palavras aos homens e mulheres da Madrugada

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“Soneto à lua” – Vinicius de Moraes (lido por Yuri Vieira)


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Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros?

Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?

Fugaz, com que direito tens-me presa
A alma que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:

E és tampouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética, indefesa
Ó minha branca e pequenina lua!

Rio de Janeiro, 1938.
Vinicius de Moraes
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Fernando Pessoa lido por mim

Novo livro: “Mestre de um Universo” (impresso e ebook)

São vinte e seis contos e crônicas escritos entre os anos 1990 e início dos anos 2000, tratando dos mais diversos temas, mormente cinema, política, religião, drogas, amor, etc. Todos trazem, de uma forma ou de outra, o peso da “virada do milênio” e muito humor.

A capa foi feita a partir de uma pintura do artista plástico Domício Ferreira.

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Novo livro: “A Visitante do Planeta X” (impresso e ebook)

Acabo de lançar esta coletânea de contos e crônicas ao estilo da velha coleção “Para gostar de ler”. Bem, minha própria versão desse estilo, isto é, com algum humor negro, uma pitada de escatologia e uma que outra viagem mirabolante. Apesar da capa — ilustrada pela talentosa Rafaella Cândido —, capa essa cuja imagem não faz senão referência ao famoso caso de abdução Antônio Villas-Boas, trata-se de um livro sem temas polêmicos ou cabeludos, podendo ser lido por pessoas de todas as idades. Na verdade, todos os textos foram publicados, no final do milênio passado, em revistas da Editora Price e permaneceram inéditos na internet.

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Os 100 Gênios da História da Literatura segundo Harold Bloom

Harold Bloom

O Javista (980?-900? A.C.)
Homero (séc. VIII A.C.)
Sócrates (469-399 A.C.)
Platão (c.429-347 A.C.)
Lucrécio (Tito Lucrécio Caro) (c.99-c.55 A.C.)
Virgílio (70-19 A.C.)
São Paulo (?-67)
Santo Agostinho (354-430)
Maomé (570?-632)
Murasaki Shikibu, Lady (978?-1026?)
Dante Alighieri (1265-1321)
Geoffrey Chaucer (1340?-1400)
Luis Vaz de Camões (1524?-1580)
Michel de Montaigne (1533-1592)
Miguel de Cervantes (1547-1616)
William Shakespeare (1564-1616)
John Donne (1572-1631)
John Milton (1608-1674)
Molière (Jean-Baptiste Poquelin) (1622-1673)
Jonathan Swift (1667-1745)
Alexander Pope (1688-1744)
Samuel Johnson (1709-1784)
James Boswell (1740-1795)
Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
William Blake (1757-1827)
William Wordsworth (1770-1850)
Jane Austen, Lady (1775-1817)
Stendhal (Henry Beyle) (1783-1842)
Percy Bysshe Shelley (1792-1822)
John Keats (1795-1821)
Giacomo Leopardi (1798-1837)
Honoré de Balzac (1799-1850)
Victor Hugo (1802-1885)
Ralph Waldo Emerson (1803-1882)
Nathaniel Hawthorne (1804-1864)
Gérard de Nerval (Gérard Labrunie) (1808-1855)
Lorde Alfred Tennyson (1809-1892)
Charles Dickens (1812-1870)
Robert Browning (1812-1889)
Sören Kierkegaard (1813-1855)
Charlotte Brontë (1816-1855)
Emily Jane Brontë (1818-1848)
George Eliot (Mary Ann Evans) (1819-1880)
Herman Melville (1819-1891)
Walt Whitman (1819-1892)
Charles Baudelaire (1821-1867)
Gustave Flaubert (1821-1880)
Fiodor Dostoievski (1821-1881)
Dante Gabriel Rossetti (1828-1882)
Henrik Ibsen (1828-1906)
Leon Tolstoi (1828-1910)
Emily Dickinson (1830-1886)
Christina Rossetti (1830-1894)
Lewis Carroll (Charles Lutwidge Dodgson) (1832-1898)
Mark Twain (Samuel Langhorne Clemens) (1835-1910)
Algernon Charles Swinburne (1837-1909)
Walter Pater (1839-1894)
Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908)
Henry James (1843-1916)
Friedrich Nietzsche (1844-1900)
José Maria Eça de Queirós (1845-1900)
Arthur Rimbaud (1854-1891)
Oscar Wilde (1854-1900)
Sigmund Freud (1856-1939)
Anton Tchekhov (1860-1904)
Edith Wharton (1862-1937)
William Butler Yeats (1865-1939)
Luigi Pirandello (1867-1936)
Marcel Proust (1871-1922)
Paul Valéry (1871-1945)
Willa Cather (1873-1947)
Hugo von Hofmannsthal (1874-1929)
Robert Frost (1874-1963)
Rainer Maria Rilke (1875-1926)
Thomas Mann (1875-1955)
Wallace Stevens (1879-1955)
Virginia Woolf (1882-1941)
James Joyce (1882-1941)
Franz Kafka (1883-1924)
D. H. Lawrence (1885-1930)
Fernando Pessoa (1888-1935)
T. S. Eliot (Thomas Stearns) (1888-1965)
Isaac Babel (1894-1940)
F. Scott Fitzgerald (1896-1940)
Eugenio Montale (1896-1981)
William Faulkner (1897-1962)
Federico Garcia Lorca (1898-1936)
Hart Crane (1899-1932)
Ernest Hemingway (1899-1961)
Jorge Luis Borges (1899-1986)
Luis Cernuda (1902-1963)
Alejo Carpentier (1904-1980)
Samuel Beckett (1906-1989)
Tennessee Williams (1911-1983)
Ralph Waldo Ellison (1914-1994)
Octavio Paz (1914-1998)
Iris Murdoch (1919-1999)
Paul Celan (Paul Antschel) (1920-1970)
Italo Calvino (1923-1985)
Flannery O’Connor (1925-1964)

________

Do livro Gênio: os 100 autores mais criativos da história da literatura, de Harold Bloom.

Enquanto isso, no banheiro feminino…

 

Banheiro feminino

— Ei, por que você tá me olhando desse jeito?

— Por nada.

— Essa voz…

— Que é que tem minha voz?

— Aaah! Você é homem! Sai daqui!

— Não saio não.

— Então eu vou gritar!

— Mas eu sou crossdresser.

— Hã?! Crós o quê?

— Crossdresser. Estou vivenciando meu lado feminino.

— Tá bom! Só porque tá vestido de mulher…

— É verdade.

— Se é verdade, tava me olhando por quê?

— Para aprender a me portar melhor como mulher, ora.

— Hum, sei… Muito esquisito isso.

— É sério. Por exemplo: gostei da sua idéia de cobrir o vaso com papel antes de se sentar. Toda mulher faz isso?

— O quê? Você tava me espiando no reservado?

— Dei uma olhadinha por cima, de pé na privada aí do lado. Achei muito interessante.

— Seu safado!

— Safado não. Respeite minha opção. Quero ser tratado como mulher. É meu direito.

— Não acredito que agora sou obrigada a ouvir isso…

— Obrigada a ouvir você não é, mas é obrigada a aceitar. Se me tirarem daqui, posso processar você e o dono do bar.

— Tá legal, calma. Só que primeiro eu preciso me acostumar com a idéia, né. Até meu avô já se vestiu de mulher; mas isso era no carnaval, poxa!

— Certo, eu entendo. Meus tios também faziam isso lá no Rio. Mas, enquanto você se acostuma, posso pedir um favor?

— Que favor?

— Depois que você faz xixi, na hora de se enxugar, você esfrega o papel na xoxota ou só o encosta de leve?

— Ah, pelo amor de Deus! Me poupe, né!

— Poxa, é uma pergunta relevante. Cerveja faz a gente vir aqui toda hora. E imagino que, se você esfrega o papel cada vez que faz xixi, acaba ficando toda assada, né.

— Por que você não pergunta isso pra sua mãe, hem?

— Bom, minha mãe já faleceu… — responde, com a voz embargada.

— Ah, desculpe, não quis…

— Tudo bem… — diz ele, uma expressão triste no olhar.

— Não faz essa cara, falei sem saber.

— Bom, se você me fizer um favor, juro que vou me sentir melhor.

— Ai… O que é agora?

— Posso passar o papel em você pra eu sentir como é?

— O quê?! Ficou maluco, é?

— Maluco não: maluca!

— Tá: maluca. Ficou maluca, é?

— Deixa, vai. Só um pouquinho.

— Nem ferrando!!

— Então deixa pelo menos eu ver você fazendo. Não deu pra ver olhando de cima.

— Ai, caramba… Tá bom, tá bom.

— Eba.

— Mas já vou te avisando: se você encostar um dedo em mim, eu grito; viu?

— Viu.

Ela volta ao reservado, pega um pedaço de papel, levanta a saia, arria a calcinha.

— Hum, bigodinho de Hitler, né.

— Pára com isso e presta atenção: só vou mostrar uma vez.

Ela encosta em si mesma o papel dobrado algumas vezes, pressionando de leve.

— Ah, eu sabia! Sem esfregar.

— Pois é…

Ele estende a mão e, afastando o papel de cima da xoxota, verifica se ela ficou mesmo sequinha.

— Aaaaah! — ela grita, derrubando-o com um chute no rosto e ajeitando novamente a roupa.

— Socoooorro!!! — ele berra ainda mais alto do que ela.

Uma policial uniformizada entra no banheiro: — O que está acontecendo aqui?

— Esse homem me atacou! — diz a mulher.

— Eu? — contesta ele, sentado no chão, o nariz sangrando. — Quem é que foi nocauteado aqui? Quem é a vítima? — E para a policial: — Ela não respeitou minha opção. Sou crossdresser, se a senhora não a prender agora, vou acionar a Coordenadoria Estadual de Políticas para a Diversidade Sexual. Vocês duas estarão violando a lei estadual 10.948/2001.

A policial, engolindo em seco, segura a mulher pelo braço: — A senhora está presa.

— O quê?! Ficou maluca?!! Não seja idiota, não caia na conversa desse cretino!

— Quieta! Não me desacate! — e então a algema, levando-a dali cheia de autoridade.

— Ai, ai, nada como usufruir dos meus privilégios… — suspira o crossdresser. — Qual outro bar tem umas gatas como essa mesmo? Esse aqui já era…

E, levantando-se, saiu em direção à porta, equilibrando-se como podia em seus saltos que destoavam completamente da saia fora de moda.

Ex-namoradas e desarmamento civil

 

"Ei, sua ex-namorada tá morando no mesmo prédio que eu."

"Ah, é?"

"É. E continua muito gata, a gente sempre se encontra no elevador."

"Sei."

Silêncio.

"Que cara é essa?"

"Minha cara, uê."

"Tá com ciúme, é? Pensei que você é que tinha terminado com ela."

"E foi mesmo."

"Então não pode ter ciúmes, poxa. Aliás, você nunca teve ciúme de ex-namorada…"

"A gente muda. Aprende a se deixar envolver de verdade…"

"Eu ia chamar ela pra sair. Você ficaria grilado?"

O outro vacila alguns segundos. Por fim, indaga: "Você ainda é defensor do desarmamento civil?"

"Que que isso tem a ver?"

"Responde primeiro."

"Sou a favor, sim."

"E por que é a favor?"

"Caralho, a gente já discutiu isso mil vezes…"

"Refresca minha memória, vai."

"Tá bom. Caramba… É o seguinte: eu acho que, em casos extremos, a pessoa que tem uma arma pode perder o controle emocional e fazer besteira."

"Sei. Você acha que o autodomínio é uma utopia então…"

"O completo autodomínio é."

"Você se lembra do que eu acho disso, né."

"Ah, lá vem você com aquele papo de que fez CPOR, de que é tenente da reserva, que tem arma e que sabe usar…"

"E não só."

"Ah, claro: você também se acha supercontrolado, vive repetindo que atiraria apenas na coxa ou no ombro de um assaltante e que nem uma briga de trânsito com um completo babaca iria te tirar do sério…"

"E você duvida disso."

"Duvido! Duvido meeeesmo. Acho que todo mundo tem seu limite."

"Acha mesmo?"

"Acho."

"A gente pode fazer um teste."

"Que teste?"

"Sai com minha ex-namorada e fica com ela. Juro que tentarei me controlar. Vamos ver quem tem razão."

"Por acaso isto é uma ameaça, é?"

"Claro que não — é uma experiência. Você parece acreditar muito na sua tese. Eu, por exemplo, acredito apenas que essa garota foi, ou é, sei lá… enfim, que ela foi importante pra mim."

"Hum."

"E então? Topa ver qual de nós tem razão sobre o autodomínio?"

O outro deu um sorriso amarelo. No dia seguinte, mal cumprimentou a garota ao vê-la na portaria do prédio…

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