Blog do Yuri

palavras aos homens e mulheres da Madrugada

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Atualizações semanais no Twitter em 2010-11-15

  • «Shakespeare wrote Moby-Dick, using Melville as a Ouija board.» Ray Bradbury http://j.mp/aYonV6 #
  • Para muita gente o Twitter não passa de um meio de veicular sua Sit Down Comedy… %^> #
  • Abaixo-assinado Contra o retorno da CPMF – Movimento Endireita Brasil http://j.mp/dB0PL9 #
  • Quando irão mudar o nome dessa tiriricagem de "Enem" para "Ah, nem!"? (Se vc não conhece a expressão, recorra a um amigo goiano.) #
  • "Neste país, só os revolucionários e criminosos são profissionais." http://bit.ly/dmFAiE #
  • "Congresso quer aumentar o próprio salário e o de Dilma" http://bit.ly/cUjP2R #
  • "The best description of my career as a writer is 'at play in the fields of the Lord'." Ray Bradbury #
  • Designers vs. Clientes (Isso me lembra a ocasião em que escrevi 19 roteiros para uma agência de BSB e só recebi por um) http://bit.ly/bQs0Qv #
  • Em São Paulo, ninguém lhe pergunta "como vai?" e sim "o que você faz?", o que me lembra a resposta duma amiga(Luciene): "Eu sou rica, e vc?" #
  • Ah, não, gente! Agora que o Laerte é crossdresser, só faltava ele começar a namorar o Angeli… http://j.mp/9VcqJE %^> #
  • 29 de novembro, FRANCIS FORD COPPOLA estará presente em um bate-papo na FAAP: http://j.mp/9RZOcz #cinema #
  • Algo me diz (ou alguém, né @abcaldas) que Robert Louis Stevenson se inspirou na TPM da esposa para escrever O Médico e o Monstro… %^/ #
  • Se a origem da expressão "merda p/ vocês" (usada no teatro) é essa, podemos atualizá-la para "monóxido de carbono p/ vcs" http://j.mp/dawm3z #
  • Em vez dum saco plástico na cabeça, o Capitão Nascimento poderia usar um fone de ouvido com esse som do Conlon Nancarrow: http://j.mp/9uTMNx #
  • "CCJ do Senado aprova proposta que impede vice
    de suceder presidente" http://j.mp/coYTkh #
  • "Equipe médica não pode comer ou beber na presença de muçulmanos durante o mês do Ramadã em um hospital escocês" (2007) http://j.mp/9hrrON #
  • P/ não ofender muçulmanos, cofres de porquinhos foram banidos como símbolo de poupança em 2 importantes bancos britânicos http://j.mp/bLm3fc #
  • Todos os islamistas concordam com o objetivo de aplicar a lei islâmica globalmente. Mas discordam qto a usar a violência: http://j.mp/aEkkQJ #
  • "A Violência política da Bíblia e do Corão" http://j.mp/aFRUhf #islamismo #cristianismo #judaismo #
  • Antes da difusão do email, eu era um epistoleiro que pentelhava os amigos com cartas de 30 páginas. Agora sou apenas um e-pistoleiro… %^/ #
  • "Cristianismo sobrevive no Oriente Médio graças aos padres casados." http://j.mp/9IDPhi #middleeast #priests #Christianity #
  • Tudo bem, seria no mínimo engraçado se Andy Kaufman realmente ainda estivesse vivo… http://j.mp/a9v6cg #
  • Sobre Cristovam Buarque: http://bit.ly/bpPFqV e http://bit.ly/aHSKkx #
  • Hoje, aniversário de Fiódor Dostoiévski. http://j.mp/add8vU #escritores #literatura #
  • Melhor seria escalar o Cerro Fitz Roy durante o inverno a passar novamente por tudo isso… #
  • "Luta armada, caramba, não é idéia, não é doutrina, não é teoria filosófica: é matar pessoas." http://j.mp/adrFJp #
  • E uma amiga me disse que é mais fácil falar com a Dilma do que comigo. Deve ser verdade. Não tenho visto muitos seres humanos recentemente. #
  • Revisitando aquele vídeo maravilhoso que bombou anos atrás: "O jardineiro é Jesus e as árveres somos nozes" http://j.mp/bbHqYq Ahahaha! #
  • Hoje, aniversário de Robert Louis Stevenson, autor de The Strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde (O Médico e o Monstro) http://j.mp/9HggHH #
  • Dizem que Robert Louis Stevenson escreveu O Médico e o Monstro sob efeito de cocaína. Mas acho que se inspirou mesmo na TPM da esposa… %^/ #
  • Dor de cabeça = síndrome de abstinência de café. #
  • Que vergonha, o aniversário de Carlo Emilio Gadda é hoje e a versão pt da Wikipédia diz que é 14 de Maio. Vou corrigi-la. http://j.mp/bCt8GM #
  • "A carta do Grupo Record que denuncia que os jabutis estão em cima das árvores" http://j.mp/bVX0JO #
  • "Os países mais corruptos do mundo são aqueles em que há mais empresas públicas. Quanto mais estado, mais sem-vergonhice" http://j.mp/9zDApZ #

Ray Bradbury, o contribuinte e a viagem a Marte

Ray Bradbury

   Março de 2000: O contribuinte

Ele queria ir a Marte no foguete. Foi até o campo de foguetes de manhã cedo e gritou através da cerca de arame, para os homens fardados, que queria ir a Marte. Disse-lhes que era um contribuinte, chamava-se Pritchard e tinha todo o direito de ir a Marte. Não havia nascido ali em Ohio? Não era um cidadão cumpridor de seus deveres? Então por que não podia ir a Marte? Sacudiu o punho cerrado na direção deles e disse-lhes que queria ir embora da Terra, que qualquer pessoa com a cabeça no lugar queria ir embora da Terra. Dentro de dois anos iria ser desencadeada uma enorme guerra atômica na Terra e ele não queria estar ali quando isso acontecesse. Ele e milhares de outros como ele, se tivessem bom senso, quereriam ir para Marte. Pergunte-lhes se não quereriam! Ficar longe de guerras, censuras, estatizações, conscrição, controle governamental disto e daquilo, da arte e da ciência! Vocês podem ficar com a Terra! Estava lhes oferecendo sua mão direita, seu coração, sua cabeça, pela oportunidade de ir para Marte! Que se devia fazer, que se devia assinar, que se devia saber para embarcar no foguete?
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As Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury.

Witold Lutosławski: “Variações sobre um Tema de Paganini”

“Variações sobre um Tema de Paganini” (1941), de Witold Lutosławski. Execução: Enrico Pace e Igor Roma.

Henri Dutilleux: “Tout un monde lointain”

“Tout un monde lointain”, um concerto para violoncelo e orquestra de Henri Dutilleux. (Sim, eu gosto de trilha sonora sinistra…)

Bráulio Mantovani: “Idéias sem forma são apenas idéias”

Do Planeta Tela:

Enquanto isso, um de seus roteiristas, Bráulio Mantovani, deu um puxão de orelhas nos críticos de cinema esta semana. Quando questionado pela jornalista Maria do Rosário Caetano sobre a não inclusão do nome de Wagner Moura como co-roteirista do filme [Tropa de Elite 2], Mantovani afirmou: “Para ser co-roteirista, é preciso sentar-se junto ao computador e escrever. Dar idéias não é o mesmo que escrever roteiros. Como disse Mallarmé a Degas: um poema não se faz com idéias, um poema se faz com palavras. O mesmo raciocínio se aplica à escrita de roteiros. Wagner Moura, assim como Daniel Rezende, Rodrigo Pimentel e outros, fizeram leituras críticas e deram sugestões para as muitas versões de roteiro de Tropa de Elite 2. Mas quem sentou a bunda diante do computador para dar forma dramática às idéias que iam surgindo fomos José Padilha e eu. Era nossa a responsabilidade de resolver os problemas da narrativa”.

E conclui: “Ninguém em Tropa de Elite 2 tem crédito não merecido e ninguém deixou de ser creditado pelo trabalho que fez. A participação intensa do Wagner no roteiro corresponde ao que se espera de um coprodutor (assim como eu, que também tenho o mesmo crédito, participei da montagem e de todas as decisões importantes relacionadas à produção e ao lançamento do filme). Já está na hora de vocês críticos assimilarem a evolução do trabalho do escritor no cinema brasileiro. Desde que nós fundamos a AC (Autores de Cinema), o crédito de roteiro passou a ser encarado com mais rigor, mais seriedade e mais profissionalismo. A era dos diretores que assinam roteiros sem sequer saber escrever direito acabou. Idéias sem forma são apenas idéias. Arte é forma”.

Mussolini: “a multidão é feminina”

Do ex-blog do Cesar Maia:

1932: POPULISMO ONTEM E HOJE!

Coluna de sábado de Cesar Maia na Folha de SP (06).

1. Em 1932, Mussolini destacava-se como único líder, chefe de governo de expressão no mundo ocidental. Com formação teórica muito acima da média, poliglota, leitor de filósofos e de grandes escritores, conhecedor de historia, impressionou Emil Ludwig, escritor alemão, biógrafo de Bismarck, Napoleão e Goethe.

2. Mussolini deu absoluta privacidade, dez tardes seguidas em seu gabinete, para uma entrevista com Ludwig. Esta foi publicada e se transformou em livro logo em seguida: “Colóquios com Mussolini”. Ludwig explora os conceitos do entrevistado -liderança, governo, autoridade, nacionalismo, poder, países, história, artes, atributos do líder, Estado… Mussolini passou a ser referência para outros líderes políticos. Salazar mantinha seu busto na mesa de trabalho. Getúlio usou na “Constituição” de 1937 o conceito de Parlamento corporativo num governo autoritário.

3. Mussolini mitificava a ação, mas refletia e cristalizava seus conceitos. Esses, difundidos, formaram e formam gerações de lideranças populistas-autoritárias, com ou sem consciência da escola de influências que receberam. Com a ascensão do populismo autoritário na América Latina, cumpre ir a essas raízes, até para que esses saibam de que fonte vem a água que bebem.

4. Diz Mussolini que, “para governar as massas, temos que usar duas rédeas: o entusiasmo e o interesse. Confiar em uma só é estar em perigo. O lado místico e o lado político estão subordinados um ao outro. Este sem aquele se torna árido. Aquele sem este se desfolha ao vento das bandeiras”.

5. Numa afirmação, desnuda a base do populismo: “A massa não deve saber, mas crer. Só a fé remove montanhas. O raciocínio não. Este é um instrumento, mas jamais motor da multidão”. Sobre sua relação direta com as massas, diz: “Deve-se dominar as massas como um artista domina sua arte”. E ensina: “Deve-se ir do místico ao político, da epopeia à prosa”.

6. É nessa entrevista que Mussolini usa uma frase que marcou seu machismo: “A multidão adora homens fortes. A multidão é feminina”. Ludwig, vendo sua chegada ao balcão de seu gabinete no palácio Veneza para saudar a multidão, comenta: “No balcão, olhando as massas, ele tem o ar de autor dramático, que chega ao teatro e vê os atores impacientes para o ensaio”.

7. Mussolini segue: “Cumpre tirar dos altares sua santidade, o povo. A multidão não revela segredos. Quando não é organizada, a massa é um rebanho de ovelhas. Nego que ela possa se reger por si só”. Ludwig registra o que ele ensina e que deveria servir ao mesmo Mussolini e a tantos outros, especialmente os de aqui e agora: “Veja só o que Brunsen disse de Bismarck: ‘Tornou a Alemanha grande e os alemães pequenos'”.

Tratar a multidão como se fosse uma mulher é a cara do cabra-macho Lula, o grosseirão mor. Até o vejo a dizer: “¿A multidão é feminina? Pau nela!”.

Ernest Hemingway: A Fome como Boa Disciplina

Ernest Hemingway

Se você não se alimentava bem em Paris, tinha sempre uma fome danada, pois todas as padarias exibiam coisas maravilhosas em suas vitrinas e muitas pessoas comiam ao ar livre, em mesas na calçada, de modo que por toda a parte via comida ou sentia o seu cheiro. Se você abandonou o jornalismo e ninguém nos Estados Unidos se interessa em publicar o que está escrevendo, se é obrigado a mentir em casa, explicando que já almoçara com alguém, o melhor que tem a fazer é passear nos jardins do Luxembourg, onde não via nem cheirava comida, desde a Place de l’Observatoire até a rue de Vaugirard. Poderá sempre entrar no Musée du Luxembourg, onde todos os quadros ficam mais vivos, mais claros e mais belos quando se está com a barriga vazia, roído de fome.

Aprendi a compreender Cézanne muito melhor, a entender realmente como é que pintava suas paisagens quando estava faminto. Costumava perguntar a mim mesmo se ele também tinha passado fome quando pintava, mas imaginava que talvez apenas se tivesse esquecido de comer. Era um daqueles pensamentos doentios mas brilhantes que nos ocorrem quando estamos com falta de sono ou de comida. Mais tarde, bem mais tarde, concluí que Cézanne provavelmente passara fome, mas de maneira diferente.

Depois de ter saído do Luxembourg, você poderia andar pela estreita rue Férou até a Place St. Sulpice sem ver restaurante algum, somente a praça silenciosa, com seus bancos e suas árvores. Havia uma fonte com leões, e pombos andavam nas calçadas ou pousavam nas estátuas dos bispos.

No lado norte da praça ficavam a igreja e lojas que vendiam objetos religiosos e paramentos.

Para além da praça é que não podia prosseguir em direção ao rio sem passar por lojas que vendiam frutas, legumes, vinhos, ou por padarias e pastelarias. Mas, escolhendo cuidadosamente o caminho, conseguiria avançar pela direita, ao redor da igreja de pedra, cinzenta e branca, chegar à rue de l’Odéon e virar de novo à direita em direção à livraria de Sylvia Beach, sem encontrar muitos lugares onde se vendessem coisas de comer. A rue de l’Odéon era desprovida de restaurantes até chegar à praça, onde havia três.

Quando chegasse à rue de l’Odéon, nº 12, a fome estaria contida mas por outro lado, todos os seus sentidos estariam aguçados. As fotografias lhe pareceriam diferentes e descobriria livros que nunca tinha visto antes.

– Você está magro demais, Hemingway – diria Sylvia. – Você anda comendo o suficiente?

– Claro que sim!

– O que é que comeu no almoço?

Apesar das cólicas, eu diria: – Ainda não almocei. Agora é que estou indo para casa.

– Ás três da tarde?

– Não sabia que era tão tarde assim.

– Adrienne disse outro dia que gostaria que você e Hadley fossem jantar com ela. Convidaremos Fargue também. Você gosta do Fargue, não gosta? Ou Larbaud. Você gosta dele. Sei que você gosta dele. Ou qualquer outro de quem você realmente goste. Você falará com Hadley?

– Sei que ela adorará aceitar esse convite.

– Eu lhe enviarei uma carta pneumática para combinar tudo. Quanto a você, Hemingway, não trabalhe tanto, pois não está se alimentando adequadamente.

– Cuidarei disso.

– Vá logo para casa, antes que seja tarde demais para o almoço.

– Guardam o almoço para mim.

– Comida fria também faz mal. Coma um bom almoço quente.

– Chegou alguma carta para mim?

– Acho que não. Mas deixe-me ver.

Foi ver e encontrou um recado. Levantou os olhos, satisfeita, e depois abriu uma porta da sua escrivaninha, que estava fechada a chave.

– Isto chegou enquanto eu estava fora – disse ela.

Era uma carta e dava a impressão de conter dinheiro.

– Wedderkop – disse Sylvia.

– Deve vir do Der Querschnitt – disse eu. – Você esteve com Wedderkop?

– Não. Mas ele passou por aqui, com o George. Ele falará com você, não se preocupe. Talvez quisesse primeiro pagar o que lhe deve.

– São estes seiscentos francos. E diz que receberei mais.

– Foi ótimo você me ter lembrado da correspondência!

Meus parabéns, Dr. Sabe-Tudo.

– É realmente muito engraçado que a Alemanha seja o único lugar onde posso vender alguma coisa. A Wedderkop e ao Frankfurter Zeitung.

– É mesmo! Mas não se aborreça. Você pode vender alguns contos ao Ford – disse ela para me provocar.

– A trinta francos a página! Faça os cálculos: um conto, cada três meses, no The Transatlantic. Um conto de cinco páginas dá cento e cinquenta francos por trimestre. São seiscentos francos por ano.

– Mas, Hemingway, não se preocupe com o que lhe rendem agora. O essencial é você poder escrevê-los.

– Sei. Posso escrevê-los. Mas ninguém os comprará. Não tem entrado dinheiro algum desde que abandonei o jornalismo.

– Estou certa de que conseguirá colocá-los. Você não acaba de receber esse dinheiro?

– Desculpe-me, Sylvia. Perdoe-me por falar nos meus problemas.

– Desculpá-lo de quê? Fale sempre disso ou do assunto que quiser. Você não sabe que todos os escritores sempre falam de suas dificuldades? Mas prometa-me que não se preocupará demais e comerá bastante.

– Prometo.

– Então vá para casa agora e almoce.

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