tenta reconciliar a vida artística com a vida religiosa no sentido profundo, doce e austero do termo. Mas Marius é pouco mais que um mero espectador. Um espectador ideal, é verdade, ao qual foi concedido o dom de “contemplar o espetáculo da vida com as emoções apropriadas”, que Wordsworth define como sendo o verdadeiro objetivo do poeta, mas ainda assim um simples espectador e talvez por demais ocupado em contemplar a beleza dos bancos do santuário para perceber que contemplava apenas o refúgio do sofrimento. </p>
<p>« Vejo uma conexão bem mais íntima e imediata entre a verdadeira vida de Cristo e a verdadeira vida do artista e sinto um intenso prazer ao pensar que muito antes que o sofrimento tivesse se apossado dos meus dias e me prendido à roda do suplício, eu já tinha escrito em <em>A Alma do Homem sob o Socialismo</em> que aquele que vivesse uma vida semelhante à de Cristo deveria ser inteira e absolutamente fiel a si mesmo, e tinha escolhido como meus modelos não apenas o pastor na vertente da colina ou o prisioneiro em sua cela mas o pintor e o poeta, para os quais o mundo é um espetáculo brilhante, ou uma canção. Lembro que uma vez disse a André Gide, quando conversávamos sentados num café qualquer de Paris, que, embora a metafísica tivesse muito pouco interesse para mim e a moral absolutamente nenhum, não havia nada que Platão ou Cristo tivessem dito que não pudesse ser transposto imediatamente para o âmbito da arte e ali encontrar completa realização.»</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>« No seu livro <em>A Vida de Jesus &#8211; o Quinto Evangelho</em>, o Evangelho segundo São Tomás, como poderíamos chamá-lo -, Renan nos diz que a maior realização de Cristo foi ter se feito amar depois de morto tanto quanto fora amado em vida. E não há dúvida de que, se o seu lugar está entre os poetas, ele é o maior de todos os amantes. Ele percebeu que o amor era o primeiro segredo do mundo, o segredo que os homens sábios procuravam e que só através do amor era possível chegar ao coração do leproso ou aos pés de Deus. </p>
<p>« E, acima de tudo, Cristo é o supremo individualista. A humildade como a aceitação artística de todas as formas de experiência é apenas um tipo de manifestação. O que Cristo procura sempre é a alma do homem. Ele a chama de “Reino de Deus” e a encontra em todos nós. Ele a compara às pequenas coisas, a uma sementinha, um punhado de levedo, uma pérola. Isto porque só podemos perceber a nossa alma se nos libertarmos de todas as paixões estranhas, toda a cultura adquirida, todas as possessões externas, quer sejam elas boas ou más. </p>
<p>« Eu resisti a tudo com uma certa dose de teimosia e um espírito rebelde, até que nada mais me restava no mundo, salvo uma coisa. Havia perdido meu nome, minha posição, a felicidade, a liberdade, a riqueza. Era um prisioneiro e um mendigo. Mas ainda tinha meus filhos. De repente, eles me foram tomados por força da lei. Foi um golpe tão terrível que fiquei sem saber o que fazer e prostrei-me de joelhos, curvei a cabeça e chorei, exclamando: “O corpo de uma criança é como o corpo do Senhor, eu não mereço nenhum dos dois”. Aquele momento pareceu salvar-me. Percebi então que a única coisa a fazer seria aceitar tudo. Desde então &#8211; embora possa sem dúvida parecer estranho &#8211; sou mais feliz. Naturalmente, naquele instante eu conseguira alcançar a própria essência da minha alma. Quando conhecemos a nossa alma, tornamo-nos simples como crianças, tal Como Cristo ensinou que deveríamos ser.</p>
<p>« É trágico ver quão poucas pessoas chegam a “possuir suas próprias almas” antes de morrer. “Nada é mais raro num homem” &#8211; diz Emerson – “do que um ato independente”. E é verdade. A maior parte das pessoas são outras pessoas. Seus pensamentos são os pensamentos dos outros, suas vidas são uma imitação de outras vidas, suas paixões, citações de um texto já lido. Cristo não foi apenas o supremo individualista, mas o primeiro individualista da História. Tentaram fazer dele um filantropo vulgar igual a tantos outros, ou colocá-lo ao lado dos sentimentais e dos espíritos não-científicos, como se tivesse sido apenas um simples altruísta. Mas na verdade ele não era nem uma coisa nem outra. Sentia compaixão pelos pobres, por aqueles que viviam encarcerados nas prisões, pelos humildes, pelos miseráveis, mas tinha muito mais pena dos ricos, dos hedonistas, daqueles que perdem a liberdade, escravos das coisas materiais, dos que usam ricas vestes e vivem em casas dignas de reis. Para ele, riqueza e prazer pareciam tragédias bem maiores do que a pobreza e o sofrimento. E quanto ao altruísmo, quem melhor do que ele sabia que não é a vontade e sim a vocação que nos define e que é impossível colher uvas nos espinheiros ou figos nos cardos? </p>
<p>« Sua doutrina não exigia que vivêssemos para os outros como um objetivo definido e consciente. Não era essa a sua característica básica. Quando ele nos diz: “Perdoa os teus inimigos”, não está pensando no bem do inimigo mas no nosso próprio bem, porque o amor é mais belo do que o ódio. Mesmo quando disse ao jovem: “Vende tudo aquilo que possuis e distribui o dinheiro entre os pobres”, não era nos pobres que pensava mas na alma do jovem, naquela alma que a riqueza estava destruindo. Na sua visão da vida ele se iguala ao artista, pois ambos sabem que, pela inevitável lei do autodesenvolvimento, o poeta deve cantar, o escultor exprimir-se no bronze e o pintor fazer do mundo um espelho dos seus estados de alma, assim como o espinheiro deve florescer na primavera, o milho dourar na época da colheita e a lua, em suas peregrinações, passar de foice a escudo e de escudo a foice. </p>
<p>« Mas embora não tenha jamais dito aos homens “Vivam para os outros”, Cristo nos fez entender que não há a menor diferença entre a vida do outro e a nossa própria vida. Por esse meio, ele ampliou a personalidade do homem, dando-lhe as dimensões de um Titã. Desde a sua vinda, a história de cada indivíduo isolado é &#8211; ou pode vir a ser &#8211; a história do mundo. É claro que a cultura intensificou também a personalidade do homem. A arte deu mil novas facetas à nossa mente. Aqueles que possuem um temperamento artístico vão para o exílio com Dante e aprendem como o sal pode ser o pão dos outros e quão mais íngremes podem ser os degraus que eles são obrigados a subir, eles captam por um instante a serenidade e a calma de Goethe e no entanto conseguem entender até bem demais o que Baudelaire gritou para Deus:</p>
<blockquote><p>“O Seigneur , donnez-moi la force et le courage De contempler mon corps et mon coeur sans dégoût”. </p>
<p>[Oh, Senhor, dai-me a força e a coragem para contemplar meu corpo e meu coração sem desgosto.] »</p>
</blockquote>
<p>_____</p>
<p><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/200418/?franq=140868" target="_blank"><em>De Profundis</em></a>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Wilde" target="_blank">Oscar Wilde</a>.</p>
</blockquote>



<p>Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/yogananda-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Paramahansa Yogananda narra um encontro com&hellip; Jesus Cristo'>Paramahansa Yogananda narra um encontro com&hellip; Jesus Cristo</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/chesterton-insanidade-literatura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria'>G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/vintila-horia-psicanalise/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise'>Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;'>Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Paramahansa Yogananda narra um encontro com&#8230; Jesus Cristo</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/yogananda-jesus/</link>
		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/yogananda-jesus/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 04 Sep 2010 12:27:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/yogananda-jesus/</guid>
		<description><![CDATA[« Todos os grandes mestres da índia, que demonstraram agudo interesse pelo Ocidente, compreenderam muito bem as condições modernas. Eles sabem que os problemas do mundo continuarão insolúveis enquanto todas as nações não assimilarem melhor as virtudes características do Oriente e do Ocidente. Cada hemisfério necessita daquilo que o outro tem a oferecer de melhor. [...]


Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo'>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/a-fe-de-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: A f&eacute; de Jesus'>A f&eacute; de Jesus</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/bulgakov-diabo-jesus-deus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Mikhail Bulgakov narra o di&aacute;logo, em plena Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&ecirc;ncia de Deus'>Mikhail Bulgakov narra o di&aacute;logo, em plena Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&ecirc;ncia de Deus</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/o-penitente-isaac-singer/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O Penitente, de Isaac Bashevis Singer'>O Penitente, de Isaac Bashevis Singer</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_brick-red" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fblogdo.yurivieira.com%252F2010%252F09%252Fyogananda-jesus%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2FbyURk6%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Paramahansa%20Yogananda%20narra%20um%20encontro%20com%26hellip%3B%20Jesus%20Cristo%22%20%7D);"></div>
<p><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 10px auto; display: block; float: none; border-top: 0px; border-right: 0px" title="Paramahansa Yogananda" border="0" alt="Paramahansa Yogananda" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/09/yogananda.jpg" width="191" height="273" /> </p>
<blockquote><p>« Todos os grandes mestres da índia, que demonstraram agudo interesse pelo Ocidente, compreenderam muito bem as condições modernas. Eles sabem que os problemas do mundo continuarão insolúveis enquanto todas as nações não assimilarem melhor as virtudes características do Oriente e do Ocidente. Cada hemisfério necessita daquilo que o outro tem a oferecer de melhor.</p>
<p>« No decurso de minha viagem pelo mundo, observei com tristeza muito sofrimento. No Oriente, acentuado sofrimento no plano ma­terial. No Ocidente, sobretudo, miséria mental e espiritual. Em todos os países repercutem os dolorosos efeitos de civilizações desequilibradas. A índia e muitos outros países orientais poderão beneficiar‑se imensamente se tratarem de competir com o senso prático de empresários, com a eficiência material das nações ocidentais, como os Estados Unidos. Os povos ocidentais, ao contrário, necessitam compreender com maior profundeza a base espiritual da vida, e especialmente as técnicas científicas que a índia desenvolveu, desde a antigüidade, para a comunhão consciente do homem com Deus.</p>
<p>« O ideal de uma civilização equilibrada não é quimérico. Durante milênios, a índia foi, simultaneamente, o país da luz espiritual e de bem distribuída prosperidade material. A pobreza dos últimos duzentos anos é, na longa história da índia, apenas uma fase cármica passageira. Proverbial em todo o mundo, século após século, foi a expressão “fausto das índias”. A abundância, material e espiritual, vem a ser uma manifestação da estrutura de <em>ritá</em>, lei cósmica ou justiça natural. Não há parcimônia no Espírito Divino, nem em Sua deusa dos fenômenos, a exuberante Natureza.</p>
<p>« As Escrituras hindus ensinam que o homem é atraído para este planeta a fim de aprender, e aprender melhor em cada vida sucessiva, as infinitas variantes em que o Espírito pode, não só expressar‑se através das condições materiais, mas também governá‑las. O Oriente e o Oci­dente estão aprendendo esta grande verdade, de maneiras diversas, e deveriam partilhar de bom grado, um com o outro, as Suas descobertas. Acima de qualquer dúvida, agrada ao Senhor que Seus filhos terrenos lutem por alcançar para o mundo uma civilização livre de pobreza, doen­ça e ignorância espiritual. O esquecimento, pelo homem, de seus divi­nos recursos é resultado do uso incorreto de seu livre‑arbítrio e cau­sa primeira de todas as outras formas de sofrimento.</p>
<p>« Os males atribuídos a uma abstração antropomórfica chamada “sociedade” podem ser imputados, mais realisticamente, a cada homem. A utopia deve medrar na intimidade de cada peito humano, antes que possa florir em virtude cívica, pois as reformas internas conduzem naturalmente às externas. Um homem que se reformou a si mesmo, reformará milhares de outros.</p>
<p>« As Escrituras do mundo, submetidas ao teste do tempo, são, em essência, uma só, inspirando o homem em sua jornada ascendente. Passei um dos períodos mais felizes de minha vida, ditando para a <em>Self‑Realization Magazine</em> minha interpretação de trechos do <em>Novo Testamento</em>. Implorei fervorosamente ao Cristo para que me guiasse na apreensão do verdadeiro significado de suas palavras, muitas das quais têm sido gravemente desvirtuadas durante vinte séculos.</p>
<p>« Uma noite, quando silenciosamente me entregava à prece, minha sala de trabalho no eremitério de Encinitas inundou‑se de luz azul opalescente. Contemplei a forma resplandecente do abençoado Senhor Jesus. Parecia um jovem de vinte e cinco anos, com barba esparsa; seu longo cabelo preto, repartido ao meio, apresentava um halo de ouro cintilante.</p>
<p>« Seus olhos eram eternamente maravilhosos; enquanto eu os fitava, eles se alternavam infinitamente. A cada mudança divina em sua expressão, eu compreendia intuitivamente a sabedoria que eles transmitiam. Em seu olhar glorioso, senti o poder que sustém miríades de mundos. Um Santo Graal apareceu‑lhe na boca; desceu aos meus lábios e, a seguir, voltou a Jesus. Alguns momentos depois, ele pronunciou palavras belíssimas, tão pessoais em sua natureza que eu as guardo em meu coração.»</p>
<p>_______</p>
<p><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1969924/?franq=140868" target="_blank"><em>Autobiografia de um Iogue Contemporâneo</em></a>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paramahansa_Yogananda" target="_blank">Paramahansa Yogananda</a>.</p>
</blockquote>



<p>Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo'>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/a-fe-de-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: A f&eacute; de Jesus'>A f&eacute; de Jesus</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/bulgakov-diabo-jesus-deus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Mikhail Bulgakov narra o di&aacute;logo, em plena Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&ecirc;ncia de Deus'>Mikhail Bulgakov narra o di&aacute;logo, em plena Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&ecirc;ncia de Deus</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/o-penitente-isaac-singer/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O Penitente, de Isaac Bashevis Singer'>O Penitente, de Isaac Bashevis Singer</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/yogananda-jesus/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>C. S. Lewis: Do ateísmo ao teísmo (documentário)</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/c-s-lewis-do-ateismo-ao-teismo-documentario/</link>
		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/c-s-lewis-do-ateismo-ao-teismo-documentario/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 12:38:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeos]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[escritores]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdo.yurivieira.com/?p=1038</guid>
		<description><![CDATA[« Todos os livros estavam começando a se voltar contra mim. Na verdade, devo ter sido tão cego como um morcego por não ter visto, muito antes, a absurda contradição entre minha teoria de vida e minha verdadeira experiência enquanto leitor. Os mais religiosos eram claramente aqueles em que eu realmente podia me alimentar.» Posts [...]


Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/hilda-hilst-na-casa-do-sol-documentario/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Hilda Hilst na Casa do Sol (documentário)'>Hilda Hilst na Casa do Sol (documentário)</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/entrevista-com-o-escritor-e-critico-literario-jose-castello/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Entrevista com o escritor e crítico literário José Castello'>Entrevista com o escritor e crítico literário José Castello</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/cslewis-divorcio-ceu-inferno/' rel='bookmark' title='Permanent Link: C. S. Lewis e o divórcio entre o Céu e o Inferno'>C. S. Lewis e o divórcio entre o Céu e o Inferno</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/mario-quintana-mundo-deus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: M&aacute;rio Quintana e O Mundo de Deus'>M&aacute;rio Quintana e O Mundo de Deus</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_brick-red" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fblogdo.yurivieira.com%252F2010%252F09%252Fc-s-lewis-do-ateismo-ao-teismo-documentario%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2FctVogK%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22C.%20S.%20Lewis%3A%20Do%20ate%C3%ADsmo%20ao%20te%C3%ADsmo%20%28document%C3%A1rio%29%22%20%7D);"></div>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="500" height="400" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/JqzE0qzBilY?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0&amp;color1=0xe1600f&amp;color2=0xfebd01" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="400" src="http://www.youtube.com/v/JqzE0qzBilY?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0&amp;color1=0xe1600f&amp;color2=0xfebd01" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<blockquote><p>« Todos os livros estavam começando a se voltar contra mim. Na verdade, devo ter sido tão cego como um morcego por não ter visto, muito antes, a absurda contradição entre minha teoria de vida e minha verdadeira experiência enquanto leitor. Os mais religiosos eram claramente aqueles em que eu realmente podia me alimentar.»</p></blockquote>



<p>Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/hilda-hilst-na-casa-do-sol-documentario/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Hilda Hilst na Casa do Sol (documentário)'>Hilda Hilst na Casa do Sol (documentário)</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/entrevista-com-o-escritor-e-critico-literario-jose-castello/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Entrevista com o escritor e crítico literário José Castello'>Entrevista com o escritor e crítico literário José Castello</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/cslewis-divorcio-ceu-inferno/' rel='bookmark' title='Permanent Link: C. S. Lewis e o divórcio entre o Céu e o Inferno'>C. S. Lewis e o divórcio entre o Céu e o Inferno</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/mario-quintana-mundo-deus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: M&aacute;rio Quintana e O Mundo de Deus'>M&aacute;rio Quintana e O Mundo de Deus</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/c-s-lewis-do-ateismo-ao-teismo-documentario/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>C. S. Lewis e o divórcio entre o Céu e o Inferno</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/cslewis-divorcio-ceu-inferno/</link>
		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/cslewis-divorcio-ceu-inferno/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 11:45:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[escritores]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[realismo fantástico]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/cslewis-divorcio-ceu-inferno/</guid>
		<description><![CDATA[« O Sr. William Blake escreveu o livro O Matrimônio do Céu e do Inferno. Se escrevi sobre o abismo entre os dois, isto não é porque me julgo um antagonista à altura de tão grande gênio, nem mesmo porque esteja absolutamente certo de ter entendido o que ele pretendia; mas, num sentido ou outro [...]


Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/bulgakov-diabo-jesus-deus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Mikhail Bulgakov narra o di&aacute;logo, em plena Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&ecirc;ncia de Deus'>Mikhail Bulgakov narra o di&aacute;logo, em plena Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&ecirc;ncia de Deus</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/05/a-diferenca-entre-o-romancista-e-o-pensador/' rel='bookmark' title='Permanent Link: A diferença entre o romancista e o pensador'>A diferença entre o romancista e o pensador</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/c-s-lewis-do-ateismo-ao-teismo-documentario/' rel='bookmark' title='Permanent Link: C. S. Lewis: Do ateísmo ao teísmo (documentário)'>C. S. Lewis: Do ateísmo ao teísmo (documentário)</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/o-penitente-isaac-singer/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O Penitente, de Isaac Bashevis Singer'>O Penitente, de Isaac Bashevis Singer</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_brick-red" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fblogdo.yurivieira.com%252F2010%252F08%252Fcslewis-divorcio-ceu-inferno%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2FbGLRSe%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22C.%20S.%20Lewis%20e%20o%20div%C3%B3rcio%20entre%20o%20C%C3%A9u%20e%20o%20Inferno%22%20%7D);"></div>
<p><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 10px auto 5px; display: block; float: none; border-top: 0px; border-right: 0px" title="C.S. Lewis" border="0" alt="C.S. Lewis" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/08/cslewis.jpg" width="211" height="248" /> </p>
<blockquote><p>« O Sr. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Blake" target="_blank">William Blake</a> escreveu o livro <em>O Matrimônio do Céu e do Inferno</em>. Se escrevi sobre o abismo entre os dois, isto não é porque me julgo um antagonista à altura de tão grande gênio, nem mesmo porque esteja absolutamente certo de ter entendido o que ele pretendia; mas, num sentido ou outro a tentativa de realizar essa união é perene. Essa tentativa tem como base a crença de que a realidade jamais se apresenta a nós num sentido absoluto, havendo sempre uma opção inevitável a ser feita; mas que, com habilidade e paciência e (acima de tudo) tempo suficiente, algum meio de abranger ambas as alternativa pode ser sempre encontrado. Que o simples desenvolvimento, ajuste ou refinamento, irá de alguma forma transformar o mal em bem, sem que sejamos chamados para uma rejeição final e total de qualquer coisa que desejemos reter. </p>
<p>« Acredito que esta crença represente um erro desastroso. Não é possível levar conosco toda a nossa bagagem em todas as jornadas. Em uma dessas viagens até mesmo a sua mão direita ou o seu olho direito podem estar entre as coisas que precisará deixar para trás. Não estamos vivendo em um mundo onde todas as estradas são raios de um círculo e onde todas, se seguidas suficientemente, acabarão por se aproximar gradualmente e terminar se encontrando no centro. Pelo contrário, estamos num mundo em que cada estrada, depois de alguns quilômetros, se divide em duas, e cada uma destas mais uma vez em duas, e em cada encruzilhada você tem de tomar uma decisão. Mesmo no nível biológico, a vida não é como um rio mas como uma árvore. Ela não se move na direção da unidade, mas se distancia dela e as criaturas se afastam cada vez mais das outras, à medida que se aperfeiçoam. <strong>O bem, quando amadurece, se mostra cada vez mais diferente, não só do mal, mas de qualquer outro bem</strong>. </p>
<p>« Não julgo que todos os que escolhem as estradas erradas perecem; mas o seu resgate consiste em serem colocados de volta na estrada certa. Uma soma errada pode ser corrigida, mas somente fazendo um retrospecto até achar o erro e continuando a partir desse ponto, e não apenas “avançando”. <strong>O mal pode ser desfeito, mas não pode “transformar-se” em bem. O tempo não pode curá-lo</strong>. O encanto precisa ser quebrado, pouco a pouco, “com murmúrios de trás para diante, a fim de obter a separação” — caso contrário não dá resultado. Continua prevalecendo a necessidade de alternativa. Se insistimos em conservar o Inferno (ou mesmo a terra) não veremos o Céu. Acredito que qualquer homem que chegue ao Céu descobrirá que aquilo que abandonou (mesmo arrancando o seu olho direito) não ficou perdido: que <strong>o âmago daquilo que estava realmente buscando, mesmo em seus mais depravados desejos, continua ali, além de qualquer expectativa, esperando por ele nos “Países Altos”</strong>. Nesse sentido, os que tiverem completado a jornada (e somente estes) poderão verdadeiramente dizer que o bem é tudo e que o Céu está em toda parte. Mas nós, deste lado da estrada, não devemos tentar antecipar essa visão retrospectiva. Se fizermos isso, é provável que adotemos <strong>o falso e desastroso conceito de que tudo é bom e qualquer lugar é o Céu</strong>. </p>
<p>« E a terra? você pode perguntar. A terra, penso eu, não irá ser considerada por ninguém, no final, como sendo um lugar muito definido. <strong>Penso que se for escolhida a terra em vez do Céu, ela irá mostrar ter sido, todo o tempo, apenas uma região no Inferno: e a terra, se colocada em sujeição ao Céu, terá sido desde o início uma parte do próprio Céu</strong>. </p>
<p>« Só quero dizer mais uma ou duas coisas sobre este livro. Primeiro, devo <strong>reconhecer minha dívida de gratidão a um escritor cujo nome esqueci</strong>. Li um artigo seu numa revista americana chamada <em>Scientifiction</em> (Ficção Científica). <strong>A qualidade do meu material celeste, que não se curva nem quebra, foi-me sugerida por ele</strong>, embora tivesse feito uso da fantasia para um propósito diferente e muito engenhoso. O seu herói viajou para o passado: e ali, muito adequadamente, encontrou pingos de chuva que o feriam como balas e sanduíches que não se podiam comer — porque, naturalmente, nada no passado pode ser alterado. Com menos originalidade, mas (espero) com igual propriedade, transferi esta idéia para a eternidade. Se o autor dessa história porventura ler estas linhas peço que aceite minha gratidão. A segunda coisa é esta. Peço aos leitores que se lembrem tratar-se de uma fantasia. Ela tem naturalmente, ou foi essa a minha intenção, uma moral. Mas as condições além da morte não passam de uma suposição imaginaria: não são sequer um palpite ou uma especulação quanto ao que pode realmente aguardar-nos. A última coisa que desejo seria despertar curiosidade fatual quanto aos detalhes da vida após-morte.»      </p>
<p>_______</p>
<p><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=6808&amp;tipo=2&amp;isbn=8573679883" target="_blank"><em>O Grande Abismo</em></a> (prefácio), de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Clive_Staples_Lewis" target="_blank">C.S. Lewis</a>.</p>
</blockquote>
<p>Este foi o livro que o poeta Bruno Tolentino me indicou após conversarmos longamente sobre Swedenborg, O Livro de Urântia, vida após a morte, projeções astrais, Salvação e quejandos. O título em inglês soa ainda mais antagônico ao livro de William Blake: “The Great Divorce”.</p>



<p>Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/bulgakov-diabo-jesus-deus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Mikhail Bulgakov narra o di&aacute;logo, em plena Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&ecirc;ncia de Deus'>Mikhail Bulgakov narra o di&aacute;logo, em plena Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&ecirc;ncia de Deus</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/05/a-diferenca-entre-o-romancista-e-o-pensador/' rel='bookmark' title='Permanent Link: A diferença entre o romancista e o pensador'>A diferença entre o romancista e o pensador</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/c-s-lewis-do-ateismo-ao-teismo-documentario/' rel='bookmark' title='Permanent Link: C. S. Lewis: Do ateísmo ao teísmo (documentário)'>C. S. Lewis: Do ateísmo ao teísmo (documentário)</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/o-penitente-isaac-singer/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O Penitente, de Isaac Bashevis Singer'>O Penitente, de Isaac Bashevis Singer</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/cslewis-divorcio-ceu-inferno/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Da &#8220;Filosofia Perene&#8221;: Aldous Huxley fala sobre f&#233;</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/</link>
		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 13:53:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[escritores]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/</guid>
		<description><![CDATA[« A palavra &#34;fé&#34; tem vários significados, que é impor­tante distinguir. Em certos casos é usada como sinônimo de &#34;confiança&#34;, como quando dizemos que temos fé na habilidade diagnóstica do Dr. X ou na integridade do advogado Y. Análoga a esta é nossa &#34;fé&#34; na autoridade, a crença na probabilidade de que seja certo o [...]


Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/socrates-imortalidade-alma/' rel='bookmark' title='Permanent Link: S&oacute;crates fala sobre a imortalidade da alma'>S&oacute;crates fala sobre a imortalidade da alma</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/vintila-horia-psicanalise/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise'>Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/rdlaing-loucura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura'>O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/chesterton-insanidade-literatura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria'>G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_brick-red" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fblogdo.yurivieira.com%252F2010%252F08%252Faldous-huxley-filosofia-perene-fe%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2FbnNB8A%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Da%20%26ldquo%3BFilosofia%20Perene%26rdquo%3B%3A%20Aldous%20Huxley%20fala%20sobre%20f%26eacute%3B%22%20%7D);"></div>
<p><img title="Aldous Huxley" style="border-top-width: 0px; display: block; border-left-width: 0px; float: none; border-bottom-width: 0px; margin: 10px auto 0px; border-right-width: 0px" height="263" alt="Aldous Huxley" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/08/huxley.jpg" width="198" border="0" /> </p>
<blockquote><p>« A palavra &quot;fé&quot; tem vários significados, que é impor­tante distinguir. Em certos casos é usada como sinônimo de &quot;confiança&quot;, como quando dizemos que temos fé na habilidade diagnóstica do Dr. X ou na integridade do advogado Y. Análoga a esta é nossa &quot;fé&quot; na autoridade, a crença na probabilidade de que seja certo o que dizem certas pessoas sobre certas coisas, por causa de suas especiais condições. Outras vezes a &quot;fé&quot; significa crença em proposições que não tivemos ocasião de verificar por conta própria, mas que sabemos que poderíamos verificar, se tivéssemos o desejo e a oportunidade de fazê-lo, junto com a capacidade necessária para isso. Neste sentido da palavra, temos &quot;fé&quot;, embora nunca estivemos na Austrália, na existência de uma criatura tal como o <i>platypus</i>; temos &quot;fé&quot; na teoria atômica, embora nunca fizemos os experi­mentos em que tal teoria se fundamenta e sejamos incapazes de compreender os cálculos matemáticos que a apóiam. E existe a &quot;fé&quot;, que é uma crença em proposições que sabemos que não poderíamos verificar embora o quisésse­mos, tais como as do Credo de Atanasio ou as que constituem a doutrina da Imaculada Concepção. Esta classe de fé é definida pelos escolásticos como um ato do intelecto movido a assentir pela vontade.</p>
<p>« A fé nos três primeiros sentidos desempenha um papel muito importante, não só nas atividades da vida cotidiana, mas também até nas da ciência pura e aplicada. <i>Credo ut intelligam</i> — e também, deveríamos acrescentar, <i>ut agam e ut uiuam</i>. A fé é condição prévia de todo conhecimento sistemático, de todo obrar intencionado e de todo viver decente. As sociedades se mantêm, não principalmente pelo medo dos mais ao poder coativo dos menos, mas sim por uma difundida fé na decência de outros. Tal fé tende a criar seu próprio objeto, enquanto que uma difundida desconfiança mútua, devida, por exemplo, à guerra ou às dissensões domésticas, cria o objeto da desconfiança. Passando agora da esfera moral a intelectual, achamos a fé na raiz de todo pensamento organizado. A ciência e a tecnologia não poderiam existir se não tivéssemos fé na fidelidade do universo — se não acreditássemos implicitamente (para dizê-lo com as palavras de Clark Maxwell) que o livro da Natureza é realmente um livro e não uma revista, uma coerente obra de arte e não um tapete de retalhos. A esta fé geral na racionalidade e integridade do mundo, o buscador da verdade deve adicionar duas classes de fé especiais: fé na autoridade dos peritos qualificados, suficiente para lhe permitir aceitar sua palavra sobre afirmações que não comprovou pessoalmente; e fé em suas próprias hipóteses, suficiente para induzi-lo a comprovar suas crenças provisórias mediante a ação apropria­da. Esta ação pode confirmar a crença que o inspi­rou. Por outra parte, pode provar que a hipótese original estava mal fundada, e neste caso terá que ser modifica­da até que, conforme os fatos, e assim passe do reino da fé ao do conhecimento.</p>
<p>« A quarta classe de fé é o que usualmente se chama &quot;fé religiosa&quot;. A qualificação é justa, não porque as outras classes de fé não sejam fundamentais em religião como o são nos assuntos seculares, mas sim porque este volitivo assentimento à proposições que se sabe que não são verificáveis ocorre em religião, e só em religião, como uma adição característica à fé como confiança, a fé na autoridade e a fé em proposições não verificadas, mas verificáveis. Esta é a classe de fé que, segundo os teólogos cristãos, justifica e salva. Em sua forma extrema e mais intransigente, tal doutrina pode ser muito perigosa. Eis aqui, por exemplo, uma passagem de uma das cartas de Lutero. Este <i>peccator, etpecca fortiter; sedfortius crede et gaude in Christo, qui victor est peccati, mortis et mundi. Peccandum est quam diu sic sumus; vito haec non est habitatio justitiae.</i> (&quot;Sou pecador e peco fortemente; mas, mais fortemente, creio e alegro-me em Cristo, que é o vencedor do pecado, da morte e do mundo. Enquanto formos como somos, temos que ter pecados; esta vida não é a morada da retidão.&quot;) Ao perigo de que a fé na doutrina da justificação pela fé possa servir de desculpa ao pecado, e até de convite a pecar, deve acrescentar-se outro perigo, ou seja, o de que a fé que se supõe salvadora possa ser uma fé em proposições não meramente não comprovadas, mas sim repugnem à razão e ao sentido moral e estejam em completo desacordo com os resultados obtidos pelos quais cumpriram as condições de penetração espiritual na Natureza das Coisas. &quot;Eis aqui o topo da fé — diz Lutero em <i>De Servo</i> <i>Arbítrio</i> —: acreditar que Deus, salva a tão poucos e condena a tantos, é misericordioso; é justo Quem, a seu prazer, fez-nos necessariamente destinados à condenação, de modo que parece deleitar-se na tortura dos miseráveis e ser mais merecedor de ódio que de amor. Se, por um esforço da razão, pudesse conceber como Deus, que mostra tanta ira e dureza, pode ser misericordioso e justo, não haveria necessidade de fé.&quot; A revelação (que, quando é genuína, é simplesmente o relato da experiência imediata dos que são bastante puros de coração e bastante pobres de espírito para poder ver Deus) não diz nada de todas estas doutrinas horríveis, às quais a vontade força o intelecto, que sente por isso uma relutância bastante natural e justa a dar assenti­mento. Tais noções não são produto da penetração dos santos, mas sim da atarefada fantasia de juristas, que estavam tão longe de transcenderem o eu e os prejuízos da educação, que tinham a louca presunção de interpretar o universo em termos da lei judia e Roma­na, com a que estavam familiarizados. &quot;Ai de vós, os juristas!&quot;, disse Cristo. A acusação era profética e válida para todos os tempos.</p>
<p>« A medula e o coração espiritual de todas as religiões superiores é a Filosofia Perene; e se pode assentir às proposições da Filosofia Perene e obrar de acordo com elas sem ter que ir à classe de fé sobre a qual escrevia Lutero nas passagens precedentes. Deve, é óbvio, haver fé em sua condição de confiança — pois a confiança no próximo é o princípio da caridade para com os homens, e a confiança, não só na fidelidade material do universo, mas também em sua integridade moral e espiritual, é o princípio da caridade ou amor-conhecimento para com Deus. Deve haver também fé na autoridade — a autoridade daqueles cuja abnegação os pôs em condições de conhe­cer o Fundamento espiritual de todo ser, seja por contato direto ou por ouvi-la. E, finalmente, deve haver fé nas proposições a respeito da Realidade enunciadas por filó­sofos à luz de uma revelação — proposições que o crente sabe que pode comprovar por si mesmo, se estiver disposto a cumprir as condições necessárias. Mas, enquanto a Filosofia Perene seja aceita em sua simplicidade essencial, não há necessidade de volitivo assentimento à proposições das quais de antemão se sabe que não são comprováveis. Aqui é necessário observar que tais proposições podem chegar a ser verificáveis assim que uma intensa fé afete o substrato psíquico e assim crie uma existência cuja derivada objetividade po­de realmente descobrir-se &quot;lá fora&quot;. Contudo, recordemos que uma existência que tira sua objetividade da atividade mental dos que acreditam intensamente nela não pode ser o Fundamento espiritual do mundo, e que uma mente atarefada na atividade volun­tária e intelectual que é a &quot;fé religiosa&quot; não pode achar-se no estado de renúncia ao eu e de atenta passividade que é a condição necessária ao conhecimento unitivo do Fundamento. Por isso afirmam os budistas que &quot;a amorosa fé conduz ao céu; mas a obediência ao Dharma conduz ao Nirvana&quot;. A fé na existência e poder de qualquer entidade sobrenatural que seja menos que a Realidade espiritual última, e em qualquer forma de adoração que não alcance o abatimento de si mesmo, produzirá sem dúvida, se o objeto da fé é intrinsecamente bom, um melhoramento do caráter, e provavelmente a sobrevivência póstuma de melhorada personalidade em condições &quot;celestiais&quot;. Mas esta sobrevivência pessoal dentro do que é ainda a ordem temporária não é a vida eterna da união atemporal com o Espírito. Esta vida eterna &quot;está no conhecimento&quot; da Divindade, não na fé em algo que seja menos que a Divindade.»</p>
<blockquote><p><i>A imortalidade obtida pela aquisição de uma condição objetiva (por exemplo, a condição — alcan­çada pelas boas obras inspiradas pelo amor a algo inferior à Divindade suprema e pela crença nesse algo — de unir-se em ato ao adorado) está exposta a terminar; pois nas Escrituras se afirma distintamente que o Carma não é nunca causa de emancipação.</i></p>
<p><i>Shankara</i></p>
</blockquote>
<p>« O Carma é a sucessão causal no tempo, da qual somos somente libertados &quot;morrendo para&quot; o eu tem­poral e nos unindo com o eterno, que está além do tempo e causa. Pois &#8220;quanto à noção de uma Primeira Causa, ou <i>Causa Sui</i>&#8221; (para citar as palavras do Dr. E R. Tennant, eminente teólogo e filósofo), &#8220;devemos, por um lado, ter presente que nos refutamos ao tentar estabelecê-la por extensão da aplicação da categoria causal, pois casualidade universalizada implica contradição; e, por outra parte, recordar que o Fundamento último sim­plesmente &#8216;É&#8217;.&quot; Só quando também o indivíduo &quot;sim­plesmente é&quot;, em virtude de sua união, pelo amor-conhecimento, com o Fundamento, pode haver liberação completa e eterna.»       <br />_______</p>
<p><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=6808&amp;tipo=2&amp;isbn=8531601711" target="_blank"><em>A Filosofia Perene</em></a>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Aldous_Huxley" target="_blank">Aldous Huxley</a>.</p>
</blockquote>



<p>Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/socrates-imortalidade-alma/' rel='bookmark' title='Permanent Link: S&oacute;crates fala sobre a imortalidade da alma'>S&oacute;crates fala sobre a imortalidade da alma</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/vintila-horia-psicanalise/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise'>Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/rdlaing-loucura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura'>O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/chesterton-insanidade-literatura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria'>G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A f&#233; de Jesus</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/a-fe-de-jesus/</link>
		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/a-fe-de-jesus/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 21 Aug 2010 11:08:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Urântia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/a-fe-de-jesus/</guid>
		<description><![CDATA[&#160; « JESUS possuía uma fé sublime, e de todo o coração, em Deus. Ele experimentou os altos e baixos comuns da existência mortal, mas religiosamente nunca duvidou da certeza da vigilância e do guiamento de Deus. A sua fé era fruto do discernimento nascido da atividade da presença divina do seu Ajustador residente. A [...]


Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo'>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/yogananda-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Paramahansa Yogananda narra um encontro com&hellip; Jesus Cristo'>Paramahansa Yogananda narra um encontro com&hellip; Jesus Cristo</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/obsesses-de-hilda-hilst/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Obsess&otilde;es de Hilda Hilst'>Obsess&otilde;es de Hilda Hilst</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_brick-red" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fblogdo.yurivieira.com%252F2010%252F08%252Fa-fe-de-jesus%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2FcsddG3%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22A%20f%26eacute%3B%20de%20Jesus%22%20%7D);"></div>
<p>&#160;<img title="Jesus, by Alex Grey" style="border-top-width: 0px; display: block; border-left-width: 0px; float: none; border-bottom-width: 0px; margin: 10px auto; border-right-width: 0px" height="284" alt="Jesus, by Alex Grey" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/08/jesus_alex_grey.jpg" width="184" border="0" /> </p>
<blockquote><p>« JESUS possuía uma fé sublime, e de todo o coração, em Deus. Ele experimentou os altos e baixos comuns da existência mortal, mas religiosamente nunca duvidou da certeza da vigilância e do guiamento de Deus. A sua fé era fruto do discernimento nascido da atividade da presença divina do seu Ajustador residente. A sua fé não era nem tradicional nem meramente intelectual; era totalmente pessoal e puramente espiritual.</p>
<p>« O Jesus humano via Deus como sendo santo, justo e grande, assim como verdadeiro, belo e bom. Todos esses atributos da divindade, ele os focalizava na sua mente como a “vontade do Pai no céu”. O Deus de Jesus era, ao mesmo tempo, “O Santo de Israel” e “O Pai vivo e amoroso do céu”. O conceito de Deus, como um Pai, não foi original de Jesus, mas ele exaltou e elevou essa idéia como uma experiência sublime, realizando uma nova revelação de Deus e proclamando que todo ser mortal é um filho desse Pai de amor, um filho de Deus.</p>
<p>« Jesus não se apegou à fé em Deus como o faria uma alma que se debate em luta contra o universo, ou que se agarra à luta de morte contra um mundo hostil e pecaminoso; ele não recorreu à fé meramente como uma consolação em meio a dificuldades, ou como um conforto em meio à ameaça do desespero; a fé não era apenas uma compensação ilusória para as realidades desagradáveis e os sofrimentos da vida. Ao enfrentar todas as dificuldades naturais e as contradições temporais da existência mortal, ele experimentou a tranqüilidade da confiança suprema e inquestionável em Deus e desfrutou a imensa emoção de viver, pela fé, na própria presença do Pai celeste. E essa fé triunfante foi uma experiência viva de realização real do espírito. A grande contribuição de Jesus para os valores da experiência humana não foi de haver revelado tantas idéias novas sobre o Pai no céu, mas foi mais por ele haver, tão magnífica e humanamente, demonstrado um tipo novo e mais elevado de <em>fé viva em Deus.</em> Nunca, em todos os mundos deste universo, na vida de qualquer mortal, Deus tornou-se uma tão <em>viva realidade</em> como na experiência humana de Jesus de Nazaré.</p>
<p>« Na vida do Mestre, em Urântia, este e todos os outros mundos da criação local descobriram um tipo novo e mais elevado de religião, baseada em relações espirituais pessoais com o Pai Universal e totalmente validada pela autoridade suprema da experiência pessoal genuína. Essa fé viva de Jesus era mais do que uma reflexão intelectual, e não era uma meditação mística.</p>
<p>« A teologia pode fixar, formular, definir e dogmatizar a fé, mas, na vida humana de Jesus, a fé era pessoal, viva, original, espontânea e puramente espiritual. Essa fé não era uma reverência à tradição, nem uma mera crença intelectual que ele mantinha como um credo sagrado, era mais uma experiência sublime e uma convicção profunda <em>mantendo-o em segurança.</em> A sua fé era tão real e todo-inclusiva que varreu para longe, absolutamente, quaisquer dúvidas espirituais e destruiu efetivamente todos os desejos conflitantes. Nada foi capaz de afastá-lo de ancorar-se espiritualmente nessa fé fervorosa, sublime e destemida. Mesmo na derrota aparente ou nas fortes dores do desapontamento e do desespero ameaçador, ele permaneceu calmamente na presença divina, livre de medo e totalmente consciente da invencibilidade espiritual. Jesus desfrutou da certeza revigorante da posse de uma fé inflexível e, em cada uma das situações de provação, demonstrou infalivelmente uma lealdade inquestionável à vontade do Pai. E essa fé magnífica não se intimidou, mesmo diante da ameaça cruel e esmagadora de uma morte ignominiosa.</p>
<p>« Em um gênio religioso, uma fé espiritual muito forte, com freqüência, leva diretamente ao fanatismo desastroso, ao exagero do ego religioso, mas não aconteceu assim com Jesus. Ele não foi afetado desfavoravelmente, na sua vida prática, pela sua extraordinária fé e pela realização espiritual, porque essa exaltação espiritual era uma expressão totalmente inconsciente e espontânea, na sua alma, da sua experiência pessoal com Deus.</p>
</blockquote>
<p> <span id="more-957"></span><br />
<blockquote>
<p>« A fé espiritual ardente e indomável de Jesus nunca se tornou fanática, pois nunca chegou a afetar os seus julgamentos intelectuais equilibrados a respeito dos valores correspondentes das situações sociais, econômicas e morais, práticas e comuns da vida. O Filho do Homem foi uma personalidade humana esplendidamente unificada; foi um ser divino perfeitamente dotado; e era também magnificamente coordenado, como combinação de ser humano e divino, funcionando na Terra como uma personalidade única. O Mestre sempre coordenava a fé da alma com o juízo da sabedoria da experiência amadurecida. A fé pessoal, a esperança espiritual e a devoção moral foram sempre correlacionadas em uma unidade religiosa, sem par, de associação harmoniosa com a compreensão profunda da realidade e da sacralidade de todas as lealdades humanas — a honra pessoal, o amor familiar, a obrigação religiosa, o dever social e a necessidade econômica.</p>
<p>« A fé de Jesus visualizou todos os valores do espírito como sendo encontrados no Reino de Deus; e por isso ele disse: “Buscai primeiro o Reino do céu”. Jesus viu, na fraternidade avançada e ideal do Reino, a realização e o cumprimento da “vontade de Deus”. A essência mesma da oração que ele ensinou aos seus discípulos foi: “Que venha a nós o vosso Reino; que a vossa vontade seja feita”. E assim, tendo concebido o Reino como consistindo na vontade de Deus, ele devotou-se à causa da sua realização com um auto-esquecimento espantoso e um entusiasmo incontido. Mas, durante toda a sua intensa missão e na sua vida extraordinária, a fúria do fanático nunca esteve presente, nem a insignificância, de fachada, do egotista religioso.</p>
<p>« A vida inteira do Mestre foi condicionada, consistentemente, por essa fé viva, por essa experiência religiosa sublime. Essa atitude espiritual dominou totalmente o seu pensamento e o seu sentimento, a sua crença e a sua oração, o seu ensinamento e a sua pregação. Essa fé pessoal de um filho, na certeza e na segurança do guiamento e da proteção do Pai celeste, conferiu à sua vida única um dom profundo de realidade espiritual. E ainda, a despeito dessa profunda consciência de relação íntima com a divindade, esse galileu, esse Galileu de Deus, quando era chamado de Bom Mestre, imediatamente dizia: “Por que me chamais de bom?” Quando nós nos defrontamos com um auto-esquecimento tão esplêndido, começamos a compreender como o Pai Universal achou possível manifestar, tão plenamente, a Si próprio, nele e revelar-Se por meio dele aos mortais dos reinos.</p>
<p>« Jesus levou a Deus, como homem deste reino, a maior de todas as oferendas: a consagração e a dedicação da sua própria vontade ao serviço majestoso de fazer a vontade divina. Jesus sempre interpretou, e de um modo consistente, a religião, nos termos totais da vontade do Pai. Quando estudardes a carreira do Mestre, no que diz respeito à prece ou a qualquer outro aspecto da vida religiosa, não procureis tanto o que ele ensinou, mas deveis procurar o que ele fez. Jesus nunca orou por dever religioso. Para ele, a prece foi uma expressão sincera da atitude espiritual, uma declaração de lealdade da alma, uma demonstração da devoção pessoal, uma expressão da gratidão, um modo de evitar a tensão emocional, uma prevenção para os conflitos, uma exaltação intelectiva, um enobrecimento do desejo, uma demonstração da decisão moral, um enriquecimento do pensamento, um revigoramento das inclinações mais elevadas, uma consagração do impulso, um esclarecimento de pontos de vista, uma declaração de fé, uma rendição transcendental da vontade, uma afirmação sublime de confiança, uma revelação de coragem, uma proclamação da descoberta, uma confissão de devoção suprema, uma validação da consagração, uma técnica de ajustamento das dificuldades e uma mobilização poderosa, dos poderes combinados da alma, para suportar todas as tendências humanas de egoísmo, mal e pecado. Ele viveu exatamente uma vida na prece e na consagração devotada a fazer a vontade do seu Pai e terminou a sua vida de modo triunfante, exatamente com uma dessas orações. O segredo da sua vida religiosa sem par foi essa consciência da presença de Deus; e ele a alcançou por meio da oração inteligente e da adoração sincera — de comunhão ininterrupta com Deus — e não por indicações, vozes, visões, nem por práticas religiosas extraordinárias.</p>
<p>« Na vida terrena de Jesus, a religião foi uma experiência viva, um movimento direto e pessoal da reverência espiritual à prática da retidão. A fé de Jesus deu frutos transcendentais do espírito divino. A sua fé não era imatura e crédula como a de uma criança, mas, sob muitos pontos de vista, ela assemelhou-se à confiança, sem suspeitas, da mente infantil. Jesus confiou em Deus, do mesmo modo que uma criança confia em um pai. Ele tinha uma profunda confiança no universo — exatamente a confiança que uma criança tem no ambiente dos seus pais. A fé de Jesus, uma fé de todo o coração, na bondade fundamental do universo, em muito se assemelhou à confiança que a criança tem na segurança no seu meio ambiente terreno. Ele dependeu do Pai celeste, tal uma criança se apóia no seu pai terreno, e a sua fé fervorosa nunca, nem por um momento, duvidou da certeza de que o Pai celeste velava por ele. Ele não se perturbava seriamente com temores, dúvidas e ceticismos. A descrença não inibiu a expressão livre e original da sua vida. Ele combinou a coragem sólida e inteligente de um homem amadurecido, com o otimismo sincero e crente de uma criança confiante. A sua fé cresceu, alcançando um nível tão elevado de confiança que era desprovida de temores.</p>
<p>« A fé de Jesus atingiu a pureza da confiança de uma criança. A sua fé foi tão absoluta e desprovida de dúvidas que se fez sensível ao encanto do contato com os companheiros e às maravilhas do universo. O seu senso de dependência do divino foi tão completo e tão confiante, que trouxe a alegria e a certeza de uma segurança pessoal absoluta. Não houve nada de hesitante e simulado na sua experiência religiosa. Nessa inteligência gigantesca de um homem adulto, a fé da criança reinou, suprema, em todas as questões relacionadas à consciência religiosa. Não é estranho que uma vez ele haja dito: “Se não vos tornardes como crianças pequenas, não entrareis no Reino”. Não obstante a fé de Jesus ser como a <em>de uma criança,</em> não era <em>infantil</em> em nenhum sentido.</p>
<p>« Jesus não exige que os seus discípulos acreditem nele, mas que eles acreditem junto <em>com</em> ele, que acreditem na realidade do amor de Deus e, com toda a confiança, que aceitem a certeza da segurança da filiação ao Pai celeste. O Mestre deseja que todos os seus seguidores compartilhem totalmente da sua fé transcendente. Jesus, de um modo muito tocante, desafiou os seus seguidores, não apenas a acreditarem naquilo em <em>que</em> ele acreditava, mas também a acreditarem <em>como</em> ele acreditava. Esta é a significação plena da sua única e suprema exigência: “Siga-me”.</p>
<p>« A vida terrena de Jesus foi devotada a um grande propósito — fazer a vontade do Pai, viver a vida humana, religiosamente e pela fé. A fé de Jesus foi confiante como a de uma criança, mas sem a menor presunção. Ele tomou decisões firmes e viris, enfrentou corajosamente múltiplas decepções, com resolução suplantou dificuldades extraordinárias e cumpriu de modo inabalável os rudes requisitos do dever. Foi necessária uma vontade forte e uma confiança firme para acreditar no que Jesus acreditava, e como ele acreditava.»</p>
<p>____</p>
<p><a href="http://www.urantia.org/pt/o-livro-de-urantia/pagina-preliminar" target="_blank"><em>O Livro de Urântia</em></a>, Documento 196 &#8211; <a href="http://www.urantia.org/pt/o-livro-de-urantia/documento-196-fe-jesus" target="_blank">A Fé de Jesus</a>.</p>
</blockquote>
<p>Segue o texto acima em comemoração ao <a href="http://www.urantia.org/pt/o-livro-de-urantia/documento-122-o-nascimento-e-infancia-de-jesus" target="_blank">aniversário de Jesus</a>, que nasceu neste planeta (Urântia) aos 21 de Agosto de 7AC. (Sim, sete anos antes da data oficial.)</p>
<p>Feliz Natal!! ;^D</p>



<p>Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo'>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/yogananda-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Paramahansa Yogananda narra um encontro com&hellip; Jesus Cristo'>Paramahansa Yogananda narra um encontro com&hellip; Jesus Cristo</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/obsesses-de-hilda-hilst/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Obsess&otilde;es de Hilda Hilst'>Obsess&otilde;es de Hilda Hilst</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/a-fe-de-jesus/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>S&#248;ren Kierkegaard y la b&#250;squeda del caballero de la fe</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/kierkegaard-caballero-fe/</link>
		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/kierkegaard-caballero-fe/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 20 Aug 2010 11:17:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/kierkegaard-caballero-fe/</guid>
		<description><![CDATA[« Lo confieso con sinceridad: no he podido encontrar, a lo largo de mis experiencias, un solo ejemplar de caballero de la fe digno de confianza, sin que con esta afirmación quiera negar que quizás una de cada dos personas lo sea. Pero se da la circunstancia de que llevo muchos años buscando en vano. [...]


Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/negacao-da-morte-becker/' rel='bookmark' title='Permanent Link: A Nega&ccedil;&atilde;o da Morte: Ernest Becker fala de Otto Rank e Kierkegaard'>A Nega&ccedil;&atilde;o da Morte: Ernest Becker fala de Otto Rank e Kierkegaard</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/jardim-perfumado-xeque-nefzaui/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Tratado sexual &aacute;rabe: &ldquo;O Jardim das Del&iacute;cias&rdquo;, do Xeque Nefzaui'>Tratado sexual &aacute;rabe: &ldquo;O Jardim das Del&iacute;cias&rdquo;, do Xeque Nefzaui</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2009/10/realismo-histrico/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Realismo hist&eacute;rico'>Realismo hist&eacute;rico</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/05/gay-talese-imprensa-escandalos-sexuais-internet/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Gay Talese: imprensa, escândalos sexuais, internet'>Gay Talese: imprensa, escândalos sexuais, internet</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_brick-red" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fblogdo.yurivieira.com%252F2010%252F08%252Fkierkegaard-caballero-fe%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2FcYBiIn%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22S%26oslash%3Bren%20Kierkegaard%20y%20la%20b%26uacute%3Bsqueda%20del%20caballero%20de%20la%20fe%22%20%7D);"></div>
<p><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 10px auto; display: block; float: none; border-top: 0px; border-right: 0px" title="Kierkegaard" border="0" alt="Kierkegaard" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/08/kierkegaard.jpg" width="205" height="255" /> </p>
<blockquote><p>« Lo confieso con sinceridad: no he podido encontrar, a lo largo de mis experiencias, un solo ejemplar de caballero de la fe digno de confianza, sin que con esta afirmación quiera negar que quizás una de cada dos personas lo sea. Pero se da la circunstancia de que llevo muchos años buscando en vano. Generalmente viajamos por el mundo con el fin de ver ríos y montañas, estrellas de otras latitudes, pájaros variopintos, peces deformes y razas humanas grotescas; nos abandonamos a un estupor animal, que nos deja con la boca abierta ante lo existente, y concluimos por creer que hemos visto algo. Nada de eso me interesa. Pero si yo viniera a saber dónde habita un verdadero caballero de la fe, me pondría en el acto en camino hacia aquel lugar, pues esa es la clase de maravilla que me interesa. Una vez encontrado no lo perdería de vista un solo momento, observando constantemente todos y cada uno de sus movimientos. Me sentiría como quien ha encontrado un sustento en esta existencia y dividiría mi tiempo dedicando una parte de él a observarlo y otra a ejercitarme yo mismo, de modo que todo mi tiempo sería empleado en admirar-lo.»</p>
<p><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=6808&amp;tipo=2&amp;isbn=8528905918 " target="_blank"><em>Temor y Temblor</em></a>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%B8ren_Kierkegaard" target="_blank">Søren Kierkegaard</a>.</p>
</blockquote>



<p>Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/negacao-da-morte-becker/' rel='bookmark' title='Permanent Link: A Nega&ccedil;&atilde;o da Morte: Ernest Becker fala de Otto Rank e Kierkegaard'>A Nega&ccedil;&atilde;o da Morte: Ernest Becker fala de Otto Rank e Kierkegaard</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/jardim-perfumado-xeque-nefzaui/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Tratado sexual &aacute;rabe: &ldquo;O Jardim das Del&iacute;cias&rdquo;, do Xeque Nefzaui'>Tratado sexual &aacute;rabe: &ldquo;O Jardim das Del&iacute;cias&rdquo;, do Xeque Nefzaui</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2009/10/realismo-histrico/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Realismo hist&eacute;rico'>Realismo hist&eacute;rico</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/05/gay-talese-imprensa-escandalos-sexuais-internet/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Gay Talese: imprensa, escândalos sexuais, internet'>Gay Talese: imprensa, escândalos sexuais, internet</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/kierkegaard-caballero-fe/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A Nega&#231;&#227;o da Morte: Ernest Becker fala de Otto Rank e Kierkegaard</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/negacao-da-morte-becker/</link>
		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/negacao-da-morte-becker/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 17 Aug 2010 11:36:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/negacao-da-morte-becker/</guid>
		<description><![CDATA[&#160; « …nossa missão capital neste planeta é a heróica.» (…) « O instinto comum da natureza humana para com a realidade… sempre sustentou ser o mundo essencialmente um teatro para o heroísmo.» [William James, citado por Ernest Becker] (…) « É natural que o homem seja um animal maluco; deve viver uma vida maluca [...]


Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/kierkegaard-caballero-fe/' rel='bookmark' title='Permanent Link: S&oslash;ren Kierkegaard y la b&uacute;squeda del caballero de la fe'>S&oslash;ren Kierkegaard y la b&uacute;squeda del caballero de la fe</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;'>Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/socrates-imortalidade-alma/' rel='bookmark' title='Permanent Link: S&oacute;crates fala sobre a imortalidade da alma'>S&oacute;crates fala sobre a imortalidade da alma</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/rdlaing-loucura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura'>O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_brick-red" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fblogdo.yurivieira.com%252F2010%252F08%252Fnegacao-da-morte-becker%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2FaxWNWQ%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22A%20Nega%26ccedil%3B%26atilde%3Bo%20da%20Morte%3A%20Ernest%20Becker%20fala%20de%20Otto%20Rank%20e%20Kierkegaard%22%20%7D);"></div>
<p>&#160;<img style="border-right-width: 0px; margin: 10px auto; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px" title="Ernest Becker" border="0" alt="Ernest Becker" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/08/ernest_becker.jpg" width="198" height="264" /> </p>
<blockquote><p>« …<strong>nossa missão capital</strong> neste planeta é a heróica.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« O instinto comum da natureza humana para com a realidade… sempre sustentou ser o mundo essencialmente um teatro para o heroísmo.» [<em>William James, citado por Ernest Becker</em>]</p>
<p>(…)</p>
<p>« <strong>É natural que o homem seja um animal maluco</strong>; deve viver uma vida maluca devido ao seu conhecimento da morte.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« A aspiração por heroísmo é natural e admiti-lo é honesto. Se todos o admitissem, provavelmente se liberaria tamanha força represada que devastaria as sociedades tais como agora existem…»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Não há [<em>na cultura atual</em>] um centro vital pulsante.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« […] a religião não é mais eficaz como um sistema de heroísmo, e por isso os jovens menosprezam-na. Se a cultura tradicional é desacreditada como manifestação de heroísmo, então a igreja que a apóia automaticamente se desacredita. Se a igreja, pelo contrário, decide insistir em seu heroísmo característico, talvez constate que, de maneiras cruciais, terá de agir contra a cultura, recrutar jovens para serem anti-heróis face aos estilos de vida da sociedade em que vivem. <strong>Este é o dilema da religião em nossa época</strong>.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Todo ser humano é… igualmente preso, isto é, nós… criamos uma prisão com a liberdade…» [<em>Otto Rank, citado por Ernest Becker</em>]</p>
<p>(…)</p>
<p>« A pergunta […] mais importante que o homem pode fazer a si mesmo é simplesmente esta: até onde tem ele consciência do que está fazendo para alcançar um senso de heroísmo?»</p>
<p>(…)</p>
<p>« E esta é a singela verdade: viver é sentir-se perdido — aquele que aceita isso já começou a encontrar-se, a colocar-se em terreno firme.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« A Tragédia da vida a que Searles se refere é aquela que estivemos examinando: a finitude do homem, seu pavor da morte e da enormidade esmagadora da vida. O esquizofrênico sente essas coisas mais do que outro qualquer por não ter sido capaz de formar as defesas seguras que uma pessoa normalmente emprega para negá-las.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« […] o caráter de uma pessoa é uma defesa contra o desespero, uma tentativa de evitar a insanidade por causa da verdadeira natureza do mundo.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Neurótico é alguém que não consegue rodear sua animalidade com uma ilusão convincente.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« …<strong>a essência da normalidade</strong> é a recusa da realidade.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Isto é <strong>neurose em poucas palavras</strong>: o insucesso de mentiras desajeitadas no tocante à realidade.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« …<strong>normalidade é neurose e vice-versa</strong>. Chamamos a um homem de “neurótico” quando sua mentira começa a demonstrar efeitos nocivos nele ou em pessoas que o cercam e ele procura ajuda clínica para isso — ou outros procuram por ele. Sob outros aspectos, chamamos a rejeição da realidade de “normal” por não ocasionar qualquer problema perceptível.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« O que está em jogo em toda repressão humana: <strong>o medo da vida e da morte</strong>.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Uma das circunstâncias que percebemos quando estudamos a história é que <strong>a consciência de animalidade é sempre absorvida pela cultura</strong>. Esta opõe-se à natureza e transcende-a. A cultura, em sua mais recôndita intenção, é uma negação heróica da animalidade.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« A própria salvação não mais é atribuída a uma <em>abstração</em> como Deus, mas pode ser procurada “<strong>na beatificação do outro</strong>”. Poderíamos chamar esta de “beatificação transferencial”. O homem agora vive em uma “cosmologia de dois”. […] O homem moderno realiza seu impulso de auto-expansão no objeto amoroso tal como outrora foi realizado em Deus. […] Como diz uma canção hindu: “Meu amor é meu Deus; se ele me aceita minha existência é utilizada”. Não é de espantar que Rank pudesse concluir que <strong>o relacionamento amoroso do homem moderno é um problema </strong><em><strong>religioso</strong>.</em>»</p>
<p>(…)</p>
<p>« <strong>As pessoas precisam de um “além”</strong>, mas elas pegam primeiro o mais próximo; isto lhes dá a satisfação de que precisam, mas, ao mesmo tempo, limita-as e escraviza-as. Você pode considerar o problema todo de uma vida humana desta maneira. Pode perguntar: em que tipo de além esta pessoa tenta expandir-se e quanto de individualização obtém nele?»</p>
<p>(…)</p>
<p>« O limite entre a rendição natural, ao querer ser parte de algo superior, e a rendição masoquista ou autonegadora é deveras tênue, como Rank assinalou. O problema é ainda mais complicado por algo que <strong>as mulheres</strong>, como todos os mais, detestam admitir: <strong>sua própria incapacidade natural para se manterem sozinhas em liberdade</strong>.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« <strong>O que Kierkegaard está dizendo</strong>, em outras palavras, é que a escola da angústia leva à possibilidade <em>só pelo fato de destruir</em> a mentira vital do caráter.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« E assim se chega à nova possibilidade, à nova realidade, pela destruição do eu ao se fazer face à angústia do terror da existência. O <em>self</em> tem de ser destruído, reduzido a nada, a fim de ter início a transcendência de si próprio. Então, <strong>o <em>self</em> pode começar a relacionar-se com poderes além de si mesmo</strong>. Ele tem de debater-se em sua finitude, tem de “morrer” para interrogar essa finitude e poder ver para além dela. Para onde? Responde Kierkegaard: para a infinitude, para a transcendência absoluta, para <strong>o Poder Final da Criação</strong> que fez as criaturas finitas. Nossa moderna interpretação da psicodinâmica confirma ser essa progressão bastante lógica — <strong>se você admite ser um animal, conseguiu uma coisa fundamental</strong>: demoliu todos os seus elos ou apoios de força inconscientes. Como vimos no último capítulo — e vale a pena repetir aqui —, <strong>cada criança firma-se em algum poder que a transcende</strong>. Geralmente é uma combinação de seus pais, seu grupo social e os símbolos de sua sociedade e nação. Essa é a trama irracional de apoio que lhe permite acreditar em si própria, enquanto funciona na segurança automática de poderes delegados. Ela, está claro, não admite para si mesma que vive com forças tomadas de empréstimo, pois isso a levaria a duvidar de sua própria ação segura, daquela mesma confiança de que necessita. Ela negou sua animalidade exatamente por imaginar que dispõe de poder seguro, e esse poder seguro foi obtido apoiando-se inconscientemente nas pessoas e coisas de sua sociedade. Uma vez que você revele essa <strong>fraqueza e vacuidade básicas da pessoa</strong>, sua incapacidade, então é obrigado a reexaminar todo o problema das ligações de poder. Você tem de pensar em refazê-las em uma fonte real de poder criativo e gerador. É nesta altura que uma pessoa pode começar a posicionar sua condição de criatura <em>vis-à-vis</em> <strong>um Criador que é a Causa Primeira de todas as coisas criadas</strong>, não meramente os criadores de segunda mão, intermediários, da sociedade, os pais e a panóplia de heróis culturais. Esses são os pais sociais e culturais, que, por sua vez, foram causados, que, por sua vez, estão enleados em uma teia de poderes de outrem.</p>
<p>« Uma vez que a pessoa se ponha a examinar seu relacionamento com o Poder Final, com a infinitude, e a <strong>reformular seus vínculos desligando-os dos que a rodeiam para ligá-los a esse Poder Final</strong>, ela se franqueia o horizonte da possibilidade ilimitada, da <strong>verdadeira liberdade</strong>. Essa é a mensagem de Kierkegaard, a culminação de todo o seu raciocínio a respeito dos becos sem saída do caráter, o ideal de saúde, a escola da angústia, a natureza da verdadeira possibilidade e liberdade. Passa-se por tudo isso para chegar-se à fé de que a própria condição de criatura tem certo significado para um Criador; que, a despeito da verdadeira insignificância, fraqueza, morte de cada um, sua existência tem um certo sentido definitivo porque existe dentro de um projeto eterno e infinito das coisas produzidas e mantidas dentro de determinado modelo por uma força criadora. Repetidamente, em seus trabalhos, Kierkegaard volta à <strong>fórmula básica da fé: a gente é uma criatura que nada pode fazer, mas existe diante de um Deus vivo para quem “tudo é possível”</strong>.</p>
<p>« Toda a sua argumentação agora torna-se clara como água, segundo a qual <strong>a chave de abóbada da fé coroa a estrutura</strong>. Podemos entender por que a angústia “é a possibilidade de liberdade”, por que <strong>a angústia derruba “todas as metas finitas”</strong>, e assim “o homem que é educado pela possibilidade é educado de acordo com sua infinitude”. A possibilidade a nada conduz se não conduzir à fé. Ela é uma etapa intermediária entre o condicionamento cultural, a mentira do caráter e a abertura da infinitude com a qual a pessoa pode relacionar-se por meio da fé. <strong>Mas sem o salto para a fé o novo sentimento de desamparo por ter abandonado a armadura do próprio caráter infunde puro terror</strong>. Isso significa que se vive desprotegido pela couraça, exposto à sua solidão e desamparo, à angústia constante. Nas palavras de Kierkegaard: </p>
<blockquote><p>« “Agora o pavor da possibilidade conserva-o como sua presa, até poder entregá-lo a salvo nas mãos da fé. Em nenhum outro lugar encontrará ele repouso… ele, que atravessou o currículo do infortúnio oferecido pela possibilidade, perdeu tudo, absolutamente tudo, de forma que ninguém o perdeu na realidade. Se nessa situação ele não se comporta falsamente face à possibilidade, se não tenta falar desviando-se do pavor que o salvaria, então receberá tudo de volta novamente, como na realidade ninguém jamais conseguiu mesmo que tenha recebido dez vezes mais, pois o aluno da possibilidade recebeu a infinitude…”</p>
</blockquote>
<p>« Se colocarmos toda essa progressão em função de nosso exame das possibilidades de heroísmo, o resultado será o seguinte: o homem irrompe através dos limites do heroísmo meramente cultural; destrói a mentira do caráter que o fazia portar-se como herói no plano social cotidiano das coisas; e, ao fazê-lo, ele se abre para o infinito, para <strong>a possibilidade de heroísmo cósmico</strong>, <strong>para o próprio serviço de Deus</strong>. Sua vida, portanto, adquire valor definitivo em vez de valor simplesmente social e cultural, histórico. <strong>Ele liga seu eu interior secreto, seu talento autêntico, seus mais profundos sentimentos de originalidade, seu anelo íntimo por um significado absoluto ao próprio substrato da criação</strong>. Nas ruínas do eu cultural demolido permanece o mistério do eu particular, invisível, interior, que anelava por significado definitivo, por heroísmo cósmico. Esse mistério invisível no coração de toda criatura agora alcança significado cósmico ao afirmar sua conexão com o mistério invisível do âmago da criação. <strong>Esse é o significado da fé</strong>. Ao mesmo tempo, <strong>é o significado da fusão da psicologia e da religião no pensamento de Kierkegaard</strong>. A pessoa verdadeiramente aberta, aquela que se desfez de sua couraça de caráter, da mentira vital do seu condicionamento cultural, está além do auxílio de qualquer mera “ciência”, de qualquer padrão meramente social de saúde. Ela está absolutamente só e tremendo à beira do esquecimento, que é, ao mesmo tempo, o umbral da infinitude. Dar-lhe o novo apoio de que carece, a “coragem para renunciar ao pavor sem qualquer pavor… disso só a fé é capaz”, afirma Kierkegaard. <strong>Não que essa seja uma saída fácil para o homem</strong>, ou uma panacéia universal para a condição humana — Kierkegaard nunca é fácil. Ele fornece uma idéia extraordinariamente bela:</p>
<blockquote><p>« “Não que a fé aniquile o pavor, mas, permanecendo sempre jovem, ela está continuamente se formando da convulsão mortal do pavor”.</p>
</blockquote>
<p>« Por outras palavras, desde que o homem é um animal ambíguo <strong>nunca poderá abolir a angústia</strong>; o que pode fazer, em vez disso, é usar a angústia como eterna mola para crescer em novas dimensões de pensamento e confiança. A fé apresenta uma nova missão para a vida, a aventura da abertura para uma realidade multidimensional.</p>
<p>« Podemos entender por que Kierkegaard só tinha de concluir seu grande estudo da angústia com as seguintes palavras que possuem o peso de um argumento evidente:</p>
<blockquote><p>« “O verdadeiro autodidata [<em>isto é, aquele que por si só transpõe a escola da angústia até a fé</em>] é, exatamente no mesmo grau, um teodidata… Tão logo a psicologia tenha acabado com o pavor, nada mais tem a fazer senão entregá-lo à dogmática”. </p>
</blockquote>
<p>« Em Kierkegaard, psicologia e religião, filosofia e ciência, poesia e verdade fundem-se indistintamente reunidas nas aspirações da criatura.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« A <strong>dinâmica do mal</strong> é devida fundamentalmente à <strong>negação da condição de criatura</strong>.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Segundo Otto Rank, <strong>a dinâmica do mal é a tentativa de fazer o mundo ser diferente do que é</strong>, de fazer dele o que ele não pode ser, um lugar livre de acidentes, um lugar livre de impurezas, um lugar livre da morte.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« No ponto mais alto da fé existe júbilo porque se compreende que este mundo é de Deus e, uma vez que tudo está nas mãos d&#8217;Ele, que direito temos nós de ficarmos tristes — o pecado da tristeza?»</p>
<p>_____</p>
<p><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/46010/?franq=140868" target="_blank"><em>A Negação da Morte</em></a><em>,</em> de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ernest_Becker" target="_blank">Ernest Becker</a> (1924-1974).</p>
</blockquote>



<p>Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/kierkegaard-caballero-fe/' rel='bookmark' title='Permanent Link: S&oslash;ren Kierkegaard y la b&uacute;squeda del caballero de la fe'>S&oslash;ren Kierkegaard y la b&uacute;squeda del caballero de la fe</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;'>Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/socrates-imortalidade-alma/' rel='bookmark' title='Permanent Link: S&oacute;crates fala sobre a imortalidade da alma'>S&oacute;crates fala sobre a imortalidade da alma</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/rdlaing-loucura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura'>O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/negacao-da-morte-becker/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&#231;&#227;o liter&#225;ria</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/chesterton-insanidade-literatura/</link>
		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/chesterton-insanidade-literatura/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 15 Aug 2010 12:45:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[escritores]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/chesterton-insanidade-literatura/</guid>
		<description><![CDATA[« É verdade que alguns falam, de modo superficial e leviano, da insanidade como sendo em si mesma atraente. Mas um momento de reflexão mostrará que, se uma enfermidade é atraente, trata-se em regra da enfermidade dos outros. Um cego pode ser um quadro pitoresco; mas exige-se um par de olhos para ver o quadro. [...]


Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo'>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/virginia-woolf-romances-mulheres/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Virginia Woolf fala sobre a experi&ecirc;ncia de escrever romances'>Virginia Woolf fala sobre a experi&ecirc;ncia de escrever romances</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;'>Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/paul-johnson-criadores-literatura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Paul Johnson fala sobre criatividade e literatura'>Paul Johnson fala sobre criatividade e literatura</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_brick-red" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fblogdo.yurivieira.com%252F2010%252F08%252Fchesterton-insanidade-literatura%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2F95V91t%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22G.K.%20Chesterton%20fala%20sobre%20insanidade%20e%20cria%26ccedil%3B%26atilde%3Bo%20liter%26aacute%3Bria%22%20%7D);"></div>
<p><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 10px auto; display: block; float: none; border-top: 0px; border-right: 0px" title="G.K. Chesterton" border="0" alt="G.K. Chesterton" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/08/chesterton.jpg" width="264" height="198" /> </p>
<blockquote><p>« É verdade que alguns falam, de modo superficial e leviano, da insanidade como sendo em si mesma atraente. Mas um momento de reflexão mostrará que, se uma enfermidade é atraente, trata-se em regra da enfermidade dos outros. Um cego pode ser um quadro pitoresco; mas exige-se um par de olhos para ver o quadro. De modo semelhante até mesmo a poesia mais louca da insanidade só pode ser apreciada por quem é sensato. Para o insano a insanidade é totalmente prosaica, porque é totalmente verdadeira.</p>
<p>« Um homem que imagina ser uma galinha é para si mesmo tão comum como uma galinha. Um homem que imagina ser um caco de vidro é para si mesmo tão sem graça como um caco de vidro. A homogeneidade de sua mente é o que o torna sem graça, e o que o torna louco. E somente pelo fato de percebermos a ironia de sua idéia que nós o achamos até engraçado; é somente pelo fato de ele não ver a ironia de sua idéia que ele é internado em Hanwell, não por outro motivo.</p>
<p>« Em resumo, as esquisitices chocam apenas as pessoas comuns. E por isso que as pessoas comuns têm uma vida muito mais instigante; enquanto as pessoas esquisitas sempre estão se queixando da chatice da vida. E por isso também que os novos romances desaparecem tão rapidamente, ao passo que os velhos contos de fada duram para sempre. Os velhos contos de fada fazem do herói um ser humano normal; suas aventuras é que são surpreendentes. Elas o surpreendem porque ele é normal. Mas no romance psicológico moderno o herói é anormal; o centro não é central. Consequentemente, as mais loucas aventuras não conseguem afetá-lo de forma adequada, e o livro é monótono. Pode-se criar uma história a partir de um herói entre dragões, mas não a partir de um dragão entre dragões. O conto de fadas discute o que o homem sensato fará num mundo de loucura. O romance realista sóbrio de hoje discute o que um completo lunático fará num mundo sem graça.</p>
<p>« Comecemos, então, com um manicômio. Dessa estalagem fantástica e perversa vamos partir para a nossa jornada intelectual. Ora, se devemos examinar rapidamente a filosofia da sanidade, a primeira coisa a fazer no caso é apagar um enorme erro comum. Por toda parte existe a noção de que a imaginação, especialmente a imaginação mística, é perigosa para o equilíbrio mental do homem. Geralmente se diz que os poetas não são confiáveis do ponto de vista psicológico, e geralmente faz-se uma vaga associação entre cingir a cabeça com uma coroa de louros e fazer loucuras. Os fatos e a história contradizem totalmente essa visão. A maioria dos poetas realmente grandes não só foi de gente sensata, mas também extremamente prática. Se Shakespeare um dia dominou cavalos, isso se deu por ser ele o homem mais indicado para fazêlo. A imaginação não gera a insanidade. O que gera a insanidade é exatamente a razão. Os poetas não enlouquecem; mas os jogadores de xadrez sim. Os matemáticos enlouquecem, e os caixas; mas isso raramente acontece com artistas criadores. Como se verá, não estou aqui, em nenhum sentido, atacando a lógica: só afirmo que esse perigo está na lógica, não na imaginação. A paternidade artística é tão sadia quanto a paternidade física. Além disso, vale a pena observar que, quando um poeta foi realmente mórbido, o fato geralmente se deu porque ele tinha um ponto fraco de racionalidade no cérebro. Poe, por exemplo, foi realmente mórbido; não porque era poético, mas porque era especialmente analítico. Para ele até o jogo de xadrez era poético demais; ele não gostava de xadrez porque era um jogo cheio de peões e castelos, como um poema. Declaradamente, preferia as casas brancas do jogo de damas, por se parecerem mais com os meros pontos pretos num gráfico.</p>
<p>« Talvez o caso mais convincente seja este: apenas um grande poeta inglês enlouqueceu, Cowper. E ele foi definitivamente levado à loucura pela lógica, pela repulsiva e estranha lógica da predestinação. A poesia não foi seu mal, foi seu remédio. A poesia preservou-lhe em parte a saúde. As vezes ele podia esquecer-se do rubro e sequioso interno, para o qual seu hediondo determinismo o arrastava em meio às águas caudalosas e as grandes e achatadas flores aquáticas do rio Ouse. Ele foi condenado por João Calvino; e quase foi salvo por John Gilpin.</p>
<p>« Em todas as partes vemos que os homens não enlouquecem sonhando. Os críticos são muito mais loucos que os poetas. Homero c completo e bastante calmo; os críticos é que o rasgam em trapos extravagantes. Shakespeare é exatamente Shakespeare; apenas alguns de seus críticos é que descobriram que ele era alguma outra pessoa. E embora João, o evangelista, tenha visto monstros estranhos em sua visão, ele não viu nenhuma criatura tão louca como um de seus comentadores. O fato geral é simples. A poesia mantém a sanidade porque flutua facilmente num mar infinito; a razão procura atravessar o mar infinito, e assim torná-lo finito. O resultado é a exaustão mental, como a exaustão física do sr. Holbein.</p>
<p>« Aceitar tudo é um exercício, entender tudo é uma tensão. O poeta apenas deseja a exaltação e a expansão, um mundo em que ele possa se expandir. O poeta apenas pede para pôr a cabeça nos céus. O lógico é que procura pôr os céus dentro de sua cabeça. E é a cabeça que se estilhaça.»</p>
<p>_____</p>
<p><em><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21326515/?franq=140868" target="_blank">Ortodoxia</a></em>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/G._K._Chesterton" target="_blank">G.K. Chesterton</a> (1874-1936)</p>
</blockquote>



<p>Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo'>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/virginia-woolf-romances-mulheres/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Virginia Woolf fala sobre a experi&ecirc;ncia de escrever romances'>Virginia Woolf fala sobre a experi&ecirc;ncia de escrever romances</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;'>Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/paul-johnson-criadores-literatura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Paul Johnson fala sobre criatividade e literatura'>Paul Johnson fala sobre criatividade e literatura</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/chesterton-insanidade-literatura/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Paul Brunton: algumas ideias em perspectiva (e um conselho)</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/paul-brunton-ideias-perspectiva/</link>
		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/paul-brunton-ideias-perspectiva/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 12 Aug 2010 11:17:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[escritores]]></category>
		<category><![CDATA[esoterismo]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/paul-brunton-ideias-perspectiva/</guid>
		<description><![CDATA[« A beleza, tanto quanto a verdade, é um aspecto da Realidade. Aquele que é insensível a uma ainda não encontrou a outra.» (…) « Um estilo de vida refinado e elegante pode ser desaprovado pelas pessoas de tendências ascéticas, e pode até mesmo ser censurado como materialista. O senso estético, porém, pode ser bem [...]


Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/paul-johnson-criadores-literatura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Paul Johnson fala sobre criatividade e literatura'>Paul Johnson fala sobre criatividade e literatura</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;'>Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/negacao-da-morte-becker/' rel='bookmark' title='Permanent Link: A Nega&ccedil;&atilde;o da Morte: Ernest Becker fala de Otto Rank e Kierkegaard'>A Nega&ccedil;&atilde;o da Morte: Ernest Becker fala de Otto Rank e Kierkegaard</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/rdlaing-loucura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura'>O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_brick-red" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fblogdo.yurivieira.com%252F2010%252F08%252Fpaul-brunton-ideias-perspectiva%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2FcRP0Q6%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Paul%20Brunton%3A%20algumas%20ideias%20em%20perspectiva%20%28e%20um%20conselho%29%22%20%7D);"></div>
<p><img style="border-right-width: 0px; margin: 10px auto; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px" title="Paul Brunton" border="0" alt="Paul Brunton" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/08/brunton.jpg" width="263" height="198" /> </p>
<blockquote><p>« A beleza, tanto quanto a verdade, é um aspecto da Realidade. Aquele que é insensível a uma ainda não encontrou a outra.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Um estilo de vida refinado e elegante pode ser desaprovado pelas pessoas de tendências ascéticas, e pode até mesmo ser censurado como materialista. O senso estético, porém, pode ser bem compatível com a espiritualidade.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Todos são crucificados pelo próprio ego.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Toda pessoa possui algum tipo de fé; isso inclui a pessoa cuja fé repousa no ceticismo.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Aquele que vive uma vida nobre em meio às coisas do mundo é superior àquele que vive uma vida nobre num mosteiro.» [<em>Eu, Yuri, digo: creio que a busca dessa virtude superior nem passou pelas cabeças dos monges desertores do conto “História sem título”, de Tchekov…</em>]</p>
<p>(…)</p>
<p>« Dissipamos diariamente nossas energias mentais e atiramos nossos pensamentos aos ventos volúveis. Corrompemos o potente poder da Atenção e permitimos que ela se desperdice diariamente nas mil futilidades que preenchem nosso tempo.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« O contraste entre os americanos loquazes das cidades e os árabes silenciosos do deserto é inesquecível. O beduíno pode sentar-se com um grupo e não dizer coisa alguma durante horas! A paz do deserto penetrou neles de tal maneira que o dever social da conversação é desconhecido entre eles e considerado desnecessário!» [<em>Eu, Yuri, pergunto: existem beduínos do sexo feminino?… Ok, ok, foi uma pergunta digna de um “americano loquaz”…</em>]</p>
<p>(…)</p>
<p>« A vida permanece o que ela é — imortal e sem limites. Todos nos encontraremos novamente. Saiba o que você é, e seja livre. O melhor conselho hoje é: mantenha-se calmo, alerta. Não deixe que a pressão do ambiente mental viole o que você sabe e o que é real e fundamentalmente verdadeiro. Esse é o talismã mágico que irá protegê-lo; agarre-se a ele. A última palavra é — Paciência! A noite é mais escura antes do amanhecer. Mas o amanhecer vem.»</p>
<p>____</p>
<p><em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=6808&amp;tipo=2&amp;isbn=8531503191" target="_blank">Ideias em Perspectiva</a></em>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Brunton" target="_blank">Paul Brunton</a>. </p>
</blockquote>



<p>Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/paul-johnson-criadores-literatura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Paul Johnson fala sobre criatividade e literatura'>Paul Johnson fala sobre criatividade e literatura</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;'>Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/negacao-da-morte-becker/' rel='bookmark' title='Permanent Link: A Nega&ccedil;&atilde;o da Morte: Ernest Becker fala de Otto Rank e Kierkegaard'>A Nega&ccedil;&atilde;o da Morte: Ernest Becker fala de Otto Rank e Kierkegaard</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/rdlaing-loucura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura'>O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/paul-brunton-ideias-perspectiva/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>M&#225;rio Quintana e O Mundo de Deus</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/mario-quintana-mundo-deus/</link>
		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/mario-quintana-mundo-deus/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 12:03:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[escritores]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/mario-quintana-mundo-deus/</guid>
		<description><![CDATA[O Mundo de Deus Aquele astronauta americano que anunciou ter encontrado Deus na Lua é no fim de contas menos simplório do que os primeiros astronautas russos, os quais declararam, ao voltar, não terem visto Deus no céu. Porque, se Deus é paz e paz é silêncio, afinal, deve Ele estar mesmo muito mais na [...]


Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/bulgakov-diabo-jesus-deus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Mikhail Bulgakov narra o di&aacute;logo, em plena Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&ecirc;ncia de Deus'>Mikhail Bulgakov narra o di&aacute;logo, em plena Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&ecirc;ncia de Deus</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/06/deus-nao-e-objeto-do-conhecimento/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Deus não é objeto do conhecimento'>Deus não é objeto do conhecimento</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo'>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/o-penitente-isaac-singer/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O Penitente, de Isaac Bashevis Singer'>O Penitente, de Isaac Bashevis Singer</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_brick-red" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fblogdo.yurivieira.com%252F2010%252F08%252Fmario-quintana-mundo-deus%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2Fa3uHUu%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22M%26aacute%3Brio%20Quintana%20e%20O%20Mundo%20de%20Deus%22%20%7D);"></div>
<p><img style="margin: 10px auto; display: block; float: none; border: 0px;" title="Mário Quintana" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/08/marioquintana.jpg" border="0" alt="Mário Quintana" width="304" height="226" /></p>
<blockquote>
<h3 style="text-align: center;">O Mundo de Deus</h3>
<p style="text-align: center;">Aquele astronauta americano que anunciou ter encontrado<br />
Deus na Lua é no fim de contas menos simplório do que os<br />
primeiros astronautas russos, os quais declararam, ao voltar,<br />
não terem visto Deus no céu.</p>
<p style="text-align: center;">Porque, se Deus é paz e paz é silêncio, afinal, deve Ele<br />
estar mesmo muito mais na Lua do que nas metrópoles terrenas.</p>
<p style="text-align: center;">E, pelo que me toca, a verdade é que nunca pude esquecer<br />
estas palavras de um personagem de Balzac: “O deserto é Deus<br />
sem os homens”.</p>
<p style="text-align: center;"><em> <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1652486/?franq=140868" target="_blank">Caderno H</a></em> (1973), de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Quintana" target="_blank">Mário Quintana</a>.</p>
</blockquote>



<p>Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/bulgakov-diabo-jesus-deus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Mikhail Bulgakov narra o di&aacute;logo, em plena Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&ecirc;ncia de Deus'>Mikhail Bulgakov narra o di&aacute;logo, em plena Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&ecirc;ncia de Deus</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/06/deus-nao-e-objeto-do-conhecimento/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Deus não é objeto do conhecimento'>Deus não é objeto do conhecimento</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo'>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/o-penitente-isaac-singer/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O Penitente, de Isaac Bashevis Singer'>O Penitente, de Isaac Bashevis Singer</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/mario-quintana-mundo-deus/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>S&#243;crates fala sobre a imortalidade da alma</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/socrates-imortalidade-alma/</link>
		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/socrates-imortalidade-alma/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 Aug 2010 13:45:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/socrates-imortalidade-alma/</guid>
		<description><![CDATA[« Porém devemos, senhores, considerar também o seguinte: se a alma for imortal, exigirá cuidados de nossa parte não apenas nesta porção do tempo que denominamos vida, senão ao longo de todo o tempo, parecendo que se expõe a um grande perigo quem não atender esse aspecto da questão. Pois se a morte fosse o [...]


Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;'>Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo'>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/vintila-horia-psicanalise/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise'>Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/rdlaing-loucura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura'>O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_brick-red" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fblogdo.yurivieira.com%252F2010%252F08%252Fsocrates-imortalidade-alma%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2Fbg1vPh%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22S%26oacute%3Bcrates%20fala%20sobre%20a%20imortalidade%20da%20alma%22%20%7D);"></div>
<p><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 10px auto; display: block; float: none; border-top: 0px; border-right: 0px" title="Sócrates recebe a cicuta" border="0" alt="Sócrates recebe a cicuta" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/08/socrates.jpg" width="200" height="213" /> </p>
<blockquote><p>« Porém devemos, senhores, considerar também o seguinte: se a alma for imortal, exigirá cuidados de nossa parte não apenas nesta porção do tempo que denominamos vida, senão ao longo de todo o tempo, parecendo que se expõe a um grande perigo quem não atender esse aspecto da questão. Pois se a morte fosse o fim de tudo, que imensa vantagem não seria para os desonestos, com a morte livrarem-se do corpo e da ruindade muito própria juntamente com a alma? Agora, porém, que se nos revelou imortal, não resta à alma outra possibilidade, se não for tornar-se, quanto possível, melhor e mais sensata. Ao chegar ao Hades, nada mais leva consigo a não ser a instrução e a educação, justamente, ao que se diz, o que mais favorece ou prejudica o morto desde o início de sua viagem para lá. O que contam é o seguinte: quando morre alguém, o demônio [<em>daemon, gênio, monitor residente</em>] que em vida lhe tocou por sorte se encarrega de levá-lo a um lugar em que se reúnem os mortos para serem julgados e de onde são conduzidos para o Hades com guias incumbidos de indicar-lhes o caminho. Depois de terem o destino merecido e de lá permanecerem o tempo indispensável, outro guia os traz de volta, após numerosos e longos períodos de tempo. Esse caminho não é o que diz Télefo de Ésquilo, ao afirmar que o caminho do Hades é simples; a meu ver nem é simples nem único. Se fosse o caso, seria dispensável guia, pois ninguém se perde onde a estrada é uma só. O que parece é que ele é cheio de voltas e bifurcações. Digo isso com base nos ritos sagrados e cerimônias aqui em uso. </p>
<p>« De qualquer forma, a alma prudente e moderada acompanha seu guia, perfeitamente consciente do que se passa com ela; mas, como disse há pouco, a que se agarra avidamente ao corpo esvoaça durante muito tempo em torno dele e do mundo visível, e depois de grande relutância e de sofrimentos sem conta, é por fim arrastada dali, à força e com dificuldade pelo demônio incumbido de conduzi-la. Uma vez alcançado o lugar em que se encontram outras almas, a que se acha impura pela prática do mal, de homicídios injustos ou de crimes semelhantes, irmãos daqueles e iguais aos que soem praticar almas irmãs, de uma alma como essa todas se afastam, evitam-na, não havendo guia nem companheiro de jornada que com ela se associe. Tomada de grande perplexidade, vagueia por todos os lugares até escoar-se certo tempo, depois do que a arrasta a Necessidade para a moradia que lhe foi determinada. A que atravessou a vida com pureza e moderação e alcançou deuses por guias e companheiros de jornada, obtém moradia apropriada.</p>
<p>«A Terra apresenta um sem-número de lugares maravilhosos, não sendo nem tão extensa nem da forma como a imaginam os que se comprazem em discorrer a seu respeito, conforme alguém mo demonstrou.</p>
<p>(…)</p>
<p>« Do que vos expusemos, Símias, precisamos tudo fazer para em vida adquirir virtude e sabedoria, pois bela é a recompensa e infinitamente grande a esperança. Afirmar, de modo positivo, que tudo seja como acabei de expor, não é próprio de homem sensato; mas que deve ser assim mesmo ou quase assim no que diz respeito a nossas almas e suas moradas, sendo a alma imortal como se nos revelou, é proposição que me parece digna de fé e muito própria para recompensar-nos do risco em que incorremos por aceitá-la como tal. É um belo risco, eis o que precisamos dizer a nós mesmos à guisa da formula de encantamento. Essa é a razão de me ter alongado neste mito. Confiado nele; é que pode tranqüilizar-se com relação a sua alma o homem que passou a vida sem dar o menor apreço aos prazeres do corpo e aos cuidados especiais que este requer, por considerá-los estranhos a si mesmo e capazes de produzir, justamente, o efeito oposto. Todo entregue aos deleites da instrução, com os quais adornava a alma, não como se o fizesse com algo estranho a ela, porém como jóias da mais feliz indicação: comedimento, justiça, coragem, nobreza e verdade, espera o momento de partir para o Hades quando o destino o convocar. Vós também, Símias e Cebes, acrescentou, e todos os outros, tereis de fazer mais tarde essa viagem, cada um no seu tempo. A mim, porém, para falar como herói trágico, agora mesmo chama-me o destino. Mas esta quase na hora de tomar o banho. Acho melhor fazer isso antes de beber o veneno, para não dar às mulheres o trabalho de lavar o cadáver.»</p>
<p><em><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/183308/?franq=140868" target="_blank">Fédon – Da Alma</a></em>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Plat%C3%A3o" target="_blank">Platão</a>.</p>
</blockquote>



<p>Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;'>Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo'>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/vintila-horia-psicanalise/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise'>Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/rdlaing-loucura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura'>O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/socrates-imortalidade-alma/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&#234;ncia da loucura</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/rdlaing-loucura/</link>
		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/rdlaing-loucura/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 13:18:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Viagens]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/rdlaing-loucura/</guid>
		<description><![CDATA[« Quando a pessoa enlouquece, ocorre uma profunda transposição de sua posição em relação a todos os domínios do ser. Seu centro de experiência desloca-se do ego para o Self. O tempo mundano torna-se simples anedota, só importa o que é eterno. Contudo, o louco está confuso. Mistura ego com Self, interior com exterior, natural [...]


Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;'>Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/vintila-horia-psicanalise/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise'>Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/chesterton-insanidade-literatura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria'>G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo'>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_brick-red" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fblogdo.yurivieira.com%252F2010%252F08%252Frdlaing-loucura%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2F9A1Zz4%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22O%20psiquiatra%20R.%20D.%20Laing%20fala%20sobre%20a%20experi%26ecirc%3Bncia%20da%20loucura%22%20%7D);"></div>
<p><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 10px auto; display: block; float: none; border-top: 0px; border-right: 0px" title="R. D. Laing" border="0" alt="R. D. Laing" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/08/RDLaing.jpg" width="308" height="226" /> </p>
<blockquote><p>« Quando a pessoa enlouquece, ocorre uma profunda transposição de sua posição em relação a todos os domínios do ser. Seu centro de experiência desloca-se do ego para o <em>Self</em>. O tempo mundano torna-se simples anedota, só importa o que é eterno. Contudo, o louco está confuso. Mistura ego com <em>Self</em>, interior com exterior, natural com sobrenatural. No entanto, pode ser com freqüência para nós, mesmo através de sua profunda infelicidade e desintegração, o hierofante do sagrado. Exilado do cenário do ser como o conhecemos, ele é um estranho, um alienígena, acenando para nós do vácuo onde está mergulhando, um vácuo talvez povoado de presenças que nem sequer suspeitamos.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« ¿Será a esquizofrenia uma fuga bem sucedida à adaptação a um tipo de ego?»</p>
<p>(…)</p>
<p>« A loucura não precisa ser um colapso total. Pode ser também uma abertura. É potencialmente libertação e renovação, assim como escravização e morte existencial.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Quando o novo ser humano chega aos quinze anos, mais ou menos, já se transformou num ser parecido conosco: uma criatura meio demente, mais ou menos adaptada a um mundo louco. Tal é a normalidade na época presente.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Pois sem o que é interior, o externo perde o seu sentido, e sem o externo, o interior perde a substância.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« O nada, como experiência, surge como ausência de alguém ou de alguma coisa: ausência de amigos, relações, prazer, sentido da vida, idéias, alegria, dinheiro. Aplicado às partes do corpo, é ausência de seio, pênis, conteúdo bom ou mau; é o vazio. A lista é, em princípio, infindável.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« A condição de alienação, o estar adormecido, inconsciente, fora de si, é a condição do homem normal. A sociedade valoriza altamente o homem-normal, educa as crianças de modo a perderem-se e a tornarem-se absurdas, sendo assim normais. Homens normais mataram talvez 100.000.000 de seus semelhantes normais nos últimos cinqüenta anos. O comportamento é uma função da experiência. Agimos segundo nossa maneira de ver as coisas. Se nossa experiência for destruída, nosso comportamento será destrutivo. Se nossa experiência for destruída, perdemo-nos a nós mesmos.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Ou eu estou ouvindo, ou eu estou louco.» [<em>Raciocínio do esquizofrênico ao ouvir vozes</em>.]</p>
<p>(…)</p>
<p>« O que ocorre então é uma viagem: I) de fora para dentro; II) da vida para uma espécie de morte; III) do progresso para um regresso; IV) do movimento temporal para a imobilidade temporal; V) do tempo mundano para o tempo eônico; VI) do ego para o Self; VII) do lado de fora (pós-nascimento) de volta ao seio de todas as coisas (pré-nascimento); e então, subsequentemente, uma viagem de regresso: 1) do interior para o exterior; 2) da morte para a vida; 3) do movimento retroativo para o movimento novamente progressivo; 4) da imortalidade de volta à mortalidade; 5) da eternidade de volta ao tempo; 6) do <em>Self</em> para um novo ego; 7) de uma fetalização cósmica para um renascimento existencial.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Existem súbitos e aparentemente inexplicáveis suicídios que precisam ser compreendidos como o despertar de uma esperança tão horrível e arrasadora que se torna insuportável.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« “É” como nenhuma-coisa é aquilo pelo qual todas as coisas são. E a condição da possibilidade de qualquer coisa ser é estar em relação com aquilo que não-é. O que vale dizer que a base de todos os seres é a relação entre eles.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Para ser louco não é necessário ou obrigatório estar doente, embora em nossa cultura as duas categorias se confundam.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Se existisse apenas a minha consciência, então há validade para a minha vontade.» [<em>Confrontar com a afirmação de Ivan Karamázov, personagem de Dostoiévski: “Se Deus não existe, tudo é permissível”</em>.]</p>
<p>(…)</p>
<p>« Entre médicos e padres deveria haver alguns orientadores que retirassem a pessoa deste mundo e a introduzissem no outro. Que a&#160; orientassem dentro dele e a conduzissem de volta.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« O “ego” é o instrumento para se viver neste mundo. Se ele se romper, ou for destruído (pelas invencíveis contradições de certas situações na vida, por meio de toxinas, alterações químicas, etc.), então a pessoa talvez fique exposta a outros mundos, “reais” de diferentes maneiras, da esfera mais familiar dos sonhos, da imaginação, da percepção ou da fantasia. O mundo que se penetra, a nossa capacidade para experienciá-lo, parece estar em parte condicionado ao estado do próprio ego.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Fenomenologicamente, os termos <em>interior</em> e <em>exterior</em> têm pouca validade.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Em parte alguma da Bíblia existe qualquer debate relativo à existência de deuses, demônios, anjos. As pessoas não &#8216;crêem em Deus&#8217;, para começar`: sentem a sua Presença, como ocorre com outros agentes espirituais. A questão não era a existência de Deus, mas se este Deus em particular era o maior de todos, ou o único, e qual a relação dos vários agentes espirituais, uns com os outros. Existe hoje um debate público, não com respeito à autenticidade de Deus, ao lugar atribuído na hierarquia espiritual aos diferentes espíritos, etc., mas se Deus ou esses espíritos chegam a existir, ou jamais existiram.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Precisamos de uma história dos fenômenos e não apenas mais fenômenos históricos.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Vivemos num mundo secular. Para adaptar-se a este mundo a criança renuncia ao seu êxtase. (“L&#8217;enfant abdique son extase”, Mallarmé).»</p>
<p>(…)</p>
<p>[Na loucura] « A perda do ego pode ser confundida com a morte física.»</p>
<p>(…)</p>
<p>« ¿Não vemos que não é desta <em>viagem</em> que precisamos curar-nos, mas que ela é, em si mesma, um meio natural de curar o nosso espantoso estado de alienação chamado normalidade?»</p>
<p>(…)</p>
<p>« Seria desejável que a sociedade estabelecesse locais com a finalidade expressa de ajudar pessoas a vencerem as tempestades de uma <em>viagem</em> assim.»</p>
<p>&#160;</p>
<p>Do livro <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=6808&amp;tipo=2&amp;isbn=0140134867" target="_blank">A Política da Experiência e A Ave do Paraíso</a></em>, de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/R._D._Laing" target="_blank">R. D. Laing</a>.</p>
</blockquote>
<p>Anos atrás, após ter lido esse livro, aproveitei-me de uma experiência pessoal e escrevi o conto <a href="http://textos.yurivieira.com/contos/genus-irritabile-vatum/"><em>Genus irritabile vatum</em></a>. ;^D</p>



<p>Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;'>Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/vintila-horia-psicanalise/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise'>Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/chesterton-insanidade-literatura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria'>G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo'>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/rdlaing-loucura/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Vintila Horia fala sobre a psican&#225;lise</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/vintila-horia-psicanalise/</link>
		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/vintila-horia-psicanalise/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 13:20:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[escritores]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/vintila-horia-psicanalise/</guid>
		<description><![CDATA[« É evidente que a psicologia, sobretudo a freudiana — e Jung pressentiu-o logo desde o primeiro encontro com Freud — se transformou, com o tempo, numa filosofia, no sentido mais vulgar do termo. O homem para quem “Deus morreu”, como reza o desespero contemporâneo, tem que se refugiar numa algaravia. E aquele que não [...]


Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;'>Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/rdlaing-loucura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura'>O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/chesterton-insanidade-literatura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria'>G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo'>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_brick-red" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fblogdo.yurivieira.com%252F2010%252F07%252Fvintila-horia-psicanalise%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2F9FWtL3%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Vintila%20Horia%20fala%20sobre%20a%20psican%26aacute%3Blise%22%20%7D);"></div>
<p><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 5px auto 0px; display: block; float: none; border-top: 0px; border-right: 0px" title="Vintila Horia" border="0" alt="Vintila Horia" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/07/vintilahoria.jpg" width="184" height="274" /> </p>
<blockquote><p>« É evidente que a psicologia, sobretudo a freudiana — e Jung pressentiu-o logo desde o primeiro encontro com Freud — se transformou, com o tempo, numa filosofia, no sentido mais vulgar do termo. O homem para quem “Deus morreu”, como reza o desespero contemporâneo, tem que se refugiar numa algaravia. E aquele que não se quer politizar, ou vender a alma ao diabo, põe-se a acreditar na psicanálise ou nos seus sacerdotes. É todo um culto laico, engendrado por um profeta do século XX, de cuja propaganda se encarregaram, pelo menos ao princípio, as mulheres, como acontece na fase inicial de todas as religiões.»</p>
<p><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Vintil%C4%83_Horia" target="_blank">Vintila Horia</a>, em <a href="http://www.estantevirtual.com.br/Vintila-Horia/Viagem-aos-Centros-da-Terra.html" target="_blank"><em>Viagem aos Centros da Terra</em></a>.</p>
</blockquote>



<p>Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/aldous-huxley-filosofia-perene-fe/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;'>Da &ldquo;Filosofia Perene&rdquo;: Aldous Huxley fala sobre f&eacute;</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/rdlaing-loucura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura'>O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/chesterton-insanidade-literatura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria'>G.K. Chesterton fala sobre insanidade e cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo'>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/vintila-horia-psicanalise/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Julius Evola fala sobre os anjos caídos e a origem da tradição hermética</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/evola-anjos-caidos-hermetismo/</link>
		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/evola-anjos-caidos-hermetismo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 12:09:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[esoterismo]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[realismo fantástico]]></category>
		<category><![CDATA[Urântia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/evola-anjos-caidos-hermetismo/</guid>
		<description><![CDATA[« Uma tradição, contada por Tertuliano, e que aparece no hermetismo árabe-sírio, leva-nos de novo ao mesmo ponto. Diz Tertuliano que as obras da natureza, “malditas e inúteis”; os segredos dos metais; as virtudes das plantas; as forças dos esconjuros mágicos e de “todas aquelas estranhas doutrinas que vão até à ciência dos astros” — [...]


Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/rdlaing-loucura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura'>O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo'>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/vintila-horia-psicanalise/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise'>Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/bulgakov-diabo-jesus-deus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Mikhail Bulgakov narra o di&aacute;logo, em plena Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&ecirc;ncia de Deus'>Mikhail Bulgakov narra o di&aacute;logo, em plena Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&ecirc;ncia de Deus</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_brick-red" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fblogdo.yurivieira.com%252F2010%252F07%252Fevola-anjos-caidos-hermetismo%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2F8Zh9fs%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Julius%20Evola%20fala%20sobre%20os%20anjos%20ca%C3%ADdos%20e%20a%20origem%20da%20tradi%C3%A7%C3%A3o%20herm%C3%A9tica%22%20%7D);"></div>
<p><img style="margin: 5px auto 0px; display: block; float: none; border: 0px;" title="Evola" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/07/Evola.jpg" border="0" alt="Evola" width="184" height="246" /></p>
<blockquote><p>« Uma tradição, contada por Tertuliano, e que aparece no hermetismo árabe-sírio, leva-nos de novo ao mesmo ponto. Diz Tertuliano que as obras da natureza, “malditas e inúteis”; os segredos dos metais; as virtudes das plantas; as forças dos esconjuros mágicos e de “todas aquelas estranhas doutrinas que vão até à ciência dos astros” — quer dizer, todo o <em>corpus </em>das antigas ciências mágico-herméticas — foram reveladas aos homens por Anjos caídos. Esta idéia aparece no <em>Livro de Enoch</em>; e, no contexto desta tradição mais antiga, a ideia completa-se, traindo assim a unilateralidade própria da interpretação religiosa. Entre os Ben Elosim, os anjos caídos que desceram sobre o monte Hérmon, de que se fala em Enoch, e a estirpe dos Veladores e dos Vigilantes — εγρεγοροι (lê-se <em>egregoroi</em>) — que desceram a instruir a humanidade, do mesmo modo que Prometeu “ensinou aos mortais todas as artes”, referido também no <em>Livro dos Jubileus </em>como faz notar Mereshkowskij, existe uma evidente correspondência. Mais ainda: em <em>Enoch </em>(LXIX, 6-7), Azazel, que “seduziu Eva”, teria ensinado aos homens o uso das armas que matam, o que, deixando de parte a metáfora, significa que teria infundido nos homens o <em>espírito guerreiro</em>. Já se sabe, neste sentido, qual é o mito da queda: os anjos incendiaram-se de desejo pelas “mulheres”; pois bem, já explicamos o que significa a “mulher” na sua relação com a árvore, e a nossa interpretação confirma-se se examinarmos o termo sânscrito <em>çakti</em>, que se emprega metafisicamente para referir-se à “mulher de deus”, à sua “esposa”, e ao mesmo tempo à sua <em>potência </em>(vigor sexual) e, em conjunto, caíram, desceram à terra, sobre um lugar <em>elevado </em>(o <em>monte</em> Hérmon): desta união nasceram os Nefelin, uma poderosa raça (os <em>titãs</em> — Τιτάνες — como são chamados no <em>Papiro de Giszé</em>), alegoricamente descritos como gigantes, mas cuja natureza sobrenatural fica a descoberto no <em>Livro de Enoch </em>(XV, 11): “Não necessitam de comida, não têm sede e escapam à percepção [material]”.</p>
<p>« Os Nefelin, anjos caídos, são afinal os “titãs” e “os que vigiam”, a estirpe chamada, no <em>Livro de Baruch</em> (III, 26), “gloriosa e guerreira”, a mesma raça que despertou nos homens o espírito dos heróis e dos guerreiros, que inventou as suas artes e que lhes transmitiu o mistério da magia.</p>
<p>« Ora bem, que prova pode ser mais decisiva, no que respeita à investigação, acerca do espírito da tradição hermético-alquímica, que a explícita e contínua referência dos textos precisamente àquela tradição? Podemos ler num texto hermético: “Os livros antigos e divinos — diz Hermes — ensinam que certos anjos se incendiaram de desejos pelas mulheres. Desceram à Terra e ensinaram-lhes todas as operações da Natureza. Foram eles que compuseram as obras [herméticas] e é deles que provém a tradição primordial desta Arte”.»</p>
<p>Do livro <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=6808&amp;tipo=2&amp;isbn=9724406849" target="_blank"><em>A Tradição Hermética</em></a>, de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Julius_Evola" target="_blank">Julius de Evola</a>.</p></blockquote>
<p>Qualquer semelhança entre esses “anjos caídos” e o <a href="http://www.urantia.org/pt/o-livro-de-urantia/documento-66-o-principe-planetario-de-urantia" target="_blank">séquito do Príncipe Planetário</a>, entre este e Azazel, entre os Nefelin e os <a href="http://www.urantia.org/pt/o-livro-de-urantia/documento-77-criaturas-intermediarias" target="_blank">Seres Intermediários Primários</a> — etc. etc. — não há de ser mera coincidência…</p>



<p>Posts relacionados:<ol><li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/08/rdlaing-loucura/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura'>O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experi&ecirc;ncia da loucura</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo'>De Profundis: Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/vintila-horia-psicanalise/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise'>Vintila Horia fala sobre a psican&aacute;lise</a></li>
<li><a href='http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/bulgakov-diabo-jesus-deus/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Mikhail Bulgakov narra o di&aacute;logo, em plena Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&ecirc;ncia de Deus'>Mikhail Bulgakov narra o di&aacute;logo, em plena Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre o Diabo e dois escritores ateus e comunistas sobre a exist&ecirc;ncia de Deus</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdo.yurivieira.com/2010/07/evola-anjos-caidos-hermetismo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
