Quando estive em Parauapebas, no Pará, a convite do festival de cinema CurtaCarajás — no qual, além de jurado, ministrei uma oficina de roteiro e direção de curtas-metragens — nós, membros do juri, fomos convidados pelos organizadores e pela Vale para conhecer a gigantesca Mina de Ferro do Carajás. Fomos de caminhonete e, conforme subíamos a serra, uma intensa neblina ia nos engolindo — era espantoso sentir, em contraste com o famigerado calor da cidade, aquela brusca queda de temperatura. (A sensação, na verdade, era a mesma de quando viajei de Tena a Baños, no Equador, isto é, da selva amazônica à cordilheira dos Andes.) Num enclave da Serra, há toda uma cidade, muito bem administrada e conservada, na qual residem apenas os funcionários da empresa: sim, uma vila privada dotada de tudo o que uma população necessita, incluindo cinemas. Mas o que realmente me marcou, claro, foi o passeio que demos dentro da Mina: parecia que estávamos em Marte ou noutro cenário qualquer de filme de ficção científica. E os caminhões! Os caminhões que ali trabalham são a razão do vídeo abaixo: pareciam monstros, com pneus de mais de três metros de diâmetro.

Lembro que o motorista da caminhonete, bastante concentrado enquanto dirigia em meio ao nevoeiro, nos disse que o maior perigo ali seria cruzar a frente de um desses caminhões: se nos colocássemos a uma distância de menos de cinco ou seis metros, o motorista do monstro — o “monstrorista” — simplesmente não conseguiria nos ver, pois estaríamos num ponto cego e, em conseqüência, acabaria nos “empanquecando”. Conforme andávamos, ouvíamos os ruídos e rugidos dos monstros e, vez ou outra, quando acontecia de a neblina descansar, distinguíamos os vultos das enormes escavadeiras, que eram ainda maiores e mais dinossáuricas do que os caminhões. E as crateras abertas por todas as partes, com as escarpas a nos ameaçar em meio às rampas, os tremores do chão sempre que algum caminhão se aproximava — máquina absurda discernível apenas como fantasma — tudo isso me lembrava as cenas finais do filme The Mist (O Nevoeiro), lançado dois anos antes.

Enfim, veja a primeira metade do vídeo abaixo e sinta-se na Serra do Carajás durante um denso nevoeiro.

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