Blog do Yuri

palavras aos homens e mulheres da Madrugada

Last Day Dream (2009), de Chris Milk

Dizem que a vida inteira passa diante de nossos olhos à hora da morte…

O cinema de John Ford: vitória moral

John Ford

« Operada a necessária distanciação, que pode motivar um julgamento mais profundo, creio que a obra de John Ford resiste e persiste. A pureza da sua encenação, sempre imediatamente visual, sempre simples – e portanto essencial – assenta sobretudo na sugestão dinâmica do enquadramento (“moving picture” em que tudo ocorre), na “montagem invisível” dos planos quase sempre fixos, sem efeitos nem piruetas técnicas, e na qualidade humana das personagens, levemente carregada no bem e no mal, que as torna fascinantes diante do espectador.

« Qualquer filme de Ford, nos últimos anos sem certos formalismos naturalistas ou expressionistas que prejudicavam a sua veia mais genuína, é um apelo à vida, à esperança, à possibilidade de os homens se encontrarem, mesmo que para tal encontro tenha de ser usada a força. É o sentido da comunidade, da família, do homem nascido da terra e da tradição, buscando as suas verdadeiras raízes, que preocupa o cineasta, que na pureza dos espaços livres do Oeste, do mundo dos pioneiros, ou nos raros refúgios de paz encontra as linhas depuradas de união.

« Os dois John Ford, de que falava Domingos Mascarenhas, acabam por ser um único, pois toda a sua obra é afinal uma obra visão, aparentemente contraditória, defendendo aqui a actualidade para logo ali lhe preferir a lenda, propondo numa altura certas figuras de chefe para sugerir mais adiante a rebeldia de uns quantos, esquecendo várias vezes a mulher para logo a valorizar, cantando os feitos da cavalaria americana para defender depois o povo índio contra essa mesma cavalaria.

« Essa duplicidade funciona sobretudo ao nível da visão dos filmes, quase sempre muito directos e muito fáceis de entender numa primeira apreciação, muito mais profundos e subtis para lá dessa visão inicial de superfície, ricos de pormenor, de observação humana, de original entendimento das coisas.

« Tal processo de aparências é sobretudo detectável de modo como constrói a vitória das suas personagens centrais, aparentemente derrotadas, mas glorificadas nessa mesma derrota, vencedoras no plano dos valores, símbolos de algo perene que ultrapassa o homem. Talvez por isso os seus “heróis” sejam personagens secundárias da história, mas ricas de humanidade e sabedoria, verdadeiros amigos, marcos evidentes da família humana.

« A sua ideia mais profunda é a do retorno às origens, uma espécie de renascer que, como católico, o leva a adoptar o pensamento essencial da Ressurreição. E, se me dessem a escolher, dentre as muitas frases-chave da sua obra, escolheria com certeza as palavras finais de “Homens para queimar” [no Brasil, “Fomos os sacrificados”], quando os sobreviventes caminham ao longo da praia abandonada, sem rumo certo, mas com a certeza de que os seus passos levam a melhores dias: “We shall return” – havemos de voltar.»
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Fonte: John Ford, de Luis de Pina.

Atualizações semanais no Twitter em 2010-11-15

  • «Shakespeare wrote Moby-Dick, using Melville as a Ouija board.» Ray Bradbury http://j.mp/aYonV6 #
  • Para muita gente o Twitter não passa de um meio de veicular sua Sit Down Comedy… %^> #
  • Abaixo-assinado Contra o retorno da CPMF – Movimento Endireita Brasil http://j.mp/dB0PL9 #
  • Quando irão mudar o nome dessa tiriricagem de "Enem" para "Ah, nem!"? (Se vc não conhece a expressão, recorra a um amigo goiano.) #
  • "Neste país, só os revolucionários e criminosos são profissionais." http://bit.ly/dmFAiE #
  • "Congresso quer aumentar o próprio salário e o de Dilma" http://bit.ly/cUjP2R #
  • "The best description of my career as a writer is 'at play in the fields of the Lord'." Ray Bradbury #
  • Designers vs. Clientes (Isso me lembra a ocasião em que escrevi 19 roteiros para uma agência de BSB e só recebi por um) http://bit.ly/bQs0Qv #
  • Em São Paulo, ninguém lhe pergunta "como vai?" e sim "o que você faz?", o que me lembra a resposta duma amiga(Luciene): "Eu sou rica, e vc?" #
  • Ah, não, gente! Agora que o Laerte é crossdresser, só faltava ele começar a namorar o Angeli… http://j.mp/9VcqJE %^> #
  • 29 de novembro, FRANCIS FORD COPPOLA estará presente em um bate-papo na FAAP: http://j.mp/9RZOcz #cinema #
  • Algo me diz (ou alguém, né @abcaldas) que Robert Louis Stevenson se inspirou na TPM da esposa para escrever O Médico e o Monstro… %^/ #
  • Se a origem da expressão "merda p/ vocês" (usada no teatro) é essa, podemos atualizá-la para "monóxido de carbono p/ vcs" http://j.mp/dawm3z #
  • Em vez dum saco plástico na cabeça, o Capitão Nascimento poderia usar um fone de ouvido com esse som do Conlon Nancarrow: http://j.mp/9uTMNx #
  • "CCJ do Senado aprova proposta que impede vice
    de suceder presidente" http://j.mp/coYTkh #
  • "Equipe médica não pode comer ou beber na presença de muçulmanos durante o mês do Ramadã em um hospital escocês" (2007) http://j.mp/9hrrON #
  • P/ não ofender muçulmanos, cofres de porquinhos foram banidos como símbolo de poupança em 2 importantes bancos britânicos http://j.mp/bLm3fc #
  • Todos os islamistas concordam com o objetivo de aplicar a lei islâmica globalmente. Mas discordam qto a usar a violência: http://j.mp/aEkkQJ #
  • "A Violência política da Bíblia e do Corão" http://j.mp/aFRUhf #islamismo #cristianismo #judaismo #
  • Antes da difusão do email, eu era um epistoleiro que pentelhava os amigos com cartas de 30 páginas. Agora sou apenas um e-pistoleiro… %^/ #
  • "Cristianismo sobrevive no Oriente Médio graças aos padres casados." http://j.mp/9IDPhi #middleeast #priests #Christianity #
  • Tudo bem, seria no mínimo engraçado se Andy Kaufman realmente ainda estivesse vivo… http://j.mp/a9v6cg #
  • Sobre Cristovam Buarque: http://bit.ly/bpPFqV e http://bit.ly/aHSKkx #
  • Hoje, aniversário de Fiódor Dostoiévski. http://j.mp/add8vU #escritores #literatura #
  • Melhor seria escalar o Cerro Fitz Roy durante o inverno a passar novamente por tudo isso… #
  • "Luta armada, caramba, não é idéia, não é doutrina, não é teoria filosófica: é matar pessoas." http://j.mp/adrFJp #
  • E uma amiga me disse que é mais fácil falar com a Dilma do que comigo. Deve ser verdade. Não tenho visto muitos seres humanos recentemente. #
  • Revisitando aquele vídeo maravilhoso que bombou anos atrás: "O jardineiro é Jesus e as árveres somos nozes" http://j.mp/bbHqYq Ahahaha! #
  • Hoje, aniversário de Robert Louis Stevenson, autor de The Strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde (O Médico e o Monstro) http://j.mp/9HggHH #
  • Dizem que Robert Louis Stevenson escreveu O Médico e o Monstro sob efeito de cocaína. Mas acho que se inspirou mesmo na TPM da esposa… %^/ #
  • Dor de cabeça = síndrome de abstinência de café. #
  • Que vergonha, o aniversário de Carlo Emilio Gadda é hoje e a versão pt da Wikipédia diz que é 14 de Maio. Vou corrigi-la. http://j.mp/bCt8GM #
  • "A carta do Grupo Record que denuncia que os jabutis estão em cima das árvores" http://j.mp/bVX0JO #
  • "Os países mais corruptos do mundo são aqueles em que há mais empresas públicas. Quanto mais estado, mais sem-vergonhice" http://j.mp/9zDApZ #

Ray Bradbury, o contribuinte e a viagem a Marte

Ray Bradbury

   Março de 2000: O contribuinte

Ele queria ir a Marte no foguete. Foi até o campo de foguetes de manhã cedo e gritou através da cerca de arame, para os homens fardados, que queria ir a Marte. Disse-lhes que era um contribuinte, chamava-se Pritchard e tinha todo o direito de ir a Marte. Não havia nascido ali em Ohio? Não era um cidadão cumpridor de seus deveres? Então por que não podia ir a Marte? Sacudiu o punho cerrado na direção deles e disse-lhes que queria ir embora da Terra, que qualquer pessoa com a cabeça no lugar queria ir embora da Terra. Dentro de dois anos iria ser desencadeada uma enorme guerra atômica na Terra e ele não queria estar ali quando isso acontecesse. Ele e milhares de outros como ele, se tivessem bom senso, quereriam ir para Marte. Pergunte-lhes se não quereriam! Ficar longe de guerras, censuras, estatizações, conscrição, controle governamental disto e daquilo, da arte e da ciência! Vocês podem ficar com a Terra! Estava lhes oferecendo sua mão direita, seu coração, sua cabeça, pela oportunidade de ir para Marte! Que se devia fazer, que se devia assinar, que se devia saber para embarcar no foguete?
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As Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury.

Witold Lutosławski: “Variações sobre um Tema de Paganini”

“Variações sobre um Tema de Paganini” (1941), de Witold Lutosławski. Execução: Enrico Pace e Igor Roma.

Henri Dutilleux: “Tout un monde lointain”

“Tout un monde lointain”, um concerto para violoncelo e orquestra de Henri Dutilleux. (Sim, eu gosto de trilha sonora sinistra…)

Bráulio Mantovani: “Idéias sem forma são apenas idéias”

Do Planeta Tela:

Enquanto isso, um de seus roteiristas, Bráulio Mantovani, deu um puxão de orelhas nos críticos de cinema esta semana. Quando questionado pela jornalista Maria do Rosário Caetano sobre a não inclusão do nome de Wagner Moura como co-roteirista do filme [Tropa de Elite 2], Mantovani afirmou: “Para ser co-roteirista, é preciso sentar-se junto ao computador e escrever. Dar idéias não é o mesmo que escrever roteiros. Como disse Mallarmé a Degas: um poema não se faz com idéias, um poema se faz com palavras. O mesmo raciocínio se aplica à escrita de roteiros. Wagner Moura, assim como Daniel Rezende, Rodrigo Pimentel e outros, fizeram leituras críticas e deram sugestões para as muitas versões de roteiro de Tropa de Elite 2. Mas quem sentou a bunda diante do computador para dar forma dramática às idéias que iam surgindo fomos José Padilha e eu. Era nossa a responsabilidade de resolver os problemas da narrativa”.

E conclui: “Ninguém em Tropa de Elite 2 tem crédito não merecido e ninguém deixou de ser creditado pelo trabalho que fez. A participação intensa do Wagner no roteiro corresponde ao que se espera de um coprodutor (assim como eu, que também tenho o mesmo crédito, participei da montagem e de todas as decisões importantes relacionadas à produção e ao lançamento do filme). Já está na hora de vocês críticos assimilarem a evolução do trabalho do escritor no cinema brasileiro. Desde que nós fundamos a AC (Autores de Cinema), o crédito de roteiro passou a ser encarado com mais rigor, mais seriedade e mais profissionalismo. A era dos diretores que assinam roteiros sem sequer saber escrever direito acabou. Idéias sem forma são apenas idéias. Arte é forma”.

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