Blog do Yuri

palavras aos homens e mulheres da Madrugada

A Loucura vangloria-se pela criação da mulher (via Erasmo de Rotterdam)

Erasmo de Rotterdam

« Mas, já é tempo de que, seguindo o exemplo de Homero, passemos, alternadamente, dos habitantes do céu aos da terra, onde nada se descobre de feliz e de alegre que não seja obra minha.

« Primeiro, vós bem vedes com que providência a natureza, esta mãe produtora do gênero humano, dispôs que em coisa alguma faltasse o condimento da loucura. Segundo a definição dos estóicos o sábio é aquele que vive de acordo com as regras da razão prescrita, e o louco, ao contrário, é o que se deixa arrastar ao sabor de suas paixões. Eis porque Júpiter, com receio de que a vida do homem se tornasse triste e infeliz, achou conveniente aumentar muito mais a dose das paixões que a da razão, de forma que a diferença entre ambas é pelo menos de um para vinte e quatro. Além disso, relegou a razão para um estreito cantinho da cabeça, deixando todo o resto do corpo presa das desordens e da confusão. Depois, ainda não satisfeito com isso, uniu Júpiter à razão, que está sozinha, duas fortíssimas paixões, que são como dois impetuosíssimos tiranos: uma é a Cólera, que domina o coração, centro das vísceras e fonte da vida; a outra é a Concupiscência, que estende o seu império desde a mais tenra juventude até à idade mais madura. Quanto ao que pode a razão contra esses dois tiranos, demonstra-o bem a conduta normal dos homens. Prescreve os deveres da honestidade, grita contra os vícios a ponto de ficar rouca, e é tudo o que pode fazer; mas os vícios riem-se de sua rainha, gritam ainda mais forte e mais imperiosamente do que ela, até que a pobre soberana, não tendo mais fôlego, é constrangida a ceder e a concordar com os seus rivais.

« De resto, tendo o homem nascido para o manejo e a administração dos negócios, era justo aumentar um pouco, para esse fim, a sua pequeníssima dose de razão, mas, querendo Júpiter prevenir melhor esse inconveniente, achou de me consultar a respeito, como, aliás, costuma fazer quanto ao resto. Dei-lhe uma opinião verdadeiramente digna de mim: — Senhor, — disse-lhe eu — dê uma mulher ao homem, porque, embora seja a mulher um animal inepto e estúpido, não deixa, contudo, de ser mais alegre e suave, e, vivendo familiarmente com o homem, saberá temperar com sua loucura o humor áspero e triste do mesmo.

« Quando Plutão pareceu hesitar se devia incluir a mulher no gênero dos animais racionais ou no dos brutos, não quis com isso significar que a mulher fosse um verdadeiro bicho, mas pretendeu, ao contrário, exprimir com essa dúvida a imensa dose de loucura do querido animal. Se, porventura, alguma mulher meter na cabeça a idéia de passar por sábia, só fará mostrar-se duplamente louca, procedendo mais ou menos como quem tentasse untar um boi, malgrado seu, com o mesmo óleo com que costumam ungir-se os atletas. Acreditai-me, pois, que todo aquele que, agindo contra a natureza, se cobre com o manto da virtude, ou afeta uma falsa inclinação, ou não faz senão multiplicar os próprios defeitos. E isso porque, segundo o provérbio dos gregos, o macaco é sempre macaco, mesmo vestido de púrpura. Assim também, a mulher é sempre mulher, isto é, é sempre louca, seja qual for a máscara sob a qual se apresente.

« Não quero, todavia, acreditar jamais que o belo sexo seja tolo ao ponto de se aborrecer comigo pelo que eu lhe disse, pois também sou mulher, e sou a Loucura. Ao contrário, tenho a impressão de que nada pode honrar tanto as mulheres como o associá-las à minha glória, de forma que, se julgarem direito as coisas, espero que saibam agradecer-me o fato de eu as ter tornado mais felizes do que os homens.

« Antes de tudo, têm elas o atrativo da beleza, que com razão preferem a todas as outras coisas, pois é graças a esta que exercem uma absoluta tirania mesmo sobre os mais bárbaros tiranos. Sabereis de que provém aquele feio aspecto, aquela pele híspida, aquela barba cerrada, que muitas vezes fazem parecer velho um homem que se ache ainda na flor dos anos? Eu vo-lo direi: provém do maldito vício da prudência, do qual são privadas as mulheres, que por isso conservam sempre a frescura da face, a sutileza da voz, a maciez da carne, parecendo não acabar nunca, para elas, a flor da juventude. Além disso, que outra preocupação têm as mulheres, a não ser a de proporcionar aos homens o maior prazer possível? Não será essa a única razão dos enfeites, do carmim, dos banhos, dos penteados, dos perfumes, das essências aromáticas, e tantos outros artifícios e modas sempre diferentes de vestir-se e disfarçar os defeitos, realçando a graça do rosto, dos olhos, da cor? Quereis prova mais evidente de que só a loucura constitui o ascendente das mulheres sobre os homens? Os homens tudo concedem às mulheres por causa da volúpia, e, por conseguinte, é só com a loucura que as mulheres agradam aos homens. Para confirmar ainda mais essa conclusão, basta refletir nas tolices que se dizem, nas loucuras que se fazem com as mulheres, quando se anseia por extinguir o fogo do amor.

« Já vos revelei, portanto, a fonte do primeiro e supremo prazer da vida. Concordo que alguns existam (sobretudo certos velhos mais bebedores que mulherengos) cujo supremo prazer seja a devassidão. Deixo indecisa a questão de saber se é possível um bom banquete sem mulheres. O que é certo é que mesa alguma nos pode agradar sem o condimento da loucura. E tanto isso é verdade que, quando nenhum dos convidados se julga maluco ou, pelo menos, não finge sê-lo, é pago um bobo, ou convidado um engraçado filante que, com suas piadas, suas brincadeiras, suas bobagens, expulse da mesa o silêncio e a melancolia.»

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Elogio da Loucura, de Erasmo de Rotterdam (1466-1536).

O realismo fantástico de Louis Pauwels e Jacques Bergier

 Louis Pauwels e Jacques Bergier

« Podia ter conciliado, muito mais cedo, o gosto pela vida interior e o amor pelo mundo em movimento. Podia ter construído mais cedo, e talvez com maior eficácia, quando as minhas forças estavam intactas, uma ponte entre a mística e o espírito moderno. Ter-me-ia sentido simultaneamente religioso e solidário com o grande impulso da história. Podia ter sentido mais cedo a fé, a caridade e a esperança. Este livro* resume cinco anos de pesquisas, em todos os setores do conhecimento, nas fronteiras da ciência e da tradição. Lancei-me nesta empresa nitidamente superior às minhas possibilidades, porque já não podia recusar por mais tempo este mundo presente e futuro que, no entanto, é o meu. Mas todo o excesso é esclarecedor. Podia ter descoberto mais cedo um meio de comunicação com a minha época. Pode ser que não tenha perdido totalmente o tempo ao ir até ao extremo da minha procura. Não acontece aos homens aquilo que eles merecem, mas sim o que se lhes assemelha. Procurei durante muito tempo, como o desejava o Rimbaud da minha adolescência, "a Verdade numa alma e num corpo". Não o consegui. Na perseguição dessa Verdade perdi o contato com as pequenas verdades que teriam feito de mim, não decerto o super-homem por que ansiava, mas um homem melhor e mais unificado do que sou. No entanto, aprendi, a respeito do comportamento profundo do espírito, dos diversos estados possíveis da consciência, da memória e da intuição, coisas preciosas que não teria aprendido de outra forma e que me permitiriam, mais tarde, compreender o que há de grandioso, de essencialmente revolucionário na base do espírito moderno: a interrogação sobre a natureza do acontecimento e a necessidade imperiosa de uma espécie de transmutação da inteligência

(…)

« É necessário apalpar, examinar os frutos-armadilhas, depois afastarmo-nos com rapidez. Satisfeita uma certa curiosidade, convém dirigir imediatamente a nossa atenção para o mundo em que estamos, recuperar a nossa liberdade e a nossa lucidez, retomar o caminho sobre a terra dos homens da qual fazemos parte. O que importa é ver em que medida o movimento essencial do pensamento dito tradicional encontra o movimento do pensamento contemporâneo. A física, a biologia, as matemáticas, nos seus aspectos terminais, contém atualmente certos dados do esoterismo, reúnem certas visões do cosmos, relações da energia e da matéria que são visões ancestrais. As ciências de hoje, se as abordamos sem conformismo científico, mantêm um diálogo com os antigos mágicos, alquimistas, taumaturgos. Opera-se sob o nosso olhar uma revolução, e há de novo um casamento inesperado da razão, no auge das suas conquistas, com a intuição espiritual. Para os observadores verdadeiramente atentos, os problemas que se põem à inteligência contemporânea já não são problemas de progresso. Há alguns anos que a noção de progresso deixou de existir. São problemas de mudança de estado, problemas de transmutação. Neste sentido, os homens atentos às realidades da experiência interior vão na direção do futuro e dão solidamente a mão aos sábios de vanguarda que preparam o surgimento de um mundo sem nada de comum com o mundo de pesada transição no qual vivemos ainda por algumas horas."»

(…)

« É portanto necessário, pensava eu antes de o iniciar, projetar a inteligência muito longe em direção ao passado e muito longe em direção ao futuro para compreender o presente. Apercebi-me de que tinha razão para não amar, outrora, as pessoas que são simplesmente "modernas". Somente eu condenava-as sem saber o porquê. Na verdade, são condenáveis porque o seu espírito apenas ocupa uma fração demasiado pequena do tempo. Mal surgem, tornam-se anacrônicas. O que é preciso ser, para estar presente, é contemporâneo do futuro.»

(…)

« Em cinco anos de estudos e reflexões, no decorrer dos quais os nossos dois espíritos [Pauwels e Bergier], bastante dessemelhantes, se sentiram sempre felizes em conjunto, parece-me que descobrimos um novo ponto de vista e rico em possibilidades. Era o que faziam, à sua maneira, os surrealistas há trinta anos atrás. Mas, ao contrário deles, não foi no sono e na infraconsciência que procuramos. Foi na outra extremidade: do lado da ultraconsciência e da vigília superior. Resolvemos chamar à escola que iniciávamos a escola do realismo fantástico. Ela não manifesta em coisa alguma preferência pelo insólito, o exotismo intelectual, o barroco, o pitoresco. "O viajante caiu morto, ferido pelo pitoresco", disse Max Jacob. Nós não procuramos a fuga a este mundo. Não exploramos os arrabaldes longínquos da realidade, tentamos pelo contrário, instalar-nos no centro. Cremos que é no próprio centro da realidade que a inteligência, por muito pouco excitada que seja, descobre o fantástico. Um fantástico que não convida à evasão, mas antes a uma mais profunda adesão. É por falta de imaginação que os letrados, os artistas vão procurar o fantástico fora da realidade, entre as nuvens. Trazem apenas um subproduto. O fantástico, à semelhança das outras matérias preciosas, deve ser arrancado às entranhas da terra, do real. E a verdadeira imaginação é coisa muito diferente de uma fuga para o irreal. "Nenhuma faculdade do espírito se afunda e penetra mais que a imaginação: é ela a grande mergulhadora. " Geralmente o fantástico é definido como uma violação das leis naturais, como a aparição do impossível. Para nós não é nada disso. O fantástico é uma manifestação das leis naturais, um resultado do contato com a realidade quando esta nos chega diretamente, e não filtrada pelo véu do sono intelectual, pelos hábitos, os preconceitos, os conformismos. A ciência moderna ensina-nos que para além do visível simples está o invisível complicado. Uma mesa, uma cadeira, o céu estrelado são na verdade radicalmente diferentes da idéia que deles fazemos: sistemas em rotação, energias em suspenso, etc. Era neste sentido que Valéry dizia que, no conhecimento moderno, "o maravilhoso e o positivo contraíram uma espantosa aliança". O que sobressai claramente, como se verá, segundo espero, neste livro, é que esse contrato entre o maravilhoso e o positivo não é apenas válido no domínio das ciências físicas e matemáticas. O que é verdadeiro para essas ciências é sem dúvida igualmente verdadeiro para os outros aspectos da existência: a antropologia, por exemplo, ou a história contemporânea, ou a psicologia individual, ou a sociologia. O que tem valor nas ciências físicas, é provável que também tem valor nas ciências humanas. Mas existem grandes dificuldades para que disso nos apercebamos. É que, nas ciências humanas, todos os preconceitos se refugiaram, incluindo aqueles que as ciências exatas atualmente desprezaram. E que, num domínio tão perto deles, e tão instável, os investigadores, para verem enfim claro, constantemente tentaram reduzir tudo a um sistema: Freud explica tudo, O Capital explica tudo, etc. Quando dizemos preconceitos, deveríamos dizer: superstições. Há as antigas e há as modernas. Para certas pessoas, nenhum fenômeno de civilização é compreensível se não admitimos, nas origens, a existência da Atlântida. Para outros, o marxismo chega para explicar Hitler. Alguns vêem Deus em todo e qualquer gênio, outros vêem apenas o sexo. Toda a história humana é templária, a menos que seja hegeliana. O nosso problema é portanto tornar sensível, no estado bruto, a aliança entre o maravilhoso e o positivo no homem isolado ou no homem em sociedade, da mesma forma que o é em biologia, em física ou em matemática modernas, onde se fala muito abertamente e, no fim de contas, muito simplesmente, de "Algures Absoluto" de "Luz Interdita" e de "Número Quântico de Estranheza". "À escala do cósmico (toda a física moderna no-lo ensina), só o fantástico tem probabilidades de ser verdadeiro", diz Teilhard de Chardin. Mas, para nós, o fenômeno humano deve igualmente medir-se pela escala do cósmico. É o que dizem os mais antigos textos da sabedoria. É igualmente o que diz a nossa civilização, que principia a lançar foguetões em direção aos planetas e procura o contato com outras inteligências. A nossa posição é portanto a de homens testemunhas das realidades do seu tempo. Vista de perto, a nossa atitude, que introduz o realismo fantástico das ciências superiores nas ciências humanas, nada tem de original. Aliás, nós não pretendemos ser espíritos originais. A idéia de aplicar as matemáticas às ciências não era realmente revolucionária: não obstante, deu resultados novos e importantes. A idéia de que o Universo talvez não seja aquilo que supomos não é original: mas reparemos como Einstein altera as coisas ao aplicá-la. É evidente que a partir do nosso método, um trabalho como o nosso, elaborado com o máximo de honestidade e o mínimo de ingenuidade, deve provocar mais interrogações do que soluções. Um método de trabalho não é um sistema de pensamento. Não acreditamos que um sistema, por muito engenhoso que seja, possa esclarecer por completo a totalidade da vida que nos ocupa. Podemos remoer indefinidamente o marxismo sem conseguir que nele caiba o fato de que Hitler teve várias vezes consciência, com terror, de que o Superior Desconhecido o visitara. E podia virar-se em todos os sentidos a medicina anterior a Pasteur sem dela extrair a idéia de que as doenças são causadas por animais pequenos demais para serem vistos. No entanto, é possível que haja uma resposta global e definitiva para todas as perguntas que formulamos, e que não a tenhamos ouvido. Nada é excluído, nem o sim, nem o não. Nós não descobrimos nenhuma "panacéia"; não nos transformamos em discípulos de um novo messias; não propomos doutrina alguma. Esforçamo-nos simplesmente por abrir para o leitor o maior número possível de portas, e, como a maior parte delas se abrem do lado de dentro, afastamo-nos para o deixar passar. Repito: o fantástico, a nossos olhos, não é o imaginário. Mas uma imaginação poderosamente aplicada ao estudo da realidade descobre que é muito tênue a fronteira entre o maravilhoso e o positivo, ou, se preferem, entre o universo visível e o universo invisível. Existe talvez um ou vários universos paralelos ao nosso. Creio que não teríamos empreendido esta tarefa se, no decorrer da nossa vida, não tivesse acontecido sentirmo-nos, realmente, fisicamente, em contato com outro mundo.»

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* O Despertar dos Mágicos – Introdução ao Realismo Fantástico, de Louis Pauwels e Jacques Bergier. (O texto acima é de Louis Pauwels.)

Li este livro pela primeira vez no Equador, em 1989, quando então o ganhei de aniversário de Antonio Naranjo e Cumandá Naranjo, meus saudosos “pais de intercâmbio”. (Sob o título El Retorno de los Brujos.) Nunca mais fui o mesmo…

Foi nele que li pela primeira vez um conto de Jorge Luis Borges: El Aleph.

Voltei a lê-lo em 1999, na Casa do Sol, a pedido da escritora Hilda Hilst — de quem fui secretário e webmaster –, que queria discuti-lo comigo. (Ela me disse que o exemplar que possuía havia sido um presente do Jô Soares.)

Sinceramente? Quem nunca leu O Despertar dos Mágicos é mulher do padre.

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Harold Bloom e os livros que valem a pena ser lidos

 Harold Bloom

« Os motivos para ler, como para escrever, são muito diversos, e muitas vezes não claros mesmo para os leitores ou escritores mais autoconscientes. Talvez o motivo último para metáfora, ou para a escrita e leitura de uma linguagem figurativa, seja o desejo de ser diferente, estar em outra parte. Nesta afirmação eu sigo Nietzsche, que nos advertia que aquilo para que conseguimos encontrar palavras já está morto em nosso coração, de modo que há sempre uma espécie de desprezo no ato de falar. Hamlet concorda com Nietzsche, e os dois talvez tenham estendido o desprezo ao ato de escrever. Mas não lemos para descarregar nossos corações, portanto não há desprezo no ato de ler. As tradições nos dizem que o eu livre e solitário escreve para vencer a mortalidade. Creio que o eu, em sua busca para ser livre e solitário, em última análise lê com um só objetivo: encarar a grandeza. Esse confronto mal disfarça o desejo de juntar-se à grandeza, que é a base da experiência estética outrora chamada de o Sublime: a busca de uma transcendência de limites. Nosso destino comum é a velhice, a doença, a morte, o esquecimento. Nossa esperança comum, tênue mas persistente, é alguma versão de sobrevivência.

« Encarar a grandeza quando lemos é um processo íntimo e dispendioso, e jamais esteve em grande voga crítica. Agora, mais que nunca, está fora de moda, quando a busca de liberdade e solidão é condenada como politicamente incorreta, egoísta e não adequada à nossa sociedade angustiada.»

(…)

« Que utilidade pode ter para um crítico individual, tão tardiamente na tradição, catalogar o Cânone ocidental como o vê? Mesmo nossas universidades de elite hoje estão inertes diante das continuadas levas de multiculturalistas. Ainda assim, ainda que nossas atuais modas prevaleçam para sempre, as escolhas canônicas de obras passadas e presentes têm seu próprio interesse e encanto, pois também elas fazem parte da continuada disputa que é a literatura. Todo mundo tem, ou deve ter, uma lista para uma ilha deserta, para o dia em que, fugindo de seus inimigos, seja lançado na praia, ou quando se afastar capengando, todas as guerras feitas, para passar o resto de seu tempo lendo tranqüilamente. Se eu pudesse ter um livro, seria Shakespeare completo; se dois, isso e a Bíblia. Três? Aí começam as complexidades. William Hazlitt, um dos poucos críticos definitivamente no Cânone, tem um esplêndido ensaio “Sobre a leitura de Velhos Livros”:

Não penso inteiramente o pior de um livro por ter sobrevivido ao autor uma ou duas gerações. Confio mais nos mortos que nos vivos. Os escritores contemporâneos podem em geral dividir-se em duas classes – nossos amigos e nossos inimigos. Dos primeiros, somos obrigados a pensar bem demais, e dos últimos estamos dispostos a pensar mal demais, receber muito prazer da folheada, ou julgar com justiça o mérito de uns e outros.

« Hazlitt manifesta uma cautela própria ao crítico numa era de crescente tardiedade. A superpopulação de livros (e autores), causada pela extensão e complexidade da história registrada do mundo, está no centro dos dilemas canônicos, hoje mais que nunca. “Que vou ler?” não é mais a questão, uma vez que tão poucos lêem hoje, na era da televisão e do cinema. A questão pragmática tornou-se: “Que não vou me dar o trabalho de ler?”»

(…)

« A ideologia desempenha um papel considerável na formação de um cânone literário se se quer insistir em que uma posição estética é em si uma ideologia, uma insistência comum a todos os seis ramos da Escola do Ressentimento: feministas, marxistas, lacanianos, neo-historicistas, desconstrucionistas, semióticos. Há, evidentemente, estética e estética, e os apóstolos que acreditam que o estudo literário deve ser uma franca cruzada pela transformação social obviamente manifestam uma estética diferente da minha versão pós-emersoniana de Pater e Wilde.»

(…)

« Por que, então, é a literatura tão vulnerável à investida de nossos idealistas sociais contemporâneos? Uma resposta parece ser a ilusão comum de que menos conhecimento e menos habilidade técnica são necessários para a produção ou compreensão da literatura de imaginação (como a chamávamos) que para outras artes.

« Se todos falássemos em notas musicais ou pinceladas, suponho que Stravinsky e Matisse estariam sujeitos aos riscos peculiares hoje sofridos pelos autores canônicos. Tentando ler muitas das obras apresentadas como alternativas do ressentimento ao Cânone, reflito que esses aspirantes devem acreditar que falaram prosa a vida inteira, ou então que suas sinceras paixões são já poemas, exigindo apenas uma pequena reescrita. Volto-me para minhas listas, esperando que os sobreviventes letrados encontrem entre si alguns autores e livros que ainda não encontraram, e colham as recompensas que só a literatura canônica oferece.»
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O Cânone Ocidental, de Harold Bloom.

Paul Johnson fala sobre criatividade e literatura

 Paul Johnson

« …o papel desempenhado pelas atividades. O castelo de cartas de Einstein era mais um exemplo de treinamento de caráter do que uma ajuda real ao pensamento criativo. Mas a maioria dos cientistas e muitos escritores têm sobre a mesa de trabalho apetrechos, bugigangas, jogos, quebra-cabeças, provavelmente por considerá-los úteis para o raciocínio. Não tenho dificuldade de concentração, e começo a escrever logo que sento à minha mesa (no cavalete ou na mesa de desenho), por isso não entendo com facilidade o raciocínio por trás desses apetrechos. Porém, em inúmeros casos, é evidente que a atividade espasmódica ou periódica ajuda o pensamento imaginativo. Assim, o fato de Dickens se levantar da mesa onde escrevia para fazer caretas diante de um espelho grande em seu estúdio não é, de forma alguma, algo incomum entre os escritores. Alguns deles desenvolvem tal resistência a escrever ou a continuar a escrever que é necessário recorrer a meios físicos para forçá-los a se concentrar. Certa ocasião, quando era editor, tive de trancar dois colaboradores em um sala vazia com uma máquina de escrever para que escrevessem ou terminassem um artigo, só permitindo que saíssem depois de concluído o trabalho. Mas muitos escritores não conseguem ter pensamentos criativos em uma sala de trabalho. Todos sabem que Wordsworth costumava compor seus versos enquanto caminhava ao ar livre, em torno do lago em Grasmere ou Rydal Water, ou descendo e subindo uma montanha. Ele memorizava as linhas que imaginava e só as colocava no papel quando voltava para casa. Às vezes, passavam-se vários dias, até semanas, para que ele colocasse no papel as palavras que tinha na cabeça. Não está claro se Wordsworth precisava caminhar para fazer poesia porque via coisas lá fora que poderia transformar em verso ou porque o simples movimento de caminhar estimulava seus pensamentos. Acredito na última opção, pois Wordsworth era, de alguma maneira, um homem distraído. Foi sua irmã Dorothy quem observou os trabalhos da natureza em detalhes surpreendentes e os anotou. Quando ambos estavam em Gowbarrow Bay, em Ullswater, quando os narcisos dançavam ao vento, foi Dorothy quem os observou e anotou em seu diário, transmitindo sua experiência visual ao irmão, que, algumas semanas mais tarde, compôs seu famoso poema. Sem Dorothy, o poema não existiria.

« No entanto, a experiência é a mãe, ou pelo menos uma das mães, da criatividade, e o que chamo de experiência é a combinação de observação e sentimento que leva a um momento criativo. Emily Dickinson não apenas observava as coisas na natureza (como Dorothy Wordsworth fazia); ela também se sentia forte, profunda ou perceptivelmente ligada a elas – e é isso que transforma seus pequenos poemas em algo de grande força e emoção. Os fortes sentimentos de Charlotte Brontë sobre sua vida, combinados a olhos e ouvidos perspicazes, a tornaram capaz de transformar a experiência, na primeira metade de Jane Eyre, em algo tão surpreendente em arte – um ato de criação raro, por sua beleza apaixonante, nos anais da literatura. Os escritores, em especial os romancistas, são extremamente criativos quando registram, embora transformados em ficção, suas experiências profundamente sentidas. Dickens sempre considerou David Copperfield seu melhor livro por esse motivo. Poder-se-ia dizer o mesmo sobre The Mill on the Floss, pois Maggie Tulliver é a jovem Mary Ann Evans, e tudo o que ela viveu e sentiu. Nesse romance maravilhoso, nas histórias de Scenes from Clerical Life, em Adam Bede e, até certo ponto, em Middlemarch, George Eliot escreve sobre coisas e pessoas que conheceu por intermédio da própria experiência direta e de seus sentimentos. Mais tarde, embora mais experiente como escritora, foi menos convincente. Para Daniel Deronda, seu romance sobre o problema judeu, e para Romola, passado na Florença renascentista, ela fez leituras cuidadosas, digeridas pela inteligência. Mas essas histórias não ganham vida do mesmo modo. Para o romancista, os livros não compensam a ausência do conhecimento direto e dos sentimentos. Flaubert escreveu Madame Bovary com emoção, a partir de suas últimas experiências com livros, e a diferença é clara. Bouvard et Pécuchet surgiu de uma biblioteca completa – natimorta. Quando vejo alguma romancista que conheço, sentada atrás de uma pilha de livros na sala de leitura da London Library, e tomando notas sem parar para seu próximo trabalho de ficção, digo com meus botões: “Ai, meu Deus!”

Reflexões sobre Arte e Literatura no romance O Doutor Jivago, de Boris Pasternak

 Boris Pasternak

« Ao lado de meu serviço, do trabalho da terra ou da prática da Medicina, gostaria de tirar a lume uma obra duradoura, essencial, quer seja uma obra científica, quer uma obra de arte!

« Ao nascer todo homem é um Fausto que deve tudo abraçar, tudo experimentar, tudo exprimir. Foram os erros de seus predecessores e de seus contemporâneos que fizeram de Fausto um sábio. Os progressos das Ciências obedecem à lei da repulsão: para dar um passo adiante, é preciso começar por derrubar o domínio do terror e das falsas teorias.

« Mas foi o exemplo contagioso de seus mestres que fez de Fausto um artista. Os progressos da Arte se fazem segundo a lei da atração: para dar um passo adiante, é preciso começar por seguir e por imitar seus precursores e inclinar-se diante deles.

« Que é que me impede de fazer meu trabalho de médico e escrever? Penso que não são nem as privações, nem nossa vida errante, nem o sentimento de instabilidade que me causam todas essas mudanças, mas antes o espírito do tempo, esse espírito de ênfase agora tão difundido: o gênero “aurora do futuro”; “edificação dum novo mundo”; “archotes da humanidade”. Quando ouvimos tais frases, dizemos em primeiro lugar: que imaginação grandiosa, que riqueza! Mas vendo-se de perto, a ênfase só está ali por causa da ausência de talento.

« Só as coisas comuns são mágicas, desde que as aflore a mão do gênio. A melhor lição é-nos dada por Puchkin. Que hino à glória do trabalho consciencioso, dos hábitos quotidianos! Em nossos dias, o termo pequeno-burguês, homem da rua, tomou entre nós o valor duma censura. Os versos da Genealogia vão ao encontro dessa censura:

“Eu sou burguês, eu sou burguês”

E na Viagem de Onieguin:

“Tenho agora como ideal
“Uma bem boa dona de casa.
“Como desejo, um canto calmo,
“Sopa de couve — um terrinão!”

« Em tudo quanto é russo, o que prefiro agora é o espírito de infância de um Puchkin, dum Tchekhov, e a indiferença pudica deles a respeito de coisas tão barulhentas como os fins derradeiros da humanidade ou sua própria salvação. Tinham também suas idéias a esse respeito, mas não tinham a vontade de abordar tais assuntos tão pouco discretos; não era de seu gosto, nem de sua competência. Gogol, Tolstói, Dostoiévski preparavam-se para a morte, inquietavam-se, buscavam o sentido da vida, tiravam conclusões, mas, até o fim, estiveram absorvidos pelos miúdos cuidados com sua profissão de artistas e nesse encadeamento de pormenores sua vida passou imperceptivelmente, como se ela não fosse também senão um pormenor íntimo e que nada tinha que ver com os outros; e agora, esse pormenor pertence a todo mundo, e, como maçãs colhidas ainda verdes, amadurece sozinho, na posteridade, ganhando sempre em sabor e significação.»

(…)

« Em resposta à devastação que a morte deixara no grupo que o seguia a passos lentos, um movimento imperioso como o da água que se afunda a cavar seus turbilhões levava-o a sonhar e a pensar, a obstinar-se nas formas, a criar beleza. Mais claramente do que nunca, via agora que a Arte, sempre e sem trégua, tem duas preocupações. Medita incansavelmente na morte e, por esse meio, incansavelmente cria a vida. A grande Arte, a Arte verdadeira, aquela que se chama Apocalipse e que o completa.»

(…)

« Três anos de mudanças, de imprevistos, de viagens; a guerra, a revolução, todos os seus transtornos, as fuzilarias, as cenas de ruína, as cenas de morte, as destruições, os incêndios, tudo isso se transformou num vácuo, nu de qualquer sentido. Após longo intervalo, o primeiro acontecimento de importância era aquela corrida vertiginosa do trem para uma casa ainda intacta, da qual a menor pedra era preciosa. Era isto a vida, era isto a experiência, era este o alvo dos buscadores de aventuras, era esta a meta final da Arte: reencontrar os seus, retornar à casa, recomeçar a existência.»

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O Doutor Jivago, de Boris Pasternak (1890-1960)

Arnold Toynbee fala sobre literatura e a “verdadeira arte pela arte”

Arnold Toynbee

« Não acho que seja função da literatura propagar qualquer Weltanschauung particular, boa ou má. A literatura com objetivo social ou metafísico consciente será, talvez, contraproducente. Sua função apropriada é a de descrever e comentar os fatos e problemas da vida humana. Penso que ela deve ser sincera e corajosa.»

(…)

« A verdadeira arte pela arte é também arte pela vida. Claro, a arte se esteriliza se o artista se transformar num especialista profissional que escreve primária e exclusivamente para outros especialistas, e não para todos os seus semelhantes. Da forma como entendo a situação, essa não é a arte pela arte, mas a arte pelo artista. Trata-se de uma falsa visão até mesmo dos interesses do artista. Sustento, por conseguinte, que é lamentável, e sintoma de doença social, quando literatura, ciência ou erudição se tornam esotéricas.»

Arnold J. Toynbee

Fonte: Um dos meus velhos blocos de anotações…

Atualizações semanais no Twitter em 2010-08-23

  • A Amazon diz que publica nosso ebook em 2 ou 3 dias úteis, mas já se passaram uns 6 dias úteis. Mandaram traduzi-lo por acaso? #amazonfail #
  • Ah, tudo bem, agora o Kindle está mais bonito mesmo. (Devem ter ficado com vergonha quando viram o Sony eBook reader.) http://j.mp/aVa3TL #
  • Teste para saber se vc realmente tem alguma noção sobre a saúde da democracia brasileira: se vc pensa que Serra é de direita, não tem noção. #
  • Meu antivírus,segundo os especialistas,não acusa "falsos positivos" e ele sempre bloqueia esta URL: e.busca.uol.com.br/404.html @UOLHomepage #
  • Será que um CMS (Content Management System) para uma loja virtual de ebooks própria pode tornar o escritor independente de intermediários? #
  • ¿Quem aí comentou que se sente um van Gogh cada vez que espera ser super retuitado e ninguém o retuíta? Achei ótimo. B^) #
  • Além da sujeira nas imediações do Parque Vaca Louca, digo, Vaca Brava, agora ainda incendiaram o bambuzal.Cidadão se assemelha a político… #
  • Fim da ordem social na Venezuela: «somente no mês de Julho, ingressaram à morte de Monte Belo, em Caracas, 469 cadáveres» http://j.mp/dkbkEf #
  • O Tea Party é impossível no Brasil porque não é um movimento de intelectuais, mas do povo e, aqui, o povo já foi comprado http://j.mp/aW4G7Y #
  • Parlamentares usam o programa A Voz do Brasil para fazer campanha antecipada impunemente: http://j.mp/cyzuMV (via @instmillenium) #
  • Qdo Lula foi reeleito, gravei essa conversa com o @odecarvalho: http://j.mp/aJLY9s Creio que ela vale para o caso de a Dilma ser eleita. #
  • Em Brasília, não se esqueça de tirar uma foto em frente ao Ministério da Igualdade Racial. Útil para provar aos netos que essa coisa existiu #
  • Pretismo = racismo + petismo. Aliás, eis o único site que realmente explica o que é o Ministério da Igualdade Racial: http://j.mp/9cqzoS #
  • «Não podemos "tornar-nos imortais" depois da morte se não somos imortais desde já.» http://j.mp/bTQYpD #
  • Essa promoção póstuma do Vinicius de Moraes… Ai ai… Esses politiqueiros não têm mais o que inventar. Só falta pagarem a tal indenização. #
  • O eBay está sendo inundado pelas versões antigas do Kindle… http://j.mp/csaVpu #ebooks #
  • Há 12anos,no Teatro Nacional,o já deputado @pedrowilson131 comprou um exemplar do meu livro:nunca + vi uma carteira tão recheada de dinheiro #
  • Para ser justo, os verbetes da Desciclopédia sobre a revista Veja, o Diogo Mainardi, o Olavo de Carvalho, etc. são muito engraçados também. #
  • Depois do piquenique da semana passada, toda vez que fico com fome só me lembro dos sanduíches da minha namorada… "/ #
  • Pena que Serra, Dilma, Lula, Marina, Plínio, etc. não tenham discussões assim: RT @revistabula Mais uma superprodução: http://bit.ly/9gF7Jg #
  • De novo: alguns trechos de um dos livros mais impressionantes que já li e que a Hilda Hilst fez questão que eu lesse: http://bit.ly/axWNWQ #
  • Para baixar o PDF dos meus livros: A Tragicomédia Acadêmica: http://bit.ly/b0xMx8 e A Bacante da Boca do Lixo: http://bit.ly/bgry7Q #ebooks #
  • Quem quiser mais informações sobre meus livros, inclusive imagens das capas (para julgá-los), comprá-los ou baixá-los: http://bit.ly/aSOur5 #
  • À meia-dúzia que andou me perguntando, não, infelizmente meu Twitter não é patrocinado pela McDonald's. E eu nunca como na McDonald's… :^/ #
  • Mas tenho amigos que já foram salvos da fome pela McDonald's, até em desertos de outros países. Né, @rfiume ? #
  • A idéia da imagem, em meu Twitter e blog, é mostrar o único fator a manter o capitalismo na linha… saca? E, claro, uma visão da Madrugada. #
  • No blog de um pastor da Igreja Universal (ou de qualquer outra neopentecostal), o M de McDonald's (ou D de dólar) seria maior que a cruz… #
  • Quanto à palavra Madrugada no tweet anterior, com M maiúsculo, Mário Ferreira dos Santos, com a ajuda de Nietzsche, explica… #
  • Chá de cogumelo. Chá de cogumelo é o que falta aos debates dos candidatos à presidência. Queria vê-los de quatro delirando toda a verdade… #
  • «Artista plástica cria cílios postiços feitos com pernas de moscas mortas» (saudade de artista saudável feito o van Gogh) http://j.mp/blEO0l #
  • Todos já pensaram e disseram isso: os candidatos à presidência deveriam ficar encerrados no BBB por dois meses, 24 horas sob nossos olhos. #
  • Arnaldo Jabor: «É arrepiante ver a mentira com 80% de ibope». http://j.mp/9FH5i8 #
  • Aqueles escravos que ficavam abanando seus senhores deviam aparentar a mesma satisfação dessa gente que agita bandeiras políticas na rua… #
  • Nesse BBB de candidatos, dá até para imaginar o Serra e a Dilma juntos, fazendo coiselhas úmidas debaixo dos lençóis. E o Plínio fofocando. #
  • A Marina, no BBB de candidatos,seria igual a uma tia velha e chata, exigindo que todos limpem a cozinha.E o Plínio a chamando de autoritária #
  • «Ray Bradbury Refuses To Touch eReaders» (Deixa de frescura mr. Bradbury.) http://j.mp/b43PwZ #
  • Este videoclipe http://j.mp/ckBkKI endossa o que escrevi neste post ("Literatura não é rock"): http://j.mp/cIIyID (Azar o delas…) #
  • Puts, se o Serra já está comendo todo mundo agora http://goo.gl/cpZp , imagine então depois de eleito. (via @abcaldas) #
  • Imagine como seria dar de cara com uma inimiga super gata armada até os dentes… 8^0 http://goo.gl/dFRn #
  • Gostei tanto disso que vou postar de novo (mas vê se dá um jeito de comer a candidata Dilma figa também, né): http://bit.ly/dn7M4G #
  • A Generación Y, como já repetiu Yoani várias vezes,se deve à geração com nomes estúrdios iniciados com Y.Que eu saiba, sou o único no Brasil #
  • Isto é, enquanto escritor… #
  • ¿O que será mais caro? ¿Pagar pelo resultado das pesquisas ou bancar um mensalão? Este é um problema para a @dilmahussein #
  • Os candidatos que apoiam a liberação da maconha deveriam participar dos debates fumando unzinho. Seria mais divertido e, claro, instrutivo. #
  • «O governo brasileiro se empenhará em investir milhões de dólares para recuperar o falido porto de Mariel, em Cuba» http://j.mp/baL9ho #

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