Admirável e Só para Selvagens

O futuro já dura muito tempo no século 27, quando Bernard e Lenina se vêem imersos na experiência de um reality show. Confinados, vão lidar pela primeira vez, quem diria, com o impacto das próprias emoções. Isso porque eles fazem parte de uma experiência para mostrar como a vida funciona sem o Soma, a substância legalizada pelo Estado e que subtrai qualquer sensação de desconforto e angústia, trazendo felicidade perene aos cidadãos da Nova Ordem Mundial.

Bernard e Lenina são vigiados 24 horas por Mustafá Mond, um dos poderosos administradores do Estado Mundial, que prega a abolição da Arte, da Religião e do Amor em favor do bem-estar da comunidade. Apesar do discurso cético, Mustafá passa boa parte do tempo filosofando a respeito de Shakespeare e da Bíblia. Seu interlocutor é John, sujeito criado na não civilizada Reserva de Selvagens e que por isso tem uma visão de mundo humana e sensível.

É neste mosaico incomum de personalidades que se passa a peça Admirável e só para selvagens, direção de Hugo Rodas e Miriam Virna, que também integra o elenco junto com Alessandro Brandão.

Consagrada em Brasília, a peça estreou no Rio dia 7 de janeiro de 2011, na sala Multiuso do Espaço Sesc, em Copacabana, RJ. A temporada vai até 30 de janeiro. Ingressos a R$ 16, classificação etária 14 anos. Admirável e só para selvagens é livremente inspirada inspirado no clássico Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, publicado em 1932. Nestes 78 anos, a obra inspirou filmes, peças e inundou corações e mentes ao preconizar um mundo onde o consumo e a busca pelo prazer e pelos excessos ganhariam protagonismo. Do livro original, Miriam Virna e o dramaturgo Yuri Vieira retiraram o arcabouço principal e centraram a peça em quatro personagens. Miriam interpreta Lenina e Mustafá Mond, enquanto Alessandro interpreta Bernard e John, o Selvagem.

"Li este livro na adolescência e fiquei muito impactada, como, aliás, todas as gerações até hoje. Desde 2006 venho desenvolvendo o projeto que ganha forma definitiva agora com a estréia no Rio. Trata-se de uma novela futurista sobre temas surpreendentemente contemporâneos", destaca Miriam Virna que este ano montou "Fragmentos de Sonhos do Menino da Lua", no CCBB-RJ, com sucesso de crítica e público.

Apesar da aura futurista e tecnológica, o espetáculo tem como carro-chefe o trabalho dos atores. Ambos estão em cena sem o apoio de adereços, troca de figurinos ou saídas pela coxia. "É um trabalho que valoriza a interpretação e o texto." Dois elementos da encenação que dialogam e dão suporte à proposta são a iluminação – assinada pelo premiado Renato Machado – e a trilha, criada para o espetáculo e executada pelo DJ Quizzik. Acontece também um trabalho marcante de sonorização, através do uso de microfones que ampliam e modificam as vozes dos atores.

"Se na juventude ao ler este livro me surpreendi, hoje, aos 70 anos, percebo a atualidade brutal que a história propõe, a mensagem é mais forte agora do que antigamente", observa o consagrado diretor Hugo Rodas. Para o ator Alessandro Brandão, a peça faz um retrato do mundo atual. "As pessoas hoje não sabem como preencher as próprias vidas e mergulham no excesso de bebida, internet e droga, o que faz crescer a distância entre o que realmente é essencial", diz.

Sobre os diretores

Hugo Rodas, ganhador do Prêmio Shell de Direção pelo espetáculo "Dorotéia", é um dos diretores mais irreverentes do país. Trabalhou com Antônio Abujamra, no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e com José Celso Martinez Corrêa, no Teatro Oficina. É Professor adjunto Notório Saber da Universidade de Brasília, onde leciona há mais de 15 anos e onde tem formado várias gerações de atores. Fixou residência em Brasília em 1975, onde tem realizado trabalhos importantes e inovadores. Seus mais recentes espetáculos fora da capital federal foram uma parceria com Antonio Abujamra (Os Demônios) e Denise Stoklos. Figura emblemática, Hugo Rodas é, sem dúvida, o grande nome de teatro em Brasília.

A brasiliense Miriam Virna é diretora de teatro de destaque na capital Federal. Radicada no Rio de Janeiro, Miriam foi premiada pelos espetáculos "As Ridículas de Molière" (2008) e "Contos de Alcova" (2006) pelo Prêmio SESC do Teatro Candango que levaram Melhor Espetáculo, Melhor Trilha Sonora, Melhor Figurino e Melhor Direção. Cinco de seus espetáculos foram indicados entre as melhores produções em seus respectivos anos pelo jornal Correio Braziliense. Em 2010 realizou temporada do "Fragmentos de Sonhos do Menino da Lua" no CCBB, quando recebeu críticas favoráveis do JB, O Globo e Veja Rio. Miriam foi uma das diretoras convidadas a dirigir Hugo Rodas no espetáculo "7 x Rodas", que estreou em outubro de 2010 no CCBB Brasília.

Palavra do público

Mensagem do Rogério Favilla, músico e compositor carioca, cujo conteúdo ele me autorizou a divulgar:

Caro Yuri,
Assisti ao Admirável no sábado passado com minha esposita, e achei – desculpe o clichê – um trabalho de Admirável Teatro Novo! O texto e a textura da encenação, música (adorei o som), figurino, trabalho de corpo, o inteligente uso dos microfones e efeitos de voz, a trilha como elemento orgânico da montagem, nos envia imediatamente ao mundo huxleriano…
Congratulações sinceras, pela parte que te toca. Pretendo assistir de novo com meu filho adolescente.
Tenho visto tanta baboseira, tanta banalidade e vulgaridade nos palcos, que só tenho a dizer: até que enfim, Teatro!
Abraços
RoFavilla

Recomendação

Recomendação do filósofo Olavo de Carvalho, em seu programa de rádio online True Outspeak:

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Ficha técnica

Direção: Hugo Rodas e Miriam Virna
Direção de Produção: Miriam Virna
Produção Executiva: Claudia Charmillot
Assistente de produção: Gisela Munk
Adaptação e dramaturgia: Yuri Vieira e Miriam Virna
Elenco: Alessandro Brandão e Miriam Virna
Assistente de Direção: Patrícia Gois
Trilha sonora original (e operação): DJ Quizzik
Cenário: Hugo Rodas
Figurino e Visagismo: Marcus Barozzi
Iluminação: Renato Machado

Temporada até 30 de janeiro de 2010
Espaço Sesc | Sala Multiuso

Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160. Copacabana – RJ.
Tel. 21 2547-0156.
Classificação etária: 14 anos| Duração: 70 minutos
Sexta e sábado, às 20h. Domingo, às 19h.
Lotação: 60 pessoas
Ingressos: R$ 16 (inteira); R$ 8 (meia-entrada); R$ 4 (comerciários)

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