Blog do Yuri

palavras aos homens e mulheres da Madrugada

Alexander Solzhenitsyn: « Alerta ao Ocidente »

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« Por terem os avós e os pais tampado os ouvidos aos gemidos do mundo e fechado os olhos aos seus abismos — por tudo isso — irá pagar a geração atual.»

(…)

« Nós, os povos oprimidos da Rússia, os povos oprimidos da Europa Oriental, percebemos dolorosamente o catastrófico enfraquecimento da Europa. Nós lhes oferecemos a experiência dos nossos sofrimentos — nós gostaríamos que vocês a assimilassem, sem pagar o incomensurável preço em mortes e escravidão, como nós pagamos. Mas a vossa sociedade se afasta das nossas vozes, que tentam adverti-los. E, provavelmente, devemos reconhecer desolados que a experiência de vida não se transmite. Todos devem viver tudo por si mesmos…»

(…)

« …ficamos sabendo que Dostoiévski, se errou, foi para o lado menor: de 1917 a 1959, o socialismo custou à atual União Soviética 110 milhões de pessoas!»

Alerta ao Ocidente, de Alexander Solzhenitsyn (1918-2008).

Atualizações semanais no Twitter em 2010-08-09

  • E Lula autorizou a criação de uma embaixada brasileira em Tuvalu, país com cerca de 12.000 habitantes. Mais uma sinecura. http://goo.gl/link #
  • "Mãaaaae, o Juanito está me retuitanto!" – charges do ilustrador chileno Alberto Montt – http://goo.gl/cwbn (via @abcaldas) #
  • Muito além dos 140 caracteres ou o diálogo de @ripchip e @francinepereira via Twitter. Ela: http://goo.gl/mwKz Ele: http://goo.gl/Cbrm #
  • Para exibir o curta ESPELHO em colégios, faculdades, etc., basta baixar o arquivo ISO e gravar o DVD. Sob licença CC: http://goo.gl/7RT0 #
  • « Graças sejam dadas a Deus, que situou nas partes naturais da mulher os maiores prazeres do homem…» ~ Xeque Nefzaui -> http://goo.gl/nbxc #
  • 20 anos atrás, um amigo pegou o irmão fazendo troca-troca. Deu uma bronca. E o garoto: "Sou esperto mesmo, comi todo mundo e só dei uma vez" #
  • Toda vez que vejo o Lula justificando alguma safadeza, lembro desse garoto que, no troca-troca, comeu todo mundo e só deu uma vez… #
  • O mais chato dessa "lei da felicidade" será receber multas por andar triste pelas ruas. Vai acabar rolando uma "bolsa Prozac"… #
  • Qdo ingressei na UnB, Cristovam Buarque era reitor. Qdo o vi, notei q parecia o Zacarias(Trapalhões) sem peruca. Nunca mais o levei a sério. #
  • Cristovam Buarque http://goo.gl/5Tpn e Zacarias (Trapalhões) http://goo.gl/TyzU são a mesma pessoa e por isso ele quer que sejamos felizes. #
  • Apenas para esclarecer ao meu amigo @rfiume que não, esse aí http://goo.gl/Ni7l não sou eu tocando guitarra. B^) #
  • Sempre sinto impulsos de mostrar isso: eu telefonando ao @p_paiva com um modificador de voz e ele rachando o bico. http://goo.gl/IxJo B^) #
  • «Articulista do WPost chama Lula de “o maior amigo dos tiranos” e diz q Dilma divide com ele a “afeição” por ditadores» http://bit.ly/cqPSJA #
  • "Google anuncia fim do Wave, serviço que prometia 'matar' o e-mail" (Nem me lembrava mais que isso existia…) http://goo.gl/aGpA #
  • Olhaí, @cleycianne, a Sasha Grey vai parar de "sensualizar". (Será que ela aposenta de vez a Pomba Gira?) http://goo.gl/fY66 (via @abcaldas) #
  • Plus Live, amanhã, no Ambiente Skate Shop (exposição com TODAS as obras de Arte da Plus galeria) – http://goo.gl/ecR4 (via @lydiahimmen) #
  • RT @p_paiva: @yurivs vou rir disso até o fim de minha vida! [ http://goo.gl/IxJo ] #
  • Caricaturas de André Carrilho – http://bit.ly/aEQqXg #
  • Aeon Audiovisual inicia produção de novo episódio de REPUBLIQUETA http://bit.ly/d7NTir (Veja o anterior: http://bit.ly/bl91vz ) #corruPTtos #
  • Lew Rockwell: « A nova investida para uma moeda global » – http://bit.ly/cuSBep #
  • «Ziraldo solta o verbo, diz por que se recusou a participar da “Flipinha” (”Odeio diminutivo”)» http://bit.ly/asBkN3 #
  • «Estado policial petista: ou o MPúblico, o Congresso e a OAB reagem ou podem se preparar para entrar na fila da degola» http://bit.ly/b7aBzZ #
  • «Coreia do Norte: humilhação pública e trabalho forçado por conta de fiasco na Copa do Mundo» http://bit.ly/bf2TSg #
  • Minha caravana passa enquanto seu currículo Lattes… #

Uma palestra de Bruno Tolentino na UFRJ

O poeta Bruno Tolentino, que durante o ano de 1999 também morou na Casa do Sol (residência da escritora Hilda Hilst), tinha o costume — após encerrar seu trabalho diário no livro O Mundo como Idéia, que vinha finalizando —, de ir ou até o escritório da Hilda ou até meu quarto (que também era a biblioteca) e ficar até tarde da noite tecendo mil e um comentários sobre os mais diversos temas, principalmente literatura, filosofia, religião e política. (Digamos que tal ritual fazia parte da minha “pós-graduação desprovida do beneplácito do MEC”…)

Gostei de encontrar a palestra abaixo no You Tube porque ela, ao contrário de outras gravações que ouvi antes, apresenta Bruno exatamente como era nessas ocasiões: aberto, bem-humorado, brincalhão, brilhante, sagaz, sarcástico, erudito, tagarela…

A palestra, que a princípio trata da poesia de Vinicius de Moraes, está dividida em 12 partes (infelizmente há a intervenção inaudível de uma mulher nas últimas partes que irrita um bocado, mas não estraga o conjunto):

Mário Quintana e O Mundo de Deus

Mário Quintana

O Mundo de Deus

Aquele astronauta americano que anunciou ter encontrado
Deus na Lua é no fim de contas menos simplório do que os
primeiros astronautas russos, os quais declararam, ao voltar,
não terem visto Deus no céu.

Porque, se Deus é paz e paz é silêncio, afinal, deve Ele
estar mesmo muito mais na Lua do que nas metrópoles terrenas.

E, pelo que me toca, a verdade é que nunca pude esquecer
estas palavras de um personagem de Balzac: “O deserto é Deus
sem os homens”.

Caderno H (1973), de Mário Quintana.

Michel de Montaigne fala sobre o estilo

Michel de Montaigne

« A linguagem deles é cheia de um vigor natural e permanente; são um verdadeiro e total epigrama, não apenas quanto à cauda, mas também à cabeça, o estômago e os pés. Nada é forçado, nada é penoso, tudo caminha com o mesmo porte. Não se trata de uma eloqüência mole e sem arestas, mas de uma eloqüência nervosa e sólida, que enche e arrebata o mais forte espírito mais do que lhe agrada. Quando me encontro diante dessas formas pujantes de se explicar, tão vivas e tão profundas, não digo que está bem dito, mas bem pensado…

« O manuseio e a freqüentação dos belos espíritos dão corpo à língua, não tanto por inová-la, porém por emprestar-lhe sentidos mais vigorosos, mais amplos e maleáveis; não lhe trazem palavras novas, mas enriquecem as já existentes, dão-lhes mais peso e significação mais profunda; e maior uso, outorgam-lhes com prudência e engenho movimentos inéditos. E que isso não é apanágio de todos, vê-se por inúmeros escritores franceses deste século. São assaz arrojados e desdenhosos para não seguir o caminho comum; mas perde-os a carência de invenção e de discrição. Neles vemos tão somente uma pobre afetação de originalidade que em lugar de elevar avilta o assunto. Conquanto chafurdem na novidade, pouco se lhes dá a eficiência; na ânsia de uma palavra nova abandonam a vulgar, não raro mais forte e nervosa.

« Na nossa língua encontro bastante estofo, porém certa falta de estilo; muito se faria com a gíria da caça e da guerra, dadivoso terreno a ser ainda lavrado; e as maneiras de falar, como as plantas, se apuram e se fortalecem no transplante…

« Quando escrevo evito a companhia e a lembrança dos livros, de medo que me modifiquem o estilo; aliás os bons autores muito me desanimam e quebram a coragem. Copio de bom grado aquele pintor que tendo pintado miseravelmente galos proibia a seus servidores trouxessem galos de verdade a seu atelier…

« Por isso mesmo, escrevo propositadamente em minha casa situada em país selvagem onde ninguém me ajuda nem me corrige, onde não freqüento em geral pessoa alguma que entenda mais do que o padre-nosso em latim e muito menos em francês. Faria melhor obra alhures, mas ela seria menos minha; ora seu fim principal e sua qualidade estão exatamente em ser ela inteiramente minha. De bom grado corrigiria nela qualquer erro acidental, de que está cheia porque corro inadvertidamente, mas as imperfeições que me são naturais e constantes fora traição extirpá-las…»

Ensaios – Livro III, Capítulo 5, de Michel de Montaigne

Sócrates fala sobre a imortalidade da alma

Sócrates recebe a cicuta

« Porém devemos, senhores, considerar também o seguinte: se a alma for imortal, exigirá cuidados de nossa parte não apenas nesta porção do tempo que denominamos vida, senão ao longo de todo o tempo, parecendo que se expõe a um grande perigo quem não atender esse aspecto da questão. Pois se a morte fosse o fim de tudo, que imensa vantagem não seria para os desonestos, com a morte livrarem-se do corpo e da ruindade muito própria juntamente com a alma? Agora, porém, que se nos revelou imortal, não resta à alma outra possibilidade, se não for tornar-se, quanto possível, melhor e mais sensata. Ao chegar ao Hades, nada mais leva consigo a não ser a instrução e a educação, justamente, ao que se diz, o que mais favorece ou prejudica o morto desde o início de sua viagem para lá. O que contam é o seguinte: quando morre alguém, o demônio [daemon, gênio, monitor residente] que em vida lhe tocou por sorte se encarrega de levá-lo a um lugar em que se reúnem os mortos para serem julgados e de onde são conduzidos para o Hades com guias incumbidos de indicar-lhes o caminho. Depois de terem o destino merecido e de lá permanecerem o tempo indispensável, outro guia os traz de volta, após numerosos e longos períodos de tempo. Esse caminho não é o que diz Télefo de Ésquilo, ao afirmar que o caminho do Hades é simples; a meu ver nem é simples nem único. Se fosse o caso, seria dispensável guia, pois ninguém se perde onde a estrada é uma só. O que parece é que ele é cheio de voltas e bifurcações. Digo isso com base nos ritos sagrados e cerimônias aqui em uso.

« De qualquer forma, a alma prudente e moderada acompanha seu guia, perfeitamente consciente do que se passa com ela; mas, como disse há pouco, a que se agarra avidamente ao corpo esvoaça durante muito tempo em torno dele e do mundo visível, e depois de grande relutância e de sofrimentos sem conta, é por fim arrastada dali, à força e com dificuldade pelo demônio incumbido de conduzi-la. Uma vez alcançado o lugar em que se encontram outras almas, a que se acha impura pela prática do mal, de homicídios injustos ou de crimes semelhantes, irmãos daqueles e iguais aos que soem praticar almas irmãs, de uma alma como essa todas se afastam, evitam-na, não havendo guia nem companheiro de jornada que com ela se associe. Tomada de grande perplexidade, vagueia por todos os lugares até escoar-se certo tempo, depois do que a arrasta a Necessidade para a moradia que lhe foi determinada. A que atravessou a vida com pureza e moderação e alcançou deuses por guias e companheiros de jornada, obtém moradia apropriada.

«A Terra apresenta um sem-número de lugares maravilhosos, não sendo nem tão extensa nem da forma como a imaginam os que se comprazem em discorrer a seu respeito, conforme alguém mo demonstrou.

(…)

« Do que vos expusemos, Símias, precisamos tudo fazer para em vida adquirir virtude e sabedoria, pois bela é a recompensa e infinitamente grande a esperança. Afirmar, de modo positivo, que tudo seja como acabei de expor, não é próprio de homem sensato; mas que deve ser assim mesmo ou quase assim no que diz respeito a nossas almas e suas moradas, sendo a alma imortal como se nos revelou, é proposição que me parece digna de fé e muito própria para recompensar-nos do risco em que incorremos por aceitá-la como tal. É um belo risco, eis o que precisamos dizer a nós mesmos à guisa da formula de encantamento. Essa é a razão de me ter alongado neste mito. Confiado nele; é que pode tranqüilizar-se com relação a sua alma o homem que passou a vida sem dar o menor apreço aos prazeres do corpo e aos cuidados especiais que este requer, por considerá-los estranhos a si mesmo e capazes de produzir, justamente, o efeito oposto. Todo entregue aos deleites da instrução, com os quais adornava a alma, não como se o fizesse com algo estranho a ela, porém como jóias da mais feliz indicação: comedimento, justiça, coragem, nobreza e verdade, espera o momento de partir para o Hades quando o destino o convocar. Vós também, Símias e Cebes, acrescentou, e todos os outros, tereis de fazer mais tarde essa viagem, cada um no seu tempo. A mim, porém, para falar como herói trágico, agora mesmo chama-me o destino. Mas esta quase na hora de tomar o banho. Acho melhor fazer isso antes de beber o veneno, para não dar às mulheres o trabalho de lavar o cadáver.»

Fédon – Da Alma, de Platão.

O psiquiatra R. D. Laing fala sobre a experiência da loucura

R. D. Laing

« Quando a pessoa enlouquece, ocorre uma profunda transposição de sua posição em relação a todos os domínios do ser. Seu centro de experiência desloca-se do ego para o Self. O tempo mundano torna-se simples anedota, só importa o que é eterno. Contudo, o louco está confuso. Mistura ego com Self, interior com exterior, natural com sobrenatural. No entanto, pode ser com freqüência para nós, mesmo através de sua profunda infelicidade e desintegração, o hierofante do sagrado. Exilado do cenário do ser como o conhecemos, ele é um estranho, um alienígena, acenando para nós do vácuo onde está mergulhando, um vácuo talvez povoado de presenças que nem sequer suspeitamos.»

(…)

« ¿Será a esquizofrenia uma fuga bem sucedida à adaptação a um tipo de ego?»

(…)

« A loucura não precisa ser um colapso total. Pode ser também uma abertura. É potencialmente libertação e renovação, assim como escravização e morte existencial.»

(…)

« Quando o novo ser humano chega aos quinze anos, mais ou menos, já se transformou num ser parecido conosco: uma criatura meio demente, mais ou menos adaptada a um mundo louco. Tal é a normalidade na época presente.»

(…)

« Pois sem o que é interior, o externo perde o seu sentido, e sem o externo, o interior perde a substância.»

(…)

« O nada, como experiência, surge como ausência de alguém ou de alguma coisa: ausência de amigos, relações, prazer, sentido da vida, idéias, alegria, dinheiro. Aplicado às partes do corpo, é ausência de seio, pênis, conteúdo bom ou mau; é o vazio. A lista é, em princípio, infindável.»

(…)

« A condição de alienação, o estar adormecido, inconsciente, fora de si, é a condição do homem normal. A sociedade valoriza altamente o homem-normal, educa as crianças de modo a perderem-se e a tornarem-se absurdas, sendo assim normais. Homens normais mataram talvez 100.000.000 de seus semelhantes normais nos últimos cinqüenta anos. O comportamento é uma função da experiência. Agimos segundo nossa maneira de ver as coisas. Se nossa experiência for destruída, nosso comportamento será destrutivo. Se nossa experiência for destruída, perdemo-nos a nós mesmos.»

(…)

« Ou eu estou ouvindo, ou eu estou louco.» [Raciocínio do esquizofrênico ao ouvir vozes.]

(…)

« O que ocorre então é uma viagem: I) de fora para dentro; II) da vida para uma espécie de morte; III) do progresso para um regresso; IV) do movimento temporal para a imobilidade temporal; V) do tempo mundano para o tempo eônico; VI) do ego para o Self; VII) do lado de fora (pós-nascimento) de volta ao seio de todas as coisas (pré-nascimento); e então, subsequentemente, uma viagem de regresso: 1) do interior para o exterior; 2) da morte para a vida; 3) do movimento retroativo para o movimento novamente progressivo; 4) da imortalidade de volta à mortalidade; 5) da eternidade de volta ao tempo; 6) do Self para um novo ego; 7) de uma fetalização cósmica para um renascimento existencial.»

(…)

« Existem súbitos e aparentemente inexplicáveis suicídios que precisam ser compreendidos como o despertar de uma esperança tão horrível e arrasadora que se torna insuportável.»

(…)

« “É” como nenhuma-coisa é aquilo pelo qual todas as coisas são. E a condição da possibilidade de qualquer coisa ser é estar em relação com aquilo que não-é. O que vale dizer que a base de todos os seres é a relação entre eles.»

(…)

« Para ser louco não é necessário ou obrigatório estar doente, embora em nossa cultura as duas categorias se confundam.»

(…)

« Se existisse apenas a minha consciência, então há validade para a minha vontade.» [Confrontar com a afirmação de Ivan Karamázov, personagem de Dostoiévski: “Se Deus não existe, tudo é permissível”.]

(…)

« Entre médicos e padres deveria haver alguns orientadores que retirassem a pessoa deste mundo e a introduzissem no outro. Que a  orientassem dentro dele e a conduzissem de volta.»

(…)

« O “ego” é o instrumento para se viver neste mundo. Se ele se romper, ou for destruído (pelas invencíveis contradições de certas situações na vida, por meio de toxinas, alterações químicas, etc.), então a pessoa talvez fique exposta a outros mundos, “reais” de diferentes maneiras, da esfera mais familiar dos sonhos, da imaginação, da percepção ou da fantasia. O mundo que se penetra, a nossa capacidade para experienciá-lo, parece estar em parte condicionado ao estado do próprio ego.»

(…)

« Fenomenologicamente, os termos interior e exterior têm pouca validade.»

(…)

« Em parte alguma da Bíblia existe qualquer debate relativo à existência de deuses, demônios, anjos. As pessoas não ‘crêem em Deus’, para começar`: sentem a sua Presença, como ocorre com outros agentes espirituais. A questão não era a existência de Deus, mas se este Deus em particular era o maior de todos, ou o único, e qual a relação dos vários agentes espirituais, uns com os outros. Existe hoje um debate público, não com respeito à autenticidade de Deus, ao lugar atribuído na hierarquia espiritual aos diferentes espíritos, etc., mas se Deus ou esses espíritos chegam a existir, ou jamais existiram.»

(…)

« Precisamos de uma história dos fenômenos e não apenas mais fenômenos históricos.»

(…)

« Vivemos num mundo secular. Para adaptar-se a este mundo a criança renuncia ao seu êxtase. (“L’enfant abdique son extase”, Mallarmé).»

(…)

[Na loucura] « A perda do ego pode ser confundida com a morte física.»

(…)

« ¿Não vemos que não é desta viagem que precisamos curar-nos, mas que ela é, em si mesma, um meio natural de curar o nosso espantoso estado de alienação chamado normalidade?»

(…)

« Seria desejável que a sociedade estabelecesse locais com a finalidade expressa de ajudar pessoas a vencerem as tempestades de uma viagem assim.»

 

Do livro A Política da Experiência e A Ave do Paraíso, de R. D. Laing.

Anos atrás, após ter lido esse livro, aproveitei-me de uma experiência pessoal e escrevi o conto Genus irritabile vatum. ;^D

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