palavras aos homens e mulheres da Madrugada

Mês: julho 2010

A Desobediência Civil, de Henry David Thoreau

Henry_David_Thoreau

« Aceito com entusiasmo o lema "O melhor governo é o que menos governa"; e gostaria que ele fosse aplicado mais rápida e sistematicamente.»

(…)

« Há seis anos que não pago o imposto per capita. Fui encarcerado certa vez por causa disso, e passei uma noite preso; enquanto o tempo passava, fui observando as paredes de pedra sólida com dois ou três pés de espessura, a porta de madeira e ferro com um pé de espessura e as grades de ferro que dificultam a entrada da luz, e não pude deixar de perceber a idiotice de uma instituição que me tratava como se eu fosse apenas carne e sangue e ossos a serem trancafiados. Fiquei especulando que ela devia ter concluído, finalmente, que aquela era a melhor forma de me usar e, também, que ela jamais cogitara de se aproveitar dos meus serviços de alguma outra maneira. Vi que apesar da grossa parede de pedra entre mim e os meus concidadãos, eles tinham uma muralha muito mais difícil de vencer antes de conseguirem ser tão livres quanto eu. Nem por um momento me senti confinado, e as paredes pareceram-me um desperdício descomunal de pedras e argamassa. O meu sentimento era de que eu tinha sido o único dos meus concidadãos a pagar o imposto. Estava claro que eles não sabiam como lidar comigo e que se comportavam como pessoas pouco educadas. Havia um erro crasso em cada ameaça e em cada saudação, pois eles pensavam que o meu maior desejo era o de estar do outro lado daquela parede de pedra. Não pude deixar de sorrir perante os cuidados com que fecharam a porta e trancaram as minhas reflexões – que os acompanhavam porta afora sem delongas ou dificuldade; e o perigo estava de fato contido nelas. Como eu estava fora do seu alcance, resolveram punir o meu corpo; agiram como meninos incapazes de enfrentar uma pessoa de quem sentem raiva e que então dão um chute no cachorro do seu desafeto. Percebi que o Estado era um idiota, tímido como uma solteirona às voltas com a sua prataria, incapaz de distinguir os seus amigos dos inimigos; perdi todo o respeito que ainda tinha por ele e passei a considerá-lo apenas lamentável.

« Portanto, o Estado nunca confronta intencionalmente o sentimento intelectual ou moral de um homem, mas apenas o seu corpo, os seus sentidos. Ele não é dotado de gênio superior ou de honestidade, apenas de mais força física. Eu não nasci para ser coagido. Quero respirar da forma que eu mesmo escolher. Veremos quem é mais forte. Que força tem uma multidão? Os únicos que podem me coagir são os que obedecem a uma lei mais alta do que a minha. Eles obrigam-me a ser como eles. Nunca ouvi falar de homens que tenham sido obrigados por multidões a viver desta ou daquela forma. Que tipo de vida seria essa? Quando defronto um governo que me diz "A bolsa ou a vida!", por que deveria apressar-me em lhe entregar o meu dinheiro? Ele talvez esteja passando por um grande aperto, sem saber o que fazer. Não posso ajudá-lo. Ele deve cuidar de si mesmo; deve agir como eu ajo. Não vale a pena choramingar sobre o assunto. Não sou individualmente responsável pelo bom funcionamento da máquina da sociedade. Não sou o filho do maquinista. No meu modo de ver quando sementes de carvalho e de castanheira caem lado a lado, uma delas não se retrai para dar vez à outra; pelo contrário, cada uma segue as suas próprias leis, e brotam, crescem e florescem da melhor maneira possível, até que uma por acaso acaba superando e destruindo a outra. Se uma planta não pode viver de acordo com a sua natureza, então ela morre; o mesmo acontece com um homem.»

A Desobediência Civil, de Henry David Thoreau.

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Atualizações semanais no Twitter em 2010-07-05

  • Interessante: no islã, o homem ora diante do mundo (em pé), de si mesmo (sentado) e da divindade (prostrado), tal como no nome Adão: عدن #
  • @lgfp Revendo minhas anotações de quando li o livro, 11 anos atrás… :^) (Rapaz atento, hem.) in reply to lgfp #
  • Veja o que acontece quando vc vai a uma repartição pública para tentar resolver um problema qualquer: http://goo.gl/FNkv #humor #governo #
  • Quando mil fotos se transformam em apenas uma – (via @abcaldas) – http://bit.ly/9SnL6C #
  • A torcida + animada da Copa: meu sobrinho (9) foi assistir desenhos na outra sala, meu pai dormiu à minha direita e meu cunhado, à esquerda! #
  • @nowhere_gal Gosto de acompanhar os jogos, mas certamente me envolvo emocionalmente menos do q os árbitros, pouco me importa se é o #bra 🙂 in reply to nowhere_gal #
  • Quando uma mulher tiver criticada sua vaidade de maquiagens e apetrechos, ela pode citar Hegel: «A aparência é essencial à essência». #
  • Uma vitória na #worldcup tem o mesmo efeito de uma pedrada numa casa de marimbondos: os marimbondos humanos ainda estão exaltados lá fora… #
  • @capflowwatch You are welcome. :^) in reply to capflowwatch #
  • @AntonioGuerino Exigir a verdade do Michael Moore é querer um pouquinho demais… :^) in reply to AntonioGuerino #
  • « A filha de Warren Beatty decidiu que vai virar um homem. Segue a onda da filha de Cher, que já virou um homenzarrão» – http://goo.gl/l5Do #
  • Quando se chega à disputa por pênaltis, concordo com aquela crítica de um norte-americano ao soccer: ¿por que não decidem na cara-ou-coroa? #
  • « A história das universidades é a história espiritual das nações.» ~ Otto Maria Carpeaux (Ih, véi, tamo ferrado meeeeesmo!) #bra #
  • @lematta Verdade, o som tem tudo a ver. E olha um "bom" título: "Marimbondos de Funk". :^) in reply to lematta #
  • @danitakinn @biajoni Legal mesmo é quando o Correio entrega convites de eventos ocorridos há mais de uma semana… :^( in reply to biajoni #
  • Ei, se vc conhece alguém que ainda ache a @Dilmabr e a turma do PT fofas, rosadas e com cheirinho de morango, aconselhe-o a ver #ToyStory3 #
  • Pessoal do meu curso de roteiro: observe como a @DisneyPixar leva às últimas conseqüências a estrutura mítica da "Jornada do Herói"… #
  • Pessoal do meu curso de roteiro: observe c/ a @DisneyPixar leva às últimas conseqüências a estrutura mítica da "Jornada do Herói" #toystory3 #
  • Impressionante: comparação dos custos de 1 único deputado e 1 único senador, por ano, no #bra #ita #fra #esp #arg http://goo.gl/tdPI #video #
  • «1ro regime totalitário da modernidade e a organização da massa militante foram invenções de Calvino na #sui protestante» http://goo.gl/urDf #
  • «o público ñ tem a menor idéia das técnicas de engenharia social q substituíram maciçamente as normas do bom jornalismo.» http://goo.gl/DLbS #
  • @soares15 Sei não. (Porque há gente mais interessante do que eu.) Mas talvez seja isto: interesse-se por temas consistentes, notáveis. :^) in reply to soares15 #
  • «Nenhuma nação jamais caminhou da pobreza para a prosperidade através da retórica ou das burocracias.» Thomas Sowell http://goo.gl/0Uyf #
  • @dennisd Fato. :^) in reply to dennisd #
  • « Lula fala do Brasil, 75.º colocado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), como se fosse uma Noruega.» http://goo.gl/bkQT #
  • @dennisd Para receber "alento espiritual", imagino que Santo Agostinho teria preferido a oração à leitura… in reply to dennisd #
  • Os leitores do Urantia Book são como os cristãos que se reuniam nas catacumbas: os "romanos" ainda não ouviram falar deles — mas ouvirão… #
  • Continua impressa na minha memória a Provação (vide "a jornada do herói") no #toystory3 Aquilo deve amadurecer uma criança uns 10 anos. 8^o #
  • "Harry Bates was paid a mere $500 by 20th Century-Fox for the rights to his short story Farewell to the Master." (Puts!!) http://goo.gl/sYUY #
  • Sim, isso explica por que Henry Miller mandou Hollywood à merda no final dos anos quarenta… http://goo.gl/wqSb #
  • Em 1982/1986, meu trauma com a Copa foi tão grande q nunca mais me envolvi emocionalmente c/ futebol.Findo o jogo, fui tomar vinho argentino #
  • "O dia em que a Terra parou" (crônica velha no Digestivo) http://goo.gl/qKjo #worldcup #bra #
  • "Buenos Aires festejó la derrota brasileña casi como un triunfo propio" – http://goo.gl/EYQV #
  • @robsoncunha Nem comentarista da Globo… :^) in reply to robsoncunha #
  • @taysrocha Bom, espero que agora vença alguém que nunca foi campeão antes. Muito chato esse monopólio dos mesmos de sempre. :^) in reply to taysrocha #
  • Lema de Gana: "Liberdade e justiça". Hino nacional: "Deus Abençoe Nossa Pátria Gana". Língua oficial: "gazes". (Gazes?) http://goo.gl/xGr7 #
  • Moral da história: o futebol é como a política — nele, o crime também compensa. #gha #uru #worldcup :^P #
  • Lema do Uruguai: "Libertad o Muerte". http://goo.gl/MRz5 Lema de Gana: "Liberdade e justiça". http://goo.gl/xGr7 Futebol é injusto, logo… #
  • @cultura_estadao Toda a vez que a gente se empolga com a entrevista, a página desaparece e volta a carregar. Muito chato ler assim… :^/ in reply to cultura_estadao #
  • "O Brasil está perdido. Não temos homens públicos com estatura para enfrentar os desafios dos tempos." http://goo.gl/tgoE #FHC #PT #
  • No blog do ator Carlos Vereza… RT @CharlesGomesBR: Celso Daniel e as 7 coincidências que não deixam mentir http://ow.ly/26S0D #
  • "Cruzes: elas também funcionam com a Lady Gaga…" http://goo.gl/Guoz :^D #
  • Maradona negando que seja Donamara, quer dizer, gay… http://goo.gl/RQc6 #

Gabriel García Márquez fala sobre a arte literária

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« O esforço de escrever um conto curto é tão intenso como o de  começar um romance. Pois no primeiro parágrafo de um romance é preciso definir tudo: estrutura, tom, estilo, longitude, e às vezes até o caráter de algum personagem. O resto é o prazer de escrever, o mais íntimo e solitário que se possa imaginar, e se a gente não fica corrigindo o livro pelo resto da vida é porque o mesmo rigor de ferro, que faz falta para começá-lo, se impõe na hora de terminá-lo. O conto, por sua vez, não tem princípio nem fim: anda ou desanda. E se desanda, a experiência própria e a alheia ensinam que, na maioria das vezes, é mais saudável começá-lo de novo por outro caminho, ou jogá-lo no lixo.»

(…)

« Sempre acreditei que toda versão de um conto é melhor que a anterior. ¿Como saber então qual deve ser a última? É um segredo do ofício que não obedece às leis da inteligência mas à magia dos instintos, como a cozinheira que sabe quando a sopa está no ponto.»

(…)

« Às vezes me sentia escrevendo pelo puro prazer de narrar, que é talvez o estado humano que mais se parece à levitação.»

Gabriel García Márquez

Obs.: Trechos de uma entrevista retirados de um dos meus velhos blocos de anotações que, como já disse em outros posts, também nesse caso, infelizmente, não traz indicações de fonte.

Curiosidade: Bruno Tolentino, que conheceu García Márquez pessoalmente, me disse que foi praticamente impossível ter um diálogo sério com ele, haja vista os vários baseados que ele, Márquez, não parava de fumar…

Georges Simenon fala sobre isolamento e simpatia pelo personagem

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« Um deles, por exemplo, que me perseguirá mais que qualquer outro, é o problema da comunicação. Quero dizer, comunicação entre duas pessoas. O fato de que somos não sei quantos milhões de pessoas, e de que, não obstante, a comunicação, comunicação completa, é inteiramente impossível entre duas dessas pessoas, é para mim um dos maiores e mais trágicos temas do mundo. Quando eu era menino, isso me causava medo. Eu quase chegava a gritar. Dava-me uma sensação de isolamento, de solidão. Eis aí um tema que abordei não sei quantas vezes. Mas sei que retornará. Retornará, certamente.»

(…)

« Mas não se trata apenas da questão de o artista perscrutar seu próprio íntimo, mas, também, o dos outros, com a experiência que tem de si próprio. Ele escreve com simpatia porque sente que o seu semelhante é como ele.»

Georges Simenon

Trecho de uma entrevista à Paris Review, que encontrei em um dos meus blocos de anotações.

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