4:08 pmUm papo estranho

 

"Meus velhos amigos estão no Facebook, mas nunca conversam comigo."

"Os meus tampouco, na verdade, nem respondem minhas mensagens diretas."

"Os meus respondem no máximo com um ‘sim’, um ‘não’ ou um ‘talvez’."

"Por que será?"

"Ah, deve ser por causa de política ou de religião. Com o tempo as pessoas vão notando as diferenças de opinião e vão se afastando. Cada macaco no seu galho."

"Muito chato isso."

"Nem me fala."

"Mas acho que comigo isso acontece por outras razões…"

"Por exemplo?"

"Ah, a maioria parou de falar comigo depois que entrei numa festa armado, atirando em todo mundo."

"Como é?!"

"Sério, mas não matei ninguém não. Era um revólver de espoleta."

"Ah, bom…"

"Mas ninguém achou graça. Com a paranóia geral, ficaram foi putos, pensando que era de verdade. Teve gente que se jogou debaixo da mesa; muito engraçado. A namorada de um amigo meu me xingou pra caramba, aí chamei ela de puta e tal."

"Credo."

"Ah, mas era uma vagabundinha mesmo. Já tinha dado pra todo mundo, só ele não sabia. Até aquele momento, claro. E sobrou pra mim: o cara me encheu de porrada."

"Puts…"

"Pelo menos não foi como numa outra festa, onde servi um space cake pra galera."

"Que que é isso?"

"Um bolo feito de maconha, porra."

"Ah, tá…"

"Aí sim quiseram me matar… Todo mundo alucinando e tal. Chamaram a polícia, imagine. Esse pessoal careta, quando finalmente fica louco, perde as estribeiras…"

"Você parece ser meio psico, né."

"Psico? Só eu?"

"Bom, eu nunca fiz esse tipo de coisa. No máximo declaro abertamente minhas posições sobre política, religião…"

"E só eu sou psicótico?"

"E o que há de psicótico em assumir minhas idéias numa rede social?"

"Bom, nisso não há nada de psicótico, mas, se você já se esqueceu, estamos ambos com o pau de fora conversando no Chatroulette…"

"Hum, é verdade. Já tinha até abstraído. Mas é que, caramba, só tem pau de fora aqui e as garotas nunca conversam com a gente."

"Tá, mas é injusto, numa situação como essa, eu ser o único psicótico…"

"Ok, ok, me desculpa."

"Pelo menos a gente consegue conversar, ao contrário do que ocorre com nossos antigos amigos."

"Isso é verdade."

"A gente podia se adicionar no Facebook…"

"Tá louco, meu! Você acha que vou adicionar um cara de quem só vi o pau! Tá achando que sou bicha? Vai se ferrar, cara!"

"Ah, vai você, seu idiota!"

E então ambos apertaram no "Next".

3:24 pmComo era a impressão de livros em 1947?

Um vídeo da época em que o escritor realmente merecia apenas 10% do preço de capa…

____
Publicado originalmente no Digestivo Cultural.

7:41 amO futuro do livro

The Future of the Book. from IDEO on Vimeo.

Meet Nelson, Coupland, and Alice — the faces of tomorrow’s book. Watch global design and innovation consultancy IDEO’s vision for the future of the book. What new experiences might be created by linking diverse discussions, what additional value could be created by connected readers to one another, and what innovative ways we might use to tell our favorite stories and build community around books?

www.ideo.com

Sinceramente? Isso tudo pode ser muito útil às mais diversas áreas do conhecimento — essas que exigem o estudo de guias, manuais e livros teóricos — mas me causa uma ansiedade dos diabos me imaginar lendo literatura com tanta informação a invadir minha página. A solidão do leitor é necessária para que a literatura aconteça e se lhe torne uma companhia.

8:31 amCopiar não é Roubo / Copy is not theft



O vídeo acima me lembra que, meses atrás, respondi a uma pergunta no Formspring sobre direitos autorais. (Leia aqui.) Continuo pensando da mesma forma no que se refere a “atribuição de autoria”, “obras derivadas” e tudo o mais. Mas o problema da remuneração continua, cada vez mais gordo, enquanto os artistas não bancados pelo ☭Estado☭ emagrecem a olhos vistos. (Arte é, em certo sentido, um investimento de tempo, o qual se cristaliza na forma de dinheiro, que, por sua vez, está nas mãos do Estado — impostos, gente! impostos! — ou nos bolsos de investidores incultos.) Num mundo ideal, creio que o mais correto seria — no caso dos ebooks, por exemplo — os livros espalharem-se livremente pela rede e, caso o leitor gostasse do texto, que então fizesse (de livre e espontânea vontade, lógico) uma doação ao autor através do PayPal (ou serviço semelhante). Infelizmente o mundo ideal não existe e as pessoas não querem jogar moedinha no chapéu de artista nenhum, essa gente à toa, essas cigarras desprovidas de senso prático. Aliás, aqui no Brasil, retribuir financeiramente algo que se recebeu “de graça”?! Isso nem nos passa pela cabeça. A Lygia Fagundes Telles, quando a visitei anos atrás, me disse que ganhava mais dinheiro dando palestras que através de direitos autorais. Talvez, da mesma forma que os músicos foram obrigados a sair em turnê para conseguir sobreviver — e temos de agradecer aos arquivos MP3 por isso (graças a esse estado de coisas já rolou até um show do The Doors a dois quarteirões da minha casa; sim, sem o Jim Morrison) –, da mesma forma que os músicos, os escritores terão de fazer o mesmo: sair a dar palestras, oficinas literárias, de roteiro, fazer stand-up comedy ou coisa assim. Só que as pessoas tampouco parecem saber que isso é possível e, além de conveniente, uma necessidade para o escritor. Quando finalmente o convidam, a não ser que seja um evento patrocinado pelo Estado (ah, esse nosso socialismo disfarçado…), querem que você faça, sim, tudo de graça, o que me lembra este outro vídeo aqui.

Mas o assunto era Copyright… Bem, este site apresenta a questão de uma forma bastante abrangente. E esta palestra (também em inglês, sem legendas) resume bem a situação toda. E, claro, é sempre bom, em casos assim, recorrer ao Mises Institute: aqui e aqui.

10:14 amCarl Sagan e o contato com civilizações extraterrestres

Carl Sagan

« Um motivo padrão na ficção científica e na literatura de UFOs assume serem os extraterrestres tão capazes como nós. Talvez tenham um tipo diferente de espaçonave ou raios, mas em uma batalha — e a ficção científica adora descrever batalhas entre civilizações — nós e eles competimos igualmente. Na verdade, não há quase chance de duas civilizações galácticas interagirem no mesmo nível. Em qualquer confronto, uma quase sempre dominará inteiramente a outra. Um milhão de anos é muita coisa. Se uma civilização avançada estiver para chegar em nosso sistema solar, não haverá nada que possamos fazer a respeito. Sua ciência e tecnologia estarão muito além de nós. É perda de tempo preocuparmo-nos com as possíveis intenções malévolas de uma civilização avançada com a qual deveremos estabelecer contato. É mais provável que, se sobreviveram tanto tempo, isto signifique que tenham aprendido a viver com eles mesmos e com os outros. Talvez nossos receios sobre um contato extraterrestre sejam meramente uma projeção de nosso próprio passado, uma expressão da nossa consciência culpada pela nossa história anterior, a destruição de civilizações só um pouco mais atrasadas do que a nossa. Lembramos Colombo e os Arawaks, Cortés e os Astecas, mesmo o destino dos Tlingits nas gerações pós-La Pérouse. Lembramo-nos e preocupamo-nos. Mas se uma armada interestelar aparecer em nossos céus, prevejo que seremos muito obsequiosos.

« É muito mais provável um tipo bem diferente de contato — o caso que já discutimos, no qual recebemos uma mensagem complexa e rica, provavelmente pelo rádio, de outra civilização no espaço, mas não estabelecemos, pelo menos por um tempo, um contato físico com ela. Neste caso não há como a civilização transmissora saber se recebemos a mensagem. Se acharmos o conteúdo ofensivo ou assustador, não seremos obrigados a responder. Mas se a mensagem contiver uma informação valiosa, as conseqüências para a nossa própria civilização serão espantosas — visões de ciência, tecnologia, arte, música, política, ética, filosofia e religião alienígenas, e acima de tudo, uma profunda desprovincialização da condição humana. Saberemos o que mais é possível.»

________

Cosmos, de Carl Sagan.

 

E se o contato já tiver ocorrido? E se foi utilizado um meio mais eficaz que o rádio? E se a mensagem já estiver na internet?

Hehehe…

2:09 pmAntony Sutton e os verdadeiros donos do poder

Entrevista de Antony Sutton a Stanley Monteith, 1980: “Wall Street and the Rise of Hitler” (legendas em português) from midiaamais on Vimeo.

Transcrição e tradução: Henrique Dmyterko

“O argumento que permeia todos os meus livros: nos altos escalões, não há diferença entre um grande capitalista e um grande comunista — eles estão entrelaçados.” ~ Antony Sutton

Faça o download de alguns livros de Antony Sutton aqui.

9:49 amOsman Lins e o mais profundo meio de comunicação

Osman Lins

« Nenhum meio de comunicação está apto a substituir a literatura. A liberdade de um escritor é a sua pobreza. Ele depende apenas de um lápis. Nem de papel ele necessita. Os muros das prisões estão cheios de palavras, de coisas escritas, de expressões humanas … Está havendo atualmente uma mística das conquistas científicas. Isso não significa que essas conquistas sejam mais avançadas. Elas são apenas mais novas. O fato de serem mais novas não significa que sejam mais avançadas. Nenhuma é tão avançada, enquanto conquista espiritual, como a escrita. Difícil será ultrapassar a capacidade crítica de uma obra literária. É, de todas as comunicações, a mais profunda.»

Osman Lins, citado por Ermelinda Maria Araújo Ferreira, no ensaio Motivos medievais em molduras hipertextuais (PDF).

9:40 amComo os “indie ebooks” irão transformar o mercado livreiro

Sorry, macacada: apresentação de slides apenas em ingrêis

9:10 amWerner Heisenberg fala sobre o progresso tecnológico

Werner Heisenberg

« É claro que essas observações não devem ser entendidas como uma subestimação dos danos que possam ser feitos ou que, de fato, foram feitos às antigas tradições culturais, como resultado do progresso tecnológico. Todavia, levando-se em conta que esse processo já há muito escapou a qualquer controle das forças humanas, devemos aceitá-lo como uma das características mais essenciais do nosso tempo, e, em conseqüência, deveremos procurar relacioná-lo com as concepções culturais e religiosas anteriores. Talvez o leitor me permita, neste ponto, contar uma pequena estória legada pela religião hassídica. Era uma vez um rabino, famoso por sua sabedoria, a quem todos procuravam na necessidade de um conselho. Um dia um homem visitou-o, desesperado com todas as mudanças que ocorriam à sua volta, especialmente pelos males que sobrevinham do progresso técnico. “Todas essas coisas técnicas não prestam para nada, quando se considera os reais valores da vida, não é verdade?”, perguntou o visitante. “Pode ser que assim seja”, respondeu o rabino, “mas quem souber adotar a atitude correta, poderá aprender de qualquer situação”. “Não”, retrucou a visita, “nada se pode aprender de coisas tolas como estradas de ferro, telefones e telégrafos”. Mas o rabino persistiu: “Você está enganado. Uma ferrovia poderá ensinar-lhe que uns poucos segundos de atraso poderão pôr tudo a perder. O telégrafo poderá fazer-lhe entender que cada palavra conta e o telefone, que tudo o que falamos será ouvido em outro lugar”. O visitante compreendeu o sentido da lição e se foi.»

Werner Heisenberg (1901 – 1976), in Física e Filosofia.

12:50 pmO futuro do livro diante das novas mídias digitais

Alexandre Martins Fontes (diretor da editora Martins Fontes), Rogério da Costa (professor da pós-graduação em Comunicação da PUC-SP) e a jornalista Mônica Waldvogel (Entre Aspas, Globonews) debatem sobre o futuro do livro diante das novas mídias digitais.

(Via @PaginadaCultura)

12:11 pmEntrevista com a blogueira cubana Yoani Sánchez

Os vídeos abaixo foram gravados e estão disponíveis graças ao site Saraiva Conteúdo. (Leia o depoimento de Marcio Debellian a respeito dessa entrevista com Yoani Sánchez.)

(Via @joseroldao.)

2:15 pmO chamado de Jill Tarter para apoiar o programa SETI

Jill Tarter do Instituto SETI faz seu pedido do prêmio TED: acelerar nossa pesquisa por vizinhos cósmicos. Usando um crescente conjunto de rádio telescópios, ela e seu time escutam à procura por padrões que possam ser um sinal de inteligência em algum lugar no Universo.

 

7:09 amImpressão sob demanda

Quando pela primeira vez li a respeito de uma máquina que, a partir de um arquivo de texto, e com um mero apertar de botão, seria capaz de fabricar um único livro, incluindo a capa, fiquei eufórico: ¿seria o fim do grande risco que todo editor corre ao publicar bancar um novo autor, já que tal publicação costuma se materializar num grande número de exemplares, o que significa um grande investimento e, na pior das hipóteses, um possível encalhe? Uma máquina assim significaria também, para o autor iniciante, um acesso facilitado à publicação de sua primeira obra. Porque, se nós jovens autores sentimos raiva e frustração cada vez que uma conhecida editora rejeita nosso livro, é preciso que também tomemos ciência de um fato econômico muito importante: “TANSTAAFL”. Hã?! Explico: “There Ain’t No Such Thing As A Free Lunch” ou, em bom português, “Não existe esse tal de almoço grátis”. A frase, cunhada pelo escritor Robert A. Heinlein — no livro The Moon is a Harsh Mistress — e associada ao pensameno do economista Milton Friedman, quer dizer isso mesmo: há sempre alguém pagando por aquilo que se consome. E não adianta citar o financiamento público da arte: o dinheiro usado ali foi subtraído ao povo por meio de impostos. Logo, o que haveria de mais revolucionário no mundo dos livros do que a publicação sob demanda? Ao invés de mil livros impressos e apenas dez vendidos, temos um livro para cada despertar de uma vontade… Enfim, li a notícia sobre essa prometida máquina em 1999, na Casa do Sol, e testemunhei um brilho de esperança no olhar da escritora Hilda Hilst, a quem dei a notícia, e que tinha então um longo histórico de decepções com editores: aos 69 anos de idade ela ainda não tinha contrato com uma boa editora. Se para ela era difícil, ¿o que eu poderia esperar? Simplesmente desisti de correr atrás de editoras. Às grandes editoras interessa apenas um tipo de autor: aqueles que, de algum modo, cresceram e apareceram. Não sou um deles.

A Hilda Hilst faleceu em 2004 tendo a “sorte” de, às portas da morte, finalmente ser publicada por alguém que, além de imprimir o livro, ainda o distribuiu e divulgou. Sim, foi uma “sorte”, mas coloco a palavra entre aspas porque a escritora já estava muito debilitada e desiludida da vida para conseguir gastar o dinheiro que finalmente passou a receber com seu trabalho. E o dinheiro jamais seria o bastante para pagar sua dívida de quase um milhão de Reais com o IPTU. Detalhes…

Todo esse preâmbulo é para avisar aos jovens autores brasileiros que a impressão de livros sob demanda finalmente chegou ao Brasil e, por enquanto, atende pelo nome de Clube de Autores. ¿Será que adquiriram a citada máquina de Jason Epstein? Não sei. O importante é saber que o autor não precisa gastar nada, basta subir seu livro em PDF até o site, configurar uma capa e divulgar a página de venda do seu livro. (Para tanto, ¿que tal usar o Google AdWords?) Cada vez que alguém comprar o livro online, este será impresso e enviado ao comprador pelo Correio, uma verdadeira mão na roda. Eu já aderi ao sistema. E espero que outros autores se sintam aliviados por seguir o exemplo. Nem todo mundo tem o desprendimento de um Fernando Pessoa, isto é, de alguém que escreve apenas para a posteridade. Porque, em geral, quando não publicamos, nos sentimos como uma represa sem vazão, como uma fonte estagnada. E é muito chato lançar ebooks e ficar ouvindo: “desculpe, mas não leio no computador”. (Agora terá de ler, papudo!!) E vamos torcer para que, um dia, essas máquinas estejam espalhadas pelas livrarias do país.

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