10:18 amO rei Salomão e o matrimônio gay

O Rei Salomão

Enquanto isso, em 950 a.C., no palácio do Rei Salomão:

— Majestade, esses dois homens requerem vossa autorização para unir-se em matrimônio.

— Matrimônio? Aquele consórcio derivado do vocábulo que os romanos inventarão no futuro para referir-se a “mãe”?

— Não sei, majestade. Vossa alteza é que sois o sábio aqui.

— Certo, certo. Hum. Não ficariam satisfeitos apenas com um documento reconhecendo sua união civil?

— Não, majestade. Eles querem um matrimônio; e que seja realizado no templo.

— Entendo. Fazei o seguinte: ponde-os em cativeiro, se eles conseguirem se reproduzir, libertai-os e deferi a petição.

— Sim, vossa majestade.

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P.S. do dia 30/05/2013: Pessoal, esse esquete já se espalhou pela internet mediante emails (a maior parte das visitas tem essa origem), blogs, fóruns e redes sociais (basta jogar uma das falas no Google ou no FB, entre aspas, para se obter uma confirmação), em geral sem referência à minha autoria, o que não me incomoda em nada, já que, quando descobrem que sou o autor, lá vêm mil emails para me encher o saco e me atazanar. (E já tem até gente sendo censurada por minha causa.) O negócio é o seguinte: eu apenas tentei imaginar o que Salomão teria dito sobre o tema, nada mais, nada menos. E percebam que ele foi até um sujeito bacana, perguntou se “união civil” não seria o suficiente… Além disso, tal como afirmei no comentário abaixo, creio que Salomão, tal como no caso das mães que disputavam o bebê, estava apenas blefando, convicto de que os dois solicitantes desistiriam do intento de alterar a doutrina religiosa vigente. Eu, pessoalmente, não tenho absolutamente nada contra quem quer que seja, cada um que faça o que bem entender, contanto que não incomode o seu próximo. Aliás, tenho amigos de todo tipo, gays, extraterrestres e assim por diante. Na verdade, o que não me agrada é que um grupo se arrogue privilégios com fins políticos completamente alheios às razões alegadas. E, se alguns membros desse grupo não percebem que há outras razões subterrâneas, não passam então de inocentes úteis que deveriam informar-se melhor. (No caso dos homossexuais, sugiro o blog Gays de Direita e o artigo “Um homossexual condena os ‘direitos homossexuais’“.) É isto. Agora, por favor, parem de sobrecarregar meu formulário de contato e os comentários deste post com ofensas. (Os comentários sofrem moderação e eu estou cantando e andando para essa briga, logo, economizem seu tempo.) Obrigado.

11:20 amE o Brasil indaga: onde estás, Moisés?

A rota do Êxodo

Se você nunca viu a rota do Êxodo — lembra, né? aquela da fuga do Egito –, precisa ver o quão perspicaz foi Moisés. (Veja a linha vermelha tracejada aí acima.) Agora pense: por que diabos o cara não acompanhou a costa do Mediterrâneo seguindo diretamente para a tal Terra Prometida? Por que, em vez disso, ele seguiu duas vezes para o sul formando esses dois triângulos, um maior à esquerda e um menor à direita? Para evitar algum lobo mau que pudesse ameaçar o rebanho? Não. Esqueça as possíveis escaramuças com povos autóctones e bobagens do gênero — quem assustou o faraó poderia assustar qualquer um. Ora, o fato é que esses desvios de rota subtraíram 40 anos de vida aos hebreus! (Pausa para visualizar mentalmente toda aquela gente andando “em triângulos” pelo deserto anos a fio.) Hum. Pense novamente: terá sido mesmo um desperdício de tempo? Ou será que foi um ganho?

Bem, a verdade é que Moisés guiava um povo moral, intelectual e espiritualmente corrupto e, por isso, sabia que, se chegasse com essa turma da pesada à Terra Prometida, não iria senão liberar um povo da escravidão material para mantê-lo, em outra região, escravizado a seus próprios vícios e enganos. E, assim, esperto que só, Moisés saiu a passear lenta e pacientemente com a galera enquanto educava e estimulava toda uma nova geração dentro dos princípios e normas do Decálogo. De que adiantaria tentar recuperar as gerações cansadas que não queriam ser recuperadas? Consertar de fora para dentro os corruptos que insistiam em seus erros? “Quando o pau é torto até mesmo sua cinza é torta”, deve ter concluído o sábio ancião. Deste modo, quando o povo, isto é, a sua parcela corrupta original, já estava ou inteiramente morto ou demasiado senil para transmitir sua confusão anímica às novas gerações, Moisés, acompanhado enfim por um povo com a alma em ordem, finalmente chegou às portas da Terra Prometida. Não faz sentido? Para mim, faz. Um sujeito capaz de receber ordens do Céu não poderia ser tão ruim de direção…

E, por fim, com esse caso em mente, pergunto a mim mesmo: quantos séculos e quantos triângulos Moisés teria de desenvolver deserto afora e adentro para purificar a nação brasileira de tanta malandragem, de tanta astúcia, de tanta safadeza, de tanta maldade, ganância e burrice espiritual? Uns 400 anos?

8:26 amVampiros à moda antiga

Iris

Eu, que na infância adorava filmes de vampiro, andava com o estômago revirado com tantas besteiras vampirescas no cinema atual. Aliás, já nem acompanho mais as novidades cinematográficas com aquela sofreguidão juvenil de antes. Vou vendo filmes antigos e novos ao acaso, conforme as oportunidades e minha própria vontade. E, neste século, nada mais decepcionante do que um filme de vampiro. (Dá uma saudade do Christopher Lee daquele tamanho.)

Quem leu o livro Drácula (Bram Stoker) sabe que, nele, o vampiro é uma verdadeira praga, uma metáfora do mal, e que os personagens passam metade do tempo orando, pedindo força, coragem e fé a Deus para enfrentar algo tão terrível. (Na verdade, o filme Drácula de Bram Stoker não é senão Drácula de Francis Ford Coppola, pois, ao contrário de sua adaptação, não há nenhum amor romântico no livro.) Tal como eu disse na PUC TV (programa Da Hora), durante um debate a que fui convidado sobre a moda vampiresca, hoje em dia vampiros estão mais para “diabos levantados” do que para “anjos caídos”. E isso só é possível porque as pessoas perderam a noção do que realmente significa o termo maniqueísmo, pois acreditam que colocar, numa narrativa, o Bem a lutar claramente contra o mal seja um equívoco, isto é, que essa luta seja “maniqueísmo”, quando, na verdade, ser maniqueísta é acreditar justamente no contrário, a saber: que o mal é tão absoluto quanto o Bem, que ambos devem caminhar juntos, como gêmeos fundadores da realidade, e que, por isso, combater o mal não é senão uma perda de tempo. Besteira! Santo Agostinho fala muito bem sobre a burrice que é o maniqueísmo, do qual participou antes de abraçar o cristianismo. É preciso combater o mal, sim, como ocorre no livro Drácula. Afinal, tornar-se vampiro não é aprender a conviver com uma doença. Não! É entregar-se ao mal. Aqueles que se tornam vampiros, e mesmo assim não se entregam ao mal, deixam-se matar.

Enfim, tudo isso para dizer que, ontem, finalmente assisti a um filme de vampiros recente (2007) que me causou calafrios: 30 Days of Night. É a história de um povoado isolado no Alaska subitamente invadido por vampiros. Impressionante! Lembra muito o que Luiz Fernando Vaz comenta num artigo sobre zumbis. Claro, como quase tudo o que é bom no cinema, trata-se de uma adaptação (no caso, de uma HQ). E vale a pena. O filme, caso você o veja sozinho numa casa afastada, faz você dar uma saidinha para checar se as portas estão realmente trancadas. Não há vampiros “gente boa” e nem paixonites inocentes por rapazes que brilham no escuro e cuja maldade não é senão uma inadequação adolescente à realidade. Não. É, finalmente, um filme de vampiros à moda antiga.

P.S.: Eu disse que o filme é recente, mas minha sobrinha, que tem 14 anos de idade, achou-o antigo, pois foi rodado em 2007. Bom, para mim, filme antigo é filme mudo do início do século passado…

Eis o trailer:

9:05 amA viagem astral de Machado de Assis

Machado de Assis costumava publicar crônicas sob diversos pseudônimos. Apenas 40 anos após sua morte descobriu-se que, entre eles, encontrava-se o pseudônimo “Lelio”. Imagino que o utilizava quando sua abordagem do tema ultrapassava seu parâmetro normal de deboche. A crônica abaixo — Balas de Estalo — foi publicada no jornal Gazeta de Notícias, edição do dia 5 de Outubro de 1885, e trata de um tema então em moda: o espiritismo. Nele, Machado relata uma suposta viagem astral com um desenlace dos mais inesperados…

9:28 amEça de Queiroz e o médium

Estou me divertindo com a Hemeroteca Digital Brasileira. Muito bom ter acesso a tantos jornais e revistas antigos. Estava pesquisando uma informação dada por José J. Veiga, no livro Relógio Belisário, que cita o jornal Cidade do Rio, e acabei encontrando essa outra notinha das mais interessantes. Trata do encontro, em Paris, entre os escritores Eduardo Prado e Eça de Queiroz e um médium local. O jornal data de 21 de Maio de 1896.

11:25 amMonteiro Lobato fala sobre o parasita que suga a nação brasileira

Monteiro Lobato

Eu já havia postado minha própria leitura (áudio) da crônica abaixo no meu ex-blog. Agora, segue o próprio texto.

Novo Gulliver

Há lembranças da meninice que jamais se apagam do cérebro adulto, mesmo quando esse receptador de impressões não consegue, por fraqueza senil, reter as da véspera. Lembro-me de um cromo de vivas cores que vi aos cinco anos, reclame da linha de coser Coat, e não me lembro dos desenhos alegóricos a Cristo publicados nos jornais da última sexta-feira santa. Representava aquele cromo um gigante estirado à borda do mar e enleado de mil fios de linha Coat; em redor formigava a legião dos pigmeus amarradores. De mãos à cintura, muito contentezinhos, confundiam a imobilidade do gigante, consequência do bom sono que dormia, com a imobilidade da mosca enleada por mil voltas da teia de aranha.

Mais tarde, quando chegou o belo tempo dos livros de Grimm, Andersen e outros maravilhadores da imaginação infantil, travei conhecimento com Jonathan Swift e tive a explicação do meu cromo de Coat. Representava Gulliver no país de Liliput, amarrado durante o sono por mil cordas liliputianas. Mas Gulliver acordou, estirou os músculos e com um simples espreguiçamento rompeu, com grande assombro dos locais, toda a amarrilhoca que o prendia.

Quem trepa a um Corcovado imaginário e de lá procura ver em conjunto o Brasil, espanta-se da sua atitude. É um gigante deitado e amarrado. Mas não dorme; estertora com a respiração opressa e faz desordenados movimentos convulsivos para romper o cordame enleador.

O Gulliver sul-americano principiou a ser amarrado pelos portugueses, quando Portugal descobriu que em suas veias circulava ouro, o sangue amarelo; e desde aí até hoje os homens do cipó, vulgo homens do governo, outra coisa não fizeram, federal, estadual, municipalmente, senão dobrar cipós, cordas e fios de arame sobre seus membros para que, a salvo de pontapés, possam sugá-lo com suas trombinhas de percevejo.

Portugal só organizou uma coisa no Brasil-colônia: o Fisco, isto é, o sistema de cordas que amarram para que a tromba percevejante sugue sem embaraços. Quem lê as cartas régias e mais literatura metropolitana enche-se de assombro diante do maquiavélico engenho luso na criação de cordas. Cordas trançadas de dois, de três, de quatro ramais; cordas de cânhamo, de crina, de tucum, de tripa; cordas estrangulatórias de espremer o sangue amarelo e cordas de enforcar.

E assim foi até que um português de gênio impulsivo se condoeu da triste sorte do gigante e cortou o cordão umbilical que o prendia à Metrópole: corda mestra, corda mãe de toda a linda coleção de cordas fiscais secundárias. E o gigante respirou e viveu feliz, sobretudo no meio século de "compreensão" que o magnânimo filho do primeiro Pedro houve por bem outorgar-lhe.

Mas não há felicidade que dure mais de meio século. Uns bacharéis formados pela universidade da Lua e uns generais tentados pela serpente da traição implicaram-se com a velhice do príncipe magnânimo, acusaram-no de saber quatorze línguas, de assistir a exames de meninos, de boicotar com um célebre lápis azul os maus juízes, em vez de fazer as coisas interessantes que, quatrienalmente, postos no lugar do velho sábio, eles, bacharéis e generais, fariam. E deportaram-no; meteram-no a bordo dum mau navio e:

— "Vai ninar os netos de Victor Hugo. Tu não entendes de lidar com o gigante."

O bom velho partiu e os bacharéis e generais, a olharem-se uns para outros, sorridentes e gozosos, tomariam conta da casa.

Não diremos aqui das consequências inúmeras da mudança; basta que as sintamos todos os dias como o suplício da gota d’água; diremos somente da coisa capital que a república fez, faz e continuará a fazer. Estomagada com a liberdade de movimentos do bom gigante, resolveu amarra-lo de novo. Foi às cartas régias da Metrópole e ressuscitou uma a uma todas as cordas fiscais rompidas pelos Pedros; recompo-las e recomeçou a enlear pachorrentamente o pobre Gulliver. Amarra os braços, amarra as pernas, amarra as mãos; amarra, amordaça a boca para que não grite – e foi-se a Constituição; amarra os olhos para que não veja – e lá se foi a imprensa.

Sobre o corpo de Gulliver desceram todos os arrochos. Não bastaram os cipós e cordas de invenção lusa; importaram-se cabos de aço, torniquetes complicadíssimos, borzeguins medievais remodelados pela engenhosidade moderna. O Fisco tornou-se o objetivo supremo de todas as suas altas cogitações. Anualmente se reúnem, durante meses, centenas de técnicos cuja função é uma só: inventar novas torturas fiscais, novos aparelhos de sarjar as cames e extorquir sangue à vítima.

Gulliver estertora. Todas as suas forças emprega-as ele em defender-se das cordas e ventosas que o Congresso torce e engenha. O Santo Ofício virou um marquês de Sade repartido em bancadas; não se contenta em tirar sangue, há que tirá-lo da maneira mais dolorosa, da maneira mais incômoda, da maneira mais lesiva ao organismo do bom gigante. A invenção do novo borzeguim – imposto da renda – excede a tudo quanto saiu da cabeça dos inquisidores: a vítima ignora o que tem de pagar e se não paga com exatidão incide em pena de confisco! E se em desespero de causa pede ao Fisco que lhe explique o mistério, que lhe de a chave vertical e horizontal do quebra-cabeças, o marquês de Sade sorri e responde diagonalmente:

– Pague com cheque cruzado, e explica com grande ironia de detalhes como se toma de uma régua, duma pena molhada em boa tinta e como se cruza um cheque.

Não há criatura neste país que não confesse um desânimo infinito. As energias do homem que trabalha e produz despendem-se por três quartos na luta contra a escolástica e o sadismo da cipoeira fiscal; sobra-lhe uma pequena parte para dedicar à sua indústria. Até esforço muscular dos dedos o sadismo do fisco lhe rouba. Pela manhã, ao acender o primeiro cigarro, tem que gastar o esforço de duas unhadas para romper o selo com que o fisco tranca as caixas de fósforos e os maços de cigarro…

Este engenhoso sistema de tortura tem em vista uma coisa só: permitir que sobre o corpo do gigante a vermina duma parasitalha infinita engorde em dolce far niente, como o carrapato engorda no couro do boi pesteado.

Vermina ininteligente! Consultasse ela os carrapatos e receberia deles um conselho salutar:

– "É perigoso levar a sucção a grau extremo; morre o boi, e com ele a parasitalha."

Será que nem o instinto da conservação própria consiga meter um raio de inteligência nos miolos do Triatoma megista, nome científico do que vulgarmente chamamos governo brasileiro?

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Monteiro LobatoNa antevéspera – 1946.

8:13 amNovo livro: “Mestre de um Universo” (impresso e ebook)

São vinte e seis contos e crônicas escritos entre os anos 1990 e início dos anos 2000, tratando dos mais diversos temas, mormente cinema, política, religião, drogas, amor, etc. Todos trazem, de uma forma ou de outra, o peso da “virada do milênio” e muito humor.

A capa foi feita a partir de uma pintura do artista plástico Domício Ferreira.

Tanto o ebook (formato EPUB) quanto o livro impresso, já estão à venda na AgBook e no Clube de Autores. A versão para Kindle pode ser adquirida na Amazon.com, nesta página.

Para adquirir outros livros, visite minhas páginas na Amazon, no Clube de Autores e na AgBook.

1:43 pmNovo livro: “A Visitante do Planeta X” (impresso e ebook)

Acabo de lançar esta coletânea de contos e crônicas ao estilo da velha coleção “Para gostar de ler”. Bem, minha própria versão desse estilo, isto é, com algum humor negro, uma pitada de escatologia e uma que outra viagem mirabolante. Apesar da capa — ilustrada pela talentosa Rafaella Cândido —, capa essa cuja imagem não faz senão referência ao famoso caso de abdução Antônio Villas-Boas, trata-se de um livro sem temas polêmicos ou cabeludos, podendo ser lido por pessoas de todas as idades. Na verdade, todos os textos foram publicados, no final do milênio passado, em revistas da Editora Price e permaneceram inéditos na internet.

Tanto o ebook (formato EPUB) quanto o livro impresso, já estão à venda na AgBook e no Clube de Autores. A versão para Kindle pode ser adquirida na Amazon.com, nesta página.

10:43 amGraciliano e Vô Mocinho

Ontem, zapeando, ouvi o Ratinho anunciar a apresentação duma mulher que, através de pompoarismo, toca flauta com a vagina — e isso depois de mostrar um cara que, deitado de bruços, um rasgo nas calças, solta peidos enquanto seu assistente — olha que ótimo emprego — despeja um pó azulado nos seus gases. (Purpurina?) Um sujeito que nunca vi na vida – assistente do Ratinho? um cantor sertanejo convidado? vai saber… — chegou a defender tais performances, alegando que não eram baixarias, mas “cultura popular”. Sei… Enfim, lembrei-me de meu bisavô, o famigerado “Vô Mocinho”, que, no Rio de Janeiro, durante o programa do Chacrinha, costumava postar-se de costas para a TV, enquanto resmungava: “Velho descarado!”. Pois é, vô Mocinho, o senhor nem imagina como andam as coisas por aqui… Quem, como eu, quase nunca assiste à TV, seja aberta ou à cabo, fica sem aquele calo na sensibilidade, aquela proteção extremamente necessária para evitar certo asco pela nossa época. Fazer o quê? O chato é que essas coisas nos impressionam e todo artista sabe que arte é a expressão de suas próprias impressões. (O que explica alguns de meus contos cheios de baixarias…)

Ah, sim: e onde entra o Graciliano Ramos? Bem, como considero pompoarismo uma coisa muito interessante apenas entre quatro paredes, sem mais testemunhas além de mim mesmo — aliás, Sir Richard Francis Burton dizia que escravas exímias na arte do pompoarismo eram bem mais caras –, deixei o Ratinho no esgotinho e continuei zapeando, indo parar — quem diria — na TV Senado, onde assisti a um ótimo documentário sobre Graciliano Ramos que, física e moralmente, muito se assemelhava ao meu bisavô. Vários escritores e estudiosos dão seu depoimento. Lêdo Ivo, sempre direto, com suas ótimas tiradas, colocou alguns pingos nos i’s sem desconsiderar a majestade literária de Graciliano. Mas, no momento, eu só queria citar, de memória, dois detalhes interessantes do famoso Relatório escrito por Graciliano enquanto prefeito de Palmeira dos Índios: 1) segundo ele, sua principal função na administração pública era manter as ruas limpas e matar cachorros; 2) fazer carreira enquanto político é para gatunos e/ou imbecis, como ele não era nem uma coisa nem outra, entregou o cargo…

Em tempo: sei que tenho três dos livros dele aqui, mas não os encontrei — contudo, dá para baixar alguns ebooks do Graciliano na internet. Outra das vantagens de se ter um ereader

8:40 pmFaça gratuitamente o download dos meus ebooks nos formatos PDF, EPUB (Sony Reader, iPad, Positivo Alfa, etc.) e MOBI (Kindle, iPhone, Android, Blackberry)

A Tragicomédia Acadêmica – Contos Imediatos do Terceiro Grau

Um livro de contos que satiriza todos os âmbitos da vida universitária.

A Bacante da Boca do Lixo e Outros Escritos da Virada do Milênio

Coletânea de contos, crônicas e um ensaio escritos entre 1993 e 2008. Todos os textos trazem – seja de modo explícito ou implícito – um pouco do clima apocalíptico que contagiou aqueles anos.

Caso você possua um iPad e prefira ler o livro em PDF, use este aplicativo de leitura gratuito.

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Atualização de Julho de 2012: Devido a acordos com editoras, esses livros não estão mais disponíveis de graça. Visite a página de livros para saber com mais detalhes onde adquiri-los. (Incluindo as versões impressas.)