Blog do Yuri

palavras aos homens e mulheres da Madrugada

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Manual de redação

— Se for do centro ou um “coroné” do sertão, escreva que é de direita e, se for da direita real, escreva “extrema-direita”. Assim, se um grupo de direitistas reais for atacado por terroristas islâmicos, escreva que os coitados dos imigrantes estavam reagindo antecipadamente à violência futura e certa da “extrema direita”. Entendeu?

— Extrema se escreve com S ou com X, chefe?

Artista conservador procura

 — Eu sei que ela é linda e gente boa, não sou tapado. Quero saber é se você conhece a mãe dela.

— Ué. Por quê?

— Porque são as mães que sempre me fodem. Só por isso.

— Não sabe lidar com as distintas senhoras? Toda possível sogra é difícil mesmo.

— Não é isso, eu sempre levo numa boa: converso, sou agradável, educado e tal. As figuras é que, por mais que gostem de mim, não agüentam a pressão constante e irrefreável das mães: “Faz o quê? Artista plástico?! Tem quantos anos?!! Minha filha, tome juízo!”.

— Bom, a mãe dela é inteligente, super bacana.

— Sério?

— Sim, no bairro dela todos a adoram. Até a elegeram vereadora.

— Por qual partido?

— PSOL.

— Ih, fodeu já. Esqueceu que faço as capas daquela editora que só publica conservadores? E eu leio todo livro que lançam.

— Nossa, é mesmo.

— Por mais legal que eu seja, a mulher não vai me suportar. Já sei como é.

— Mas a garota…

— Esquece. É bom no começo, depois vem a sabotagem. Parece que há um complô entre as mães pequeno-burguesas e as mães socialistas contra os pretendentes artistas de suas filhas.

— Tá certo. Ce que sabe.

— E aquela? Eu a achei ótima também. Demos altas risadas. Conhece a mãe dela?

— Conheço. A mãe dela é surda-muda.

— Perfeito!

— Perfeito nada. Ao menos não para você.

— Por quê?

— Ela é jornalista da Carta Capital. A filha vive citando os artigos dela.

— Pô, velho. Que merda! Você me convida para cada festa! Você é esquerdista e não sabe. Ainda bem que tenho outros canais. Se eu dependesse só do seu papo de “vamos conhecer umas gatas”, eu não deixaria a ninguém o legado da minha existência.

— Ahahahahaha…

— Vamo beber! — grita. E a meia voz: — Só vai dar para fazer isso mesmo…

 

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Mais tarde, no Facebook…

FUCK YOU

— Yuri, você é melhor do que isso, precisa parar de escrever esses contos. Esse último que você escreveu é uma bobagem.

— Uê, meu último livro nem foi lançado ainda. Na verdade, estou terminando de revisar a revisão da editora. De qual conto você tá falando?

— Esse do artista conservador. Que besteira.

— Cara, se você nem sabe o que é um conto, por que está me criticando? Aquilo não é um conto, é um esquete de humor. E eu o escrevi de pé, numa fila de caixa eletrônico. Viu os travessões feitos com hífens duplos? Escrevi no celular, para passar o tempo.

— Mas quem te lê no Facebook…

— Quem me lê no Facebook ocasionalmente lerá inclusive peidos por escrito. Facebook não é a Paris Review.

 

“E” fechado

Paulistano que é mesmo paulistano gosta tanto de um “e” fechado que até meu nome, quando berrado por um deles, sai assim: “Yurêêêêêêêê!”. Alguns casais, vizinhos na rua da minha infância, tratavam-se mutuamente por “benhê”.

— Benhêêê! A nenê tá chorando!

Da mesma forma, é muito mais fácil, na capital paulista, entre paulistanos “da gema”, ouvir um “uê” do que um “ué”. Eu sempre notei essas diferenças porque, apesar de ter nascido e crescido em São Paulo, metade dos meus parentes são cariocas e a outra, goianos. (Sem falar nos parentes distantes baianos e mineiros…) Enfim… o caso é que o revisor do meu livro certamente é carioca: troca todos os meus “uê”s por “ué”s.

— Ué! Por que você usa esse monte de acento circunflexo? Tá errado isso.

— Uê, meu. Você nunca esteve em São Paulo? A maior parte dos meus personagens são paulistanos.

Não estou reclamando, estou apenas achando engraçado. A área de comentários no modo de revisão do Word chega a ser divertida.

Tá maluca?

A mulher fritava os bifes enquanto o marido folheava uma revista:

— Roberto, você não acha que a gente já pode pintar a casa no mês que vem?

— Pintar a casa? Tá maluca? A gente não vai pintar casa nenhuma.

— Ué, e por que não? A gente já tem dinheiro.

— Você nunca percebe, né, Marisa? Fica reparando nas casas dos vizinhos, mas não repara no que acontece com eles.

— Claro que reparo! Eles tem as casas conservadas, bonitas. Já a nossa tá parecendo é uma casa assombrada. O que acontece com eles é que eles se sentem bem e a gente, não.

— Não, senhora: o que acontece com eles é que todo mês um deles é assaltado. Nossa casa não é feia: ela está é camuflada de casa de pobre, de casa de quem faliu e perdeu tudo.

— Que idéia!

— Mas é verdade! Você fica na sua, não conversa com nenhum vizinho e nunca sabe o que está acontecendo. O Ferreira, por exemplo, foi assaltado no começo do ano. O Antônio e a Janete uma semana depois. No final do ano passado foi a casa do André e da Renata. O seu Souza, que é viúvo, foi assaltado ontem! Você não viu o carro da polícia aí na rua?

Ela arregalou os olhos:

— Não, não vi!

— Pois é.

— Coitado! Machucaram ele?

— Não, mas limparam a casa inteira! Levaram as duas TVs de tela plana, dinheiro, celular, as jóias da falecida, até a máquina de café os safados levaram.

— Nossa!

— E sabe como carregaram isso tudo? No carro dele! Pois é, até o carro levaram. E com o Ferreira foi a mesma coisa.

— É por isso que…

— Sim, é por isso que não troco de carro há dez anos! Os malandros passam na rua e devem ficar com dó da gente. Esses assaltos acontecem por aqui o tempo todo há anos! Os que te contei não foram os primeiros.

— Poxa, mas será que não tem outro jeito? Nossa casa tá muito largada…

— Não sei por que você tá reclamando. Aqui dentro não falta nada e temos mais coisas do que eles. E sempre sobra dinheiro pra gente viajar, pra comer em restaurantes, pra ajudar os meninos… Enfim, sem essa de pintar casa ou de comprar carro novo. Aliás, quem mandou você entregar meu revólver pro governo sem me avisar? Agora aguenta a feiura. Pelo menos estamos seguros.

— Daqui a pouco você vai querer que eu fique feia e me vista igual a uma mendiga só pra não ser assaltada na rua.

— Ué, pensei que você já fizesse isso.

Foi a última frase dita por Roberto. Com a frigideira que a mulher lhe deu na cabeça, desabou instantaneamente. Desesperada, chamou a ambulância. No hospital, os médicos do pronto-socorro disseram que ele havia sofrido um traumatismo craniano. Faleceu três dias depois. A viúva foi presa por homicídio.

— Não disse que eles eram estranhos? — perguntou Renata ao marido. — Aquela casa tenebrosa só podia ser de gente doente, psicótica. Quando encontrava a dona Marisa na rua, eu sempre me lembrava daquele filme “Meus vizinhos são um terror”. Ela gaguejava para falar e nunca me olhava nos olhos.

— Você tá exagerando, meu amor — tornou André. — Eles eram gente boa. Deve ter sido um crime passional.

— Hum. Se bem que é uma casa enorme, né. A gente podia dar uma olhada. Vai que os filhos a colocam à venda…

— Tá maluca? Eu é que não moro num lugar onde já morreu gente.

Pesadelos

Creio que foi no livro O Despertar dos Mágicos que li esta história bizarra: na Alemanha nazista, um sujeito foi se deitar, pegou no sono e, quando finalmente começou a sonhar, dois estranhos, vestidos com sobretudos de couro negro reluzente, colocaram-se diante dele e se identificaram como agentes da Gestapo.

— É proibido sonhar! — alertou um deles, em tom sombrio.

O cara ficou tão assustado que despertou imediatamente, voltando à realidade do pesadelo nazista.

Algo me diz que esses vampiros de capa preta do STF andam assombrando o sonho de muita gente:

— É proibido sonhar com um país honesto!

Físico do MIT clama pelo fim do “doutrinamento com doidices” do alarmismo climático

O físico da atmosfera Richard S. Lindzen, professor emérito da cátedra Alfred P. Sloan de Meteorologia no famoso Massachusetts Institute of Technology (MIT), voltou a refutar com abundante documentação os mitos catastrofistas contidos no pânico do “aquecimento global”, informou o jornal The Telegram, de Worcester, Massachusetts.

Na sua palestra, intitulada “Aquecimento Global ou Alarmismo Climático?”, ele desfez as demagógicas manchetes midiáticas que anunciam que “o mundo está chegando a seu fim”.

Isso absolutamente não está acontecendo, disse o Prof. Lindzen.

Um “aumento completamente insignificante” da temperatura global num décimo de grau centígrado constatado em 2016 serviu para o banzé midiático aterrorizar o mundo com a afirmação de que foi “o ano mais quente desde que se tem registro”.

Ele mostrou gráficos de oscilações da temperatura global acontecidas ao longo dos séculos e sublinhou que ditas oscilações são perfeitamente normais.

“A relação entre um modesto aquecimento e uma catástrofe que paira sobre nós é algo gritantemente falso”, disse Lindzen.

Ele alertou também contra o “doutrinamento das jovens gerações com doidices dessas”.

Os mares subiram de nível nos últimos 10 mil anos, a mudança climática é cí clica e natural, o aumento de CO2 por causa humana desde o início da Revolução Industrial é contestável.

Essas e outras “histerias” existem por causa de uma maliciosa “guerra pela energia” montada por propagandistas das esquerdas, que promovem “qualquer outra fonte de energia desde que não preste”.

Ele citou o — aliás, imoral — princípio de política formulado por H.L. Mencken: “Toda a arte da praxe política é manter a população alarmada e lhe prometer proteção contra uma série intérmina de espantalhos, a maioria deles fantasiosos”.

Chegou a hora de pôr um freio a todo esse alarmismo com a mudança climática, defendeu Lindzen.

O discurso do especialista pode ter parecido provocativo, considerando que falava na presença de rabinos, de um ex-diretor de pesquisas do câncer da Escola de Medicina da Universidade de Boston e de um bom número de estudantes da Universidade Clark, vários deles engajados nas posições opostas.

O rabino Chaim Fishman, por exemplo, perguntou-lhe demagogicamente para onde irão os ursos brancos quando derreterem os últimos blocos de gelo sobre os quais eles aparecem nas fotos.

O Dr. Lindzen respondeu que o número de ursos polares está crescendo tanto, que o governo canadense, ambientalista ele próprio, autorizou sua caça.

Acresce-se que eles não moram sobre os blocos de gelo, mas ficam sobre eles à espreita de suas vítimas, em geral focas e outros animais marinhos. Também são grandes nadadores predadores, que não se incomodam de andar de um iceberg a outro para devorar esses animais quando estão reunidos ou repousando.

Acresce-se ainda que os icebergs não estão desaparecendo, mas apenas derretem ciclicamente nos verões polares, sendo a objeção carente de conhecimentos básicos.

Fonte: Paz no Campo.

A Síndrome do Salvador

Assim que o garçom se retirou, fitou o amigo nos olhos e lhe disse à queima roupa: — Conheci uma garota incrível! Tô apaixonado.

— Sério? Eu a conheço?

— Não, não. Não costuma freqüentar os mesmos lugares que a gente.

— E onde você a conheceu? Pelo Tinder?

— Quase. Foi pelo Happn.

— Nunca ouvi falar.

— É um aplicativo parecido. Mas não tem tantas barangas nele.

Os dois riram.

— E ela? — tornou o amigo. — Também gostou de você?

— Cara… A gente saiu, rolou o maior clima, ficamos…

— Porra, será que agora sai casório? A gente tá ficando velho, Marcelo. Eu pelo menos acabei de noivar. Você precisa ver como é bom ter alguém ao nosso lado.

O outro fez uma careta: — Calma, né. A gente acabou de se conhecer. Não quero assustar a figura. Ela só tem vinte e um anos.

— E daí? Minha mãe se casou com vinte e dois.

— Outra época, uê. Antigamente nego se casava porque, do contrário, só comeria putas. Se o Vinícius de Moraes fosse jovem hoje, não teria se casado tantas vezes.

— Sei. Antigamente na época dos nossos avós, você quer dizer. Nos anos setenta e oitenta já era quase como hoje. E, se o Vinícius estivesse na ativa hoje, seria como a gente: teria um monte de ex-namoradas e nenhuma estrutura, nenhum filho, necas de pitibiriba. Ele pelo menos, por se casar, se reproduzia. Mas é também por causa desse bando de pós-Vinícius que andam por aí que os islâmicos estão dominando tudo, multiplicando-se feito coelhos.

— Caraca! Suas conversas sempre terminam nos islâmicos! Quando a gente se conheceu, terminavam em Deus. Será que a gente pode voltar ao assunto?

— Ok, ok. Foi mal — e depois de tomar um gole da cerveja: — Então me fala da garota.

— Bom — e os olhos de Marcelo brilharam. — Ela é linda, inteligente, divertida, carinhosa, tem uma voz hipnotizante… e é gostosa, claro.

— Claro — e Tiago devolveu o sorriso.

— Só tem um problema…

— Ai ai… — fez o amigo, suspirando. — Lá vem: não me diga que se meteu de novo com outra garota de programa? Pelo amor de Deus, véio, você tem de parar com isso! Esse papo de salvar putas não dá certo não.

— Mas eu já convenci duas a largarem essa onda errada.

— Eu sei. Mas elas se casaram com você? Não, porque você foi apenas o… digamos assim, o terapeuta! Elas não iam querer ficar com um cara que conhecia o passado delas e que as atormentou tanto por conta disso. Ainda não entendeu? Vai repetir a dose?

— Mas eu não disse que essa figura de agora é garota de programa, cacete! E vê se fala baixo!

Tiago arqueou as sobrancelhas, curioso: — Ah, não? Qual é o problema então?

— Véio… — e fez um muxoxo. — Ela é uma esquerdista roxa! Adora a Dilma até hoje e acha que estão fazendo uma injustiça com o Lula…

O amigo abriu os abraços, rindo: — Uê! Mas você disse que ela era inteligente!

— Não começa, Tiago. Você sabe que não é uma questão de inteligência. É uma questão de valores! Ela submete a inteligência dela a valores equivocados, só isso.

— Ou seja, ela é burra.

— Puta merda! Por acaso o Graciliano Ramos era burro? O Jorge Amado era burro? O José Saramago era? Claro que não! Eles tinham era um problema de cognição, uma dificuldade de avaliar os fatos e reconhecer os verdadeiros valores, cada qual à sua escala, uns mais, outros menos. Isso nada tem a ver com inteligência. E a Andréia é super inteligente, tem um ótimo senso de humor… Ela logo logo vai entender que…

Tiago, sacudindo a cabeça, interrompeu-o: — Que bosta, véio! Você tá fodido.

— Ué, por quê?

— Agora tô achando que seria melhor mesmo você se apaixonar por uma puta de esquina.

— Ai, meu saco. Que papo é esse, Tiago? Deixe de ser radical!

— Não estou sendo radical: estou sendo é realista.

— Como assim?

— Marcelo, você não percebe que vai acontecer tudo de novo?

— Tudo o quê?

— Essa sua mania de salvar as garotas do mau caminho, velho! Vai ser como aconteceu com as duas garotas de programa: você vai torrar o saco da figura, vai falar um monte de coisas com as quais ela não concorda, vai desafiá-la, vai lhe provocar muitas dores de consciência, enfim, vai apenas deixá-la ferida e puta da vida. É como se você pegasse um pedaço de terra improdutiva, arrancasse suas ervas daninhas e suas pragas, a arasse, lhe revolvesse o solo e… seu talento principal… lhe jogasse as sementes. Só que você a machucará tanto nesse processo que ela não vai mais querer saber de você. O arado machuca, cara! Por orgulho, mesmo que mais tarde ela comece a mudar de valores, ela não aceitará permanecer com o sujeito que a fez cair das nuvens. Já disse, é como preparar a terra para o plantio: você poderá semeá-la, mas quem irá colher os frutos do seu labor não será você, mas, sim, um outro reaça dotado de uma colheitadeira. Você só tem as ferramentas de aragem e de semeadura. Se soubesse colher alguma coisa, não estaria nesse perene estado de busca. Eu pelo menos estou noivo da garota que namoro há três anos. Já você, fica pulando de galho em galho, preparando-os para outros passarinhos. Estou errado?

Marcelo ficou em silêncio, pensativo. Não queria dar o braço a torcer, mas tampouco sentiu que havia inverdades naquela observação. Voltou a bebericar da cerveja, o olhar distante.

— Bom, parece que você me entendeu, né — tornou Tiago, depois de um minuto. — Tome cuidado, hem.

— Cara… quer saber? Eu vou é arriscar!

— Porra, bicho! Não vacila!

— Bom, eu tenho um ótimo argumento. Quer ver?

— Ver? Eu quero é ouvir. Qual é o argumento?

Marcelo tomou o celular sobre a mesa, destravou-o e entrou na galeria de imagens. Por fim, estendeu o braço ao amigo: — Dá uma olhada na figura! Já pegou alguma garota assim na sua vida?

Tiago, de olhos esbugalhados, ia admirando as imagens que Marcelo lhe exibia: — Nã… não… — gaguejou.

Andréia era deslumbrante. Parecia uma super-modelo: esguia mas dotada das necessárias e imprescindíveis curvas, seio farto, a clavícula conspícua, os braços delgados e frágeis, a cabeça altiva, os cabelos longos, lisos e brilhantes, os olhos grandes de boneca, lábios deliciosos… e se vestia como uma princesa, extremamente feminina.

— Cara, você tem certeza que ela é petista? — indagou Tiago, muito impressionado.

— Ela tem uma foto abraçada com o Lula e outra com o José Dirceu no Facebook dela.

— Puts!… Queria ver isso. Qual o nome dela?

Marcelo lhe deu o nome completo.

— Vou pesquisar depois — tornou Tiago.

O outro sorriu, vitorioso: — Não disse que meu argumento era lacrador? Vai me dizer que não tenho razão em arriscar?

— Rapaz, eu acho que você deve ir com tudo! Faça a maior limpeza na cabeça dela! Eu sempre recomendo, antes de sugerir autores conservadores, que um esquerdista deve primeiro ler Krishnamurti, porque esse doido indiano é um ácido corrosivo que não deixa ilusão sobre ilusão na cabeça do sujeito. Depois literatura da boa: Dostoiévski, Wassermann, Bernanos, Chesterton… Só então você deve fazê-la ler o Olavo de Carvalho, o Mário Ferreira, o Scruton, o Voegelin… enfim, os de alto calibre filosófico. E aí… — e Tiago sorriu, maquiavélico.

— E aí o quê?

— Aí, daqui uns seis meses, depois que vocês terminarem, vou ficar espiando o Facebook dela. Vai levar um ou dois anos, imagino, para ela começar a frutificar e a postar umas coisas reaças. A essa altura, eu já terei rompido meu noivado e já terei comprado uma colheitadeira!

Marcelo deu um tapão na mesa: — Ah, véio, vá se foder!

Tiago deu uma gargalhada: — Vamo beber! Vamo beber!

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