Blog do Yuri

palavras aos homens e mulheres da Madrugada

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Outro “causo” do Bruno Tolentino

tolentino

Às vezes me vêm à lembrança algumas conversas marcantes que tive com o poeta Bruno Tolentino. Ele tinha o costume de pilheriar no tom mais sério e, caso o interlocutor não percebesse o humor clandestino, seguia em frente, como se nada tivesse acontecido. Sempre com a ironia mais fina, inglesa. E era assim com qualquer um, uma espécie de teste instantâneo de QI para conversações: se a pessoa risse, ele aprofundava a conversa; se não risse, ele ficava no raso. Contudo, quando tinha maior confiança no interlocutor, quando já havia amizade, Bruno levava seu ferrão escorpiano direto ao alvo. E eu, escorpiano mirim, dava gargalhadas com suas tiradas. Sim, em geral porque revelavam a mim mesmo meus próprios pensamentos não verbalizados — como quando, certa feita, na Casa do Sol, conversamos sobre um escritor que conhecíamos pessoalmente, o qual o havia presenteado com seu livro de contos.
— E então, Bruno? — indaguei, curioso. — Você gostou do livro? Ele escreve bem?
— Você já viu a cara da mulher dele? — replicou de pronto, causando-me um sorriso prévio de quem tenta adivinhar o que vem em seguida.
— Claro que já. Por quê?
— O ar de bruxa doida… Os olhos vazios… Sempre descabelada… Aqueles gritinhos à guisa de risos… O jeito de se sentar com as pernas abertas, o tronco encurvado… Reparou?
Eu ria: — Aham.
— E você já conversou com ela, Yuri?
— Já. Por quê?
— É uma tortura! Uma mesmice sem fim, um monte de chavões e besteiras. A mulher é a frivolidade em pessoa. Os olhos dela só brilham quando alguém fala em dinheiro.
— A Hilda me disse a mesma coisa — e ri novamente.
— Pois é — e calou-se. Ficou lá, concentrado, retirando os livros duma caixa de papelão. Eu ainda aguardava a resposta à minha pergunta inicial e… e nada. Ele havia se esquecido dela.
— Bruno — observei, ao fim de um longo minuto — você acabou não me dizendo se ele escreve bem ou não.
Ele então me encarou e sorriu escorpianamente:
— E você acha, Yuri, que alguém que escolhe se casar com uma mulher dessas saberia escolher as palavras certas para formar sequer uma boa frase?
(Estou rindo de novo.)

O filho da puta do Brasil e etc.

Ontem, zapeando, esbarrei num trecho do filme “Lula, o filho (da puta) do Brasil”. (Imagine o descaramento: o Paramount Channel exibiu essa joça na Sexta-feira da Paixão!) Há uma cena em que ele fica bravo ao saber das ilegalidades do então presidente do sindicato de que era diretor. Aguardei a claque de risadas, mas não rolou. Por quê? Erro do editor de som? Mistério.

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Quer dar um presente para o pai da Dilma? Dica: “Pastoral Americana”, romance de Philip Roth. Nele fica bastante claro até onde uma figura como nossa presidanta, num país relativamente sadio, pode de fato chegar. (Bastou o tempo e a revolução cultural corroerem a saúde dos EUA para então se chegar ao Obama…)

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“A história moderna é o diálogo entre dois homens: um que crê em Deus, outro que acredita que ele é que é um deus.” Nicolás Gómez Dávila

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— Marisa, minha galega, põe mais água no feijão que o Leonardo Boff tá aí na porta.
— Leonardo Bosta?
— Fala baixo! Quer que ele faiba o que até a gente pensa dele?
— Mas foi você que acabou de chamar ele assim.
— Eu? Mas eu só dife que o Boff tá aí fora.
— Ó! Você falou de novo! Tem bosta lá fora.
— Ah, mulher, vê se te manca!
Lula sai da cozinha pisando firme. Marisa diz em voz alta:
— Uai. Levei tanto tempo para entender esse homem. Não é agora que vou consertar meu ouvido de novo, né.

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Seria legal disparar uma dessas pistolas de brinquedo e, durante um de seus discursos, pregar uma seta de plástico na testa do Stédile.

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ARGUMENTO DA MINHA NOVELA PARA A GLOBO
Estou pensando em escrever uma novela pra Globo. Irá se chamar “O Pinto do Elefante” e as ações serão centradas num circo, o Circo Brasil. O dono do circo terá um caso com o palhaço que o trairá com o leão. O leão comerá qualquer um que entrar na sua jaula. Quem entrar de frente será comido gastronomicamente. (O palhaço só entrará de costas.) A única heterossexual da novela será a mulher barbada, cujo relacionamento romântico com o anão atirador de facas estará no centro da trama. O anão terá no seu trailer vários posters do Tyrion Lannister, seu herói de Game of Thrones, o anão que papa várias mulheres lindas e imberbes. (Não precisa ir ao dicionário: imberbe significa “sem barba”.) Também haverá um triângulo amoroso entre o malabarista, o leão e o elefante. (A cena inicial da novela, que será do horário das seis — para as crianças assistirem — será um boquete do malabarista com o elefante.) No final da novela, sobrarão apenas o palhaço (que se chamará Lula), o leão (que, em homenagem ao conto “Uma paixão no deserto”, se chamará Balzac) e o elefante, que se casarão a três numa paródia de igreja dentro do próprio circo. Os demais personagens serão comidos pelo leão ao longo da trama. (Afinal, apesar de a maioria entrar de costas na jaula, se esquecerá de sair também de costas…) Tudo indica que o folhetim será um sucesso.

Minhas impressões sobre alguns filmes indicados ao Oscar 2015

Oscar 2015

Seguem minhas impressões sobre alguns filmes indicados ao Oscar deste ano:

Whiplash (2014): Treinamento musical à la SEALs. Sangue, suor e lágrimas. (Mais sangue do que você imagina.) O sargento não é negro, mas é durão e careca. Em vez de ir à guerra, vão ao jazz. Muito bom. Talento e muita força de vontade. Oscar de Melhor duelo mestre-discípulo.

Interstellar (2014): Após esquecer como se fabricam aspiradores de pó, terráqueos decidem abandonar a Terra. Viagem de volta para o futuro da maionese passando pelo passado poeirento. (Ninguém liga para o bisavô, nem sequer quando ele é astronauta.) No fundo, a única coisa que realmente me interessou nesse filme não está nele: como teria sido a espera de duas décadas do astronauta negro largado sozinho na nave espacial? Sinistro. Oscar de Melhor desperdício de premissa.

Nightcrawler (2014): Que bosta de filme! Uma câmera na mão (do protagonista psicopata) e uma droga de roteiro (na cabeça do diretor). Oscar para Melhor esposa que aceita trabalhar no filme pretensioso do marido.

The Grand Budapest Hotel (2014): Que belíssima e bem fotografada merda! Se você fuma maconha antes de entrar no cinema, irá curti-lo, pois, ao se perder no enredo graças a insights alheios à narrativa, não perderá nenhuma história que valha a pena acompanhar – e ainda curtirá a paisagem! (Não foi o meu caso.) Oscar de Melhores efeitos do THC.

Ida (2014): Noviça polonesa de origem judia deixa convento para descobrir, em companhia da tia juíza, o que foi feito de seus pais. Cicatrizes da Segunda Guerra. Anti-semitismo de vizinho interesseiro. Cena deprimente: um enterro ao som de L’Internationale. Bom filme. Antes de renunciar ao mundo é preciso experimentá-lo — ao menos um pouquinho.

The Imitation Game (2014): Que perda de tempo! Quanta mentira! Quer fazer uma cinebiografia? Então pare de contar lorotas: os poloneses já haviam quebrado o código da máquina Enigma anos antes dos ingleses; havia mulheres na equipe de criptógrafos (por isso é ridícula a crítica feminista em certa cena do filme; ora, o país já havia sido governado por duas grandes rainhas!); Turing não escreve sozinho uma carta para Churchill, mas, sim, em conjunto com os demais cientistas; ele não construiu aquele computador sozinho como quem trabalha na garagem de casa; eles, os cientistas, não decidiram por conta própria quais ofensivas nazistas seriam contra-atacadas; não se sabe realmente se Turing cometeu suicídio ou se foi “suicidado”, etc. Enfim, Oscar de Filme que mais irritou os poloneses, a exatidão e a veracidade.

Gone Girl (2014): Que pé no saco! Trama tão estúpida que nem dá vontade de comentá-la. (Ela, a girl, foi tarde e não devia ter voltado.) Em suma: clube da luta supostamente vencida pelo suposto sexo frágil. Oscar de Final mais deprimente.

Leviafan (2014): Bom. Livro de Jó em russo. Mas faltou a conclusão. Um detalhezinho só, no final. (Será possível que até o autor da Bíblia — “J”, segundo Harold Bloom — entenda mais de roteiro?) Mas continua sendo um bom filme. Vale a pena. Oscar de Que droga de vida.

The Theory of Everything (2014): Sessão da tarde. Físico que desconhece Wolfgang Smith ainda acredita existir uma Teoria de Tudo (TGU). Não havendo, torna-se famoso por uma teoria equivocada e por ser o primeiro a refutá-la. Mais um, menos um, igual a zero. Oscar de Melhor cara torta.

American Sniper (2014): Ótimo. “O verdadeiro guerreiro luta não porque odeia o que está à sua frente, mas porque ama o que está atrás.” (Chesterton) Os progressistas odeiam esse filme tanto quanto amam Che Guevara, o que diz muito sobre eles. Oscar de Melhor pontaria.

Boyhood (2014): Interessante, mas infelizmente não existe no Oscar a categoria “Melhor espera de crescimento de ator”. Precisava? [Muxoxo] Longa sessão da tarde. Sessão da tarde inteirinha. De toda uma tarde… Sim, interessante, mas também termina tragicamente: o coitado ingressa na universidade! Que horror. Oscar de Mais momentos propícios para se ir ao banheiro sem perder absolutamente nada do enredo.

Birdman (2014): Mimimi de ator hollywoodiano querendo reconhecimento da crítica nova-iorquina. Realismo esquizofrênico. Mais do mesmo cine-hospício. Aula de plano-sequência. (Lembra minha conversa com Dib Lutfi sobre o melhor câmera ser como alguém em projeção astral.) Oscar de Melhor corrida de táxi.

Foxcatcher (2014): Contra a vontade da aristocrática mãe, que prefere cavalos, Riquinho Rico compra lutadores para brincar com eles no quintal da sua mansão. Ou seja, mais cine-hospício. Neste caso, em doses homeopáticas. O que impressiona é que, apesar das frescuras, e nesta época em que toda cinebiografia quer-porque-quer provar que todo biografado foi gay, ninguém libera o fiofó. Steve Carell, como todo ator que interpreta malucos, corre o risco de levar um prêmio. Oscar de Melhor agarra-agarra sem conotação sexual.

Minha palestra no ConaLit [completa]

Minha palestra no Congresso Nacional de Literatura e História Pessoal.

Olavo de Carvalho: comentários sobre a arte literária e a literatura no Brasil

Esta aula do Olavo sobre literatura é excelente. (A excelência deve explicar o ter sido tão pouco vista.)

Caso goste dela, sugiro também o trecho de um de nossos bate-papos, gravado em 2006, no qual conversamos sobre o papel do escritor e a função da literatura.

Corrompendo um idealista (e outras postagens do Facebook)


(No cartum original, os personagens falam de Maluf, o aliado do PT que, segundo dizem, “rouba mas faz”.)

CORROMPENDO UM IDEALISTA

— Quanto você cobra para se desmoralizar?
— Pra me desmoralizar? Como assim?
— Sim, quanto você cobra para abrir mão do seu senso moral, da sua capacidade de reconhecer a honestidade, de reconhecer um comportamento ético, de buscar a verdade das coisas?
— Ah, tá, pode tirar seu cavalinho da chuva: não estou à venda.
— Nem por um carro zero quilômetro?
— É claro que não!
— E por um milhão de dólares?
— Você está me ofendendo!
— E que tal três fazendas com 5000 hectares cada uma? O hectare está a 3200 reais cada lá na região.
— Não!!
— Hum, já entendi o seu tipo…
— Não sou materialista, eu não me corrompo.
— Humm. Sei, sei… E se eu prometer dar bolsa família para todos os pobres do país, acabar com a fome e a miséria, abrir cisternas para os flagelados da seca, levar médicos para os confins do país, impedir a derrubada de árvores na Amazônia, além de outras coisinhas legais a esse modo?
— Sério? Você faria isso tudo?
— Claro! Contanto que você não se incomode com os MEIOS que irei utilizar para realizar tudo isso…
— Não, não me incomodo. Se é pelo bem! Por que não?
— Ótimo, ótimo. Você já sabe em qual número votar, naquele que dá muita sorte: o número de pessoas sentadas à mesa durante a Santa Ceia.
— Nunca tinha pensado nisso…
— Não importa, seu desejo será realizado, considere-se desmoralizado.
— Obrigado!
— O prazer… é nosso…
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NHENHENHÉM DE DESINFORMADOS

— Nossa, que discurso de ódio! Que belicismo! Isso é só uma eleição: o PT é seu oponente, não é seu inimigo.
— Não, meu oponente é o Aécio e, para você ver como sou democrático e tolerante, votarei nele assim mesmo. Quem se alia às Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia, ao Movimiento de Izquierda Revolucionaria, chegando até mesmo a infiltrar militares cubanos entre os Mais Médicos, é que está sendo literalmente belicista. E o PT, mediante o Foro de São Paulo, é aliado arquiprovado dessa gente e de outros tão ruins quanto. Basta ver o que já fizeram com a Venezuela. Procure as atas do Foro no Google, estão todas na internet. Lula e Dilma estão colocando o país à mercê de forças inimigas. Em suma, o PT é realmente um inimigo e não apenas meu: é um inimigo do Brasil.
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ESCRUPULOSIDADE

Neguinho teimoso que não vai votar em ninguém porque “ambos os candidatos são ruins” ou, desculpe o pleonasmo, porque são ambos esquerdistas — e são mesmo, embora a quadrilha da Dilma, graças ao bolivariano Foro de São Paulo, seja muuuuuito mais perigosa —, é como o soldado que, no momento mais decisivo da batalha, lembra-se do Decálogo (“Não matarás!”) e prefira morrer pelas costas como desertor: enquanto ele sonha com suas asinhas de anjo, o exército inimigo avança para foder com sua família e com seu país.
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Aplaudiu a prisão dos Mensaleiros mas vai votar na Dilma: ¿que tal fazer um exame psiquiátrico? (post)

Crescendo (curta-metragem)

Eis um excelente curta-metragem!

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