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	<title>Blog do Yuri &#187; Religião</title>
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	<description>palavras aos homens e mulheres da Madrugada</description>
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		<title>Swedenborg fala sobre o amor conjugal e os casamentos no c&#233;u</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 13:05:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
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<p>&#160;<img title="Emanuel Swedenborg" style="border-top-width: 0px; display: block; border-left-width: 0px; float: none; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; margin-right: auto; border-right-width: 0px" height="216" alt="Emanuel Swedenborg" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2012/01/swedenborg3.jpg" width="164" border="0" /> </p>
<blockquote><p>« 366. <strong>Como o céu é composto do gênero humano e, conseqüentemente, os anjos lá são de um e outro sexo</strong>; e como, por criação, a mulher é para o homem e o homem para a mulher, assim um pertence ao outro; e como este amor é inato em um e outro, segue-se que <strong>há casamentos nos céus como nas terras</strong>. Mas os casamentos nos céus diferem muito dos casamentos nas terras; por isso, vai-se dizer agora em que consistem os casamentos nos céus, em que eles diferem dos das terras e em que eles são semelhantes.</p>
<p>« 367. <strong>O casamento nos céus é a conjunção de dois em uma mente única</strong>. Direi primeiramente qual é essa conjunção. A mente consiste em duas partes, das quais uma se chama entendimento e a outra vontade. Quando estas duas partes fazem um, diz-se então que elas são uma mente única. <strong>O marido faz a parte denominada entendimento, e a esposa a que se chama vontade</strong>. Quando essa conjunção, que pertence aos interiores, desce nos inferiores que pertencem ao seu corpo, ela é então percebida e sentida como amor; este amor é o amor conjugal. É, pois, evidente que o amor conjugal deriva a sua origem da conjunção de dois em uma só mente. É isto que no céu se chama coabitação, e daí é que se diz que eles são não dois, mas um, e por isso dois esposos no céu são chamados não dois anjos, mas um anjo. </p>
<p>« 368. Se há também tal conjunção do marido e da esposa nos íntimos que pertencem às mentes é porque isso procede da criação mesma. Com efeito, <strong>o homem nasce para ser intelectual, e assim para pensar pelo entendimento, e a mulher nasce para ser voluntária, e assim para pensar pela vontade</strong>. Mesmo o que se vê claramente pela índole ou inclinação inata de um e de outro, como também por sua forma. Pela índole, porque <strong>o homem age pela razão, e a mulher pela afeição</strong>; pela forma, porque o homem tem a face mais rude e menos bela, a palavra mais grave, o corpo mais duro; e a mulher, a face mais delicada e mais bela, a palavra mais tema e o corpo mais macio. Semelhante diferença há entre o entendimento e a vontade, ou entre o pensamento e a afeição. Semelhante diferença há também entre a verdade e o bem, e semelhante diferença entre a fé e o amor; porque a verdade e a fé pertencem ao entendimento, e o bem e o amor pertencem à vontade. É daí que, na Palavra, pelo &quot;jovem&quot; e o &quot;varão&quot; no sentido espiritual se entende o entendimento da verdade, e pela &quot;virgem&quot; e a &quot;mulher&quot; se entende a afeição do bem. É também por isso que a igreja, segundo a afeição do bem e da verdade, se chama &quot;mulher&quot; e também &quot;virgem&quot;, e todos os que estão na afeição do bem se chamam &quot;virgens&quot; (como no Apocalipse 14:4) (&#8216;). </p>
<p>« 369. <strong>Cada um, seja homem ou mulher, possui um entendimento e uma vontade, mas no homem predomina o entendimento e na mulher predomina a vontade; e o ser humano é um ou o outro, conforme o que predomina. Mas nos céus não há predomínio algum nos casamentos, porque a vontade da esposa é também a do marido, e o entendimento do marido é também o da esposa, pois um ama querer e pensar como o outro, assim mutuamente e reciprocamente; daí a sua conjunção em um</strong>. <strong>Esta conjunção é uma conjunção real, pois a vontade da esposa entra no entendimento do marido, e o entendimento do marido na vontade da esposa, principalmente quando eles se olham face a face, porque há, como já se disse acima muitas vezes, comunicação dos pensamentos e das afeições nos céus, mormente entre esposos, porque eles se amam mutuamente. Assim, é evidente que a conjunção das mentes faz o casamento e produz o amor conjugal nos céus, a saber, que ela consiste em que um quer que tudo que lhe pertence pertença ao outro, e assim reciprocamente</strong>. </p>
<p>« 370. Os anjos disseram-me que, <strong>quanto mais dois esposos estão em uma tal conjunção, mais eles estão no amor conjugal, e ao mesmo tempo na inteligência, sabedoria e felicidade</strong>. Assim é, porque a Divina verdade e o Divino bem, dos quais procedem toda inteligência, toda sabedoria e toda felicidade, influem principalmente no amor conjugal. Conseqüentemente, o amor conjugal é o plano mesmo do influxo Divino, porque é ao mesmo tempo o casamento da verdade e do bem, pois do mesmo modo que há conjunção do entendimento e da vontade, assim também há conjunção da verdade e do bem. Porque o entendimento recebe a Divina verdade e até é formado pelas verdades, e a vontade recebe o Divino bem e também é formada pelos bens, visto que o que o homem quer isto é para ele um bem, e o que ele compreende é para ele uma verdade. Daí resulta que é a mesma coisa dizer conjunção do entendimento e da vontade, ou dizer conjunção da verdade e do bem. A conjunção da verdade e do bem faz o anjo e faz também a inteligência, a sabedoria e a felicidade do anjo. Pois o anjo é anjo na relação em que o bem foi nele conjunto à verdade e a verdade ao bem, ou, o que é a mesma coisa, ele é anjo na relação em que nele o amor foi conjunto à fé e a fé ao amor. </p>
<p>« 371. Se o Divino que procede do Senhor influi principalmente no amor conjugal, é porque <strong>o amor conjugal descende da conjunção do bem e da verdade</strong>, porquanto, como se disse acima, quer se diga conjunção do entendimento e da vontade, ou conjunção do bem e da verdade, é a mesma coisa. A conjunção do bem e da verdade tem sua origem do Divino amor do Senhor para com todos os que estão nos céus e nas terras. Do Divino amor procede o Divino bem, e o Divino bem é recebido, pelos anjos e pelos homens, nas Divinas verdades. O único receptáculo do bem é a verdade. É por isso que todo aquele que não está nas verdades nada pode receber do Senhor, nem do céu. Quanto mais, pois, as verdades no homem foram conjuntas ao bem, mais o homem foi unido ao Senhor e ao céu. Daí é que vem a origem mesma do amor conjugal. Por isso este amor é o plano mesmo do influxo Divino. Daí é que a conjunção do bem e da verdade nos céus se chama casamento celeste, e o céu, na Palavra, é comparado a um casamento e também chamado casamento; e o Senhor é chamado &quot;Noivo&quot; e &quot;Marido&quot;, e o céu com a igreja, &quot;noiva&quot; e também &quot;esposa&quot;. </p>
<p>« 372. O bem e a verdade conjuntos no anjo e no homem não são dois, mas um, porque então o bem pertence à verdade e a verdade ao bem. Esta conjunção pode assemelhar-se ao que se dá no homem, quando ele pensa o que quer e quer o que pensa, pois então o pensamento e a vontade fazem um, assim uma mente única, porque o pensamento forma ou apresenta em uma forma o que a vontade quer, e a vontade lhe dá o deleite. Daí vem também que dois cônjuges no céu se chamam não dois anjos mas um anjo. É também o que se entende por estas palavras do Senhor: &quot;Não lestes que Aquele que [os] fez desde o princípio, macho e fêmea os fez, e disse: Por isso deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua esposa e serão dois numa só carne? porque não mais são dois, mas uma carne. Aquilo que assim Deus conjungiu, o homem não separe&#8230; Nem todos compreendem tal palavra mas aqueles aos quais foi dado&quot; (Mat. 19:4 a 6, 11; Mc. 10:6 a 9; Gên. 2:24). Aqui se descreve o casamento celeste em que estão os anjos, e ao mesmo tempo o casamento do bem e da verdade. <strong>E por estas palavras &quot;que o homem não separe o que Deus conjungiu&quot;, se entende que o bem não deve ser separado da verdade</strong>. </p>
<p>« 373. Pelo que precede, pode-se ver agora <strong>de onde provém o amor verdadeiramente conjugal, a saber: é primeiro formado nas mentes dos que estão no casamento, e depois desce e é conduzido no corpo, e aí é percebido e sentido como amor, porque tudo que é sentido e percebido no corpo tira a sua origem de seu espiritual</strong>, pois tira-a do entendimento e da vontade; o entendimento e a vontade constituem o homem espiritual. Tudo que desce do homem espiritual no corpo, nele se apresenta sob uma outra aparência; contudo, é semelhante e unânime, como a alma e o corpo e como a causa e o efeito, como se pode ver pelo que se disse e se mostrou nos dois artigos sobre as correspondências. </p>
<p>« 374. Ouvi um anjo descrever o amor verdadeiramente conjugal e seus prazeres celestes, declarando que é o Divino do Senhor nos céus, isto é, o Divino bem e a Divina verdade unidos em dois entes, ao ponto de serem não dois, mas um. Ele dizia que dois cônjuges no céu estão nesse amor porque cada um é seu bem e sua verdade, não só quanto à mente, mas também quanto ao corpo; porque o corpo é a efígie da mente, pois foi formado à sua semelhança. Daí, ele induzia que o Divino está em efígie em dois esposos que estão no amor verdadeiramente conjugal; e que o Divino estando assim retratado, o céu também o está, porque o céu inteiro é o Divino bem e a Divina verdade que procedem do Senhor. E daí vem que nesse amor foram inscritas todas as coisas do céu, e tantas bem-aventuranças e delícias, que elas excedem um número que ele exprimia por uma palavra compreendendo miríades de miríades. Ele se admirava de que o homem da igreja nada soubesse a respeito, quando, entretanto, a igreja é o céu do Senhor nas terras, e o céu é o casamento do bem e da verdade. Ele dizia que ficava estupefato pensando que é dentro da igreja, mais do que fora dela, que se cometem e que também se confirmam adultérios, cujo prazer em si não é, no sentido espiritual e por conseguinte no mundo espiritual, mais do que um prazer do amor do falso conjunto ao mal, prazer que é prazer infernal, porque é inteiramente oposto ao prazer do céu, que é o prazer do amor da verdade conjunta ao bem. </p>
<p>« 375. <strong>Sabe-se que dois cônjuges que se amam são unidos mais interiormente, e que o essencial do casamento é a união dos espíritos ou das mentes</strong>. Daí também pode-se saber que, quais são em si os espíritos ou as mentes, tal é a união, e também tal é entre eles o amor. A mente é unicamente formada de verdades e de bens, porque tudo que existe no universo se refere ao bem e à verdade e também à sua conjunção; por isso a união das mentes é absolutamente tal quais são as verdades e os bens de que elas foram formadas. <strong>Donde resulta que a união das mentes que foram formadas de verdades e de bens genuínos é a mais perfeita</strong>. Deve-se saber que nada se ama mutuamente mais do que a verdade e o bem; por isso, é desse amor que descende o amor verdadeiramente conjugal. <strong>O falso e o mal também se amam, mas este amor se converte depois em inferno</strong>. </p>
<p>« 376. Pelo que acaba de ser dito sobre a origem do amor conjugal, pode-se concluir quais os que estão no amor conjugal e quais os que não estão. No amor conjugal estão os que pelas Divinas verdades estão no Divino bem; e quanto mais as verdades que estão conjuntas ao bem são reais, mais o amor conjugal é real. E como todo bem que é conjunto às verdades vem do Senhor, segue-se que <strong>ninguém pode estar no amor verdadeiramente conjugal exceto se reconhecer o Senhor e Seu Divino</strong>, porque sem este reconhecimento o Senhor não pode influir nem ser unido às verdades que estão no homem. </p>
<p>« 377. Assim, é evidente que não estão no amor conjugal os que estão nos falsos, nem com mais forte razão os que estão nos falsos do mal. Nos que estão no mal e por conseguinte nos falso, os interiores que pertencem à mente também foram fechados. Por isso, não pode existir aí origem alguma do amor conjugal; mas, por baixo dos interiores, no homem externo ou natural separado do homem interno, há uma conjunção do falso e do mal, conjunção denominada casamento infernal. <strong>Foi-me permitido ver qual é o casamento entre os que estão nos falsos do mal, casamento que é chamado infernal: há entre eles conversas e conjunções lascivas, mas interiormente eles ardem um contra o outro em um ódio mortal que é tão grande, que não pode ser descrito</strong>. </p>
<p>« 378. <strong>Não há também amor conjugal entre duas pessoas que são de religiões diferentes, porque a verdade de uma não concorda com o bem da outra</strong>, e duas coisas dessemelhantes e discordantes não podem de duas mentes fazer uma só; por isso, a origem de seu amor nada tira do espiritual. Se coabitam e concordam, é somente por causas naturais. <strong>É por esta razão que os casamentos nos céus se contratam com pessoas que pertencem à mesma sociedade</strong> &#8211; porque elas estão em um semelhante bem e em uma semelhante verdade &#8211; e não com as que são de fora dessa sociedade. Que todos os que estão em uma mesma sociedade se acham em um semelhante bem e em uma semelhante verdade, e diferem dos que estão fora dessa sociedade, é o que se vê acima (n.º 41 e seguinte). É também o que foi representado na nação israelita, pelo fato de os casamentos serem contratados dentro das tribos e particularmente dentro das famílias, e não fora delas. </p>
<p>« 379. O amor verdadeiramente conjugal não pode existir entre um marido e muitas esposas, porque isso aniquila a sua origem espiritual, que consiste em que de suas mentes seja formada uma só. Por conseguinte, isso aniquila a conjunção interior, isto é, a do bem e da verdade, da qual provém a essência mesma desse amor. O<strong> casamento com mais de uma esposa é como um entendimento dividido entre muitas vontades, e como um homem ligado não a uma só igreja mas a muitas, porque assim a sua fé é dividida de modo a se tornar nula</strong>. <strong>Os anjos dizem que é absolutamente contra a ordem Divina ter muitas esposas</strong>; e que eles sabem isso por muitas causas, e também por isto: desde que pensam a respeito do casamento com muitas, eles são privados da bem-aventurança interna e da felicidade celeste, e então ficam como ébrios, porque o bem neles é separado de sua verdade. E como os interiores pertencentes à sua mente entram em um tal estado simplesmente pelo pensamento unido com alguma intenção, eles percebem claramente que o casamento com mais de uma esposa fecha o seu interno e faz que, em vez do amor conjugal, se introduza um amor lascivo que desvia do amor do céu. Eles dizem, além disso, que o homem dificilmente compreende isto, porque <strong>há poucas pessoas que estejam no amor conjugal genuíno, e que aqueles que não estão nele nada sabem absolutamente do prazer interior que reside nesse amor, pois só conhecem um prazer lascivo que se muda em tédio depois de uma curta coabitação, enquanto o prazer do amor verdadeiramente conjugal não só dura até a velhice no mundo, mas ainda se torna um prazer do céu depois da morte, e então, interiormente, um prazer que é aperfeiçoado durante a eternidade</strong>. Eles até me disseram que as bem-aventuranças do amor verdadeiramente conjugal podem se contar por vários milhares, e que não há uma só delas que seja conhecida do homem, nem que possa ser percebida pelo entendimento de quem não estiver pelo Senhor no casamento do bem e da verdade. </p>
<p>« 380. <strong>O amor da dominação de um dos cônjuges sobre o outro dissipa inteiramente o amor conjugal e seu prazer celeste</strong>. Isso porque, como já se disse, o amor conjugal e seu prazer consistem em que a vontade de um seja a do outro e vice-versa. O amor de dominar destrói isso no casamento, porque aquele que domina quer unicamente que sua vontade esteja no outro e, por outro lado, que a vontade do outro nele seja nula, de onde resulta que não há coisa alguma de mútuo, por conseguinte comunicação alguma de amor e de prazer desse amor com o outro. Entretanto, essa comunicação e, por conseguinte, conjunção constituem no casamento o prazer interior mesmo, que se chama bem-aventurança. O amor da dominação extingue inteiramente essa bem-aventurança e com ela extingue o celeste e todo o espiritual do amor conjugal, a tal ponto que não se sabe se ele existe. E, se falasse a respeito dessa bem-aventurança, ela seria considerada com tanto desprezo que sua menção seria motivo de riso ou de enfurecimento. <strong>Quando um quer o que a outra quer, ou quando uma quer o que o outro quer, há liberdade para ambos, porque toda liberdade pertence ao amor</strong>. <strong>Mas não há liberdade para qualquer deles quando há dominação: um é escravo e o que domina também é escravo, porque ele é dominado pela cobiça de dominar</strong>. Mas isto não é compreendido por quem não sabe o que é a liberdade do amor celeste. Entretanto, a verdade é que, sendo o amor conjugal inteiramente livre, quanto mais a dominação entrar, mais as mentes são divididas. <strong>A dominação subjuga e a mente subjugada ou não tem vontade ou é de vontade oposta; se não tem vontade, também não tem amor; se é de vontade oposta, o ódio toma o lugar do amor</strong>. Os interiores dos que vivem em um tal casamento estão em colisão entre si como estão ordinariamente dois opostos, ainda que externamente sejam refreados&#8230; A colisão e o combate de seus interiores se manifestam depois da morte. Eles geralmente se encontram e, então, combatem entre si como inimigos e se dilaceram mutuamente, porque então agem segundo o estado de seus interiores. Foi-me permitido ver, algumas vezes, seus combates e dilaceramentos, e alguns deles estavam cheios de vingança e de crueldade. Com efeito, na outra vida os interiores de cada um são postos em liberdade e não mais são retidos pelos externos como eram neste mundo por diferentes causas, porque então cada um é tal qual é interiormente. </p>
<p>« 381. <strong>Em alguns (casais) existe uma aparência de amor conjugal, mas a verdade é que, se eles não estão no amor do bem e da verdade, não estão no verdadeiro amor conjugal</strong>. Permanecem em tal amor aparente, a fim de serem servidos no lar, sentirem-se sossegados, tranqüilos ou ociosos, protegidos nas doenças ou velhice, ou tendo em vista o interesse comum pelos filhos&#8230; O amor conjugal difere também nos esposos: em um pode haver mais ou menos, em outro pouco ou nenhum; em face dessa diferença, pode ser o céu para um deles e o inferno para o outro. </p>
<p>« 382. (Primeiro). O amor conjugal genuíno está no céu íntimo, porque lá os anjos estão no casamento do bem e da verdade, e também na inocência. Os anjos dos céus inferiores também estão no amor conjugal, mas na proporção em que estão na inocência, porque <strong>o amor conjugal, considerado em si mesmo, é um estado de inocência</strong>. Por isso, entre cônjuges que estão no amor conjugal, <strong>há prazeres celestes que, diante de suas almas, são brinquedos inocentes quais e semelhantes aos das crianças</strong>, porque tudo é prazer para sua alegria em pois o céu influi com sua alegria em cada coisa de sua vida. É por isso que o amor conjugal é representado no céu pelas formas mais belas. Vi esse amor representado por uma virgem de beleza inexprimível, envolta em uma nuvem de alvura brilhante. Disseram-me que os anjos no céu tiram toda a sua beleza do amor conjugal. As afeições e os pensamentos provenientes desse amor são representados por auras diamantinas que cintilam como carbúnculos e rubis, e isso com deleites que afetam os interiores das mentes. Em uma palavra, o céu integra o amor conjugal, porque o céu nos anjos é a conjunção do bem e da verdade e esta conjunção faz o amor conjugal. </p>
<p>« 382. (Segundo). <strong>Os casamentos nos céus diferem dos casamentos nas terras, porque os casamentos nas terras são também para a procriação de filhos, o que não sucede nos céus</strong>. Em vez dessa procriação há nos céus uma procriação do bem e da verdade. Essa procriação substitui a outra, porque procede do casamento do bem e da verdade, como acima se mostrou, e porque neste casamento ama-se, acima de tudo, o bem e a verdade e sua conjunção. Assim, pois, os bens e verdades são propagados pelos casamentos nos céus. É dai que, pelas &quot;natividades&quot; e &quot;gerações&quot;, na Palavra, são significadas as natividades e as gerações espirituais, que são as do bem e da verdade; por &quot;mãe&quot; e &quot;pai&quot;, a verdade conjunta ao bem que procria; pelos &quot;filhos&quot; e &quot;filhas&quot;, as verdades e os bens que são procriados; pelos &quot;genros&quot; e &quot;noras&quot;, as conjunções dessas verdades e desses bens, e assim por diante. Daí vem que os casamentos nos céus não são como os casamentos nas terras; nos céus há núpcias espirituais que não devem ser chamadas núpcias, mas conjunções das mentes pelo casamento do bem e da verdade. Nas terras, porém, há núpcias, porque elas dizem respeito não somente ao espírito mas também à carne; e, como não núpcias nos céus, cônjuges ali não tem o nome de marido e esposa, mas cada um dos cônjuges, pela idéia Angélica da conjunção de duas mentes em uma só, e chamado por um nome que significa o mútuo do outro e, assim, reciprocamente. Desse modo, se pode saber como devem ser entendidas as palavras do Senhor sobre as núpcias (Lucas 20:35 e 36). </p>
<p>« 383. Foi-me permitido ver também como os casamentos se contraem nos céus. Em toda a parte no céu, os que são semelhantes são consociados, e os que são dessemelhantes são separados; por isso, cada sociedade do céu se compõe de anjos que se assemelham. <strong>Os semelhantes vão ter com os semelhantes, não por si próprios, mas pelo Senhor</strong> (ver números 41, 43 e 44). Dá-se o mesmo com o esposo e a esposa, cujas mentes podem ser conjuntas em uma só. Por isso, logo que se vêem, eles se amam intimamente, sentem-se como esposo e esposa e entram em casamento; daí é que todos os casamentos no céu vêm do Senhor. Também celebram-se festas, o que é realizado em uma reunião numerosa; as festividades diferem segundo as sociedades. </p>
<p>« 384. Os casamentos na terra, sendo as sementeiras do gênero humano, e os casamentos dos anjos do céu (&#8230;) sendo de origem espiritual, isto é, casamentos do bem e da verdade sob a influência do Divino do Senhor, disso resulta que, aos olhos dos anjos do céu, eles são santíssimos. E, em ordem inversa, os adultérios, sendo contrários ao amor conjugal, são considerados pelos anjos como profanos. Pois do mesmo modo que, nos casamentos, os anjos consideram o casamento do bem e da verdade, que é o céu; do mesmo modo, nos adultérios, eles consideram um casamento do falso e do mal, que é, portanto, o inferno. Por isso, quando ouvem pronunciar a palavra adultério, eles se afastam. É também por isso que <strong>o céu é fechado ao homem quando ele comete um adultério por prazer</strong>; e, quando o céu lhe é fechado, o homem não mais reconhece o Divino nem coisa alguma da fé da igreja. Que todos os que estão no inferno sejam contra o amor conjugal é o que me foi permitido perceber pela esfera que dali se exalava, e que era como um perpétuo esforço para dissolver e violar os casamentos. Por essa esfera pude convencer-me de que <strong>o prazer que reina no inferno é o prazer do adultério, e que o prazer do adultério é também o prazer de destruir a conjunção do bem e da verdade, conjunção que faz o céu. Daí resulta que o prazer do adultério é o prazer infernal, diametralmente oposto ao prazer do casamento, que é o prazer celeste</strong>. </p>
<p>« 385. Havia certos espíritos que, por um hábito contraído na vida do corpo, infestavam-me com uma habilidade particular, que senti como um influxo brando semelhante ao influxo dos espíritos probos. Mas percebi que <strong>havia neles astúcias e outras coisas semelhantes, com o fim de seduzir e enganar</strong>. Dirigi a palavra a um deles que havia sido comandante de exército segundo me disseram quando vivia neste mundo. E, como percebi que havia lascívia nas idéias de seu pensamento, conversei com ele a respeito do casamento em uma linguagem espiritual com representativos que exprimiam plenamente os sentimentos&#8230; Disse-me ele que, na vida do corpo, tinha considerado os adultérios como coisa nenhuma. Foi-me permitido responder-lhe que os adultérios são abomináveis, ainda que, aos olhos dos que os cometem, pareçam por causa do prazer que eles encontram que não são tais, e até que são lícitos. Eu lhe disse ainda que ele devia também saber que os casamentos são as sementeiras do gênero humano e, por isso mesmo, as sementeiras do reino celeste, não devendo, portanto ser violados, mas sim encarados como santos. Ademais, ele devia saber, por se achar na outra vida e em estado de percepção, que o amor conjugal desce do Senhor pelo céu, e que deste amor, como de um pai, deriva o amor mútuo, que é o fundamento do céu, e, ainda mais, que <strong>os adúlteros, por pouco que se aproximem das sociedades celestes, percebem o cheiro infecto que está neles, e se precipitam dali para o inferno</strong>. Continuei, dizendo-lhe que, pelo menos, ele teria podido saber que violar os casamentos é agir contra as leis Divinas, contra as leis civis de todos os países e contra a luz real da razão, pois é agir não somente contra a ordem Divina, mas também contra a ordem humana; e outras coisas mais. Ele respondeu-me, porém, que não tinha tido tais pensamentos na vida (&#8230;). </p>
<p>« 386. <strong>Foi-me mostrado como os prazeres do amor conjugal progridem na ascensão ao céu e como os prazeres do adultério progridem na descida ao inferno</strong>. A progressão do amor conjugal para o céu consiste em bem-aventuranças e felicidades continuamente, cada vez mais numerosas, até se tornarem inúmeras e inefáveis. Percebi que eram tanto mais numerosas e inefáveis quanto mais a progressão era interior, de tal sorte que elas alcançavam as bem-aventuranças e as felicidades mesmas do céu interno, ou céu da inocência, em plena liberdade&#8230; Mas a progressão do adultério na descida ao inferno se processava por graus até ao inferno mais profundo, onde só havia crueldade e horror. <strong>Tal é a sorte que espera os adúlteros depois de sua vida no mundo. Por adúlteros se entendem aqueles que sentem prazer nos adultérios e não encontram prazer algum nos casamentos</strong>.»</p>
<p>_______</p>
<p><a href="http://www.4shared.com/document/8Db3DPyw/SWEDENBORG_-_Ceu_e_o_Inferno.htm" target="_blank"><em>O Céu (e as suas Maravilhas) e o Inferno (Segundo o que foi Ouvido e Visto)</em></a><em>,</em> de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Emanuel_Swedenborg" target="_blank">Emanuel Swedenborg</a>.</p>
</blockquote>
<p>Para saber mais sobre Emanuel Swedenborg, leia a <a href="http://textos.yurivieira.com/terceiros/o-ceu-e-o-inferno-segundo-emanuel-swedenborg/">conferência escrita por Jorge Luis Borges</a> (com notas de minha autoria). Conheça também o <a href="http://www.swedenborg.com.br/sweden/obras/experien.htm" target="_blank">depoimento de Immanuel Kant</a>.</p>

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		<title>Nelson Rodrigues, Gustavo Cor&#231;&#227;o e a bacanal&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2011 18:30:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Mujeres]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
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<h3><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px" title="Nelson Rodrigues" border="0" alt="Nelson Rodrigues" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2011/10/rodrigues_nelson.jpg" width="224" height="285" /> </h3>
<blockquote><h3 align="center">SÓRDIDO</h3>
<p>Começa perguntando:      </p>
<p>— Topas uma farrinha hoje?      </p>
<p>Do outro lado, Camarinha boceja:      </p>
<p>— Hoje não posso. Outro dia.      </p>
<p>E o Nonato: — Escuta, seu zebu. Tem que ser hoje. Vamos hoje. Escuta, Camarinha. Eu acabo de ler o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gustavo_Cor%C3%A7%C3%A3o" target="_blank">Corção</a>. Deixa eu falar. E quando leio o Corção tenho vontade de fazer bacanais horrendas, bacanais de Cecil B. de Mille!      </p>
<p>Novo bocejo do Camarinha:       </p>
<p>— Não faz piada!      </p>
<p>Com alegre ferocidade, Nonato continua: — “Piada, vírgula! Batata!”. Sua tese era a de que o Corção “compromete os valores que defende”.      </p>
<p> E insistia, com jucunda agressividade:       </p>
<p>— Por causa do Corção já desisti da vida eterna. Já não quero mais ser eterno, percebeste? Quando penso na virtude do Corção, eu prefiro, sob a minha palavra de honra: prefiro ser um canalha abjeto!      </p>
<p>O Camarinha achava graça. Por fim, admitiu:      </p>
<p>— Está bem. Vamos fazer a farra. Levo aquelas duas garotas.      </p>
<p>— Leva. E olha: — rachamos as despesas.      </p>
<h5 align="center">O LANTERNEIRO</h5>
<p>   <strong></strong>
<p>Deixa o telefone e anuncia para os companheiros: — “Hoje vou fazer uma bacanal de Cecil B. de Mille!”.       </p>
<p>Uma datilografa, de óculos e maus dentes, sorri-lhe, melíflua: — “O senhor gosta de uma boa pândega!”.      </p>
<p> Foi aí que, num repelão teatral, Nonato puxa do bolso o artigo do Corção. Esfrega-o na cara dos colegas:       </p>
<p>— Vê como o artigo do Corção cheira mal!      </p>
<p>A datilógrafa (ainda por cima dentuça) geme, extasiada: — “O senhor é um número! Uma bola!”.       </p>
<p>E, então, com uma falsa gravidade, o rapaz estende-lhe o recorte:      <br />— Fora de brincadeira, a senhora leia! Por obséquio, leia. Depois me diga se tenho ou não tenho razão. Certas virtudes fedem. A do Corção é dessas!      </p>
<p>Do fundo do escritório, veio o Zé Geraldo, tropeçando nas cadeiras. Era um “lanterneiro” frenético. Começa:       </p>
<p>— Você, olha! Um momento! O Corção está muito acima de você. Muito acima. Você não tem nem competência para entender o Corção!      </p>
<p>Com um alegre tom polêmico, o outro replicava:      </p>
<p>— Depois de ler o Corção, eu tenho vontade de roubar galinhas! De agarrar mulher no peito, “à galega”! E, se hoje vou fazer uma farra sórdida, agradeça ao Corção!      </p>
<p>Ao lado, meio atônita, a datilógrafa ouvia só. Instintivamente, farejou o recorte. E, fosse por sugestão ou por outro motivo qualquer, achou que o artigo exalava realmente um odor esquisito.       </p>
<p>O&#160; lanterneiro” estrebucha: “Sórdido!”.       </p>
<p>Ao que Nonato replicou na sua fúria radiante:      </p>
<p>— A minha sordidez fede menos que a virtude do Corção!      </p>
<p>   <strong></strong><br />
<h5 align="center">A BACANAL</h5>
<p></p>
<p> A briga deu em nada. Às seis horas sai o Nonato, às carreiras. Encontra-se com o Camarinha, na esquina de México com Araújo Porto Alegre. O outro parecia lúgubre.      </p>
<p>Rosna:       </p>
<p>— Mixou.      </p>
<p>— O que é que mixou?      </p>
<p>— A farra.      </p>
<p>Protesta: — “Mas não me diga uma coisa dessas! Eu já estava todo engatilhado!”.      </p>
<p>Contou que lera o Corção e que o artigo lhe dera uma violenta nostalgia do excremento. O outro explicava, com certo humor:      </p>
<p>— Eu já sou normalmente sórdido, mesmo sem ler o Corção. Mas o caso é o seguinte: — uma das pequenas, a menorzinha, comeu uma empada que fez mal e&#8230;      </p>
<p>Nonato pôs as mão na cabeça: — “Que peso! Que azar!”. Caminhando com o amigo em direção ao “Pardelas”, fazia-lhe apelos:       </p>
<p>— Arranja outra! Outras! Tu conheces todo mundo!      </p>
<p>— Dou um jeito — prometeu o Camarinha.      </p>
<p>Entram no “Pardelas”, sentam-se. Dentro em pouco, estão bebendo. Mais uns quinze, vinte minutos e o chope começa a atuar nos dois. Nonato continua na idéia fixa:       </p>
<p>— Por causa do Corção, já chutei a vida eterna. Prefiro apodrecer dignamente.      </p>
<p>Estão semibêbados. Súbito, o Camarinha levanta a cabeça: — Descobri. Tenho uma mulher pra ti. Uma cara. Boa pra burro.      </p>
<p>Com o olhar apagado, quer saber: — “Quem é?”.       </p>
<p>Camarinha passa as costas da mão na boca encharcada. Disse (ri pesadamente):       </p>
<p>— Surpresa.      </p>
<p>O próprio Camarinha paga a despesa. Saem, com um equilíbrio meio deficiente. Nonato faz perguntas: “Onde é? Eu conheço?”. A resposta foi a mesma:       </p>
<p>— Surpresa.      </p>
<p>Tomam um táxi. Nonato insiste: “Diz logo! Não chateia!”.       </p>
<p>O outro reage, ofendido: — “Você confia ou não confia em mim?”.       </p>
<p>Respondeu que confiava. Mas o Camarinha era um bêbado insistente:      </p>
<p>— Se não confia, a gente salta!      </p>
<p>— Confio. Em você, confio. Juro.      </p>
<p>Quando param, Nonato dormia no ombro do Camarinha. Este teve de sacudi-lo. Pagam e descem. Nonato olha em torno. Reconhece a praça Saenz Peña. Com a vista turva e as pernas bambas, é puxado pelo amigo. Apesar de tudo, Camarinha é o mais sóbrio. Dobram uma esquina. Nonato, que pouco andava por aqueles lados, estava perdido. Súbito, Camarinha estaca: — “É aqui”. Crispa a mão no braço do outro e baixa a voz:      </p>
<p>— Eu quero me vingar dessa cara. Eu te apresento e olha: — antes de sair, você dá a ela cinco cruzeiros. Cinco. Eu quero humilhar. Dá-lhe cinco cruzeiros. Se não tem trocado, toma aqui. Olha. Aqui, cinco cruzeiros. Toma. Segura.      </p>
<p>Nonato embolsa a cédula. Empurra o portão e entram. Batem. Uma moça (linda, linda) abre. Camarinha a afasta, com um palavrão. Nonato parou:       </p>
<p>— Mas essa é tua mulher!      </p>
<p>Ela não se mexe, firme, ereta. Camarinha ri pesadamente:       </p>
<p>— É minha mulher. Me traiu. Eu descobri e todo dia trago um. Ouviu? Trago um e o sujeito paga cinco cruzeiros. Hoje é você. Entra ali. Naquela porta. Ali.      </p>
<p>Sem uma palavra, a mulher foi na frente. Nonato tem um esgar de choro: —“Mas é tua esposa!”.       </p>
<p>O outro sacode: “Vai ou te arrebento!”.       </p>
<p>Empurra-o. Nonato caminha, entra. A mulher fecha a porta à chave. Olham-se. Ela espera. Nonato começa:       </p>
<p>— Eu não tocarei na senhora. Não tocarei.      </p>
<p>E, súbito, cai-lhe aos pés. De joelhos, abraçado às suas pernas, repetia: — “Minha santa! Oh, minha santa!”. Na sua tristeza quase doce, ela passou-lhe, de leve, a mão pela cabeça.
<p>________</p>
<p>Conto extraído do livro<em> </em><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/66398/?franq=140868" target="_blank"><em>A vida como ela é… — O homem fiel e outros contos</em></a>, de Nelson Rodrigues</p>
</blockquote>
<p>&#160;</p>
<p>Aliás, cá entre nós, esse livro do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Nelson_Rodrigues" target="_blank">Nelson Rodrigues</a> me lembrou um comentário do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Ferreira_dos_Santos" target="_blank">Mário Ferreira dos Santos</a>, no livro <em><a href="http://www.4shared.com/document/jWXC5Z50/Mrio_Ferreira_dos_Santos_-_Inv.htm" target="_blank">A invasão vertical dos bárbaros</a></em>, a respeito dos literatos brasileiros. Estava na cara que se referia a Nelson Rodrigues… :^)</p>

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		<title>O Outsider: o drama moderno da aliena&#231;&#227;o e da cria&#231;&#227;o &#8211; Colin Wilson</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Sep 2011 19:02:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
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		<description><![CDATA[« A obra de T. E. Lawrence introduziu novas implicações em nosso estudo dos “problemas do Outsider”, que ficarão mais claros ao revermos o caminho percorrido até agora. Lawrence tem características em comum com todos os Outsiders que comentamos, e nele podemos ver o ponto para onde alguns deles tendiam. « Com Barbusse, pudemos ver [...]
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<p><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px" title="Colin Wilson" border="0" alt="Colin Wilson" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2011/09/colin_wilson2.jpg" width="214" height="244" /> </p>
<blockquote><p>« A obra de T. E. Lawrence introduziu novas implicações em nosso estudo dos “problemas do Outsider”, que ficarão mais claros ao revermos o caminho percorrido até agora. Lawrence tem características em comum com todos os Outsiders que comentamos, e nele podemos ver o ponto para onde alguns deles tendiam.</p>
<p>« Com Barbusse, pudemos ver que <em>o problema do Outsider</em> é o<em> problema da negação da auto-expressão.</em> Isso nos leva a perguntar se o Outsider é, conseqüentemente, um problema meramente sociológico. A introdução, no folheto de H. G. Wells, de um aspecto claramente não-sociológico nos levou, naturalmente, a Roquentin, onde constatamos que o problema é, de fato, metafísico.</p>
<p>« Camus e Hemingway ressaltaram a sua natureza <em>prática.</em> É o problema de viver; o problema de <em>esquema ou finalidade</em> da vida. O Outsider é aquele que não pode aceitar a vida tal como ela é, que não pode considerar sua existência, ou a de qualquer outro, como <em>necessária.</em> Ele vê “muito fundo, e demais”. É ainda uma questão de auto-expressão.</p>
<p>« Em <em>The Secret Life</em> vemos o Outsider separado das outras pessoas por uma inteligência que impiedosamente destrói os valores delas e o impede de se expressar pela incapacidade de recolocar novos valores. Seu problema é de “<em>Vanitatum vanitas”</em> do Eclesiastes; nada vale a pena ser feito.</p>
<p>« O Outsider romântico ampliou a abordagem ao mostrar que o problema não é necessariamente de homens desiludidos. Em um nível diferente, o romântico vive o problema em seu esforço por dar corpo ao ideal romântico. A conclusão de Hesse foi: mais auto-análise, “para atravessar de novo o inferno do ser interior”. O Outsider precisa se conhecer mais. Isso implica o caminho de Roquentin e o caminho de Mersault; o caminho da análise metafísica e o caminho da aceitação da vida física. Mas o fracasso final, tanto de Goldmund como do Magister Ludi, os caminhos da carne e do espírito, nos deixam diante da afirmação de Strowde: Nada vale a pena ser feito, nenhum caminho é melhor do que outro.</p>
<p>« É T. E. Lawrence quem finalmente indica o caminho da saída para o impasse. Os outros aceitaram como um problema de uma única variável, por assim dizer. Um “caminho” precisa ser procurado. A questão “um caminho <em>para quem</em>?” seria respondida por Roquentin ou Strowde: “Um caminho para mim, obviamente”. Lawrence deu um grande passo à frente: “Você não é o que pensa ser”. Em vez de dizer: Nada vale a pena ser feito, dever-se-ia dizer: “<em>Eu</em> não sou digno de fazer qualquer coisa”. A pergunta de Oliver Gauntlett: “<em>Onde</em> está o inimigo?” foi respondida por Lawrence: “Você pensa que <em>é</em> você”. A verdadeira guerra de Oliver é a guerra contra si mesmo. Lawrence estabeleceu a distinção vital em uma sentença: “De fato, não gostava daquele eu mesmo que eu podia ver e ouvir”. “Ele não é ele mesmo”, dissera o professor de Kennington. Lawrence não se divide em duas partes como Haller para depois dizer: “O homem odeia o lobo”. Lawrence odiava o complexo todo de corpo, mente, emoções, e suas idéias a respeito de si mesmo que constituíam uma proteção constante, sufocante, em torno de seus impulsos vitais.</p>
<p>« Esta é uma situação que de forma alguma é desconhecida dos santos e dos místicos; a infelicidade de Lawrence é não ter encontrado, até agora, um biógrafo qualificado para tratar de seus conflitos espirituais. As noções correntes de um “enigma de Lawrence” culminaram com a tentativa feita por Aldington de explicar Lawrence em termos da inadequada psicologia de Freud. Mas o “enigma de Lawrence” foi esclarecido por ele mesmo em <em>The Seven Pillars.</em> O homem não é uma unidade; é muitas. Entretanto, para que qualquer coisa valha a pena ser feita, é preciso que ele se torne uma unidade. O reino dividido precisa ser unificado. A enganosa visão de personalidade que nossa civilização ocidental promove e glorifica aumenta a divisão interior; Lawrence reconheceu isto como sendo o inimigo. Portanto, a guerra contra esta descoberta é, inevitavelmente, uma revolta contra a civilização ocidental.</p>
<p>« O feito de Lawrence nos leva mais adiante ainda. A guerra não deve ser travada pela mera razão. A razão deixa a personalidade à vontade em seu próprio campo. O poder da vontade é imenso quando apoiado pela intenção moral. O único papel da razão é o de estabelecer a intenção moral pela auto-análise. Uma vez definido o inimigo, a vontade pode operar e o limite de seu poder sobre o corpo é só o limite da intenção moral que o apóia.</p>
<p>« Se o nosso raciocínio estiver correto, o problema do Outsider não é novo; Lawrence mostra que a história dos profetas de todos os tempos segue um esquema: nascidos numa civilização, eles rejeitam os seus padrões de bem-estar material e se retiram para o deserto. Quando voltam, é para pregar a rejeição do mundo: a intensidade do espírito contra a intensidade da segurança material. As angústias do Outsider são as dores de dente do profeta. Ele se refugia em seu quarto, como uma aranha num canto escuro; vive sozinho, quer evitar as pessoas. “Para os pensadores do deserto, o impulso para Nitria sempre foi irresistível.” Ele pensa, analisa, “desce dentro de si mesmo”: “Não porque provavelmente encontrassem Deus habitando lá, mas porque na solidão eles ouviam melhor a palavra viva que traziam consigo”. Aos poucos a mensagem emerge. Não necessariamente uma mensagem positiva; e por que haveria de ser, se o impulso que impele para ela é negativo — o desgosto? </p>
<p>« O profeta é um homem de integridade espiritual maior que a de seus semelhantes; a tibieza deles o revolta e ele se sente impelido a dizer-lhes isso. Em seu estágio embrionário como Outsider ele não se conhece suficientemente bem para compreender a força propulsora que está por trás de seus sentimentos. Por esta razão, sua maior ocupação está me pensar e não em fazer. Nos Outsiders de que vamos tratar no resto desde livro, observaremos a emergência do elemento distintamente profético que habita o Outsider.»</p>
<p align="center">* * *</p>
<p align="center">(…)</p>
<p align="left">« Hulme considerava o seu S<em>peculations</em> como um prolegômeno à leitura de Pascal. A minha aspiração, ao escrever este estudo sobre o Outsider, era a de fornecer uma introdução a um campo ainda mais vasto, a um campo limitado por Shaw e Gurdjieff, de um lado, e por um protestante ortodoxo como Kierkegaard, ou um católico ortodoxo como Newman, de outro. Com tal objetivo, de fato cobri boa parte do assunto já brilhantemente tratado no livro de Reinhold Niebuhr, <em>Natureza e Destino do Homem</em> e em várias obras de Berdyaev; devo reconhecer minha dívida para com eles bem como para com os impressionantes ensaios de Eliot sobre o humanismo e a atitude religiosa (dívida, aliás, que tenho em comum com muitos outros da minha geração). Revendo o passado, acho que provavelmente nenhum livro de cem mil palavras poderia atingir este objetivo. Se este livro puder servir de estímulo a uma releitura de Shaw, terá cumprido plenamente sua finalidade. Na época em que este livro foi escrito, Shaw sofria um processo de desvalorização sem paralelos desde o esquecimento de Shakespeare no século XVII. Tal desvalorização de um grande mestre religioso seria o pior sintoma possível de nossa época, não fosse o crescente interesse pelos pensadores existencialistas como Berdyaev, Kierkegaard, Camus. Para que a “nova idade religiosa” de Hulme surja antes que nossa civilização se destrua a si mesma, seria necessário um esforço intelectual de gestação que envolvesse todo o mundo civilizado.»</p>
<p align="left">« Restam ainda muitas dificuldades que não podem ser abordadas aqui. O problema que se coloca para a “civilização” é o da adoção de uma atitude religiosa que possa ser assimilada tão <em>objetivamente</em> quanto as manchetes dos jornais de domingo passado. Para o indivíduo, porém, o problema é exatamente o inverso: o esforço consciente de <em>não </em>limitar a quantidade de experiência vista e tocada; o intolerável esforço de expor as áreas sensíveis do ser ao que talvez possa feri-las; a tentativa de ver como um todo, embora o instinto de autopreservação se debata contra a dor da expansão interior, e todos os impulsos de preguiça espiritual se ergam em vagas de sono a cada nova tentativa. O indivíduo inicia esta longa tentativa como um Outsider; e pode terminá-la como um santo.»      <br />_______</p>
<p align="left">Trecho de <em>O Outsider: o drama moderno da alienação e da criação, </em>de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Colin_Wilson" target="_blank">Colin Wilson</a>.</p>
</blockquote>

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		<title>John Donne: &#8220;N&#227;o perguntes por quem os sinos dobram&#8221;</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Mar 2011 13:31:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#34;Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todos são parte do continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa ficará diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de [...]
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<p> 
<p><a href="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2011/03/donne.jpg"><img title="donne" style="border-top-width: 0px; display: block; border-left-width: 0px; float: none; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; margin-right: auto; border-right-width: 0px" height="206" alt="donne" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2011/03/donne_thumb.jpg" width="254" border="0" /></a></p>
<blockquote><p>&quot;Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todos são parte do continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa ficará diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti&quot;. </p>
<p><em>Meditações VII, </em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Donne">John Donne</a></p>
</blockquote>
<p>Com o grande número de catástrofes naturais ocorrendo em seqüência — tsunami no Índico (2004), em Sumatra (2009), terremotos no Haiti (2010), no Chile (2010), enchentes e deslizamentos na região serrana do Rio de Janeiro (2011), e mais terremotos na Nova Zelândia (2011) e, agora, no Japão (2011) — o comentário acima é mais que pertinente. Há sempre alguém assistindo à notícia de um desses acontecimentos com o coração distante, sem imaginar que há a possibilidade de participar como personagem de uma próxima ocorrência. Necessitamos uns dos outros. A compaixão deve estar sempre conosco. <em>Memento mori</em>.</p>

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		<pubDate>Thu, 24 Feb 2011 18:53:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
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<p> 
<p><img title="Tristão e Isolda" style="border-top-width: 0px; display: block; border-left-width: 0px; float: none; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; margin-right: auto; border-right-width: 0px" height="354" alt="Tristão e Isolda" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2011/02/waterhouse_tristan.jpg" width="261" border="0" /> </p>
<blockquote><p>« A tragédia é que Tristão, com todas as possibilidades de vir a ter uma vida de relacionamentos, cercado de calor humano, nega-se o direito de vivê-los. Curiosamente, não há nada que ele precise fazer: só precisa abrir os olhos, despertar para as riquezas que o cercam e vivê-las. Mas essas brumas do idealismo romântico, essa mácula do mundo humano, impedem que ele alcance justamente esse amor que tanto deseja. Ao rejeitar Isolda das Mãos Brancas, ele renova seu pacto com a morte.</p>
<p>« Esse padrão de amor romântico repete-se constantemente na vida das pessoas de hoje. Ao viver um relacionamento ou um casamento, o homem sente-se vagamente insatisfeito: ou a vida não tem suficiente significado, ou ele sente falta da empolgação e do enlevo que sentia antes. Ao invés de compreender que está sentindo a falta do amor divino &#8211; a experiência interior da <i>anima, </i>que é de sua própria responsabilidade &#8211; ele põe a culpa na mulher. Ela não o está fazendo feliz; ela não é suficientemente boa; ela não realiza os seus sonhos. Apesar de ela lhe dar tudo o que está ao alcance de uma mulher mortal, ele a rejeita e continua procurando Isolda a Bela. Ele sempre pressupõe que em algum lugar, em alguma mulher ou em alguma aventura, irá encontrar Isolda a Bela, e será, então, capaz de possuí-la fisicamente e encontrar nela o significado de sua vida e sua realização. E assim denegrimos o amor humano, assim rejeitamos Isolda das Mãos Brancas, assim renovamos nosso juramento coletivo de &quot;servir a um só amor&quot;.</p>
<p>« O amor humano, simbolizado por Isolda das Mãos Brancas, é totalmente diferente daquilo que chamamos de &quot;apaixonar-se&quot;. Para o homem, amar segundo a maneira humana do feminino terrestre, significa que ele terá de direcionar seu amor para um ser humano mortal, não para a imagem idealizada que projeta. Significa relacionar-se com uma pessoa de verdade, identificar-se com ela, reconhecer o seu valor e os seus elementos sagrados, <i>tal como ela é, </i>na sua totalidade &#8211; com seu lado sombrio, suas imperfeições e tudo aquilo que a toma um ser mortal comum. &quot;Estar apaixonado&quot; é diferente: não é algo direcionado para uma mulher; é algo dirigido para a <i>anima, </i>o ideal do homem: seu sonho, sua fantasia, sua esperança, suas expectativas, sua paixão por um ser interior que ele sobrepõe à mulher exterior.</p>
<p>« Isso explica porque uma parte tão grande deste &quot;amor&quot; entre Tristão e Isolda a Bela é tão inequivocamente egocêntrico. Tristão quer que Isolda sofra, que se junte a ele na sua infelicidade, porque seu amor não está realmente dirigido para Isolda como mulher mortal, mas para si mesmo! Ele está preocupado com <i>as suas próprias </i>projeções, com <i>a sua própria </i>paixão &#8211; esta paixão cuja culpa ele joga na poção do amor, mas que ele faz questão de alimentar com sucessivas viagens até Isolda.</p>
<p>« Isolda, de maneira similar, não parece preocupar-se com a felicidade ou com o bem-estar de Tristão. Ela se preocupa em saber se ele a coloca em primeiro lugar, se sua aliança é somente com ela, se ele continuará a representar com ela o drama que a transporta para o &quot;bosque encantado&quot;. Eles não estão preocupados com a felicidade ou o bem-estar ou a sobrevivência do outro, mas apenas em renovar a própria paixão, em serem transportados para um lugar mágico, em usar o outro para manter o drama passional em andamento. No final de suas vidas, sua única preocupação é usarem-se mutuamente para se libertarem completamente da terra mesquinha e alçarem vôo para aquele mundo imaginário e mágico, onde &quot;maravilhosos trovadores cantam suas canções eternamente&quot;. Na verdade, eles não se amam, usam-se mutuamente para viverem as experiências ardentes e passionais que desejam ter.</p>
<p>« Isto, independentemente de o admitirmos ou não, é o amor romântico. Em Tristão e em Isolda, o egoísmo, o uso do outro para criar a paixão pela paixão, é tão evidente, tão ingênuo, tão infantil, que se torna inequívoco. Mas as nossas próprias versões do amor romântico, dificilmente chegam a ser mais sutis. Simplesmente nunca entra em nossa cabeça romântica que possa existir algo de estranho em procurar um assim chamado &quot;amor&quot; para conseguir a <i>minha </i>realização, para dar vazão às <i>minhas </i>emoções, para tornar realidade os <i>meus </i>sonhos, as <i>minhas </i>fantasias, a <i>minha </i>&quot;necessidade de ser amado&quot;, o <i>meu </i>ideal do amor perfeito, a <i>minha </i>segurança, o <i>meu </i>entretenimento.</p>
<p>« Quando genuinamente amamos outra pessoa, trata-se de um ato espontâneo de ser, uma identificação com a outra pessoa que leva a reconhecê-la, a valorizá-la e a honrá-la, que nos leva a desejar a felicidade e o bem-estar dessa pessoa. Nesses raros momentos em que estamos <i>amando, </i>e não concentrados no nosso próprio ego, paramos de perguntar que sonhos vamos realizar através dessa pessoa, que vibrantes e extraordinárias aventuras ela nos irá proporcionar.</p>
<p>« Existem dois casamentos que Tristão precisa fazer. O primeiro é interno, com sua própria alma, com Isolda a Bela. Esse casamento ele precisa fazer indo ao seu mundo interior, praticando sua religião, fazendo seu trabalho interior, vivendo com os deuses desse mundo interior. O segundo é com Isolda das Mãos Brancas, e esse casamento significa uma união com outro ser humano, significa aceitá-la como tal. Significa também fazer outros relacionamentos &#8211; fazer amigos por exemplo, e assumi-los como seres humanos.</p>
<p>« Podemos compreender esses dois casamentos como o reflexo das duas naturezas que se misturam dentro do homem: a humana e a divina. Para nós ocidentais, o grande símbolo dessas duas naturezas em integração é Cristo, e as dimensões dessa realidade são expressas de forma perfeita no simbolismo da doutrina cristã da Encarnação. Nela é dito que Deus veio habitar o mundo físico e o redimiu; Deus torna-se humano! As conseqüências dessa crença, tomadas como símbolo, são enormes. Significam que este mundo físico, este corpo físico e esta vida mundana que levamos na terra também são sagrados. Significam que os demais seres humanos têm o seu próprio valor intrínseco: eles não estão aqui meramente para que possamos ver refletida neles nossa fantasia de um mundo mais perfeito ou para que transportem nossas projeções de <i>anima, </i>ou ainda que se juntem a nós na representação de uma alegoria de um outro mundo. O mundo físico, mundano, comum, tem sua própria beleza, sua validade própria e sua próprias leis para serem observadas.</p>
<p>« Existe uma asserção no Zen: &quot;Esta terra &#8211; eis o Caminho! &quot;O Caminho para a iluminação, para a alma, não é pelas nuvens, não é pela negação da terra: ele é encontrado dentro desta vida mortal, dentro da simplicidade das nossas tarefas mundanas e dos nossos relacionamentos com pessoas comuns. Tudo isso está expresso na realidade simbólica da Encarnação.</p>
<p>« A Encarnação nos fala do paradoxo de duas naturezas: o amor divino e o amor humano, ambos misturados num único cálice, ambos contidos num mesmo ser humano. A Encarnação nos diz que Deus se fez carne, e o Deus encarnado, Cristo, era ao mesmo tempo humano e divino. Nesta imagem está refletida a natureza dupla do ser humano, os dois amores que, legitimamente, exigem nossa lealdade e a integração que devemos fazer de ambos. Portanto, a Encarnação nos mostra que o mundo divino e o mundo pessoal coexistem dentro de cada ser humano, e é quando as duas naturezas vivem juntas numa integração consciente que uma pessoa se torna um <i>self </i>consciente.</p>
<p>« Independentemente de quais possam ser nossas idéias sobre a Encarnação histórica real, precisamos reconhecer as impressionantes conseqüências do Deus-feito-homem como um símbolo, como um modelo arquetípico arraigado no inconsciente ocidental. É uma realidade psicológica, um princípio unificador que atua em nós de dentro para fora, pouco importando se temos ou não consciência disso. Vamos viver essa natureza dual de uma forma ou de outra, consciente ou inconscientemente.</p>
<p>« A Encarnação simboliza a integração; a poção do amor simboliza a mistura desordenada. Se admitirmos conscientemente nossa natureza dual, conseguiremos a integração transcendental; se a tomarmos ao acaso, sem consciência, teremos a poção do amor. A história psicológica do Ocidente é esta: na medida em que deixamos de aceitar seriamente a Encarnação, mesmo como realidade simbólica, a verdade da nossa natureza dual é relegada ao <i>underground. </i>Inconscientemente, o amor divino, e todo o paradoxo do amor divino e do amor humano, infiltram-se na poção do amor. É lá que ambos se encontram atualmente, borbulhando num caldeirão de projeções, misturados na sopa do amor romântico.»</p>
<p>________</p>
<p><em><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/67626/?franq=140868" target="_blank">We – A Chave da Psicologia do Amor Romântico</a></em>, Robert A. Johnson</p>
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		<title>Um romano indagou a Jesus: &#8220;O que devo fazer com minha riqueza?&#8221;</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Feb 2011 01:18:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
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<p><a name="U132_5_0"></a></p>
<h6><a href="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2011/02/jesuschristpics2011.jpg"><img title="Jesus Cristo" style="border-top-width: 0px; display: block; border-left-width: 0px; float: none; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; margin-right: auto; border-right-width: 0px" height="304" alt="Jesus Cristo" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2011/02/jesuschristpics2011_thumb.jpg" width="326" border="0" /></a> </h6>
</p>
<blockquote><h4 align="center">Aconselhando o Homem Rico</h4>
<p>Um certo homem rico, um cidadão romano estóico, tornou-se bastante interessado nos ensinamentos de Jesus, tendo sido apresentado por Angamon. Depois de muitas conversas pessoais, esse cidadão abastado perguntou a Jesus o que ele faria com a riqueza se ele a tivesse, e Jesus respondeu-lhe: “Eu consagraria a riqueza material à elevação da vida material, como também ministraria conhecimentos, sabedoria e serviço espiritual para o enriquecimento da vida intelectual, para o enobrecimento da vida social e o avanço da vida espiritual. Eu administraria a riqueza material como um depositário sábio e eficaz dos recursos de uma geração e para o benefício e o enobrecimento das gerações próximas e subseqüentes”.</p>
<p>O homem rico, contudo, não ficou totalmente satisfeito com a resposta de Jesus. Ele ousou perguntar de novo: “Mas o que tu pensas que um homem, na minha posição, deveria fazer com a sua riqueza? Deveria eu mantê-la ou distribuí-la?” E quando percebeu que ele realmente desejava saber mais sobre a verdade da sua lealdade a Deus e sobre o seu dever para com os homens, Jesus desenvolveu a sua resposta: “Percebo, meu bom amigo, que és um buscador sincero da sabedoria e amante honesto da verdade; assim sendo, estou disposto a colocar diante de ti minha visão da solução para os teus problemas, no que eles têm a ver com as responsabilidades da riqueza. Faço isso porque <em>pediste</em> meu conselho e, ao dar-te esse conselho, não me ocupo da riqueza de nenhum outro homem rico; estou oferecendo esse conselho apenas a ti e para a tua orientação pessoal. Se desejares honestamente considerar tua fortuna como uma responsabilidade, se queres transformar-te em um administrador sábio e eficiente dos teus bens acumulados, então eu te aconselharia a fazer a seguinte análise das fontes de tuas riquezas: pergunta a ti próprio, e faz o melhor para encontrar a resposta honesta: de onde veio essa riqueza? E, como ajuda no estudo das fontes da tua grande fortuna, eu sugeriria que tivesses em mente os dez métodos diferentes de acumular a riqueza material:</p>
<p>“1. A riqueza herdada — riquezas que se originam de pais e de outros ancestrais.      </p>
<p>“2. A riqueza descoberta — riquezas que vieram de recursos não cultivados da mãe Terra.       </p>
<p>“3. A riqueza do comércio — riquezas obtidas pelo lucro justo na troca e no intercâmbio de bens materiais.       </p>
<p>“4. A riqueza indevida — riquezas que se derivaram de uma exploração injusta ou da escravização do semelhante.       </p>
<p>“5. A riqueza dos juros — a renda proveniente das justas e honestas possibilidades de ganho do capital investido.       </p>
<p>“6. A riqueza do gênio — riquezas provindas de recompensas de dons criativos e inventivos da mente humana.       </p>
<p>“7. A riqueza acidental — riquezas que se derivam da generosidade de um semelhante ou que têm origem nas circunstâncias da vida.       </p>
<p>“8. A riqueza roubada — riquezas asseguradas pela injustiça, a desonestidade, o roubo ou a fraude.       </p>
<p>“9. A riqueza de fundos — riquezas colocadas nas tuas mãos pelos teus semelhantes para algum uso específico, agora ou no futuro.       </p>
<p>“10. A riqueza ganha — riquezas derivadas diretamente de teu próprio trabalho pessoal, a recompensa justa e honesta dos esforços diários de tua mente e teu corpo.</p>
<p>“E assim, meu amigo, se quiseres ser um administrador fiel e justo da tua grande fortuna, perante Deus e no serviço dos homens, tu deves dividir aproximadamente os teus bens nessas dez grandes divisões e, então, continuar a administrar cada porção de acordo com a interpretação sábia e honesta das leis da justiça, da eqüidade, da probidade e da verdadeira eficiência; embora o Deus no céu não irá condenar-te se, algumas vezes, tu errares nas situações duvidosas, quanto à consideração da misericórdia e da generosidade para com a infelicidade das vítimas sofridas em circunstâncias desafortunadas da vida mortal. Quando tiveres dúvida séria e sincera sobre a eqüidade e a justiça das situações materiais, que as tuas decisões favoreçam aqueles que estão em necessidade, que favoreçam aqueles que sofrem da infelicidade de privações imerecidas”.</p>
<p>Após discutirem sobre essas questões por várias horas, e em resposta ao pedido de uma instrução com mais e maiores detalhes, feito pelo homem rico, Jesus passou a ampliar o seu conselho, dizendo em essência: “Ao oferecer-te mais sugestões para a atitude a tomar para com a riqueza, eu deveria admoestar-te a receber meu conselho como dado a ti e para tua orientação pessoal. Falo apenas por mim próprio e para ti, o amigo que me pergunta. E te convoco a não te transformar em um ditador de como devem os outros homens ricos considerar suas riquezas. Assim, te aconselharia:</p>
<p>“1. Como administrador da riqueza herdada deverias considerar as suas fontes. Tu estás sob a obrigação moral de representar a geração passada na transmissão honesta da riqueza legítima às gerações que se sucedem, depois de subtraíres uma taxa justa, em benefício da geração atual. Entretanto, não és obrigado a perpetuar nenhuma desonestidade ou injustiça, que tiver sido envolvida na acumulação injusta dessa riqueza, ainda que cometida pelos teus ancestrais. Qualquer porção da tua riqueza herdada que resulta como sendo proveniente de fraude ou de injustiça, tu podes desembolsar de acordo com as tuas convicções de justiça, generosidade e restituição. Quanto ao remanescente da tua legítima riqueza herdada podes fazer uso com eqüidade e transmiti-lo, em segurança, como curador, de uma geração para a outra. A discriminação sábia e o julgamento sadio deveriam ditar as tuas decisões quanto ao legado das riquezas para os teus sucessores.</p>
<p>“2. Todo aquele que desfruta de riqueza obtida pelas descobertas deveria lembrar-se de que um indivíduo só pode viver na Terra senão por um curto período de tempo e deveria, por isso, fazer a provisão adequada ao compartilhamento dessas descobertas para o bem do maior número possível de semelhantes seus. Ainda que ao descobridor não devesse ser negada uma recompensa pelos esforços da descoberta, não deveria ele pretender, egoisticamente, reclamar exclusividade sobre todas as vantagens e bênçãos derivadas da revelação dos recursos acumulados pela natureza.</p>
<p>“3. Se os homens escolherem conduzir os negócios por meio do comércio e da troca, eles terão direito a um lucro justo e legítimo. Todo comerciante merece pagamento para os seus serviços; o mercador tem direito ao seu salário. A eqüidade no comércio e um tratamento honesto conferido a um semelhante, nos negócios organizados do mundo, criam muitas espécies diferentes de riquezas de lucros e todas essas fontes de riquezas devem ser julgadas pelos mais altos princípios da justiça, honestidade e eqüidade. O comerciante honesto não deveria hesitar em ter o mesmo lucro que, com contentamento, ele daria ao seu companheiro comerciante em uma transação semelhante. Ainda que essa espécie de riqueza não seja idêntica à renda individualmente ganha, quando os negócios são conduzidos em uma larga escala, ao mesmo tempo, tais riquezas honestamente acumuladas dotam o seu possuidor de uma eqüidade considerável quanto a ter voz ativa na sua subseqüente redistribuição.</p>
<p>“4. Nenhum mortal sabedor de Deus e que busca fazer a vontade divina pode rebaixar-se ao engajamento em opressões por meio da riqueza. Nenhum homem nobre esforçar-se-á para ajuntar riquezas e acumular o poder da riqueza, se feita sobre a escravidão ou exploração injusta dos seus irmãos na carne. As riquezas são uma maldição moral e um estigma espiritual quando provenientes do suor de homens mortais sob opressão. Toda essa riqueza deveria ser devolvida àqueles que nisso foram roubados. ou aos filhos ou netos deles. Uma civilização perdurável não pode ser construída sobre a prática da espoliação do salário do trabalhador.</p>
<p>“5. A riqueza honesta tem direito aos juros. Desde que os homens emprestem e tomem emprestado, aquilo que são os juros justos pode ser recebido desde que o capital emprestado provenha de riqueza legítima. Primeiro, purifica o teu capital antes de reivindicar os juros. Não sejas tão pequeno e ávido a ponto de rebaixar-te à prática da usura. Nunca te permitas ser tão egoísta a ponto de empregar o poder do dinheiro para obter vantagens injustas sobre o teu companheiro que labuta. Não cedas à tentação de exigir juros usurários do teu irmão em desespero financeiro.</p>
<p>“6. Se por acaso conseguires a riqueza por meio dos arroubos do gênio, se as tuas riquezas provêm de recompensas de dons inventivos, não reivindiques uma parte injusta como remuneração. O gênio deve um pouco, tanto aos seus ancestrais quanto à sua progênie; e do mesmo modo ele deve obrigação à raça, à nação e às circunstâncias das suas descobertas inventivas; deveria também se lembrar de que foi como um homem entre os homens que trabalhou e completou as suas invenções. Seria igualmente injusto privar o gênio de todo o aumento da sua riqueza. E será sempre impossível aos homens estabelecer leis e regras aplicáveis igualmente a todos esses casos de distribuição equânime da riqueza. Deves primeiro reconhecer o homem como teu irmão, e, se desejares honestamente fazer por ele como gostarias que fizesse por ti, os imperativos comuns da justiça, da honestidade e da probidade te guiarão no estabelecimento justo e imparcial e na liquidação de todo problema que surgir da recompensa econômica e justiça social.</p>
<p>“7. Exceto pelas taxas justas e legítimas ganhas pela administração, nenhum homem deveria fazer reivindicação pessoal sobre a fortuna que o tempo e o acaso fizeram cair nas suas mãos. As riquezas acidentais deveriam ser consideradas mais sob a luz de serem um depósito a ser gasto para o benefício do próprio grupo social ou econômico. Aos possuidores de uma tal fortuna deveria ser consentida apenas maior voz ativa na determinação da distribuição sábia e efetiva desses recursos pelos quais não trabalharam. O homem civilizado não deveria sempre considerar tudo o que ele controla como sendo sua posse pessoal e privada.</p>
<p>“8. Se alguma parte da tua fortuna é consabidamente proveniente de fraudes, se algo da tua riqueza foi acumulado por práticas desonestas ou métodos injustos; se as tuas riquezas são o produto de negociações injustas com os teus semelhantes, apressa-te a restituir todos esses ganhos obtidos de modo desonesto aos seus devidos proprietários. Faz correções completas e, assim, purifica a tua fortuna de todas as riquezas desonestas.</p>
<p>“9. A gestão da riqueza que uma pessoa faz, para o benefício de outrem, é uma responsabilidade solene e sagrada. Não coloques em risco nem em perigo essa gestão. Extrai para ti próprio, ao gerir qualquer desses bens, apenas aquilo que todos os homens honestos permitiriam.</p>
<p>“10. Aquela parte da tua fortuna que representa os ganhos dos teus próprios esforços mentais e físicos — se o teu trabalho tem sido feito com justiça e eqüidade — verdadeiramente te pertence. Nenhum homem pode impugnar o teu direito de manter e usar tal riqueza da forma como tu julgares adequada, desde que o teu exercício desse direito não cause dano aos teus semelhantes”.</p>
<p>Quando Jesus tinha terminado de dar-lhe os conselhos, esse abastado romano levantou-se do seu sofá e, despedindo-se por aquela noite, fez a si próprio a promessa: “Meu bom amigo, percebo que és um homem de grande sabedoria e muita bondade; assim, amanhã eu começarei a administração de todos os meus bens conforme o teu conselho”.</p>
<p>______</p>
<p><em><a href="http://www.urantia.org" target="_blank"><strong>O Livro de Urântia</strong></a></em>, Documento 132 – <a href="http://www.urantia.org/pt/o-livro-de-urantia/documento-132-permanencia-em-roma" target="_blank">A Permanência em Roma</a>.</p>
</blockquote>
<p>Não, esta não é uma releitura da passagem em que Jesus diz ao jovem rico para doar tudo o que tem e segui-lo. A passagem acima ocorreu durante sua pouco conhecida <a href="http://www.urantia.org/pt/o-livro-de-urantia/documento-130-caminho-de-roma" target="_blank">viagem a Roma</a>.</p>
<p>Segundo o Livro de Urântia, a passagem que corresponde a <a href="http://www.bibliacatolica.com.br/02/47/19.php?v=23" target="_blank">Mateus, 19:21</a> é a que segue:</p>
<blockquote><p>Então André trouxe a Jesus um certo homem, jovem e rico, que era um devoto e desejava receber a ordenação. Esse homem, Matadormus, era um membro do sinédrio de Jerusalém; tinha ouvido Jesus ensinar e havia sido instruído posteriormente, no evangelho do Reino, por Pedro e outros apóstolos. Jesus conversou com Matadormus a respeito dos quesitos da ordenação e pediu-lhe que tomasse a sua decisão depois de pensar mais profundamente sobre a questão. Bem cedo na manhã seguinte, quando Jesus saía para uma caminhada, esse jovem aproximou-se dele e disse: “Mestre, eu gostaria de saber de ti sobre as certezas da vida eterna. Uma vez que eu tenho observado todos os mandamentos desde a minha juventude, gostaria de saber o que mais devo fazer para ganhar a vida eterna?” Em resposta a essa pergunta, Jesus disse: “Se tu cumprires os mandamentos — de não cometer adultério, de não matar, de não roubar, de não dar falso testemunho, de não trapacear e de honrar aos teus pais — , tu terás feito muito bem, mas a salvação é uma recompensa da fé, e não meramente das tuas obras. Tu crês nesse evangelho do Reino?” E Matadormus respondeu: “Sim, Mestre, eu creio em tudo o que tu e os teus apóstolos me ensinaram”. E Jesus disse: “Então tu és de fato meu discípulo e um filho do Reino”.</p>
<p>E então o jovem disse: “Mas, Mestre, não me contento em ser teu discípulo; gostaria de ser um dos teus novos mensageiros”. Ao ouvir isso, Jesus olhou para ele e, com um grande amor, disse: “Eu terei a ti como um dos meus mensageiros, se estiveres disposto a pagar o preço, se satisfizeres o único quesito que te falta”. Matadormus respondeu: “Mestre, farei qualquer coisa para que me seja permitido seguir-te”. E Jesus, beijando na fronte o jovem ajoelhado, disse: “Se quiseres ser um mensageiro meu, vai e vende tudo o que tens e, quando tiveres doado o produto aos pobres ou aos teus irmãos, vem e segue-me; e tu terás um tesouro no Reino do céu”.</p>
<p>Quando Matadormus ouviu isso, o seu semblante esmoreceu. Ele levantou-se e partiu pesaroso, pois possuía muitos bens. Esse jovem fariseu rico fora criado na crença de que a riqueza era um sinal do favorecimento de Deus. Jesus sabia que ele não estava liberto do amor de si próprio e das riquezas. <strong>O Mestre queria libertá-lo do amor das riquezas, não necessariamente da riqueza em si</strong>. Embora os discípulos de Jesus não precisassem desfazer-se de todos os bens terrenos, os apóstolos e os setenta desfaziam-se deles. Matadormus desejava ser um dos setenta novos mensageiros, e por esse motivo Jesus lhe pediu que se desfizesse de todas as suas posses temporais.</p>
<p>Quase todo ser humano tem uma coisa à qual se apega, como a um mal necessário e querido, e à qual deverá renunciar, como parte do preço da admissão ao Reino do céu. Se Matadormus se houvesse desfeito da sua riqueza, ela provavelmente teria sido colocada de volta nas suas mãos, para que ele a administrasse, como tesoureiro dos setenta. Pois, mais tarde, depois do estabelecimento da igreja de Jerusalém, ele obedeceu à determinação do Mestre, embora, então, haja sido tarde demais para que ele tivesse podido desfrutar da companhia dos setenta, como membro; e ele tornou-se o tesoureiro da igreja de Jerusalém, da qual, Tiago, o irmão do Senhor, na carne, era o dirigente.</p>
<p>Sempre foi assim e para sempre será: os homens devem tomar as suas próprias decisões. E existe uma certa amplitude, nas possibilidades da liberdade de escolha, dentro da qual os mortais podem atuar. As forças do mundo espiritual jamais coagirão o homem; elas permitem que ele siga o caminho da sua própria escolha.</p>
<p>Jesus previu que, com as suas riquezas, Matadormus não teria possibilidade de ser ordenado como companheiro dos homens que a tudo haviam abandonado pelo evangelho; ao mesmo tempo, sentiu que, sem as suas riquezas, ele tornar- se-ia o dirigente máximo de todos eles. Mas, como os próprios irmãos de Jesus, Matadormus nunca chegou a ser grande no Reino, porque privou a si próprio daquele convívio íntimo e pessoal com o Mestre. Convívio este que poderia ter feito parte da experiência dele, tivesse ele estado disposto a fazer, no momento certo, aquilo que lhe tinha sido pedido por Jesus, e que, vários anos depois, ele realizou de fato.</p>
<p><strong>As riquezas não têm nenhuma relação direta com a entrada no Reino do céu, mas o </strong><em><strong>amor pela riqueza tem</strong>.</em> As lealdades espirituais ao Reino são incompatíveis com uma profunda servidão à cobiça materialista. O homem não pode dividir, com uma devoção material, a sua lealdade suprema a um ideal espiritual.</p>
<p>Jesus nunca ensinou que é errado ter riquezas. Apenas aos doze e aos setenta ele pedia que dedicassem todas as suas posses no mundo à causa comum. E, ainda assim, cuidou para que fosse efetuada uma liquidação vantajosa das propriedades deles, como no caso do apóstolo Mateus. Jesus, por muitas vezes, aconselhou aos seus discípulos abastados aquilo que havia ensinado ao homem rico de Roma. O Mestre considerava o sábio investimento dos ganhos excedentes como sendo uma forma legítima de seguro para uma adversidade futura inevitável. Quando a tesouraria apostólica estivera transbordante, Judas colocara os fundos em um depósito a ser utilizado futuramente, quando eles pudessem estar sofrendo de uma diminuição grande na renda. E isso, Judas havia feito depois de consultar-se com André. Jesus nunca teve nada a ver pessoalmente com as finanças apostólicas, exceto quanto ao desembolso para as esmolas. No entanto, por muitas vezes, ele condenou o abuso econômico, tal como a exploração injusta dos fracos, dos ignorantes e dos menos afortunados entre os homens, pelos seus semelhantes mais fortes, mais sagazes e mais inteligentes. Jesus declarou que o tratamento desumano impingido aos homens, mulheres e crianças era incompatível com os ideais de irmandade do Reino do céu.</p>
<p>______</p>
<p><em><strong><a href="http://www.urantia.org/" target="_blank">O Livro de Urântia</a></strong></em>, Documento 163 &#8211; <a href="http://www.urantia.org/pt/o-livro-de-urantia/documento-163-ordenacao-setenta-magadam" target="_blank">A Ordenação dos Setenta em Magadam</a></p>
</blockquote>

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		<title>William James e A Vontade de Crer</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Dec 2010 13:35:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Religião]]></category>
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<p> 
<p><img title="William James" style="border-top-width: 0px; display: block; border-left-width: 0px; float: none; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; margin-right: auto; border-right-width: 0px" height="276" alt="William James" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/12/williamjames.jpg" width="189" border="0" /> </p>
<blockquote><p>“(…) uma defesa de nosso direito de adotar uma atitude crente em assuntos religiosos, a despeito do fato de que nosso intelecto lógico meramente possa não ter sido coagido.”</p>
<p>(…)</p>
<p>“[Hipótese viva] é a que se mostra como uma possibilidade real a quem é proposta.” </p>
<p>(…)</p>
<p>[Se uma hipótese é viva, há uma] “tendência a agir por ela”.</p>
<p>(…)</p>
<p>“Nossa natureza passional não somente pode mas deve legalmente decidir quanto a optar entre proposições, sempre quando é uma opção genuína que não pode, por sua natureza, ser decidida em bases intelectuais.”</p>
<p>(…)</p>
<p>“Os absolutistas (…) dizem que nós não somente podemos atingir o conhecimento da verdade, mas que podemos saber quando atingimos o seu conhecimento; ao passo que o empírico pensa que, embora possamos atingi-la, não podemos infalivelmente saber quando. <em>Saber</em> é uma coisa, e saber ao certo <em>o que</em> conhecemos é outra.”</p>
<p>(…)</p>
<p>“A evidência objetiva e a certeza são, sem dúvida, categorias muito elevadas para o trato, mas onde porém, nesse planeta iluminado pela Lua e visitado pelo sonho, podemos encontrá-las?”</p>
<p>(…)</p>
<p>[Há um conflito entre duas leis distintas:] “Devemos conhecer a verdade” e “Devemos evitar o erro”.</p>
<p>(…)</p>
<p>“Quando nos apegamos à idéia de que há uma verdade (seja de que espécie for), fazemo-lo com toda a nossa natureza e resolvemos ficar de pé ou cair por seus resultados. O cético, com toda a sua natureza, adota a atitude duvidosa; qual de nós, porém, é o mais sábio, só Deus o sabe.”</p>
<p>(…)</p>
<p>“Há, então, casos onde um fato não pode vir de todo, a não ser que exista uma fé preliminar em sua vinda. E onde a fé em um fato pudesse ajudar a criar o fato, seria um lógico insano quem dissesse que a fé correndo adiante da evidência científica é a ‘mais baixa espécie de imoralidade’ na qual um ser pensante pode cair.”</p>
<p>(…)</p>
<p>“Nas verdades dependentes de nossa ação pessoal, então, a fé baseada no desejo é certamente uma coisa legal e possivelmente indispensável.”</p>
<p>(…)</p>
<p>“É melhor arriscar a perda da verdade do que a possibilidade de erro: essa é a posição exata de quem veta a fé.”</p>
<p>(…)</p>
<p>“Pregar ceticismo como um dever até que seja encontrada uma ‘evidência suficiente’ para a religião, é equivalente, portanto, a dizer-nos, quando em presença da hipótese religiosa, que ceder ao medo de ser um erro é mais sábio e melhor do que ceder à esperança de que possa ser verdadeira.”</p>
<p>(…)</p>
<p>“Que prova há de que a tapeação através da esperança é muito pior do que aquela através do medo?”</p>
<p>______</p>
<p>“<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=6808&amp;tipo=2&amp;isbn=8515022524" target="_blank">A Vontade de Crer</a>”, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/William_James" target="_blank">William James</a>.</p>
</blockquote>

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		<title>Como eram os pais terrenos de Jesus?</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Dec 2010 16:45:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
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<p>&#160;<img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px" title="A Sagrada Família" border="0" alt="A Sagrada Família" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/12/sagradafamilia.jpg" width="284" height="184" /> </p>
<blockquote><p>« José era um homem de maneiras suaves, extremamente consciente e, de todos os modos, fiel às convenções e práticas religiosas do seu povo. Falava pouco, mas pensava muito. A condição sofrida do povo judeu causava muita tristeza em José. Na sua juventude, entre os seus oito irmãos e irmãs, ele havia sido mais alegre, mas nos primeiros anos da sua vida de casado (durante a infância de Jesus) esteve sujeito a períodos de um desencorajamento espiritual leve. Essas manifestações do seu temperamento foram bastante atenuadas, um pouco antes da sua morte prematura, depois que a situação econômica da sua família melhorou, em conseqüência do seu progresso, quando passou, de carpinteiro, à posição de um próspero empreiteiro.</p>
<p>« O temperamento de Maria era completamente oposto ao do marido. Geralmente era alegre, muito raramente ficava abatida e possuía uma disposição sempre ensolarada. Maria permitia-se dar livre e freqüente vazão à expressão dos seus sentimentos e emoções e nunca se sentira afligida, até a súbita morte de José. E mal se recuperara desse choque quando teve de enfrentar as ansiedades e perplexidades que se lançaram sobre ela, por causa da carreira extraordinária do seu filho mais velho, que se desenrolou muito rapidamente diante do seu olhar atônito. Mas, durante toda essa experiência inusitada, Maria manteve-se calma, corajosa e bastante sábia no seu relacionamento com o seu estranho e pouco compreendido primogênito e com os irmãos e irmãs ainda vivos dele.</p>
<p>« Muito da doçura especial de Jesus e da sua compreensão compassiva da natureza humana, ele herdara do seu pai; o dom de ser um grande mestre e a sua imensa capacidade de indignar-se, por retidão, ele herdara da sua mãe. Nas reações emocionais ao meio ambiente, na sua vida de adulto, Jesus era também como o seu pai: meditativo e adorador; o que algumas vezes deixava transparecer tristeza, mas, mais freqüentemente, ele conduzia-se de maneira otimista e com a disposição determinada da sua mãe. No conjunto, a tendência era de que o temperamento de Maria dominasse a carreira do filho divino, durante o seu crescimento e nos passos decisivos da sua carreira adulta. Jesus era uma mistura dos traços dos seus pais, em algumas das suas atitudes; em outras ele demonstrava mais as características de um deles do que as do outro.</p>
<p>« De José, Jesus tinha a educação estrita nos usos dos cerimoniais judeus e o conhecimento excepcional das escrituras dos hebreus; de Maria, ele trazia um ponto de vista mais amplo da vida religiosa e um conceito mais liberal da liberdade espiritual pessoal.</p>
<p>« As famílias de ambos, José e Maria, eram bem instruídas para a sua época. José e Maria haviam sido educados muito acima da média da sua época, considerando a sua situação social. Ele, um homem de muito pensar e ela, uma mulher planejadora, dotada de adaptabilidade e prática na execução imediata das coisas. José era moreno, de olhos negros; e Maria era do tipo quase louro, de olhos castanhos.</p>
<p>« Tivesse José vivido mais e ter-se-ia tornado, indubitavelmente, um crente firme na missão do seu filho mais velho. Maria alternava-se, ora acreditando, ora duvidando, sendo grandemente influenciada pela posição tomada pelos seus outros filhos e pela dos seus amigos e parentes, mas sempre era fortalecida, na sua atitude final, pela memória da aparição de Gabriel imediatamente depois que a criança fora concebida.</p>
<p>« Maria era uma hábil tecelã e possuía uma habilidade acima da média na maioria das artes caseiras da época; era uma boa dona-de-casa e muito caprichosa no forno. Tanto José quanto Maria eram bons educadores e cuidaram para que os seus filhos se tornassem bem versados nos ensinamentos da época.</p>
<p>« Quando ainda rapaz, José tinha sido empregado do pai de Maria no trabalho de construir uma extensão da sua casa; e, quando Maria trouxe a José um copo de água, durante a refeição do meio-dia, foi que realmente aqueles dois, destinados a ser os pais de Jesus, começaram a fazer a corte um ao outro.</p>
<p>« José e Maria casaram-se de acordo com os costumes judeus, na casa de Maria, nas proximidades de Nazaré, quando José tinha vinte e um anos de idade. Esse casamento concluiu um noivado normal que durou quase dois anos. Pouco depois se mudaram para a casa em Nazaré, que havia sido construída por José com a ajuda de dois dos seus irmãos. A casa situava-se ao pé de uma elevação que dominava, de modo encantador, a paisagem do campo. Nessa casa, especialmente preparada, esses jovens pais, na expectativa de dar as boas-vindas ao menino prometido, não sabiam que aquele evento, memorável para todo um universo, estava para acontecer enquanto eles estivessem fora de casa, em Belém, na Judéia.</p>
<p>« A parte maior da família de José converteu-se aos ensinamentos de Jesus, mas pouquíssimos entre os da gente de Maria acreditaram nele, antes que ele deixasse este mundo. José inclinava-se mais para o conceito espiritual de um Messias esperado, mas Maria e a sua família, especialmente o seu pai, ativeram-se à idéia de que o Messias seria um libertador temporal e um governante político. Os ancestrais de Maria haviam-se identificado manifestamente com as atividades dos Macabeus ainda recentes naqueles tempos.</p>
<p>« José apegava-se vigorosamente ao ponto de vista oriental, ou Babilônico, da religião judaica; Maria inclinava-se fortemente para a interpretação ocidental, ou helenista, mais liberal e aberta, da lei e dos profetas.»</p>
<p>________</p>
<p>Documento 122: <a href="http://www.urantia.org/pt/o-livro-de-urantia/documento-122-o-nascimento-e-infancia-de-jesus" target="_blank">O Nascimento e a Infância de Jesus</a> <em>in</em> <a href="http://www.urantia.org/pt/o-livro-de-urantia" target="_blank">O Livro de Urântia</a>.</p>
</blockquote>

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		<title>A amizade e o entusiasmo pela vida</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Dec 2010 17:23:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#34;O isolamento tende a exaurir a carga de energia da alma. A associação com os semelhantes é essencial para a renovação do gosto pela vida e é indispensável à manutenção da coragem para lutar nas batalhas conseqüentes da ascensão aos níveis mais elevados da vida humana. A amizade intensifica as alegrias e glorifica os triunfos [...]
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<p> 
<p><img title="urantia" style="border-top-width: 0px; display: block; border-left-width: 0px; float: none; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; margin-right: auto; border-right-width: 0px" height="204" alt="urantia" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/12/urantia.jpg" width="247" border="0" /> </p>
<blockquote><p>&quot;O isolamento tende a exaurir a carga de energia da alma. A associação com os semelhantes é essencial para a renovação do gosto pela vida e é indispensável à manutenção da coragem para lutar nas batalhas conseqüentes da ascensão aos níveis mais elevados da vida humana. A amizade intensifica as alegrias e glorifica os triunfos na vida. As ligações humanas de amor e intimidade tendem a aliviar o sofrimento das penas da vida e a dificuldade de muitas amarguras. A presença de um amigo acentua toda a beleza e exalta toda a bondade. Por meio de símbolos inteligentes, o homem torna-se capaz de vivificar e aumentar as capacidades de apreciação dos seus amigos. <strong>Uma das glórias que coroam as amizades humanas é esse poder e possibilidade de estímulo mútuo da imaginação. Um grande poder espiritual é inerente à consciência da devoção, de todo o coração, a uma causa comum, à lealdade mútua a uma Deidade cósmica</strong>.&quot;</p>
<p>_________</p>
<p><em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=6808&amp;tipo=2&amp;isbn=1883395259 " target="_blank">The Urantia Book</a></em> &#8211; <a href="http://www.urantia.org/pt/o-livro-de-urantia/documento-160-rodam-alexandria" target="_blank">Documento 160: Rodam de Alexandria</a></p>
</blockquote>

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		<title>José Antônio de Almeida Prado (1943-2010)</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Nov 2010 07:56:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Domingo, dia 21 de Novembro, faleceu em São Paulo o compositor erudito José Antônio de Almeida Prado, membro da Academia Brasileira de Música e ex-aluno de Olivier Messiaen, compositor que, num campo de concentração nazista, compôs o Quarteto para o Fim dos Tempos. Conheci Almeida Prado em 1999, na Casa do Sol, residência da escritora [...]
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<p><object width="500" height="400"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/aCP1nSL7nOQ?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;color1=0xe1600f&amp;color2=0xfebd01"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/aCP1nSL7nOQ?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;color1=0xe1600f&amp;color2=0xfebd01" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="500" height="400"></embed></object><BR><BR></p>
<p>Domingo, dia 21 de Novembro, faleceu em São Paulo o compositor erudito <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Ant%C3%B4nio_Rezende_de_Almeida_Prado" target="_blank">José Antônio de Almeida Prado</a>, membro da Academia Brasileira de Música e ex-aluno de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Olivier_Messiaen" target="_blank">Olivier Messiaen</a>, compositor que, num campo de concentração nazista, compôs o <I>Quarteto para o Fim dos Tempos</I>. Conheci Almeida Prado em 1999, na Casa do Sol, residência da escritora <a href="http://angelfire.com/ri/casadosol/hhilst.html" target="_blank">Hilda Hilst</a>, sua prima. Nos dois anos em que lá morei, ele nos visitou em três ocasiões. Tínhamos longas conversas sobre arte, música, religião ― ele era católico ― e outros temas não muito ortodoxos. Num dia em que o acompanhei até uma farmácia para comprar insulina ― ele era diabético ―, Almeida Prado me disse: &#8220;Hildinha falou que você também está lendo sobre projeções astrais. É verdade?&#8221; Envergonhado como um garoto que tem as <i>Playboys</i> e <i>Hustlers</i> confiscadas pela mãe, que, por puro acaso, levantara o colchão para trocar aquele imundo lençol, comecei a gaguejar, afinal, não saio por aí revelando a meus amigos intelectuais, acadêmicos ou semelhantes tais gostos pervertidos de leitura. E ele: &#8220;É que tenho uma história que nunca contei a ninguém mas que gostaria de lhe contar&#8221;. Ufa, pensei. E acrescentei: &#8220;Manda bala, sou todo Ovídios&#8221;. E eis o que ouvi:</p>
<p>&#8220;Na noite em que comecei a compor o movimento das &#8216;Cartas Celestes&#8217; que trata de Urano, fui acometido, ao piano, por um cansaço enorme, por um peso dolorido na nuca. Vendo que já era demasiado tarde ― e aproveitando que estava mesmo tendo dificuldades com a composição ― pus a um lado as partituras, o lápis e fui me deitar: &#8216;melhor retomar amanhã, quando estiver com melhor disposição&#8217;. Já na cama, deitado de costas, fiquei pensando no meu trabalho, na importância que aquela obra teria para mim e tal e, assim, fui caindo naquela letargia que antecede o sono. De repente, senti, sabe?, aquele tranco e, meio aflito, abri os olhos: Yuri, que susto! Eu estava flutuando em cima do telhado da minha casa! Quando eu já começava a me desesperar, acreditando estar morto, surgiu à minha frente uma esfera de luz azul que, rapidamente, veio a meu encontro e se chocou comigo. Na mesma hora já me vi dentro de uma espécie de tubo muito comprido ― aliás, as laterais pareciam a superfíce de um desses muros chapiscados ―, o qual me sugava como um aspirador. Quando a viagem acabou ― parecia uma viagem de elevador sem a inércia ― eu me encontrei flutuando sobre uma planície muito bonita e sob um céu de uma tonalidade e luz que eu nunca vira: esta não é a Terra, pensei. &#8216;Você está em Urano&#8217;, disse calmamente uma voz ao meu lado. Olhei em sua direção e vi um homem bastante alto, vestindo apenas uma túnica: &#8216;Não tenha medo, não vou lhe fazer mal.&#8217; e, pegando-me pela mão, me levou a sobrevoar a região. Depois de me mostrar tudo ― vi diversos prédios afastados uns dos outros, como em Brasília, mas sem o menor sinal de ruas ― ele me olhou diretamente nos olhos e falou com bondade e firmeza: &#8216;Você notou? Não há o menor sinal de conflito aqui. Todos os que aqui estão vieram em missão de paz. Estamos aqui para ajudar seu planeta. Não estamos em guerra com ninguém. Portanto, volte ao seu trabalho e refaça todo o movimento sobre Urano das suas &#8216;Cartas Celestes&#8217;. Se permanecer como está, você estará mentindo, transmitindo uma mensagem falsa sobre nossa missão. Vá com Deus!&#8221; E, de súbito, a esfera de luz azul, vinda não sei de onde, chocou-se novamente comigo. Refiz o percurso pelo tubo de muro chapiscado e, então, sofri novo tranco, já em minha cama. Levantei elétrico, os pelos arrepiados, o corpo formigando. Corri para o piano e, de uma só vez, compus todo o novo movimento sobre Urano. E o cara tinha razão: antes ele estava muito <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Igor_Stravinsky" target="_blank">Stravinsky</a>, muito &#8216;Sagração da Primavera&#8217;.&#8221;</p>
<p>Ao terminar seu relato, Almeida Prado me disse: &#8220;Não vai sair contando isso por aí não, Yuri [ooops!], senão vão achar que tô doido e vão me tirar da UNICAMP. Se alguém me perguntar, não vou negar, mas também não vou confirmar&#8221;. E ria.</p>
<p>Em outra ocasião, Almeida Prado me falou de sua viagem até <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Medjugorje" target="_blank">Medjugorje</a>, na ex-Iugoslávia (Bósnia), aonde se dirigiu atraído pelos relatos da aparição de Nossa Senhora. Juntamente com outras dezenas de pessoas viu uma cruz de luz sobre <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Monte_Kri%C5%BEevac" target="_blank">Krizevak</a>, a Montanha da Cruz. Uma chuva com cheiro de rosas caía sobre todos. Havia quase cem pessoas ali, mas nem todas eram capazes de enxergar a cruz. Comovido pela dádiva de poder vê-la, Almeida Prado se ajoelhou para orar e, então, ouviu a voz da mensageira celeste a falar em seu ouvido. Sentiu que ela o abraçava e o confortava. Disse-me que ela discorreu sobre seus problemas pessoais e o consolou. Sob a chuva, ele chorou de alegria. Sintetizou a experiência na composição para piano &#8220;Rosário de Medjugorje&#8221;.</p>
<p>Assim como <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jacques_Bergier" target="_blank">Jacques Bergier</a> e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Louis_Pauwels" target="_blank">Louis Pauwels</a> tão bem colocavam, acredito que nosso universo não pode ter outra natureza senão a do fantástico, a do imprevisível. Almeida Prado acreditava no mesmo e, quando encontrava pessoas que compartilhavam a mesma convicção, desfiava suas histórias. </p>
<p>Tenha uma boa viagem, amigo. Vá com Deus.</p>

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		<pubDate>Sat, 06 Nov 2010 10:09:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
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<p> 
<p><img title="Fiódor Dostoiévski" style="border-top-width: 0px; display: block; border-left-width: 0px; float: none; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; margin-right: auto; border-right-width: 0px" height="258" alt="Fiódor Dostoiévski" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/11/dostoievski.jpg" width="202" border="0" /> </p>
<blockquote><p>« Tornou a fazer um dia morno e claro. Na manhã seguinte, às seis, ele encaminhou-se para o trabalho, na margem do rio, onde, debaixo dum telheiro, estava instalado o forno para o calcário, ao qual o tinham destinado. Enviaram para ali, ao todo, três operários. Um dos presos foi com a sentinela ao forte, buscar uma ferramenta; outro pôs-se a preparar a lenha para aquecer o forno. Raskólhnikov saiu do telheiro e dirigiu-se para a margem, sentou-se numa viga estendida ao longo do muro e ficou olhando o rio longo e deserto. Da margem elevada descobria-se um vasto espaço. Da outra margem longínqua mal chegava o eco duma canção. Ali, na estepe infindável, banhada pelo sol, apareciam pontos negros quase imperceptíveis, as tendas dos nômades. Para além havia liberdade e viviam outras pessoas, completamente diferentes das de aquém; ali era como se o tempo tivesse parado e não tivesse passado o século de Abraão e dos seus rebanhos. Raskólhnikov permanecia sentado e olhava fixamente, sem desviar os olhos; o seu pensamento transformou-se num desvario, numa contemplação; não pensava em nada, mas uma certa tristeza o comovia e afligia.</p>
<p>« De repente, Sônia apareceu junto dele. Aproximou-se com um passo quase imperceptível e sentou-se ao seu lado. Ainda era muito cedo; corria ainda a frescura matinal. Ela trazia uma pobre e velha capa e um lencinho verde. O seu rosto mostrava ainda sinais da doença, emagrecera, estava pálida, de feições vincadas. Sorriu-lhe afetuosa e alegremente, mas, conforme era seu costume, estendeu-lhe timidamente a mão. Estendialhe sempre a mão com timidez, às vezes nem chegava quase a dar-lha completamente, como se receasse um insucesso. Ele lhe aceitava sempre a mão como se o fizesse de má vontade, parecia sempre acolhê-la com contrariedade, às vezes conservava um silêncio obstinado durante todo o tempo da sua visita. E então ela tremia diante dele e partia profundamente entristecida. Mas, agora, as suas mãos não se soltaram; ele lhe lançou um olhar rápido; não disse nada e baixou os olhos. Estavam sós; ninguém os via. A sentinela tinha-se afastado naquele momento.</p>
<p>« Como aquilo foi, nem eles próprios o sabiam; mas, de repente, houve qualquer coisa que pareceu apoderar-se dele e fez com que ele se deitasse aos pés dela. Chorava e abraçava os seus joelhos. No primeiro momento ela ficou muito assustada e o seu rosto tornou-se parecido com o de uma morta. Saltou do seu lugar e, toda a tremer, ficou olhando para ele. Mas compreendeu tudo, imediatamente, naquele mesmo instante. Nos seus olhos brilhou uma infinita felicidade; compreendia, e para ela já não havia dúvida de que ele a amava, a amava infinitamente, e que chegara finalmente o momento.</p>
<p>« Quiseram falar, mas não lhes foi possível. Havia lágrimas nos seus olhos. Estavam ambos pálidos e abatidos; mas naqueles rostos doentios e pálidos brilhava já a aurora de um renovado futuro, de uma plena ressurreição para uma nova vida. O amor ressuscitava-os, o coração de um encerrava infinitas fontes de vida para o coração do outro. Resolveram esperar e ter paciência. A ele, ainda lhe faltavam sete anos; e, até então, quantos sofrimentos insuportáveis e quanta felicidade infinita! Ele ressuscitara e sabia-o, sentia-o em todo o seu ser renovado, e ela&#8230; ela vivia unicamente da vida dele! Na noite desse mesmo dia, quando já tinham fechado os alojamentos, Raskólhnikov estava deitado nas esteiras e pensava nela. Nesse dia até se lhe afigurava que todos os presos, que antes tinham sido seus inimigos, o olhavam já com outros olhos. Até falava com eles e lhes respondia afetuosamente. Agora recordava-o, mas não teria de ser assim: não deveria talvez, agora, mudar tudo? Pensava nela. Lembrava-se de como a mortificara continuamente, destroçando-lhe o coração; recordava o seu rostozinho pálido, mas, agora, essas recordações quase não o afligiam; sabia com que infinito amor ia recompensar agora as suas dores. E que eram agora todos, todos aqueles sofrimentos do passado? Tudo, até o seu crime, até a sua condenação e deportação lhe pareciam agora, nesta primeira exaltação, um fato exterior, alheio, como se não tivesse relações com ele. Aliás, nessa noite não podia pensar longa e fixamente em nada, concentrar o pensamento em qualquer coisa; tampouco poderia resolver, então, conscientemente, o que quer que fosse; a única coisa que fazia era sentir. Em vez da dialética surgia a vida, e já na sua consciência devia elaborar-se algo de totalmente distinto.</p>
<p>« Tinha o Evangelho debaixo da almofada. Pegou-o maquinalmente. Aquele livro era dela, pois era o mesmo em que ela lera a passagem da Ressurreição de Lázaro. Nos primeiros tempos do presídio pensava que ela havia de importuná-lo com a religião e que se poria a falar do Evangelho e a aborrecê-lo com o livreco. Mas, com o maior assombro da sua parte, nem uma só vez ela lhe falou nisso, nem uma vez sequer lhe tinha proposto o Evangelho. Fora ele quem lho pedira, um pouco antes de ter adoecido, e ela levou-lho em silêncio. Até então ele nem sequer o abrira. Agora também não o abriu, mas ocorreu-lhe um pensamento: &quot;Poderia, por agora, a sua crença, não ser a minha também? Pelo menos os seus sentimentos, as suas aspirações&#8230;&quot; Ela esteve também comovida todo aquele dia e, à noite, voltou a ficar doente. Mas era feliz a tal ponto que quase a assustava a sua felicidade. Sete anos, só sete anos! No princípio da sua felicidade, houve alguns momentos em que tinham estado dispostos a considerar aqueles sete anos como sete dias. Ele nem sequer sabia que a vida nova não lhe seria dada gratuitamente, mas que ainda teria de comprá-la caro, pagar por ela uma grande façanha futura&#8230;</p>
<p>« Mas aqui começa já uma nova história, a história da gradual renovação de um homem, a história do seu trânsito progressivo dum mundo para outro, do seu contato com outra realidade nova, completamente ignorada até ali. Isto poderia constituir o tema duma nova narrativa&#8230; mas a nossa presente narrativa termina aqui.»</p>
<p>______</p>
<p><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/154338/?franq=140868" target="_blank"><em>Crime e Castigo</em></a>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fi%C3%B3dor_Dostoi%C3%A9vski" target="_blank">Fiódor Dostoiévski</a>.</p>
</blockquote>

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		<title>Jiv Jago, Jiv Jago: &#8220;Despertem, almas dormentes! Despertem!&#8221;</title>
		<link>http://blogdo.yurivieira.com/2010/10/jiv-jago-jiv-jago-despertem-almas-dormentes-despertem/</link>
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		<pubDate>Fri, 22 Oct 2010 11:53:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Áudio]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Nome: Jiv Jago Jiv Jago Nome oficial: Arunodaya Kirtana canção 2 Autor: Bhaktivinoda Thakura Livro: Gitavali Idioma: Bengali Download audio file (jiv_jago.mp3) Letra: (1) jīv jāgo, jīv jāgo, gauracānda bole kota nidrā jāo māyā-piśācīra kole (2) bhajibo boliyā ese saḿsāra-bhitare bhuliyā rohile tumi avidyāra bhare (3) tomāre loite āmi hoinu avatāra āmi binā bandhu āra [...]
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<p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-1404  aligncenter" title="Bhaktivinoda Thakura" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/10/takur.jpg" alt="Bhaktivinoda Thakura" width="214" height="235" /></p>
<p><strong>Nome:</strong> <em>Jiv Jago Jiv Jago</em><br />
<strong>Nome oficial:</strong> Arunodaya Kirtana canção 2<br />
<strong>Autor:</strong> Bhaktivinoda Thakura<br />
<strong>Livro:</strong> Gitavali<br />
<strong>Idioma:</strong> Bengali</p>
<p><a href="http://kksongs.org/audio/jiv_jago.mp3">Download audio file (jiv_jago.mp3)</a></p>
<blockquote><p><strong>Letra:</strong></p>
<p>(1)<br />
jīv jāgo, jīv jāgo, gauracānda bole<br />
kota nidrā jāo māyā-piśācīra kole</p>
<p>(2)<br />
bhajibo boliyā ese saḿsāra-bhitare<br />
bhuliyā rohile tumi avidyāra bhare</p>
<p>(3)<br />
tomāre loite āmi hoinu avatāra<br />
āmi binā bandhu āra ke āche tomāra</p>
<p>(4)<br />
enechi auṣadhi māyā nāśibāro lāgi&#8217;<br />
hari-nāma mahā-mantra lao tumi māgi&#8217;</p>
<p>(5)<br />
bhakativinoda prabhu-caraṇe pariyā<br />
sei hari-nāma-mantra loilo māgiyā</p></blockquote>
<p><strong>Tradução:</strong></p>
<p>1) O Senhor Gaurānga está chamando, &#8220;Despertem, almas dormentes! Despertem, almas dormentes! Quanto tempo irão dormir no colo da bruxa chamada Māyā?</p>
<p>2) Vocês esqueceram o caminho do serviço devocional e estão perdidos no mundo do nascimento e morte.</p>
<p>3) Eu desci para salvá-los; vocês não tem outro amigo além de Mim neste mundo.</p>
<p>4) Eu trouxe o remédio que irá acabar com a doença da ilusão da qual estão sofrendo. Tomem este mahā-mantra-Hare Kṛṣṇa, Hare Kṛṣṇa, Kṛṣṇa Kṛṣṇa, Hare Hare/Hare Rāma, Hare Rāma Rāma Rāma, Hare Hare.&#8221;</p>
<p>5) Śrīla Bhaktivinoda Thākura diz: &#8220;Ao tomar este mahā-mantra, eu caí aos pés do Senhor.&#8221;</p>
<p>Fonte: <a href="http://kksongs.org/songs/j/jivjago.html" target="_blank">kksongs.org</a></p>
<p>PS.: A música é bonita, a letra também, mas o mantra não tá funcionando comigo não&#8230;</p>

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		<title>Alguns poemas de Augusto dos Anjos</title>
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		<comments>http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/alguns-poemas-de-augusto-dos-anjos/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 30 Sep 2010 11:34:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Mujeres]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[escritores]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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<p><strong> </strong></p>
<p><strong><img style="display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; border: 0px;" title="Augusto dos Anjos" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/09/augusto_anjos.jpg" border="0" alt="Augusto dos Anjos" width="187" height="243" /> </strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>O COVEIRO</strong></p>
<p style="text-align: center;">Uma tarde de abril suave e pura<br />
Visitava eu somente ao derradeiro<br />
Lar; tinha ido ver a sepultura<br />
De um ente caro, amigo verdadeiro.<br />
Lá encontrei um pálido coveiro<br />
Com a cabeça para o chão pendida;<br />
Eu senti a minh&#8217;alma entristecida<br />
E interroguei-o: &#8220;Eterno companheiro<br />
Da morte, quem matou-te o coração?&#8221;<br />
Ele apontou para uma cruz no chão,<br />
Ali jazia o seu amor primeiro!<br />
Depois, tomando a enxada, gravemente,<br />
Balbuciou, sorrindo tristemente:<br />
- &#8220;Ai, foi por isso que me fiz coveiro!&#8221;</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><strong>O LUPANAR</strong></p>
<p style="text-align: center;">Ah! Por que monstruosíssimo motivo<br />
Prenderam para sempre, nesta rede,<br />
Dentro do ângulo diedro da parede,<br />
A alma do homem polígamo e lascivo?!<br />
Este lugar, moços do mundo, vede:<br />
É o grande bebedouro coletivo,<br />
Onde os bandalhos, como um gado vivo,<br />
Todas as noites, vêm matar a sede!<br />
É o afrodístico leito do hetairismo,<br />
A antecâmara lúbrica do abismo,<br />
Em que é mister que o gênero humano entre,<br />
Quando a promiscuidade aterradora<br />
Matar a última força geradora<br />
E comer o último óvulo do ventre!</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><strong>O MARTÍRIO DO ARTISTA</strong></p>
<p style="text-align: center;">Arte ingrata! E conquanto, em desalento,<br />
A órbita elipsoidal dos olhos lhe arda,<br />
Busca exteriorizar o pensamento<br />
Que em suas fronetas células guarda!<br />
Tarda-lhe a Idéia! A inspiração lhe tarda!<br />
E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento,<br />
Como o soldado que rasgou a farda<br />
No desespero do último momento!<br />
Tenta chorar e os olhos sente enxutos!&#8230;<br />
É como o paralítico que, à míngua<br />
Da própria voz e na que ardente o lavra<br />
Febre de em vão falar, com os dedos brutos<br />
Para falar, puxa e repuxa a língua,<br />
E não lhe vem à boca uma palavra!</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><strong>O MORCEGO</strong></p>
<p style="text-align: center;">Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.<br />
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:<br />
Na bruta ardência orgânica da sede,<br />
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.<br />
&#8220;Vou mandar levantar outra parede&#8230;&#8221;<br />
- Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho<br />
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,<br />
Circularmente sobre a minha rede!<br />
Pego de um pau. Esforços faço. Chego<br />
A tocá-lo. Minh&#8217;alma se concentra.<br />
Que ventre produziu tão feio parto?!<br />
A Consciência Humana é este morcego!<br />
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra<br />
Imperceptivelmente em nosso quarto!</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><strong>A ESPERANÇA</strong></p>
<p style="text-align: center;">A Esperança não murcha, ela não cansa,<br />
Também como ela não sucumbe a Crença.<br />
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,<br />
Voltam sonhos nas asas da Esperança.<br />
Muita gente infeliz assim não pensa;<br />
No entanto o mundo é uma ilusão completa,<br />
E não é a Esperança por sentença<br />
Este laço que ao mundo nos manieta?<br />
Mocidade, portanto, ergue o teu grito,<br />
Sirva-te a Crença de fanal bendito,<br />
Salve-te a glória no futuro &#8211; avança!<br />
E eu, que vivo atrelado ao desalento,<br />
Também espero o fim do meu tormento,<br />
Na voz da Morte a me bradar; descansa!</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><strong>AMOR E CRENÇA</strong></p>
<p style="text-align: center;">Sabes que é Deus? Esse infinito e santo<br />
Ser que preside e rege os outros seres,<br />
Que os encantos e a força dos poderes<br />
Reúne tudo em si, num só encanto?<br />
Esse mistério eterno e sacrossanto,<br />
Essa sublime adoração do crente,<br />
Esse manto de amor doce e clemente<br />
Que lava as dores e que enxuga o pranto?<br />
Ah! Se queres saber a sua grandeza<br />
Estende o teu olhar à Natureza,<br />
Fita a cúp&#8217;la do Céu santa e infinita!<br />
Deus é o Templo do Bem. Na altura imensa,<br />
O amor é a hóstia que bendiz a crença,<br />
Ama, pois, crê em Deus e&#8230; sê bendita!</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><strong>AMOR E RELIGIÃO</strong></p>
<p style="text-align: center;">Conheci-o: era um padre, um desses santos<br />
Sacerdotes da Fé de crença pura,<br />
Da sua fala na eternal doçura<br />
Falava o coração. Quantos, oh! Quantos<br />
Ouviram dele frases de candura<br />
Que d&#8217;infelizes enxugavam prantos!<br />
E como alegres não ficaram tantos<br />
Corações sem prazer e sem ventura!<br />
No entanto dizem que este padre amara.<br />
Morrera um dia desvairado, estulto,<br />
Su&#8217;alma livre para o céu se alara.<br />
E Deus lhe disse: &#8220;És duas vezes santo,<br />
Pois se da Religião fizeste culto,<br />
Foste do amor o mártir sacrossanto.&#8221;</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><strong>SONETO</strong></p>
<p style="text-align: center;">A praça estava cheia. O condenado<br />
Transpunha nobremente o cadafalso,<br />
Puro do crime, isento de pecado,<br />
Vítima augusta de indelével falso.</p>
<p style="text-align: center;">E na atitude do Crucificado,<br />
O olhar azul pregado n&#8217;amplidão,<br />
Pude rever naquele desgraçado<br />
O drama lutuoso da Paixão.</p>
<p style="text-align: center;">Quando do algoz cruento o braço alçado<br />
Se dispunha a vibrar sem compaixão<br />
O golpe na cabeça do culpado</p>
<p style="text-align: center;">Ele, o algoz &#8211; o criminoso &#8211; então,<br />
Caiu na praça como fulminado<br />
A soluçar: perdão, perdão, perdão!</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><strong>ARIANA</strong></p>
<p style="text-align: center;">Ela é o tipo perfeito da ariana.<br />
Branca, nevada, púbere, mimosa,<br />
A carne exuberante e capitosa<br />
Trescala a essência que de si dimana.</p>
<p style="text-align: center;">As níveas pomas do candor da rosa,<br />
Rendilhando-lhe o colo de sultana,<br />
Emergem da camisa cetinosa<br />
Entre as rendas sutis de filigrana.</p>
<p style="text-align: center;">Dorme talvez. Em flácido abandono<br />
Lembra formosa no seu casto sono<br />
A languidez dormente da indiana.</p>
<p style="text-align: center;">Enquanto o amante pálido, a seu lado,<br />
Medita, a fronte triste, o olhar velado,<br />
No Mistério da Carne Soberana.</p>
<p style="text-align: center;">______</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/27467/?franq=140868" target="_blank"><em>Eu e Outras Poesias</em></a>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_dos_Anjos" target="_blank"><strong>Augusto dos Anjos</strong></a></p>
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		<title>Henfil: &#8220;Tenho que sobreviver, entende?&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Sep 2010 12:46:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
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		<description><![CDATA[Fonte: &#34;365 &#8211; Seleção de Leitura e Informação&#34;, Editora ABZ, 1973(?). N&#227;o h&#225; posts relacionados.
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<h5 align="center">Fonte: &quot;365 &#8211; Seleção de Leitura e Informação&quot;, Editora ABZ, 1973(?).</h5>

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		<title>O &#234;xtase religioso de Murilo Mendes</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Sep 2010 12:22:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
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<p> 
<p><img title="Murilo Mendes" style="border-top-width: 0px; display: block; border-left-width: 0px; float: none; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; margin-right: auto; border-right-width: 0px" height="240" alt="Murilo Mendes" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/09/murilo_mendes.jpg" width="175" border="0" /> </p>
<blockquote><p>Contextualizando: em 1921, o poeta mineiro <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Murilo_Mendes" target="_blank">Murilo Mendes</a> inicia uma profunda amizade com o pintor <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ismael_Nery" target="_blank">Ismael Nery</a>, católico de linhagem “essencialista”, cunhada por ele mesmo sobre bases supostamente tomistas. Quando Nery, que exercia uma influência notável sobre o amigo poeta, faleceu, Murilo passou por uma catarse religiosa em pleno velório, que o levaria a se converter definitivamente ao Catolicismo. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Nava" target="_blank">Pedro Nava</a><strong></strong>, no livro de memórias “<a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/244033/?franq=140868" target="_blank">O Círio Perfeito</a><strong></strong>”, relata assim o episódio ocorrido em 6 de abril de 1934:</p>
<p>“O terceiro fato ocorrido no velório de Ismael Nery e que ficou para sempre gravado na memória do Egon foi a conversão instantânea de Murilo Mendes. (&#8230;) Todos como que cochichavam, abafados pela solenidade do momento. De repente, uma fala começou a ser percebida. Parecia no princípio uma lamentação, depois um encadeado de frases tumultuando na excitação de uma palestra, que depois se elevou como uma discussão, subiu, cresceu, tomou conta do pátio feito um atroado de altercação e disputa, clamores como num discurso e gritos.</p>
<p>Era o Murilo bradando no escuro. Era uma espécie de arenga, com fluxos de onda – ora recuando e baixando, ora avançando, subindo e enchendo a noite com seus rebôos graves e seus ecos mais pontudos. Os do portão foram se aproximando numa curiosidade de roda estupefata e calada em cujo centro um Murilo, pálido de espanto ou como de um alumbramento, gesticulava e se debatia como se estivesse atracado por sombras invisíveis. Só ele as via e aos anjos e arcanjos que anunciava pelos nomes indesvendáveis que têm no Peito do Eterno ocultos para todos os mais. E soltava um encadeado de frases que no princípio fora só um cicio, que tomara corpo e dera naquela berro alucinado. O José Martinho logo segredou ao Egon:</p>
<p>- Isto é uma crise nervosa do Murilo. Vamos dar a ele um Gardenal e obrigá-lo a encostar-se um pouco. Onde é que você deixou o vidrinho?</p>
<p>- Está aqui comigo, no bolso&#8230; Deixa eu ir buscar um pouco de água.</p>
<p>O médico correu, mas quando voltou com o copo e o comprimido já na mão, ficou tão bestificado com a expressão do Murilo que recuou, colocou num peitoril a vasilha e o remédio e voltou para acompanhar o drama que se desenrolava dentro do amigo e tomava sua alma que nem avalanche.</p>
<p>Seus olhos agora cintilavam e dele todo desprendia-se a luminosidade do raio que o tocara. E não parava a catadupa de suas palavras todas altas e augustas como se ele estivesse envultado pelos profetas e pelas sibilas que estão misturados nos firmamentos da capela Sistina. Ele disse primeiro, longamente, de como sentia- se penetrado pela essência do Ismael Nery e seu espírito religioso. Falava dos anjos que estavam ali com ele – já não mais como as imagens poéticas que habitavam seus versos, mas dos que se incorporavam nele, que recebia também a alma do amigo morto.</p>
<p>Finalmente, Murilo clamou mais alto – DEUS! – e com a mão direita castigou o próprio peito e mais duramente o coração. Não, pensava o Egon, não é caso para Gardenal. O José Martinho está errado. O Murilo não está nervoso. O negócio é mais complexo&#8230; O que ele está é sendo arrebatado num êxtase e o que eu estou vendo é o que viram os acompanhantes na estrada de Damasco quando Saulo rolou do cavalo e foi fulminado pela luz suprema. É isto. Exista ou não essa luz e esse fogo – neles ou na sua impressão o Murilo acaba de encadear-se. Está se queimando todo nas chamas que descem como lavas do Coração paramonte de Jesus Cristo Nosso Senhor.</p>
<p>Quando subitamente calou-se, o poeta retomou o velório do amigo – sério como Moisés descendo do Sinai, e foi assim e sem dizer palavra mais que ele acompanhou o corpo ao cemitério. Deste saiu sozinho e foi direto procurar os monges nas catacumbas do Mosteiro São Bento. Quando, três dias depois, ressurgiu para os homens, tinha deixado de ser o antigo iconoclasta, o homem desvairado, o poeta do poema piada e o sectário de Marx e Lênin. Estava transformado no ser ponderoso, cheio de uma seriedade de pedra e no católico apostólico romano que seria até o fim de sua vida. Descrevera volta de cento e oitenta graus. Sua poesia tornara-se mais pura e trazia a mensagem secreta da face invisível dos satélites”.</p>
<p>_______ </p>
<p><em><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/142360/?franq=140868" target="_blank">A Trama Poética de Murilo Mendes</a></em>, de Leila Maria Fonseca Barbosa e Marisa Timponi Pereira Rodrigues. Editora Lacerda Editores, 2000. Páginas 88-89.</p>
</blockquote>
<p>Recebi o texto acima de <a href="http://twitter.com/rafaelguedezz" target="_blank">Rafael Guedes</a>, que o transcreveu, e a quem muito agradeço. De fato, um registro marcante que vale a pena ser divulgado.</p>

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		<title>&#8220;Grande Sert&#227;o: Veredas&#8221;: as p&#233;rolas de sabedoria de Riobaldo</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Sep 2010 19:10:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
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<p><img style="display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; border-width: 0px;" title="Guimarães Rosa" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/09/rosa.jpg" border="0" alt="Guimarães Rosa" width="208" height="251" /></p>
<blockquote><p>«‘Que-Diga’? Doideira. A fantasiação. E, o respeito de dar a ele assim esses nomes de rebuço, é que é mesmo um querer invocar que ele forme forma, com as presenças!»</p>
<p>*</p>
<p>« Compadre meu Quelemém descreve que o que revela efeito são os baixos espíritos descarnados, de terceira, fuzuando nas piores trevas e com ânsias de se travarem com os viventes – dão ‘encosto’.»</p>
<p>*</p>
<p>« Explico ao senhor: o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem – ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos. Solto, por si, cidadão, é que não tem diabo nenhum.»</p>
<p>*</p>
<p>« O diabo existe e não existe? Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso…»</p>
<p>*</p>
<p>« O senhor não duvide – tem gente, neste aborrecido mundo, que mata só para ver alguém fazer careta…»</p>
<p>*</p>
<p>« Eu sou é eu mesmo. Divêrjo de todo mundo… Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.»</p>
<p>*</p>
<p>« Viver é muito perigoso… Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar. Esses homens! Todos puxavam o mundo para si, para o concertar consertado.»</p>
<p>*</p>
<p>« Moço!: Deus é paciência. O contrário, é o diabo.»</p>
<p>*</p>
<p>« Compadre meu Quelemém nunca fala vazio, não subtrata. Só que isto a ele não vou expor. A gente nunca deve de declarar que aceita inteiro o alheio – essa é que é a regra do rei!»</p>
<p>*</p>
<p>« E, outra coisa: o diabo, é às brutas; mas Deus é traiçoeiro!»</p>
<p>*</p>
<p>« Eu cá não madruguei em ser corajoso; isto é: coragem em mim era variável.»</p>
<p>*</p>
<p>« Acho proseável.»</p>
<p>*</p>
<p>« Às vezes eu penso: seria o caso de pessoas de fé e posição se reunirem, em algum apropriado lugar, no meio dos gerais, para se viver só em altas rezas, fortíssimas, louvando a Deus e pedindo glória do perdão do mundo. Todos vinham comparecendo, lá se levantava enorme igreja, não havia mais crimes, nem ambição, e todo sofrimento se espraiava em Deus, dado logo, até a hora de cada uma morte cantar. Raciocinei isso com compadre meu Quelemém, e ele duvidou com a cabeça: –‘Riobaldo, a colheita é comum, mas o capinar é sozinho…’ – ciente me respondeu.»</p>
<p>*</p>
<p>« Guerra diverte – o demo acha.»</p>
<p>*</p>
<p>« Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar – é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim dá certo. Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma!»</p>
<p>*</p>
<p>« Ah, medo tenho não é de ver morte, mas de ver nascimento. Medo mistério. O senhor não vê? O que não é Deus, é estado do demônio. Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver – a gente sabendo que ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo. O inferno é um sem-fim que não se pode ver. Mas a gente quer Céu é porque quer um fim: mas um fim com depois dela a gente tudo vendo.»</p>
<p>*</p>
<p>« Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.»</p>
<p>*</p>
<p>« Viver é um descuido prosseguido.»</p>
<p>*</p>
<p>« Um homem consegue intrujar de tudo; só de ser inteligente e valente é que muito não pode.»</p>
<p>*</p>
<p>« Cada hora, de cada dia, a gente aprende uma qualidade nova de medo!»</p>
<p>*</p>
<p>« O mal ou o bem, estão é em quem faz; não é no efeito que dão.»</p>
<p>*</p>
<p>« O senhor é homem de pensar o dos outros como sendo o seu, não é criatura de pôr denúncia.»</p>
<p>*</p>
<p>« Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância.»</p>
<p>*</p>
<p>« Pensar mal é fácil, porque esta vida é embrejada.»</p>
<p>*</p>
<p>« Comigo, as coisas não têm hoje e ant’ontem amanhã: é sempre.»</p>
<p>*</p>
<p>« Não sabe que quem é mesmo inteirado valente, no coração, esse também não pode deixar de ser bom?!» (<em>Essa é do, da, ah, você sabe, da Diadorim.</em>)</p>
<p>*</p>
<p>« Nasci devagar. Sou é muito cauteloso.»</p>
<p>*</p>
<p>« O que eu vi, sempre, é que toda ação principia mesmo é por uma palavra pensada.»</p>
<p>*</p>
<p>« O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto; dificultoso, mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até no rabo da palavra.»</p>
<p>*</p>
<p>« (…) peguei saudade dos passarinhos de lá, do poço no córrego, do batido do monjolo dia e noite, da cozinha grande com fornalha acesa, dos cômodos sombrios da casa, dos currais adiante, da varanda de ver nuvens.» (<em>Esse trecho vai aqui apenas porque é a descrição exata da fazenda da </em><a href="http://blog.karaloka.net/2005/04/30/cu-do-capeta/" target="_blank"><em>minha avó</em></a>.)</p>
<p>*</p>
<p>« Amigo? Aí foi isso que eu entendi? Ah, não; amigo, para mim é diferente. Não é um ajuste de um dar serviço ao outro, e receber, e saírem por este mundo, barganhando ajudas, ainda que sendo com o fazer a injustiça aos demais. Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou-amigo-é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é.»</p>
<p>*</p>
<p>« A natureza da gente é muito segundas-e-sábados.»</p>
<p>*</p>
<p>« Quanto pior mais baixo se caiu, maismente um carece próprio de se respeitar.»</p>
<p>*</p>
<p>« Medo de errar é a minha paciência.»</p>
<p>*</p>
<p>« Do escurão, tudo é mesmo possível.»</p>
<p>*</p>
<p>« (…) mulher que não ria – esse lenho seco.»</p>
<p>_________</p>
<p><em><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/31884/?franq=140868" target="_blank">Grande Sertão: Veredas</a></em>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Guimar%C3%A3es_Rosa" target="_blank">Guimarães Rosa</a>.</p></blockquote>

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