Blog do Yuri

palavras aos homens e mulheres da Madrugada

Página 30 de 80

Marshall McLuhan e a contracultura

Marshall McLuhan

« O campus universitário estende-se por toda a Terra, mas a universidade já não existe.»

« A educação converteu-se numa caçada permanente. (…) os locais das escolas e para as escolas já não existem. Agora há apenas terrenos de caça.»

« O homem atual, o homem da era da eletricidade, é o mais primitivo que jamais existiu. Somos, constituímos a sociedade primitiva de todos os tempos.»

« O programador [de computadores] terá de ser um homem de talento excepcional.»

« Todas as nossas velhas coisas se tornarão automaticamente valiosas, embora inúteis.»

« Todos os fascistas eram oitocentistas, pessoas tribais que utilizavam o século XX como arma de ataque. (…) É o caso de Hitler, um oriental, um budista, um amante da paz, de começo. Subitamente, porém, descobriu os tanques pesados e apaixonou-se por eles. Quando um homem tribal adota a mentalidade do século XX, arma-se logo algazarra. Atualmente, os jovens poderiam fazer o mesmo. Refiro-me aos hippies. Poderiam facilmente transformar-se em hitleres, aferrarem-se ao trabalho e utilizarem-no para nos destruir. E é muito possível que o façam. Poderiam facilmente tomar conta da sociedade inteira, ou melhor, daquilo a que chamamos sociedade.»
____
Trechos de uma entrevista com Marshall McLuhan (1911-1980), autor de O Meio é a Mensagem (1967), incluída no livro Viagem aos centros da Terra, de Vintilă Horia (1915-1992).

O rei Salomão e o matrimônio gay

O Rei Salomão

Enquanto isso, em 950 a.C., no palácio do Rei Salomão:

— Majestade, esses dois homens requerem vossa autorização para unir-se em matrimônio.

— Matrimônio? Aquele consórcio derivado do vocábulo que os romanos inventarão no futuro para referir-se a “mãe”?

— Não sei, majestade. Vossa alteza é que sois o sábio aqui.

— Certo, certo. Hum. Não ficariam satisfeitos apenas com um documento reconhecendo sua união civil?

— Não, majestade. Eles querem um matrimônio; e que seja realizado no templo.

— Entendo. Fazei o seguinte: ponde-os em cativeiro, se eles conseguirem se reproduzir, libertai-os e deferi a petição.

— Sim, vossa majestade.

______
P.S. do dia 30/05/2013: Pessoal, esse esquete já se espalhou pela internet mediante emails (a maior parte das visitas tem essa origem), blogs, fóruns e redes sociais (basta jogar uma das falas no Google ou no FB, entre aspas, para se obter uma confirmação), em geral sem referência à minha autoria, o que não me incomoda em nada, já que, quando descobrem que sou o autor, lá vêm mil emails para me encher o saco e me atazanar. (E já tem até gente sendo censurada por minha causa.) O negócio é o seguinte: eu apenas tentei imaginar o que Salomão teria dito sobre o tema, nada mais, nada menos. E percebam que ele foi até um sujeito bacana, perguntou se “união civil” não seria o suficiente… Além disso, tal como afirmei no comentário abaixo, creio que Salomão, tal como no caso das mães que disputavam o bebê, estava apenas blefando, convicto de que os dois solicitantes desistiriam do intento de alterar a doutrina religiosa vigente. Eu, pessoalmente, não tenho absolutamente nada contra quem quer que seja, cada um que faça o que bem entender, contanto que não incomode o seu próximo. Aliás, tenho amigos de todo tipo, gays, extraterrestres e assim por diante. Na verdade, o que não me agrada é que um grupo se arrogue privilégios com fins políticos completamente alheios às razões alegadas. E, se alguns membros desse grupo não percebem que há outras razões subterrâneas, não passam então de inocentes úteis que deveriam informar-se melhor. (No caso dos homossexuais, sugiro o blog Gays de Direita e o artigo “Um homossexual condena os ‘direitos homossexuais’“.) É isto. Agora, por favor, parem de sobrecarregar meu formulário de contato e os comentários deste post com ofensas. (Os comentários sofrem moderação e eu estou cantando e andando para essa briga, logo, economizem seu tempo.) Obrigado.

E o Brasil indaga: onde estás, Moisés?

A rota do Êxodo

Se você nunca viu a rota do Êxodo — lembra, né? aquela da fuga do Egito –, precisa ver o quão perspicaz foi Moisés. (Veja a linha vermelha tracejada aí acima.) Agora pense: por que diabos o cara não acompanhou a costa do Mediterrâneo seguindo diretamente para a tal Terra Prometida? Por que, em vez disso, ele seguiu duas vezes para o sul formando esses dois triângulos, um maior à esquerda e um menor à direita? Para evitar algum lobo mau que pudesse ameaçar o rebanho? Não. Esqueça as possíveis escaramuças com povos autóctones e bobagens do gênero — quem assustou o faraó poderia assustar qualquer um. Ora, o fato é que esses desvios de rota subtraíram 40 anos de vida aos hebreus! (Pausa para visualizar mentalmente toda aquela gente andando “em triângulos” pelo deserto anos a fio.) Hum. Pense novamente: terá sido mesmo um desperdício de tempo? Ou será que foi um ganho?

Bem, a verdade é que Moisés guiava um povo moral, intelectual e espiritualmente corrupto e, por isso, sabia que, se chegasse com essa turma da pesada à Terra Prometida, não iria senão liberar um povo da escravidão material para mantê-lo, em outra região, escravizado a seus próprios vícios e enganos. E, assim, esperto que só, Moisés saiu a passear lenta e pacientemente com a galera enquanto educava e estimulava toda uma nova geração dentro dos princípios e normas do Decálogo. De que adiantaria tentar recuperar as gerações cansadas que não queriam ser recuperadas? Consertar de fora para dentro os corruptos que insistiam em seus erros? “Quando o pau é torto até mesmo sua cinza é torta”, deve ter concluído o sábio ancião. Deste modo, quando o povo, isto é, a sua parcela corrupta original, já estava ou inteiramente morto ou demasiado senil para transmitir sua confusão anímica às novas gerações, Moisés, acompanhado enfim por um povo com a alma em ordem, finalmente chegou às portas da Terra Prometida. Não faz sentido? Para mim, faz. Um sujeito capaz de receber ordens do Céu não poderia ser tão ruim de direção…

E, por fim, com esse caso em mente, pergunto a mim mesmo: quantos séculos e quantos triângulos Moisés teria de desenvolver deserto afora e adentro para purificar a nação brasileira de tanta malandragem, de tanta astúcia, de tanta safadeza, de tanta maldade, ganância e burrice espiritual? Uns 400 anos?

A avó e a montanha-russa

[Gil, personagem interpretado por Steve Martin, está zangado, reclamando para a esposa das dificuldades da vida em família. Então a avó entra em cena e interrompe a briga.]

Avó: Sabe; quando eu tinha dezenove anos, seu avô me levou à montanha-russa.

Gil (desinteressado): Ah, é?

Avó: Pra cima, pra baixo, pra cima, pra baixo. Nossa, que passeio!

Gil (condescendente): Que grande história…

Avó: Eu sempre queria repetir. Sabe como é; para mim era muito interessante o fato de que um passeio pudesse ser tão assustador, tão apavorante, tão nauseante, tão tenso, e ao mesmo tempo tão excitante! Alguns não gostam. Eles vão ao carrossel, que só fica girando lentamente. E… nada. Eu gosto da montanha-russa. Você extrai muito mais dela.

Fonte: Parenthood (1989).

Bruno Tolentino e a Tia Chauí

Bruno Tolentino

CONVITES À FILOSOFIA

 

O último ataque de sabedoria

da bela doutora Chauí

me deixou perplexo! Um dia

num canteiro de Alexandria

a única flor que eu não colhi

passou horas e horas ali

explicando filosofia

a um cliente da casa… Lili,

se fazia chamar a guria.

 

No batente contraíra o mal

que não desgruda quando ataca

e a paixão do conceito. Polaca

(uma ex-noviça, por sinal),

escapara ao torrão natal

na valise de um industrial,

mas matara-o de morte macaca

e agora despachava-os de maca

rumo à enfermaria geral!

 

Sabia tudo de Epicuro,

o seu xodó. Falava bem,

punha qualquer um de pau duro

com as dissertações e o vaivém

das mãos sábias, no claro-escuro

à beira-leito… Jurar não juro,

mas, se não convertia a ninguém,

fascinava o varão maduro

e os mais inespertos também.

 

Clandestino e errante, eu sabia

que, sem Visto no baixo Egito,

se me pegassem estava frito:

dormia ali durante o dia,

hotel nem morto! O arranjo previa

apenas que o moço bonito

dormisse sozinho e, repito,

eu dormia a manhã toda, ouvia

Lili me explicar o infinito

 

e Epicuro lá para as duas;

cerca das quatro, quatro e meia,

devolvia o cascalho à bateia

e reganhava o ouro das ruas,

as semi-ninfas semi-nuas

ficavam para trás, a feia

das grandiosas semi-luas

e a estupenda Lili. Cantei-a

de mil maneiras, das mais cruas

 

às mais cruéis, das mais virís

às mais dúcteis, mas não houve jeito:

epicurava ao pé do leito,

mas de graça não dava! Fiz

o que pude, o malandro perfeito,

mas epicurista aprendiz

é mesmo um pedestre, e bem feito!

Ah, pudesse este meu país

resistir às nativas Lilis,

 

seus babados e baboseiras,

como a pérola de Alexandria

resistiu-me semanas inteiras!

Manual de filosofia

a noite toda dá em olheiras,

mas é mal incurável, mania

até mesmo de ex-futuras freiras

filosófico-epicureiras

como as há também, quem diria,

 

neste nosso agreste jardim.

Minha Santa Teresa, eu li

o manual da nossa Lili

de cabo a rabo! É verdade sim,

li tudinho, e ansioso torci

pela guria até ao fim…

Mas uma cena que nunca esqueci,

dentre as lufadas de jasmim

daquela mansão sem jardim

 

veio a mim como uma chibatada:

vi minha Lili de olhos belos,

de calcinha toda rendada

num florido patamar de escada

como a jovem do poema de Eliot

e sofri! Aquela madrugada

eu voltara mais cedo, os melros

começavam a cantar na estrada:

Lili desatara os cabelos,

 

largara Epicuro e, à janela,

chorava, chorava… A verdade

chegara muito perto dela,

com a imperdoável crueldade

das horas vazias, aquela

era a hora da verdade. Bela,

descabelada e sem vontade

de iludir-se, dava pena vê-la:

afinal esquecia a vaidade,

 

desmentia a reputação

de Diótima eslava e selvagem

e soluçava de pé no chão…

Levei comigo aquela imagem

anos a fio, desde então

sinto certa camaradagem

com todas as fêmeas que em vão

pensam que sabem o que não sabem.

Soube que morreu no Sudão

 

alguns anos depois. De frio.

Esfriara a pérola ardente,

murchara quando um livre docente

desmanchara-lhe fio por fio

a douta cabeleira insciente

aquela noite… Conheci-o,

um professoreco insolente

de Liceu: humilhou friamente

minha flor, e Epicuro, o vadio,

nem se importou, fez-lhe o favor

de abandoná-la nua e crua

à escolástica do inquisidor.

Se a nossa doutora não for

tão sensível, a sorte é sua,

talvez ainda possa dispor

da arte fria de um cliente-instrutor;

recomendo uma noite sem lua

em Alexandria: há uma rua

transversal entre o velho mar,

o Maryût e a Rodovia

dos Ingleses; nela há um solar

que todos conhecem, de dia

a casa é fácil de encontrar;

o tal professor não saía

de lá, com certeza há de estar.

Não ensina filosofia,

ensina as Lilis a acordar.

 

 

EM RETROSPECTO

 

Pobre pequena,

sofreu demais!

Com aquela cena

perdeu a paz,

não se viu mais

feliz, serena,

era só ais…

Já a Marxilena

é um monstro horrendo:

eu fico lendo

Tia Chauí

e me arrependo

do que senti

pela Lili!

Poemas extraídos do livro Os Sapos de Ontem, de Bruno Tolentino.

A importância da educação

Discurso do Dr. Benjamin Carson, médico neurocirurgião, no National Prayer Breakfast de 2013. (Ative as legendas.)

Crepúsculo no interior: Conde e Drácula

Em homenagem às fãs da saga Crepúsculo, eis uma cançãozinha da dupla caipira Conde e Drácula.

Página 30 de 80

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén