Blog do Yuri

palavras aos homens e mulheres da Madrugada

Atualizações semanais no Twitter em 2010-08-16

  • Literatura não é rock – http://bit.ly/cIIyID #
  • A prova de que estou há dez anos às voltas com ebooks: publiquei meus, da Hilda Hilst e do Mora Fuentes em 2000, aqui: http://bit.ly/cmp30r #
  • Lei nº 12.292, de 20/07/2010: «Fica o Poder Executivo autorizado a doar recursos à Autoridade Nacional Palestina» (!!!) http://bit.ly/aJ8sfb #
  • Conhece o FON? Parece interessante: comunidade p/ criar pontos de acesso WiFi gratuitos e até ganhar dinheiro com isso. http://bit.ly/9Hwugh #
  • « Literatura e paranóia » – (sim, relendo meu ex-blog) – http://bit.ly/dbg5dp #
  • Depois das denúncias, as FARC pararam de fornecer o pó RT @Alessandro_M: Será q não passaram pó de propósito na Dilma? Ela está suando muito #
  • Rir ou chorar? RT @_lLeandroRS: Militante PTista me questionando: @AUGUSTO21 @_lLeandroRS SERRA&FHC CONHESSE MUITO BEM O BRASIL #FAZ MIM RIR #
  • Comida virtual? Puts…RT @revistagalileu: Realidade aumentada simula sabores e odores e “engana” paladar das pessoas – http://bit.ly/c0OsLD #
  • E a entrevista da candidata Dilma Figa no Jornal Nacional já está no You Tube: http://bit.ly/crzYVF #
  • Se as vendas do livro mais recente do Paulo Coelho derem chabu, já sabemos a causa… http://twitpic.com/2d8358 #
  • «Gastos secretos de R$ 3,2 milhões de Lula com cartões, Watergate petista e deslizes no Judiciário valeriam CPIs» http://j.mp/aiDNQr #
  • « Mas a pergunta é: Esse trem-bala é necessário?» http://j.mp/9kODRP #
  • «A democracia consiste portanto numa assembléia de esquerdistas que se xingam uns aos outros de direitistas. That’s all.» http://j.mp/9JRM1H #
  • A propaganda política + sincera de todos os tempos, tipo «vote em mim e o Estado se intrometerá em tudo» http://j.mp/dtsTx3 via @mariliassis #
  • «Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria» http://j.mp/cCBqre #
  • «Páginas Negras: Angeli – Edição 191» – {Revista Trip} http://j.mp/9fJVcK #
  • Se entendessem que Autoritarismo, Ganância e Egoísmo não são sinônimos de Direita, muitos notariam que sempre foram direitistas sem o saber. #
  • «Uma Absolvição Climática – Os alarmistas ainda não conseguem separar a ciência das ações políticas» http://j.mp/djB4PE #
  • «Uma questão empírica: se o fato de cidadãos comuns terem armas fará com que cresça ou decresça a violência.» http://j.mp/d0ke0l #
  • Dar uma olhada no Twitter antes de trabalhar é o mesmo que ir pra roça passando por um atoleiro… #
  • Ulisses(Odisseu), antes de abrir o navegador,e para não conseguir teclar,exigiu ser amarrado ao mastro,evitando assim as sereias do Twitter. #
  • Serra, de perfil, sorrindo, é de fato a cara do Mestre Yoda. ¿Será o suficiente para impedir Dilma de concluir a Estrela do PT da Morte? B^/ #
  • «As “Horas” de Bruno Tolentino, um gigante da poesia e do pensamento» http://j.mp/c01Ofd #
  • Dois textos que escrevi sobre a época em vivi sob o mesmo teto que Bruno Tolentino e Hilda Hilst: http://j.mp/9GdrNx e http://j.mp/dzyeFg #
  • Ao ler o blog do Carlos Vereza, encontro apenas um ponto de discórdia: as posições de 70% das vírgulas. No demais… ;^) http://j.mp/d10JuJ #
  • RT @vanguardapop: Yuri Vieira (@yurivs), vc foi desmascarado! Fazendo campanha para @Dilmabr, companheiro? –> http://twitpic.com/2dv#
  • Guitar Hero de músicas pernambucanas… http://j.mp/bDbl2Q #
  • «TCU decide rever R$ 4 bilhões pagos a anistiados» http://j.mp/d9zNGl #
  • Agora que vc finalmente assistiu ao #ToyStory3 irá entender a piadinha… http://twitpic.com/22r3au (Em defesa da liberdade de expressão.) #
  • «Relatos de um infiltrado no inferno: a fábrica da Foxconn na China» http://j.mp/dxsFv4 #
  • Ferreira Gullar: «Eu tenho pavor que a Dilma ganhe essa eleição porque ela é uma invenção do Lula. Ela não é política, não entende de nada». #
  • Ferreira Gullar: «O acordo ortográfico é uma perda de tempo». http://j.mp/apeBG4 #

G.K. Chesterton fala sobre insanidade e criação literária

G.K. Chesterton

« É verdade que alguns falam, de modo superficial e leviano, da insanidade como sendo em si mesma atraente. Mas um momento de reflexão mostrará que, se uma enfermidade é atraente, trata-se em regra da enfermidade dos outros. Um cego pode ser um quadro pitoresco; mas exige-se um par de olhos para ver o quadro. De modo semelhante até mesmo a poesia mais louca da insanidade só pode ser apreciada por quem é sensato. Para o insano a insanidade é totalmente prosaica, porque é totalmente verdadeira.

« Um homem que imagina ser uma galinha é para si mesmo tão comum como uma galinha. Um homem que imagina ser um caco de vidro é para si mesmo tão sem graça como um caco de vidro. A homogeneidade de sua mente é o que o torna sem graça, e o que o torna louco. E somente pelo fato de percebermos a ironia de sua idéia que nós o achamos até engraçado; é somente pelo fato de ele não ver a ironia de sua idéia que ele é internado em Hanwell, não por outro motivo.

« Em resumo, as esquisitices chocam apenas as pessoas comuns. É por isso que as pessoas comuns têm uma vida muito mais instigante; enquanto as pessoas esquisitas sempre estão se queixando da chatice da vida. É por isso também que os novos romances desaparecem tão rapidamente, ao passo que os velhos contos de fada duram para sempre. Os velhos contos de fada fazem do herói um ser humano normal; suas aventuras é que são surpreendentes. Elas o surpreendem porque ele é normal. Mas no romance psicológico moderno o herói é anormal; o centro não é central. Consequentemente, as mais loucas aventuras não conseguem afetá-lo de forma adequada, e o livro é monótono. Pode-se criar uma história a partir de um herói entre dragões, mas não a partir de um dragão entre dragões. O conto de fadas discute o que o homem sensato fará num mundo de loucura. O romance realista sóbrio de hoje discute o que um completo lunático fará num mundo sem graça.

« Comecemos, então, com um manicômio. Dessa estalagem fantástica e perversa vamos partir para a nossa jornada intelectual. Ora, se devemos examinar rapidamente a filosofia da sanidade, a primeira coisa a fazer no caso é apagar um enorme erro comum. Por toda parte existe a noção de que a imaginação, especialmente a imaginação mística, é perigosa para o equilíbrio mental do homem. Geralmente se diz que os poetas não são confiáveis do ponto de vista psicológico, e geralmente faz-se uma vaga associação entre cingir a cabeça com uma coroa de louros e fazer loucuras. Os fatos e a história contradizem totalmente essa visão. A maioria dos poetas realmente grandes não só foi de gente sensata, mas também extremamente prática. Se Shakespeare um dia dominou cavalos, isso se deu por ser ele o homem mais indicado para fazêlo. A imaginação não gera a insanidade. O que gera a insanidade é exatamente a razão. Os poetas não enlouquecem; mas os jogadores de xadrez sim. Os matemáticos enlouquecem, e os caixas; mas isso raramente acontece com artistas criadores. Como se verá, não estou aqui, em nenhum sentido, atacando a lógica: só afirmo que esse perigo está na lógica, não na imaginação. A paternidade artística é tão sadia quanto a paternidade física. Além disso, vale a pena observar que, quando um poeta foi realmente mórbido, o fato geralmente se deu porque ele tinha um ponto fraco de racionalidade no cérebro. Poe, por exemplo, foi realmente mórbido; não porque era poético, mas porque era especialmente analítico. Para ele até o jogo de xadrez era poético demais; ele não gostava de xadrez porque era um jogo cheio de peões e castelos, como um poema. Declaradamente, preferia as casas brancas do jogo de damas, por se parecerem mais com os meros pontos pretos num gráfico.

« Talvez o caso mais convincente seja este: apenas um grande poeta inglês enlouqueceu, Cowper. E ele foi definitivamente levado à loucura pela lógica, pela repulsiva e estranha lógica da predestinação. A poesia não foi seu mal, foi seu remédio. A poesia preservou-lhe em parte a saúde. Às vezes ele podia esquecer-se do rubro e sequioso interno, para o qual seu hediondo determinismo o arrastava em meio às águas caudalosas e as grandes e achatadas flores aquáticas do rio Ouse. Ele foi condenado por João Calvino; e quase foi salvo por John Gilpin.

« Em todas as partes vemos que os homens não enlouquecem sonhando. Os críticos são muito mais loucos que os poetas. Homero é completo e bastante calmo; os críticos é que o rasgam em trapos extravagantes. Shakespeare é exatamente Shakespeare; apenas alguns de seus críticos é que descobriram que ele era alguma outra pessoa. E embora João, o evangelista, tenha visto monstros estranhos em sua visão, ele não viu nenhuma criatura tão louca como um de seus comentadores. O fato geral é simples. A poesia mantém a sanidade porque flutua facilmente num mar infinito; a razão procura atravessar o mar infinito, e assim torná-lo finito. O resultado é a exaustão mental, como a exaustão física do sr. Holbein.

« Aceitar tudo é um exercício, entender tudo é uma tensão. O poeta apenas deseja a exaltação e a expansão, um mundo em que ele possa se expandir. O poeta apenas pede para pôr a cabeça nos céus. O lógico é que procura pôr os céus dentro de sua cabeça. E é a cabeça que se estilhaça.»

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Ortodoxia, de G.K. Chesterton (1874-1936)

Ferreira Gullar fala sobre a nova ortografia

Ferreira Gullar

« Eu acho que o Brasil e Portugal, com os outros países de língua portuguesa, têm de parar com essa coisa de ficar mudando as regras ortográficas. Eu acho que é uma coisa que não ajuda em nada. É uma perda de tempo. Cria confusão, inclusive dá prejuízos. Já imaginou o que vai acontecer? Coleções de livros vão ter que ser jogadas fora e reimpressas, para obedecer a uma nova ortografia porque uma ou duas pessoas resolveram mudar a maneira de escrever a língua. Isso é uma arbitrariedade. Quem é que outorgou a essas pessoas o direito de fazer isso? A língua é patrimônio do país, da população, não é propriedade de ninguém. Não pode haver uma entidade que decide mudar a língua de todo o mundo. Isso é um absurdo. É uma coisa precária, que cria confusões, porque é impossível você encontrar uma forma de colocar todos os países de língua portuguesa em que não se crie ambigüidade nenhuma. É um sonho vão. A ortografia tem de ser uma representação da linguagem falada. Então é uma bobagem. Uma perda de tempo.»

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Leia a entrevista completa com Ferreira Gullar: "O acordo ortográfico é uma perda de tempo". (E veja também o que ele fala sobre Lula e Dilma.)

Fonte: www.ionline.pt

Bernardo Soares e aqueles que dominam o Diabo

Fernando Pessoa

« Tive sempre uma repugnância quase física pelas coisas secretas — intrigas, diplomacia, sociedades secretas, ocultismo. Sobretudo me incomodaram sempre estas duas últimas coisas — a pretensão, que têm certos homens, de que, por entendimentos com Deuses ou Mestres ou Demiurgos, sabem — lá entre eles, exclusos todos nós outros — os grandes segredos que são os cavoucos do mundo.

« Não posso crer que isso seja assim. Posso crer que alguém o julgue assim. Por que não estará essa gente toda doida, ou iludida? Por serem vários? Mas há alucinações coletivas.

« O que sobretudo me impressiona, nesses mestres e sabedores do invisível é que, quando escrevem para nos contar ou sugerir os seus mistérios, escrevem todos mal. Ofende-me o entendimento que um homem seja capaz de dominar o Diabo e não seja capaz de dominar a língua portuguesa. Por que há o comércio com os demônios de ser mais fácil que o comércio com a gramática? Quem, através de longos exercícios de atenção e de vontade, consegue, conforme diz, ter visões astrais, por que não pode, com menor dispêndio de uma coisa e de outra, ter a visão da sintaxe? Que há no dogma e ritual da Alta Magia que impeça alguém de escrever — já não digo com clareza, pois pode ser que a obscuridade seja da lei oculta —, mas ao menos com elegância e fluidez, pois no próprio abstruso as pode haver[?] Porque há de gastar-se toda a energia da alma no estudo da linguagem dos Deuses, e não há de sobrar um reles bocado, com que se estude a cor e o ritmo da linguagem dos homens?

« Desconfio dos mestres que o não podem ser primários. São para mim como aqueles poetas estranhos que são incapazes de escrever como os outros. Aceito que sejam estranhos; gostara, porém, que me provassem que o são por superioridade ao normal e não por impotência dele.

« Dizem que há grandes matemáticos que erram adições simples; mas aqui a comparação não é com errar, mas com desconhecer. Aceito que um grande matemático some dois e dois para dar cinco: é um ato de distração, e a todos nós pode suceder. O que não aceito é que não saiba o que é somar ou como se soma. E é este o caso dos mestres do oculto, na sua formidável maioria.»

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Livro do Desassossego, de Bernardo Soares (heterônimo de Fernando Pessoa).

Paul Brunton: algumas ideias em perspectiva (e um conselho)

Paul Brunton

« A beleza, tanto quanto a verdade, é um aspecto da Realidade. Aquele que é insensível a uma ainda não encontrou a outra.»

(…)

« Um estilo de vida refinado e elegante pode ser desaprovado pelas pessoas de tendências ascéticas, e pode até mesmo ser censurado como materialista. O senso estético, porém, pode ser bem compatível com a espiritualidade.»

(…)

« Todos são crucificados pelo próprio ego.»

(…)

« Toda pessoa possui algum tipo de fé; isso inclui a pessoa cuja fé repousa no ceticismo.»

(…)

« Aquele que vive uma vida nobre em meio às coisas do mundo é superior àquele que vive uma vida nobre num mosteiro.» [Eu, Yuri, digo: creio que a busca dessa virtude superior nem passou pelas cabeças dos monges desertores do conto “História sem título”, de Tchekov…]

(…)

« Dissipamos diariamente nossas energias mentais e atiramos nossos pensamentos aos ventos volúveis. Corrompemos o potente poder da Atenção e permitimos que ela se desperdice diariamente nas mil futilidades que preenchem nosso tempo.»

(…)

« O contraste entre os americanos loquazes das cidades e os árabes silenciosos do deserto é inesquecível. O beduíno pode sentar-se com um grupo e não dizer coisa alguma durante horas! A paz do deserto penetrou neles de tal maneira que o dever social da conversação é desconhecido entre eles e considerado desnecessário!» [Eu, Yuri, pergunto: existem beduínos do sexo feminino?… Ok, ok, foi uma pergunta digna de um “americano loquaz”…]

(…)

« A vida permanece o que ela é — imortal e sem limites. Todos nos encontraremos novamente. Saiba o que você é, e seja livre. O melhor conselho hoje é: mantenha-se calmo, alerta. Não deixe que a pressão do ambiente mental viole o que você sabe e o que é real e fundamentalmente verdadeiro. Esse é o talismã mágico que irá protegê-lo; agarre-se a ele. A última palavra é — Paciência! A noite é mais escura antes do amanhecer. Mas o amanhecer vem.»

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Ideias em Perspectiva, de Paul Brunton.

Almada Negreiros: «A poesia é a linguagem dos Iguais dispersos no Tempo»

Almada Negreiros (auto-retrato)

« A poesia é a linguagem dos Iguais dispersos no Tempo. Os iguais não se admiram entre si; confiam-se, ou melhor, são iguais.»

(…)

« Poesia é a vocação humana de não pôr parcialidade na Vida.»

(…)

« A Poesia conhece e não sabe.»

(…)

« Não fazer nada senão por pura simpatia. A simpatia é bastante. Nem amigos nem assuntos onde não esteja inteira a nossa simpatia. A simpatia tem, de fato, uma aparência agradável e é a única maneira de nos tornarmos invisíveis até chegados nós.»

(…)

« O saber é pouca coisa para quem conhece. O saber desencanta o mistério. O conhecimento vive cara a cara com o mistério.»

(…)

« Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria.»

(…)

« Comprei um livro de filosofia.[…] Disseram-me que era necessário estar já iniciado, ora eu só tenho uma iniciação, é esta de ter sido posto neste mundo à imagem e semelhança de Deus. Não basta?»

[Algumas notas que tomei, anos atrás, de um livro de Almada Negreiros (1893-1970), cujo título não guardei…]

 

A pintura mais conhecida de Almada Negreiros é este retrato de Fernando Pessoa:

Fernando Pessoa por Almada Negreiros

E seu desenho mais conhecido:

Fernando Pessoa por Almada Negreiros

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O cineasta Andrei Tarkovski fala sobre a criação artística

Andrei Tarkovsky

« A poesia é uma consciência do mundo.»

(…)

« Para mim, os personagens mais interessantes são aqueles exteriormente estáticos, mas interiormente cheios da energia de uma paixão avassaladora.»

(…)

« Quando não se disse tudo sobre um determinado tema, fica-se com a possibilidade de imaginar o que não foi dito. A outra alternativa é apresentar ao público uma conclusão final que não exija dele nenhum esforço; não é disso, porém, que ele necessita. Que significado ela poderá ter para o espectador que não compartilhou com o autor a angústia e a alegria de fazer nascer uma imagem?»

(…)

« Penso que sem uma ligação orgânica entre as impressões subjetivas do autor e a sua representação objetiva da realidade, ser-lhe-á impossível obter alguma credibilidade, ainda que superficial, e muito menos autenticidade e verdade interior.»

(…)

« O gênio […] não se revela na perfeição absoluta de uma obra, mas sim na absoluta fidelidade a si próprio.»

(…)

« É errado dizer que o artista procura o seu tema. Este, na verdade, amadurece dentro dele como um fruto, e começa a exigir uma forma de expressão. É como um parto…»

(…)

« …nada além da observação simples e despretensiosa da vida. O princípio tem algo em comum com a arte do zen, na qual, da forma como a percebemos, a exata observação da vida transforma-se paradoxalmente em sublimes imagens artísticas.»

(…)

« Ter uma visão lúcida e precisa das condições do próprio trabalho faz com que seja mais fácil encontrar uma forma que se ajuste com exatidão a nossas idéias e sentimentos, afastando a necessidade de recorrermos ao experimentalismo. Experimentalismo — para não dizer busca

(…)

« Nada seria mais absurdo que a palavra busca aplicada a uma obra de arte. Nela se escondem impotência, vazio interior, falta de uma consciência verdadeiramente criativa, vaidade mesquinha. ‘Um artista que procura’ — são palavras que apenas escondem uma aceitação neutra de uma obra inferior.»

(…)

« Gosto muito da história que se conta sobre Picasso, que, ao lhe perguntarem sobre sua procura, respondeu com precisão e argúcia (obviamente irritado com a pergunta): ‘Eu não procuro, eu acho’.»

(…)

« E estou convencido de que, se um artista consegue realizar alguma coisa, isso só acontece porque é disso que os outros precisam — mesmo que não o saibam naquele momento.»

Esculpir o Tempo, de Andrei Tarkovski (1932-1986).

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