Blog do Yuri

palavras aos homens e mulheres da Madrugada

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Mario Vargas Llosa (Nobel de Literatura 2010): El viaje a la ficción

Mario Vargas Llosa expone su visión sobre el fenómeno literario y los vínculos entre la realidad y la ficción.

John Ford: o cineasta do exílio

John Ford

Trecho de um ótimo artigo de Martim Vasques da Cunha sobre o cineasta John Ford:

« John Ford é o cineasta do exílio interior porque, feliz ou infelizmente, esta é a nossa condição natural – quem quer se manter íntegro em um mundo corrompido paga um preço caro demais para isso. Ou é esquecido pelas pessoas que amou ou é excluído de qualquer participação em uma simples harmonia comunitária. Ele nos ensina a triste lição que a vida dá aos pouquinhos e em goles bem amargos: a de que quanto mais tempo passa, ficamos cada vez mais sozinhos, vivendo em uma prisão onde é melhor ficar na solitária.»

John Ford no IMDB.

José Bonifácio fala do Caráter Geral dos Brasileiros et cetera

José Bonifacio de Andrada e Silva

« É preciso sacrificar-se para o bem do Brasil, e tu não verás este bem. Os campos estão cheios de sementeiras de flores e tu não as gozarás… Vivamos hoje se no-lo permitem; não lutemos contra o Destino.»

(…)

« Se me acusarem de plagiário, direi com Byron que não faço escrúpulo de servir-me dos pensamentos alheios, que me parecem felizes. Quanto Shakespeare não tirou dos seus contemporâneos e quanto o nosso Camões!»

(…)

« Devemos saber ignorar em paz muita coisa grande.»

(…)

« O viajeiro, que como eu há tanto tempo viaja, é como o homem que come muito sem tempo de digerir. Desejo voltar à pátria para poder fazer boa digestão e ruminar o que hei visto.»

(…)

« La Vita Nuova de Dante é o breviário do amor. Dante é intraduzível. Podem-se verter os pensamentos, mas não a beleza, a simplicidade clássica.»

(…)

« O homem de bem projeta e espera; o ambicioso agita-se e precipita-se.»

(…)

« O déspota que não pode ser amado quer ser temido.»

(…)

« O brasileiro, que possui uma terra virgem debaixo de um céu amigo, recebeu das mãos da benigna natureza todo o físico da felicidade, e só deve procurar formá-lo em bases morais de uma boa Constituição que perpetue nossos bons costumes. Devemos ser os chins do Novo Mundo sem escravidão política e sem momos. Amemos pois nossos usos e costumes, ainda que a Europa se ria de nós.»

(…)

« Um grande poeta não pode ser ateu ou indiferente.»

(…)

« No Brasil, a virtude quando existe é heróica porque tem de lutar com a opinião e o governo.»

(…)

« No Brasil, há um luxo grosseiro a par de infinitas privações de coisas necessárias.»

(…)

« De que servia fazer leis se a sua execução estava entregue à mais infame corrupção?»

(…)

« As nações pouco cultas, mas vivas e impetuosas como a nossa, detestam novidades de prática, mas abraçam logo todas as especulativas, sejam quais forem.»

(…)

«Não é senhor de si quem a outrem sujeitou a língua. Um só homem, que queira e saiba falar a tempo, faz calar e tremer a muitos, pode ser a conservação de um povo inteiro que o silêncio perderia. A verdade muda introduz a tirania.»

(…)

« Caráter geral dos Brasileiros. Os Brasileiros são entusiastas do belo ideal, amigos da sua liberdade e mal sofrem perder as regalias que uma vez adquiriram. Obedientes ao justo, inimigos do arbitrário, suportam melhor o roubo que o vilipêndio; ignorantes por falta de instrução, mas cheios de talento por natureza; de imaginação brilhante e por isso amigos de novidades que prometem perfeição e enobrecimento; generosos mas com bazófia; capazes de grandes ações, contanto que não exijam atenção aturada e não requeiram trabalho assíduo e monotônico; apaixonados do sexo por clima, vida e educação. Empreendem muito, acabam pouco. Serão os Atenienses da América se não forem comprimidos e desanimados pelo despotismo.»

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Trechos de José Bonifácio, com textos selecionados por Octavio Tarquínio de Sousa. Para ler sobre José Bonifácio de Andrada e Silva

Atualizações semanais no Twitter em 2010-10-04

  • RT @kaisa_isabel:pichação e briguinha de artistas em 2010.Sono RT @leleou só de pensar em bienal e moderninhos eu já fico cansado,imagina ir #
  • Hoje é um bom dia para fotografar: há um filtro âmbar no céu. Aproveite para fazer uma produção vintage. B^) #
  • Sobre Lula achar que tem sempre razão por ser popular… B^) RT @flaviomorgen: @yurivs Como você tem mais seguidores do que eu, nem discuto. #
  • Essa foi ótima!!! B^D (Sobre copyright, compartilhamento, etc.) http://bit.ly/a3HyaC #cartoon #
  • Esse cubo para digitalizar livros é um tanto primitivo, não? #BookLiberator http://bit.ly/bEDW05 #
  • "Karl Fogel: History of copyright and its implications for the ownership of information today" http://bit.ly/crbDVp (Stanford University) #
  • "The Public's Perception of Copyright — Video Interviews with Randomly-Selected People in Chicago" http://bit.ly/cP8oHy #
  • "Poema para o presidente Lula", de João Batista do Lago (Vc q se considera "apolítico", ouça ao menos a mensagem final) http://bit.ly/cY1vO4 #
  • Você descobre um fato inexorável, deduz dele uma regra de conduta, que funciona, mas, por tentação, crendo numa exceção, a viola. E se fode. #
  • "Arqueólogos descobrem palácio de Ulisses em Ítaca" http://bit.ly/cQHWzf #
  • "O elemento estrutural do cosmos, e a realidade fundamental da nossa experiência, chama-se alma imortal humana." http://bit.ly/bipewt #
  • ☞ Traduzir é como revelar uma imagem fotográfica tendo de coordenar, com os próprios dedos, a ação das substâncias químicas. Trabalheira!! #
  • ❝PM do governador do Tocantins usa fuzis para tentar impedir a VEJA de circular no Estado;(…) O que Lula acha disso?❞ http://bit.ly/db9OGD #
  • "Democracia não é o povo ter o direito de gritar que está com fome, democracia é o povo ter direito de comer". Lula☭ http://bit.ly/c9HYhe #
  • Sabe quando seu pai vai fazer uma cirurgia no coração e, uma hora e quarenta e cinco minutos após a hora marcada, nada de médico? Pois é… #
  • ❝Marina é quem recorre a um número maior de truques, embora passe incólume pela crítica.❞ (É isso mesmo.) http://bit.ly/dzLdYg #
  • Rolou um trovão aqui no bairro e os alunos do colégio aqui ao lado, em coro: "Êeeeeeeeeh!" #
  • As risadas da @leilah_carvalho no True Outspeak são impagáveis… B^) #
  • E falando nisto: "A Desobediência Civil, de Henry David Thoreau" http://bit.ly/bze8WP #trueoutspeak #
  • O IMDB alterou o design do site. Hmmm. http://www.imdb.com/ #
  • Impressionante. O Paulo Henrique Amorim escreve feito um retardado. Não escreve parágrafos, mas manchetes encadeadas. http://bit.ly/bgBeQ2 #
  • Alguém incapaz de ligar duas premissas jamais chegará à conclusão de que apóia criminosos. #
  • O problema do Tiririca não é ser analfabeto. Dizem que Maomé também era. Alguém assim só precisa de um secretário.Mas é analfabeto funcional #
  • Um analfabeto funcional não conseguirá compreender um texto mais complexo lido por seu secretário. #
  • Se o Tiririca contratasse o Paulo Henrique Amorim como seu secretário, logo teríamos campos de concentração no Brasil – e eles nem saberiam! #
  • Tiririca(presidente)e Paulo Henrique Amorim(secretário dele)acabariam presos num campo de concentração criado por eles.Sem saber onde estão! #
  • Dilma, Serra, Marina, Plínio, Tiririca… parece um cortejo circense do inferno. Eu votaria no @mariooliveira70 , mas não saiu a candidatura #
  • Amazon lança Kindle para a Web: agora é possível ler trechos de seus ebooks diretamente no navegador. http://bit.ly/d3Jz8t #
  • Olhaí… "Tiririca – o Filio do Braziu" http://bit.ly/bM32Kd #video #humor #
  • "O Chefe", de Ivo Patarra, (baixe o PDF do livro proibido sobre Lula, chefe do Mensalão) – http://bit.ly/c1pFtO #ebook #
  • "Longe de tratar o sr. Presidente a chicotadas, a mídia, que o criou, sempre procurou poupá-lo e afagá-lo." #lula http://bit.ly/dfmMq8 #
  • Assim caminha a universidade: 1 semana depois de sair da greve, a UnB volta a entrar em greve – (via @unbconservadora) http://ven.to/cfn #
  • Exposição de arte abstrata em Júpiter, divulgada pela Nasa: http://bit.ly/azjNze #
  • Olha o Soma do Admirável Mundo Novo. RT @revistagalileu: Antidepressivos deixam as pessoas mais pacíficas, diz estudo – http://bit.ly/afZL0z #
  • Relâmpagos e trovões. Pensei em cantar e dançar, caso chova mesmo, mas, com esse céu sujo, vai é chover lama misturada com chuva ácida. B^/ #
  • "Writers would not starve, if copyrights disappeared off the face of the Earth tomorrow" http://bit.ly/a8V3NM #
  • ❝Confesso que escrevo de palpite, como outras pessoas tocam piano de ouvido. De vez em quando um leitor culto se… http://twishort.com/abs7o #
  • ❝Singin' in the rain❞ (finalmente!) http://bit.ly/b2P7ZW (A @spihh110 vai com ou sem chuva ácida.) #
  • Ela parecia perdida: mas era "somente" falta de poesia. (Um médico jamais adivinharia…) ✿ #
  • Cansei de receber convites para festas e shows localizados sabe-se lá onde. Por que não colocam o nome da cidade? Em geral, não há nem DDD. #
  • Hoje, aniversário de Miguel de Cervantes, e também de Miguel de Unamuno, além de aniversário da morte de Machado de Assis. Que dia, hein. #
  • Aniversários de MIGUEL de Cervantes e de MIGUEL de Unamuno. Deu para notar que é dia do Arcanjo Miguel, segundo o Livro de Urântia, Jesus. #
  • Miguel (em hebraico: מִיכָאֵל; em grego: Μιχαήλ; em latim: Michael; em árabe: میکائیل): o líder dos exércitos celestiais. http://j.mp/dk4g9P #
  • Resumo da carta do Conselho Estadual de Cultura de Goiás: Considerando que a cultura é linda, vamos aumentar a burocracia para tratar dela. #
  • E todos aplaudem a carta do Conselho Estadual de Cultura de Goiás, afinal, entenderam: mais dinheiro! Quem é louco para rasgar essa grana? #
  • Por falar em Cultura, a cultura de bactérias na nascente do córrego Vaca Brava (no Parque Vaca Loca) está cada vez maior: um cheirão!! #
  • Ler mais

Alguns poemas de Augusto dos Anjos

Augusto dos Anjos

O COVEIRO

Uma tarde de abril suave e pura
Visitava eu somente ao derradeiro
Lar; tinha ido ver a sepultura
De um ente caro, amigo verdadeiro.
Lá encontrei um pálido coveiro
Com a cabeça para o chão pendida;
Eu senti a minh’alma entristecida
E interroguei-o: “Eterno companheiro
Da morte, quem matou-te o coração?”
Ele apontou para uma cruz no chão,
Ali jazia o seu amor primeiro!
Depois, tomando a enxada, gravemente,
Balbuciou, sorrindo tristemente:
– “Ai, foi por isso que me fiz coveiro!”

O LUPANAR

Ah! Por que monstruosíssimo motivo
Prenderam para sempre, nesta rede,
Dentro do ângulo diedro da parede,
A alma do homem polígamo e lascivo?!
Este lugar, moços do mundo, vede:
É o grande bebedouro coletivo,
Onde os bandalhos, como um gado vivo,
Todas as noites, vêm matar a sede!
É o afrodístico leito do hetairismo,
A antecâmara lúbrica do abismo,
Em que é mister que o gênero humano entre,
Quando a promiscuidade aterradora
Matar a última força geradora
E comer o último óvulo do ventre!

O MARTÍRIO DO ARTISTA

Arte ingrata! E conquanto, em desalento,
A órbita elipsoidal dos olhos lhe arda,
Busca exteriorizar o pensamento
Que em suas fronetas células guarda!
Tarda-lhe a Idéia! A inspiração lhe tarda!
E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento,
Como o soldado que rasgou a farda
No desespero do último momento!
Tenta chorar e os olhos sente enxutos!…
É como o paralítico que, à míngua
Da própria voz e na que ardente o lavra
Febre de em vão falar, com os dedos brutos
Para falar, puxa e repuxa a língua,
E não lhe vem à boca uma palavra!

O MORCEGO

Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.
“Vou mandar levantar outra parede…”
– Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!
Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!

A ESPERANÇA

A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.
Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?
Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a Crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro – avança!
E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da Morte a me bradar; descansa!

AMOR E CRENÇA

Sabes que é Deus? Esse infinito e santo
Ser que preside e rege os outros seres,
Que os encantos e a força dos poderes
Reúne tudo em si, num só encanto?
Esse mistério eterno e sacrossanto,
Essa sublime adoração do crente,
Esse manto de amor doce e clemente
Que lava as dores e que enxuga o pranto?
Ah! Se queres saber a sua grandeza
Estende o teu olhar à Natureza,
Fita a cúp’la do Céu santa e infinita!
Deus é o Templo do Bem. Na altura imensa,
O amor é a hóstia que bendiz a crença,
Ama, pois, crê em Deus e… sê bendita!

AMOR E RELIGIÃO

Conheci-o: era um padre, um desses santos
Sacerdotes da Fé de crença pura,
Da sua fala na eternal doçura
Falava o coração. Quantos, oh! Quantos
Ouviram dele frases de candura
Que d’infelizes enxugavam prantos!
E como alegres não ficaram tantos
Corações sem prazer e sem ventura!
No entanto dizem que este padre amara.
Morrera um dia desvairado, estulto,
Su’alma livre para o céu se alara.
E Deus lhe disse: “És duas vezes santo,
Pois se da Religião fizeste culto,
Foste do amor o mártir sacrossanto.”

SONETO

A praça estava cheia. O condenado
Transpunha nobremente o cadafalso,
Puro do crime, isento de pecado,
Vítima augusta de indelével falso.

E na atitude do Crucificado,
O olhar azul pregado n’amplidão,
Pude rever naquele desgraçado
O drama lutuoso da Paixão.

Quando do algoz cruento o braço alçado
Se dispunha a vibrar sem compaixão
O golpe na cabeça do culpado

Ele, o algoz – o criminoso – então,
Caiu na praça como fulminado
A soluçar: perdão, perdão, perdão!

ARIANA

Ela é o tipo perfeito da ariana.
Branca, nevada, púbere, mimosa,
A carne exuberante e capitosa
Trescala a essência que de si dimana.

As níveas pomas do candor da rosa,
Rendilhando-lhe o colo de sultana,
Emergem da camisa cetinosa
Entre as rendas sutis de filigrana.

Dorme talvez. Em flácido abandono
Lembra formosa no seu casto sono
A languidez dormente da indiana.

Enquanto o amante pálido, a seu lado,
Medita, a fronte triste, o olhar velado,
No Mistério da Carne Soberana.

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Eu e Outras Poesias, de Augusto dos Anjos

Copiar não é Roubo / Copy is not theft



O vídeo acima me lembra que, meses atrás, respondi a uma pergunta no Formspring sobre direitos autorais. (Leia aqui.) Continuo pensando da mesma forma no que se refere a “atribuição de autoria”, “obras derivadas” e tudo o mais. Mas o problema da remuneração continua, cada vez mais gordo, enquanto os artistas não bancados pelo ☭Estado☭ emagrecem a olhos vistos. (Arte é, em certo sentido, um investimento de tempo, o qual se cristaliza na forma de dinheiro, que, por sua vez, está nas mãos do Estado — impostos, gente! impostos! — ou nos bolsos de investidores incultos.) Num mundo ideal, creio que o mais correto seria — no caso dos ebooks, por exemplo — os livros espalharem-se livremente pela rede e, caso o leitor gostasse do texto, que então fizesse (de livre e espontânea vontade, lógico) uma doação ao autor através do PayPal (ou serviço semelhante). Infelizmente o mundo ideal não existe e as pessoas não querem jogar moedinha no chapéu de artista nenhum, essa gente à toa, essas cigarras desprovidas de senso prático. Aliás, aqui no Brasil, retribuir financeiramente algo que se recebeu “de graça”?! Isso nem nos passa pela cabeça. A Lygia Fagundes Telles, quando a visitei anos atrás, me disse que ganhava mais dinheiro dando palestras que através de direitos autorais. Talvez, da mesma forma que os músicos foram obrigados a sair em turnê para conseguir sobreviver — e temos de agradecer aos arquivos MP3 por isso (graças a esse estado de coisas já rolou até um show do The Doors a dois quarteirões da minha casa; sim, sem o Jim Morrison) –, da mesma forma que os músicos, os escritores terão de fazer o mesmo: sair a dar palestras, oficinas literárias, de roteiro, fazer stand-up comedy ou coisa assim. Só que as pessoas tampouco parecem saber que isso é possível e, além de conveniente, uma necessidade para o escritor. Quando finalmente o convidam, a não ser que seja um evento patrocinado pelo Estado (ah, esse nosso socialismo disfarçado…), querem que você faça, sim, tudo de graça, o que me lembra este outro vídeo aqui.

Mas o assunto era Copyright… Bem, este site apresenta a questão de uma forma bastante abrangente. E esta palestra (também em inglês, sem legendas) resume bem a situação toda. E, claro, é sempre bom, em casos assim, recorrer ao Mises Institute: aqui e aqui.

Stanislaw Ponte Preta e O menino que chupou a bala errada

Sérgio Porto

Diz que era um menininho que adorava bala e isto não lhe dava qualquer condição de originalidade, é ou não é? Tudo que é menininho gosta de bala. Mas o garoto desta história era tarado por bala. Ele tinha assim uma espécie de idéia fixa, uma coisa assim… assim, como direi? Ah… creio que arranjei um bom exemplo comparativo: o garoto tinha por bala a mesma loucura que o Sr. Lacerda tem pelo poder. [Eu, Yuri, diria “a mesma loucura que o Sr. Lula tem pelo poder”. Entendeu agora?]

Vai daí um dia o pai do menininho estava limpando o revólver e, para que a arma não lhe fizesse uma falseta, descarregou-a, colocando as balas em cima da mesa. O menininho veio lá do quintal, viu aquilo ali e perguntou pro pai o que era:

– É bala – respondeu o pai, distraído.

Imediatamente o menininho pegou diversas, botou na boca e engoliu, para desespero do pai, que não medira as conseqüências de uma informação que seria razoável a um filho comum, mas não a um filho que não podia ouvir falar em bala que ficava tarado para chupá-las.

Chamou a mãe (do menino), explicou o que ocorrera e a pobre senhora saiu desvairada para o telefone, para comunicar a desgraça ao médico. Esse tranqüilizou a senhora e disse que iria até lá, em seguida.

Era um velho clínico, desses gordos e bonachões, acostumados aos pequenos dramas domésticos. Deu um laxante para o menininho e esclareceu que nada de mais iria ocorrer. Mas a mãe estava ainda aflita e insistiu:

– Mas não há perigo de vida, doutor?

– Não – garantiu o médico: – Para o menino não há o menor perigo de vida. Para os outros talvez.

– Para os outros? – estranhou a senhora.

– Bem… – ponderou o doutor: – o que eu quero dizer é que, pelo menos durante o período de recuperação, talvez fosse prudente não apontar o menino para ninguém.

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De Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo de Sérgio Porto).

Fonte: “365 – Seleção de Leitura e Informação”, 1973 (?).

Sugiro, para começar, o livro O Melhor de Stanislaw Ponte Preta.

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