Blog do Yuri

palavras aos homens e mulheres da Madrugada

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O dia em que eu nasci — um soneto de Luís de Camões

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O dia em que eu nasci, morra e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar,
Não torne mais ao mundo e, se tornar,
Eclipse nesse passo o sol padeça.

A luz lhe falte, o sol se [lhe] escureça,
Mostre o mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.

As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.

Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!

Luís Vaz de Camões

Dead Kennedys, Jerry Brown e a decadência da California

Uma das coisas interessantes no artigo do MSM A perseguição do capital é o que ali se fala sobre o estado da California:

«Talvez o exemplo mais notável disso esteja na Califórnia, a maior economia dentre os 50 estados. De acordo com uma notícia no site Breitbart.com, “Êxodo: Carga tributária na Califórnia atinge 22%”, o “Estado de Ouro” (Golden State) está matando a galinha que botou os ovos de ouro. As mentes medíocres que governam a Califórnia estão agora propondo o aumento dos impostos para compensar a queda na arrecadação (veja Jerry Brown’s California Tax Increase Initiative para mais detalhes). Eles não entendem que a alta tributação pode matar milhares de negócios. E isso é exatamente o que está acontecendo na Califórnia.

«Como observado pela California Taxpayers Association, “a Califórnia é um estado de alta carga tributária, com uma das mais altas taxas sobre vendas, ganhos pessoais e empresas de toda a nação”. O estado tem a maior tributação sobre vendas do país inteiro (7, 25%); a segunda maior tributação sobre a gasolina de todo o país (48,6% por galão); a segunda maior tributação sobre ganhos pessoais com 10,3%; a maior taxa sobre ganhos corporativos de todo o Oeste; e apesar da Proposição 13, as taxas sobre propriedade na Califórnia posicionam o estado no 14º lugar.

«Como consequência dessa tributação e por conta de outras regulamentações, o estado da Califórnia perdeu 4.600 empresas no ano passado e é o pior gerador de empregos entre os 50 estados. Após a Bing Energy sair de Chino na Califórnia para a Flórida, o prefeito da cidade californiana foi citado no Los Angeles Times dizendo: “Eu entendo completamente porquê eles saíram. Com um governador Democrata eleito, além de todas as restrições ambientais, banco de horas e folgas dos trabalhadores, impostos sobre vendas e taxas sobre licenciamento de veículos… As companhias estão saindo aos montes…”. Quanto ao investimento na Califórnia, considere a matéria de Wendell Cox para o Wall Street Journal Online, ‘Califórnia declara guerra à classe suburbana’. Wendell explica porque a Califórnia está em direção a um penhasco fiscal. Os políticos daquele estado declararam guerra às famílias com casa própria “tudo em nome da salvação do planeta”.»

Governador Jerry Brown. O mesmo Jerry Brown de quem a banda punk Dead Kennedys fala nessa música de 1980 (quando ele próprio estava no poder):

Eu sou o governador Jerry Brown
Minha aura sorri e nunca faz caretas
Logo eu serei presidente
O poder de Carter logo se acabará
Eu serei o comandante um dia
Irei comandar todos vocês
Suas crianças irão meditar na escola
Suas crianças irão meditar na escola

Califórnia acima de todos
Califórnia acima de todos
Acima de todos, Califórnia
Acima de todos, Califórnia

Fascistas zen irão te controlar
Cem por cento natural
Você correrá pela raça superior
E sempre fará cara de contente
Feche seus olhos, não pode acontecer aqui
O grande irmão no cavalo branco está perto
Você pensa que os hippies não voltarão
Alegre-se ou você pagará
Alegre-se ou você pagará

Califórnia acima de todos
Califórnia acima de todos
Acima de todos, Califórnia
Acima de todos, Califórnia

Agora estamos em 1984
Batidas, batidas na porta da frente
É a policia secreta de camurça agarrada
Eles chegaram para sua infelicidade
Venha silenciosamente para o campo
Você parece tão bem quanto um interruptor
Não se preocupe é só um chuveiro
Para suas roupas aqui está uma linda flor
Morra num gás orgânico envenenado
As serpentes já saíram dos ovos
Você irá ser destruído seu pequeno palhaço
Se você se meter com o presidente Brown
Se você se meter com o presidente Brown

Califórnia acima de todos
Califórnia acima de todos
Acima de todos, Califórnia
Acima de todos, Califórnia

_____
Enfim, punks também têm intuição.

PTólatras Anônimos e outras coisas mais

Como o partido dos Mensaleiros continua ganhando prefeituras Brasil afora — e, quando perde, perde para outros partidos de esquerda — não nos resta nada senão apoiar a associação dos PTólatras Anônimos: nosso povo está doente e precisa de ajuda…

Também vale a pena ouvir de novo meu bate-papo com Olavo de Carvalho gravado logo após a reeleição de Lula:

Quem nunca ouviu meu podcast com Olavo, gravado em 2006, não sabe o que está perdendo — continua atualíssimo!

“Soneto à lua” – Vinicius de Moraes (lido por Yuri Vieira)

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Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros?

Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?

Fugaz, com que direito tens-me presa
A alma que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:

E és tampouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética, indefesa
Ó minha branca e pequenina lua!

Rio de Janeiro, 1938.
Vinicius de Moraes

  Soneto à lua (749,1 KiB, 1.604 hits)

Fernando Pessoa lido por mim

Drummond e Pessoa: novas gravações

Adicionei mais algumas gravações — feitas por mim, claro — de textos e poemas de Carlos Drummond de Andrade e Fernando Pessoa. Não deixe de ouvir outras na página de áudio do blog.

Receita de Ano Novo, de Carlos Drummond de Andrade:

  •   Receita de Ano Novo (1,6 MiB, 1.483 hits)

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Passagem das Horas (a), de Fernando Pessoa:

  •   Passagem das Horas (a) (7,2 MiB, 1.914 hits)

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Minha pátria é a língua portuguesa, de Fernando Pessoa (Bernardo Soares):

Trecho do Livro do Desassossego, de Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa. (Gravado durante uma ressaca. Sim, prefiro gravar com voz de ressaca.)

  •   Minha pátria é a língua portuguesa (3,6 MiB, 1.975 hits)

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Witold Lutosławski: “Variações sobre um Tema de Paganini”

“Variações sobre um Tema de Paganini” (1941), de Witold Lutosławski. Execução: Enrico Pace e Igor Roma.

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