8:10 amJericho X Jerichoacoara

Jericho

Não sei se vocês já viram no Netflix uma série chamada JERICHO. São as aventuras e desventuras de uma cidade do interior dos EUA após a explosão de umas vinte bombas nucleares em solo americano. De repente, o povo vê aquele cogumelo no horizonte e apenas semanas depois — já sem energia elétrica, comunicação e combustíveis, e com pouco alimento — descobre a gravidade da situação: o país já foi até mesmo dividido em três e está à beira de nova guerra civil. (Os culpados pelo Armagedom, claro, foram escolhidos pelos roteiristas a dedo esquerdo…) Enfim… imaginei uma versão brasileira da série: JERICHOACOARA. Um sujeito se manda para umas férias em Jericoacoara, fica deslumbrado com o lugar e decide largar tudo para viver ali. Casa-se com uma linda hippie, ex-modelo, compra uma pousadinha, tem uns quatro filhos e, apenas após vinte anos, descobre que o mundo, três dias depois de sua mudança para lá, havia sido completamente devastado por uma guerra nuclear. Em Jericoacoara ninguém ficou sabendo…

3:35 pmQuando os cientistas mentem

Na Bíblia, o termo “escândalo” costuma ser evocado para designar a comoção causada por uma informação que abala as crenças e a fé de uma pessoa. Para tentar experimentar tal sensação, assista à entrevista abaixo, concedida ao Jô Soares pelo cientista Ricardo Augusto Felício, professor de climatologia na USP. Entre outras coisas, somos informados de que não apenas o famigerado aquecimento global é uma farsa – na verdade, “aquecimento global” é apenas uma estratégia para o aumento do poder político de certas organizações internacionais – mas também somos informados de que não existe nem nunca existiu uma camada de ozônio – tudo não passou da ganância de certos empresários, os quais, em face do término das patentes que tornavam o CFC um gás lucrativo, decidiram patentear outro gás (HCFC) e espalhar a mentira de que o CFC danifica a “camada de ozônio”, substituindo-o por outro ainda mais caro -, de que a Amazônia não é o “pulmão do mundo” coisíssima nenhuma – a região amazônica não é quente e úmida por ter uma rainforest, senão que ela tem uma floresta porque a região é e sempre será, graças aos oceanos (os verdadeiros pulmões do mundo), sempre será quente e úmida, o que siginifica que, caso a floresta seja inteiramente derrubada, bastará um século para que cresça de novo por inteiro -, e assim por diante.

Aliás, o jornalista Charles C. Mann, após entrevistar grande número de cientistas, afirma que enorme parte da Amazônia já havia sido derrubada pelo homem antes mesmo da chegada de Colombo, e a prova disso está nos geoglifos, semelhantes aos de Nazca, que vêm surgindo em nosso próprio país conforme a floresta é novamente derrubada. (Veja entrevista com Charles C. Mann, e imagens aéreas dos geoglifos, no programa Milênio. Este é um dos livros dele.)

Enfim, se você costumava dar risadinhas cabotinas diante das crenças ingênuas de gente que acredita em “coisas” tais como Deus ou, digamos, a imortalidade da alma, saiba que algumas de suas certezas científicas (crenças!) foram desmentidas primeiro e que essas outras talvez jamais o sejam. (Escandalizado? Não? O Jô ficou, e por isso vale a pena rir das reações dele diante das revelações do professor Ricardo Augusto.)

P.S.: Ah, sim: a temperatura média da Terra está caindo desde 1998.

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Publicado originalmente no blog do Digestivo Cultural.

10:33 amO Traça (The Bookworm), personagem do seriado Batman

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« Na finada série Batman, havia um vilão, o Traça [The Bookworm, interpretado por Roddy McDowall], que virou bandido porque leu todos os livros existentes e, incapaz de criar algo por si próprio, entregou-se à loucura.»

De uma matéria da finada revista Bizz.

Atualmente, os discípulos do Traça não fazem outra coisa a não ser navegar pelos sete mares da internet em busca de vítimas indefesas e de pouca paciência. Dia após dia, noite após noite, eles dedicam-se a fazer comentários azedos e cheios de empáfia nos blogues alheios. (Sim, também gostam de bater boca via Twitter, Facebook e listas de discussão. Adoram caçar erros ortográficos, de concordância ou de mera digitação.) Diferenciam-se dos trolls porque, de fato, leram e estudaram um pouquinho mais do que estes. No entanto, vale lembrar, já não conseguem ler tanto quanto seu mestre porque, afinal de contas, a internet consome muito tempo. E, claro, nem é preciso dizer que nunca criam nada de interessante por si mesmos…