9:27 amParamahansa Yogananda narra um encontro com… Jesus Cristo

Paramahansa Yogananda

« Todos os grandes mestres da índia, que demonstraram agudo interesse pelo Ocidente, compreenderam muito bem as condições modernas. Eles sabem que os problemas do mundo continuarão insolúveis enquanto todas as nações não assimilarem melhor as virtudes características do Oriente e do Ocidente. Cada hemisfério necessita daquilo que o outro tem a oferecer de melhor.

« No decurso de minha viagem pelo mundo, observei com tristeza muito sofrimento. No Oriente, acentuado sofrimento no plano ma­terial. No Ocidente, sobretudo, miséria mental e espiritual. Em todos os países repercutem os dolorosos efeitos de civilizações desequilibradas. A índia e muitos outros países orientais poderão beneficiar‑se imensamente se tratarem de competir com o senso prático de empresários, com a eficiência material das nações ocidentais, como os Estados Unidos. Os povos ocidentais, ao contrário, necessitam compreender com maior profundeza a base espiritual da vida, e especialmente as técnicas científicas que a índia desenvolveu, desde a antigüidade, para a comunhão consciente do homem com Deus.

« O ideal de uma civilização equilibrada não é quimérico. Durante milênios, a índia foi, simultaneamente, o país da luz espiritual e de bem distribuída prosperidade material. A pobreza dos últimos duzentos anos é, na longa história da índia, apenas uma fase cármica passageira. Proverbial em todo o mundo, século após século, foi a expressão “fausto das índias”. A abundância, material e espiritual, vem a ser uma manifestação da estrutura de ritá, lei cósmica ou justiça natural. Não há parcimônia no Espírito Divino, nem em Sua deusa dos fenômenos, a exuberante Natureza.

« As Escrituras hindus ensinam que o homem é atraído para este planeta a fim de aprender, e aprender melhor em cada vida sucessiva, as infinitas variantes em que o Espírito pode, não só expressar‑se através das condições materiais, mas também governá‑las. O Oriente e o Oci­dente estão aprendendo esta grande verdade, de maneiras diversas, e deveriam partilhar de bom grado, um com o outro, as Suas descobertas. Acima de qualquer dúvida, agrada ao Senhor que Seus filhos terrenos lutem por alcançar para o mundo uma civilização livre de pobreza, doen­ça e ignorância espiritual. O esquecimento, pelo homem, de seus divi­nos recursos é resultado do uso incorreto de seu livre‑arbítrio e cau­sa primeira de todas as outras formas de sofrimento.

« Os males atribuídos a uma abstração antropomórfica chamada “sociedade” podem ser imputados, mais realisticamente, a cada homem. A utopia deve medrar na intimidade de cada peito humano, antes que possa florir em virtude cívica, pois as reformas internas conduzem naturalmente às externas. Um homem que se reformou a si mesmo, reformará milhares de outros.

« As Escrituras do mundo, submetidas ao teste do tempo, são, em essência, uma só, inspirando o homem em sua jornada ascendente. Passei um dos períodos mais felizes de minha vida, ditando para a Self‑Realization Magazine minha interpretação de trechos do Novo Testamento. Implorei fervorosamente ao Cristo para que me guiasse na apreensão do verdadeiro significado de suas palavras, muitas das quais têm sido gravemente desvirtuadas durante vinte séculos.

« Uma noite, quando silenciosamente me entregava à prece, minha sala de trabalho no eremitério de Encinitas inundou‑se de luz azul opalescente. Contemplei a forma resplandecente do abençoado Senhor Jesus. Parecia um jovem de vinte e cinco anos, com barba esparsa; seu longo cabelo preto, repartido ao meio, apresentava um halo de ouro cintilante.

« Seus olhos eram eternamente maravilhosos; enquanto eu os fitava, eles se alternavam infinitamente. A cada mudança divina em sua expressão, eu compreendia intuitivamente a sabedoria que eles transmitiam. Em seu olhar glorioso, senti o poder que sustém miríades de mundos. Um Santo Graal apareceu‑lhe na boca; desceu aos meus lábios e, a seguir, voltou a Jesus. Alguns momentos depois, ele pronunciou palavras belíssimas, tão pessoais em sua natureza que eu as guardo em meu coração.»

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Autobiografia de um Iogue Contemporâneo, de Paramahansa Yogananda.